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Os gays no olho do furacão

boa-noite-cinderelaNão é de hoje que os homossexuais são alvos fáceis em roubos de dinheiro, joias e bens pessoais. Muitos sofrem violência física, estupros e as sequelas psicológicas muitas vezes são irreversíveis.

Hoje li no portal G1 (foto), sobre uma quadrilha especializada que aplica o golpe do Boa Noite Cinderela em homens no Rio de Janeiro, em sua maioria gays.

A história:

As primeiras referências remontam aos anos 90 e as primeiras vitimas foram os gays, pois esse tipo de golpe acontecia em casas noturnas, boates e bares.

O nome foi dado pela polícia que apelidou o golpe em referência ao quadro de TV “Boa Noite, Cinderela”, apresentado por Silvio Santos nos anos 70. Também, há algumas similaridades à história da Cinderela que participou de um grande baile e que perdeu seu sapatinho de cristal ao sair correndo do baile. Aqui as referências eram às Drag Queens, pois eram as principais vítimas.

O olho do furacão

Eu coloque esta hipérbole no título do post para chamar a atenção para o problema. É para exagerar na ideia mesmo, porque hoje os homossexuais não vivem exclusivamente nos guetos, ocupam todos os espaços públicos, literalmente no olho do furacão, expostos a todos os tipos de tempestades.

A insegurança não é exclusividade dos cidadãos LGBT, mas estamos mais expostos, até parece que somos vigiados o tempo todo. As redes sociais, também contribuem para a exposição pública, portanto é preciso ter cuidado, levar uma vida normal e tranquila, mais reservada e evitar pessoas estranhas.

A droga e o drogador

Não existe um único produto usado no Boa Noite Cinderela. Os golpistas geralmente se valem de calmantes, principalmente os da classe dos benzodiazepínicos, normalmente inseridos em bebidas ou acondicionados em chicletes.  Essas drogas são muito perigosa, pois agem no sistema nervoso central, e junto com álcool, pode levar ao óbito.

O modus operandi é sempre o mesmo. As vítimas são abordadas na rua, praças, restaurantes, bares e lanchonetes, muitas vezes longe dos ambientes conhecidos como frequência de gays: saunas, boates e points de pegação.

Os bandidos agem sozinhos, mas hoje é comum pertencerem à alguma quadrinha e abordam homossexuais que saem sozinho e são dopados através de substâncias em comidas, doces, cafés ou na própria bebida.

Os criminosos até preferem abordar um homossexual porque eles acreditam que a maioria mora sozinho, mas há héteros também e no caso dos gays as denúncias são mínimas, por conta da orientação sexual e a vergonha da exposição.

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Um Cruel Gosto de Sangue

gosto-de-sangueNuma conversa, um correspondente me disse que ainda existe muita homofobia em diversos segmentos sociais brasileiros. Eu perguntei: ainda existe? Desculpe-me, mas sempre vai existir, talvez melhore daqui a cinquenta anos.

Na troca de mensagens eu tive uma leve percepção de que a homofobia era coisa do passado, mas após reflexão constatei que não era. Hoje existe mais homofobia do que em outras épocas, talvez por causa da exposição instantânea. Tudo acontece online, a violência está generalizada.

Além da homofobia, tem a transfobia, a lesbofobia e outras fobias sociais, pois as pessoas ficam apavoradas quando esbarram em seres humanos porque sofrem de ansiedade e se acham os donos do mundo e da verdade.

O preconceito não vai acabar tão cedo. Viado será sempre tratado como anormal, mesmo que você ache tudo muito lindo nas séries de TV com viés cômico, ainda assim, é uma verdadeira burrice acreditar que não existe, porque os gays vivem no mundo da lua, num mundo cor-de-rosa, de paz e amor, principalmente, os jovens.

Caro leitor, abra os seus olhos para o mundo à sua volta e deixe de pensar que você é aceito em qualquer extrato social, porque não é assim que acontece, é tudo fake! Há exceções, mas isso não vale para a maioria.

Vivemos numa sociedade machista, individualista, preconceituosa e cheia de vilões e super-heróis, aliás, quais são os seus heróis LGBT? Não estou falando de super-heróis da Marvel Comics ou DC comics – Não existem heróis!

Nós cidadãos LGBT, temos a falsa sensação de tolerância, de que somos aceitos, mas não é nada disso e assim vamos vivendo, cada qual no seu mundo particular como se o coletivo estivesse distante da realidade, mas o perigo está logo ali na esquina.

Inserir-se nos contextos sociais da atualidade é mais difícil do que se imagina.  Se é difícil para os pobres, imagine então, para as minorias?

A verdade nua e crua é que vivemos um faz-de-contas eterno onde as mídias eletrônicas mostram a realidade que não faz parte da nossa vida, até acontecer conosco. Tudo acontece instantaneamente.

Para nós simples mortais nem percebemos o quanto somos manipulados por informações plantadas nas redes sociais e nos canais de comunicação online e quando tiramos a venda que nos tapa os olhos não há nada a fazer a não ser resignar-se ao sistema.

A intolerância é marca registrada deste século e as pessoas perderam a habilidade de respeitar diferenças em crenças e opiniões, porque o seu ponto-de-vista jamais será considerado para qualquer fim.

Em qualquer lugar onde você está, existe uma nuvem negra que povoa o seu cotidiano. Se você ainda não sofreu qualquer violência física fique atento porque pode acontecer a qualquer momento, basta um deslize.

Numa sociedade de autômatos, somos robôs controlados pelo sistema e semelhantes aos personagens dos filmes: Laranja Mecânica ou Brazil de Terry Gilliam. A ficção nunca foi tão real!

Caro leitor, vivemos num Estado totalitário, onde nossos governantes são corruptos. Somos controlados por computadores e pela burocracia e somos identificados por fichas, números e cartões de crédito.

Neste cenário futurista vivemos confinados em caixas e obedientes a um sistema podre, se achando o rei da comédia, da mortadela, enfim, o rei de tudo e acreditamos que estamos seguros e imunes à violência.

Mas uma notícia na TV chama a nossa atenção e observamos atônitos números recorde de suicídio entre jovens gays, aliás são os jovens que mais sofrem violência física e psicológica, seja numa estação de trem do subúrbio, do metrô ou num terminal de ônibus.

A violência urbana está nas ruas, nos bares, nas baladas, na escola, na faculdade, na praia e principalmente, dentro de casa.

A violência rural está dentro de casa, nas ruas e praças das pacatas cidades do interior, ironia, não? Pois é, não existem lugares seguros.

Os idosos são extorquidos, espancados e mortos diariamente, pelo simples fato de serem gays.

Os travestis são cruelmente assassinados pelo fato de viverem na corda bamba da clandestinidade.

Os brutamontes e gangues apavoram os mais vulneráveis e os homossexuais.

Gays de todas as idades são assassinados pelo simples fato de estarem no lugar errado e na hora errada.

Tudo isso por um simples e banal gosto de sangue

Ótimo final de semana!

Nota: A imagem que ilustra este artigo faz parte da capa do filme Gosto de Sangue dos irmãos Ethan e Joel Coen

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