Arquivo mensal: fevereiro 2014

Os gays rasgam as fantasias no Carnaval

GalaGay-Isabelita-dos-Patins-e-Ricardo-AmaralNo Brasil, talvez não exista data mais aberta à diversidade do que o carnaval. Dos desfiles de escolas de samba aos blocos de rua, onde homens se vestem com roupas de mulher sem medo de ser feliz – a folia costuma receber e celebrar a comunidade gay todos os anos, em diversos cantos do País.

O termo rasgar a fantasia originou-se de velhos carnavais onde as pessoas mostravam-se como realmente elas eram em personalidade e comportamento, depois de tê-los dissimulado, ou seja, no carnaval você pode ser quem você quiser ser porque tudo é permitido.

Para os gays o carnaval é o momento de “sair do armário” e ir para as festas de rua ou salão com alguma fantasia que lhe seja especial ou particularmente pessoal.

A fantasia usada no carnaval tem relação com nossas fantasias mais secretas, aquelas que a gente não conta pra ninguém.

Para muitos rasgar a fantasia quer dizer “cair na folia”, para outros significa lavar todos os pecados, esquecer o cotidiano como se nada tivesse acontecido.

Os gays buscam os bailes de carnaval para soltar a sensualidade e a sexualidade reprimida, dessa forma, os bailes de carnaval servem como uma oportunidade anual para que o privado torne-se mais público.

A expressão desinibida do homossexual durante o carnaval comprova que a sociedade brasileira tolera a homossexualidade e a bissexualidade, mas no cotidiano não é bem assim…

Até a primeira metade do século XX, os homossexuais não tinham muito espaço para brincar o carnaval, exceto os bailes de salão. Isso ocorreu gradativamente a partir do final dos anos 40 com a institucionalização do carnaval através de ajuda financeira do governo de Getúlio Vargas, para as escolas de samba.

carnaval_gay_wordpressA partir dos anos 70 surgiram os primeiros bailes para o publico gay, onde travestis e Drag Queens deixaram suas marcas registradas. Personalidades como Rogéria, Isabelita dos Patins, Roberta Close, Telma Lipp e Claudia Wonder ferveram nos salões, principalmente no Gala Gay do Rio de Janeiro. Tanto que em 1984 Roberta foi a musa do carnaval carioca.

Portanto, há 30 anos os gays estão mais soltos, porque a partir do pioneirismo dessas desbravadoras, novos comportamentos foram assimilados na sociedade brasileira. Naquela época os homossexuais, travestis e transexuais não eram bem-vindos e nem endeusados como ocorre atualmente.

Mesmo assim, o carnaval ainda é uma das poucas oportunidades dos gays realmente soltarem a franga, rasgarem todas as fantasias e cair na folia, para libertar a sexualidade.

Ninguém precisa atravessar o deserto do Saara, dizer à mamãe que quer mamar ou perguntar à jardineira por que ela está tão triste para saber que, nos próximos dias, o carnaval vai mobilizar milhões de pessoas de norte a sul do País.

Então, um ótimo carnaval!

Leia também: 

## Gala Gay do Rio de Janeiro

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## Os gays no Carnaval

O carnaval chegou

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Homossexualidade e Economia

homossexualidade_economia“Os sujeitos homossexuais só podem viver livremente suas sexualidades em lugares específicos, geralmente voltados ao entretenimento, com todas as suas limitações e artificialidades, pois a rua se estabelece como um lugar predominantemente heterossexual e repleto de moralidade”Reflexões de Pritchard (1998).

Os gays ganham mais visibilidade e o interesse dos empresários para investir em comércio e serviços específicos movimentando a economia de cidades, estados e do Brasil.

Conforme dados da ABRAT-GLS – Associação Brasileira de Turismo GLS – o turismo gay no Brasil movimenta hoje aproximadamente US$ 6,5 bilhões. Desse total, 70% vêm do turismo interno e 30% do internacional.

Também, não é de se admirar que o crescimento no setor seja maior do que o crescimento econômico de diversos segmentos no Brasil e as previsões para os próximos dez anos vão além da imaginação de qualquer economista.

O segmento LGBT tende a crescer nos próximos anos pela participação de grandes redes hoteleiras, companhias aéreas, construção civil, agências de viagem e turismo especializadas em atender este público.

Foi-se o tempo dos guetos escuros dos centros das grandes cidades. Hoje estabelecimentos comerciais de pequeno e médio porto estão em todos os lugares, inclusive, cidades do interior.

O mercado nacional concentra milhares de estabelecimentos, casas noturnas, bares, saunas, teatro, etc. que tem a cada ano consolidado mais espaços para atender a esse mercado no Brasil.

As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Florianópolis ocupam os quatro primeiros lugares no ranking nacional de destinos LGBT.

Também, cada vez mais as feiras de turismo estão abrindo espaço para o público gay porque os viajantes LGBT gastam uma média de 57% a mais durante suas férias em comparação aos turistas heterossexuais.

Atrair turistas homossexuais passou a fazer parte da agenda de muitos destinos turísticos, cujos órgãos oficiais têm participado ativamente na construção de um ambiente mais favorável e amigável, estimulando a solidificação de espaços gay friendly.

No mundo as cifras também são astronômicas.

De acordo com a análise de números de um estudo de pesquisa de mercado apresentado no World Travel Market em Londres,  o top 20 dos mercados LGBT poderá arrecadar US$ 202 bilhões esse ano.

Quem lidera a lista são os EUA, com turistas LGBT atingindo US$ 56,5 bilhões em gastos.

A economia e a homossexualidade nunca estiveram tão próximas e considerando que o impacto emocional desses estabelecimentos sobre os consumidores homossexuais é incalculável.

O universo da rua frequentado por muitos indivíduos em busca de encontros homossexuais tem limitações óbvias: impessoalidade, o risco de violência e impossibilidade de uma interação mais social do que sexual.

O mundo comercial gay seria assim uma resposta a esta frustração, unindo a eventual busca por parceiros sexuais a uma possibilidade mais ampla de socialização. Com este cenário, os empresários estão sorrindo à toa e a economia também, agradece.

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