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O caleidoscópio da homossexualidade masculina 

Caro leitor, a partir do dia 10 de marco estarei em férias retornando apenas após a páscoa. Deixo para você mais um artigo para reflexão.

Circulou nas redes sociais e jornais online a notícia do homem casado por sessenta anos, bisavô que assumiu a homossexualidade para a família aos 95 anos. A história é semelhante ao enredo de filme Toda Forma de Amor com Christopher Plummer, aliás, ganhador do Oscar de ator coadjuvante por esse filme.

Eu já escrevi sobre uma experiência pessoal com o Gumercindo no artigo O taxista bissexual. Guga como era chamado passou quase setenta anos da vida desejando secretamente ter relações com outro homem e mesmo casado, depois viúvo, avô de três netos, consumou seus desejos com este que vos escreve.

Eu, particularmente, tenho convicções bem claras sobre a homossexualidade e penso que é oito ou oitenta. Não é possível passar a vida se escondendo de si mesmo e não experimentar ou porque não, se apaixonar por alguém do mesmo sexo.

No caso do sr. Roman (foto), assumir-se gay há sessenta ou setenta anos atrás era algo impensável e mesmo nos dias atuais ainda não é fácil.

A homossexualidade não se caracteriza por fazer sexo, mas por sentir desejo, atração, querer estar junto, dar um beijo, ser acariciado ou acariciar outro corpo semelhante.

Nos últimos quarenta anos, eu conheci histórias sobre as relações entre homens e sei de incontáveis tipos de relacionamentos, como um caleidoscópio que apresenta, a cada movimento, combinações variadas e agradáveis de efeito visual.

Uma vez um coroa cruzou o meu caminho e queria pagar a minha faculdade e não desejava nada em troca. Ele era um gay idoso, sem família, sem companheiro, enfim, sem ninguém. O homem tinha prazer em fazer o bem e sempre o fazia a gays mais jovens. Não que com essa atitude ele tivesse gozo, nada disso! Perguntei o motivo daquela ação e a resposta foi simples: Me dá prazer e felicidade poder ajudar e quero apenas a sua amizade.

Obviamente, conclui os meus estudos com os meus próprios recursos, mas essa experiência me fez crescer como ser humano

As variantes das relações entre iguais vão além do nosso discernimento. Outro homem gostava apenas de jovens e se contentava em leva-los à sua casa para conversar e servir-lhes água ou refrigerante. Assim, algumas horas se passavam e isso bastava ao coroa para estar feliz. Jurou de pés juntos nunca ter tocado qualquer daqueles jovens, todos menores de idade.Essas ações nem eram fetiches. 

Conheci casais de idosos ou de idosos com maduros que nunca tiveram relação com penetração, alguns satisfaziam-se com masturbação, deitar lado a lado e roçar um corpo no outro, cacete com cacete, um sessenta e nove talvez, e outras formas de prazer.

O que nos define como homossexuais é sentir-se atraído e gostar de outro igual, se apaixonar e amar. Doamos ao semelhante qualquer momento que nos tire o vazio da vida, porque isso já basta para sermos pessoas realizadas.

Em janeiro último relatei aqui no blog sobre os desejos homossexuais reprimidos e o meu encontro com um senhor viúvo desejoso por encontrar um amigo para compartilhar a vida.

Os desejos reprimidos vêm desde a adolescência, alguns jovens gostam de homens mais velhos e o sexo passa longe do objetivo principal.

Muitos querem um grisalho para chamar de seu e nesta frase de conotação possessiva está algo ingênuo e singular, pois no contexto geral esses jovens querem alguém com experiência para ser o professor na arte e no aprendizado do sexo e da vida.

Os sexólogos dizem que só gostar ou amar alguém não basta, isso é doença platônica, porque na essência há a submissão e isso condiciona para o sexo de fato e com facetas de passividade, será?

As nuances da homossexualidade são infinitas e a cada giro do caleidoscópio novas formas visuais se formam, então porque não usar a perspicácia e observar o mundo homossexual com outros olhos, ou melhor, outras lentes, preferencialmente, coloridas?

Há duas situações comuns: Gays que não se aceitam e gays atirados

Se o jovem não buscou parceiros por questões sociais ou familiares, invariavelmente, se casa e constitui família, tornando difícil a vivencia homossexual e quando se dá conta envelheceu e a válvula de escape para tentar recomeçar a vida é a separação ou viuvez. Nunca é tarde para satisfazer os mais íntimos desejos ou aceitar-se como gay, mas o melhor da vida passou.

Se o jovem busca parceiros desde cedo, inicialmente ele é inexperiente na arte do amor e se entrega aos seus homens de forma até ingênua e isso molda sua vida;

Jovens que se jogam no mundo gay são fodidos por seus pares, mamam cacetes de todas as formas e fodem freneticamente seus parceiros, deparam-se com voyers, masturbadores e chupadores. Vez ou outra caem em ciladas de sadomasoquistas e aproveitadores de plantão. Permitem-se usar e serem usados para o prazer, pelo simples fato de que tudo é aprendizado.

A maioria dos gays maduros que tiveram uma juventude plena, com o tempo ficam seletivos, buscam relações mais estáveis e com menos adrenalina. Muitos se apaixonam e sofrem desilusões novelescas e isso muda a forma de ver o mundo e as relações.

Na maturidade já conhece todos os macetes e truques da paquera e experiente não se entrega a qualquer um. Busca pacientemente um parceiro com afinidades, desaparece das baladas e assume a postura de um homem de meia idade com o controle sobre a sua vida.

Prefere ficar sozinho do que ter problemas de relacionamentos e acredita que ninguém muda ninguém e quando se dá conta envelheceu, o tempo passou e a juventude não volta mais. Mas, olha para trás e sorri porque viveu plenamente.

Nessa fase da vida, valoriza os sentimentos sem segundas intenções e prefere a companhia de outro homem para não ficar sozinho, porque na velhice a sensação de vazio é mais frequente. Também, a decadência física gera um misto de impotência e finitude da vida.

Caro leitor, imagine um gay na velhice sem nunca ter tocado outro corpo masculino?

Nós somos carentes e as carências são preenchidas com atenção, calor humano, diálogo, toques e afagos e no fim da vida deseja-se algo simples e não tão complexo como o sexo de fato.

Entregar-se de corpo e alma a um parceiro não é o fim do mundo, entendo ser importante para alguns e desnecessário para outros, bem como, na velhice cada oportunidade deve ser aproveitada com sabedoria.

Se você tem desejos de estar com outro homem, o importante é não passar por essa vida sem experimentar o amor homossexual, seja você casado ou não, com filhos ou netos, não importa!

Também, não dá para passar a vida apenas com desejos e sonhos e não os concretizar, porque fica a sensação de frustração e mais lá na frente arrependimento não resolverá seus anseios, portanto, se você sente alguma atração por homem, não perca tempo, saia do seu quadrado, do conforto da sua casa e arrisque-se numa aventura, afinal o que é a vida senão uma grande aventura!

Como disse o senhor Roman:

Gostaria de alguém com quem pudesse contar. Eu realmente não preciso de qualquer conexão física ou mental. Eu quero ir dormir e ter alguém ao meu lado, não por qualquer outra razão além da certeza de que alguém se importa.

Desejos homossexuais reprimidos 

Caro leitor, estou de volta e para começar o ano, aqui vai um artigo leve e sem compromisso sobre as escolhas que fazemos na vida.

Primeiro dia útil de 2017, ali numa rua do meu trajeto para o trabalho, às 7 horas da manhã me deparei com um senhor e seu cãozinho fazendo a caminhada matinal.

Para a minha surpresa ele me olhou e puxou conversa sobre amenidades. Fiquei ainda mais surpreso ao ser indagado sobre minha vida pessoal. Perguntas do tipo: você é casado? Tem filhos?

Após negativas às suas perguntas, eu também parti para cima para saber mais sobre aquele senhor simpático e de boa saúde.

Após breve conversa fiquei sabendo que ele era viúvo, tinha dois filhos casados e residentes noutra cidade. Morava sozinho num apartamento ali perto e há três anos buscava o que fazer para se ocupar na ociosidade da aposentadoria como servidor público federal.

Me confidenciou sentir-se só e um estranho vivendo isolado, pois seu círculo de amigos e parentes desapareceram deste a morte da esposa. Literalmente esquecido! Ou melhor, deixado de lado.

Qual não foi a minha outra surpresa quando me relatou que estava pensando em buscar um amigo gay na mesma faixa de idade e mesmo nível social, para um relacionamento sem compromisso.

Aliás, ele sempre sentiu vontade de ter relações com homens, mas nunca se aventurou para esse lado da força por conta das cobranças da família. Suas vontades passavam além do arco-íris, tinha vontade de beijar, roçar, brincar e gozar. Sexo anal não estava no seu dicionário. Nem ativo e nem passivo. Sentia vontade de tocar um corpo masculino e nada mais.

Percebi nos seus relatos a carência afetiva enraizada no seu subconsciente, dos sonhos juvenis sempre presentes, como descansar a cabeça no colo de um homem. Tudo isso é lindo quando se tem o colo e quem não tem lambe com a testa.

Quando eu disse que era gay os seus olhos brilharam e um sorriso acanhado abriu-se na sua face. Mas, eu já estava atrasado e combinei de encontra-lo naquele mesmo dia para o almoço.

Enfim, o homem não era o meu tipo, sim, porque o biótipo é o que nos impulsiona à traição. Corpo franzino, não mais do que um metro e sessenta, cabelos grisalhos, pele clara, bem vestido e um peso galo nos esportes.

Durante o almoço ele estava ansioso e atento a tudo o que eu falava. Assumi ter um companheiro há quase nove anos e gostar de relações monogâmicas, porque sexo a gente encontra em qualquer lugar, mas um homem nota mil era como ganhar na loteria.

Ele sorriu quando eu disse ser rico, dessa coisa de loteria nunca esperei nada, pois não gasto o meu dinheiro com probabilidades infinitas. Jogo certo é trabalho e remuneração e de preferência sem ostentar, sem consumismo ou acumular tralhas desnecessárias.

Ficou curioso quando falei da chácara, da rede na varanda, do pomar e do canto dos pássaros. Da vida simples do campo e longe da correria das cidades. Me questionou como os vizinhos do lugar observavam meu comportamento chegando sempre com outro homem e quase nunca com mulheres. Disse-lhe não me importar com que os outros vão pensar.

Também, ouvi atentamente suas frustrações, a tristeza de ser esquecido pelos filhos e netos e a constatação que ele estava cercado de pessoas indiferentes. Seus sonhos esmaeceram com a viuvez e como disse Raul Seixas: estava com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar.

Ao final do almoço suas intenções eram claras. Ele buscava um companheiro para ocupar os seus dias. Tomar café, almoçar, jantar, sair, beber, viajar e aproveitar a vida que lhe resta. Mas o tempo passou e ele não tem coragem de se jogar no mundo por simples questão de insegurança, pois os desejos homossexuais ficaram reprimidos por mais de cinquenta anos.

Disse-lhe que nunca é tarde. Enquanto há vida, há esperança. Clichê para encerrar o papo.

Caro leitor, situações dessa natureza são comuns. Quantos homens maduros e idosos, gays ou não, estão em situação semelhante?

Obviamente, os seres humanos buscam no outro o amparo e a segurança porque na velhice é assim mesmo. Deixamos o livre arbítrio de lado e nos submetemos ao outro. Isso não é ruim, mas é um beco sem saída.

Ainda ontem me pus a pensar o que será de mim daqui a cinco ou dez anos. Não é o fim do mundo, aliás o mundo está aí para ser descoberto, solidão é estado de espírito. Todos nós passaremos por esta vida. É legal lembrar de pessoas que passaram na nossa vida, porque um dia nós também passaremos e seremos as lembranças de outros.

O que ficou desse encontro com o sr. Claudemir foi a constatação da dimensão do mundo de cada um. Quando jovens somos imortais, tudo é infinito, o mundo é vasto e uma nova amizade aparece em cada esquina. Ao envelhecer constatamos sermos simples mortais, tudo é finito e o mundo fica cada dia menor e as amizades sumiram das esquinas e é necessário um esforço enorme para tocar a vida, boa ou não.

Um psicólogo uma vez me falou que é preciso descobrir a beleza da vida em cada pétala de flor, nos aromas e cheiros da natureza e na imperfeição dos seres humanos.

Vida que segue…Ótimo ano para você

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