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Dia Mundial de Combate à Aids

grisalhos_aids_gayOs primeiros casos de Aids no Brasil surgiram em 1980 e ninguém sabia que doença era aquela, mas desde 1978, notícias tristes chegavam dos Estados Unidos sobre um câncer que estava atacando o sistema imunológico das pessoas, principalmente dos homossexuais. Prato cheio para a homofobia e aos preconceituosos.

Aqueles anos negros mudaram radicalmente o comportamento dos gays em todo o mundo e por incrível que pareça de vilões viramos heróis porque a humanidade tem uma dívida com os homossexuais, pois o fato da epidemia ter sido detectada num grupo restrito, facilitou seus estudos e a tomada de decisões que viriam a controlá-la em todo o mundo.

Também, foram os gays que melhor responderam às campanhas de prevenção, pois a incidência do HIV entre os homossexuais permanece estável há vários anos.

Para os mais jovens que não vivenciaram o período entre 1980 e 1990, não sabem como foi triste, eu perdi alguns amigos mais íntimos, sem contar uma ou duas dezenas de conhecidos, principalmente aqueles que como eu frequentavam os guetos paulistanos.

Desde o final dos anos 80, o dia 1º de dezembro é marcado como dia Internacional ou Mundial de combate à Aids, pois até a presente data ainda não se descobriu a cura.

Eu, particularmente, reservo nesta data, uma hora para reflexões e sempre me vem à lembrança a imagem daqueles que morreram vitimados pela Aids.

Entre os famosos gays ou bissexuais brasileiros, o ator Lauro Corona morreu em 1988, Cazuza faleceu em 1990 com 32 anos, Renato Russo morreu em 1996 aos 36 anos, além do jornalista e cartunista Henfil em 1988 e seu irmão Betinho em 1997, ambos hemofílicos.

Para quem quer saber mais daqueles tempos, há uma galeria extensa de filmes que tratam do tema: Filadélfia, Meu querido companheiro, E a vida continua, Angels in América, Rent os Boêmios, Caminhos Cruzados, Uma casa no fim do mundo, Jeffrey de caso com a vida, Antes do anoitecer, O Clube dos corações partidos, Milk e por ai vai.

Recentemente, eu assisti ao Filme Behind the Candelabra sobre a vida do pianista Liberace que também morreu de Aids.

Enfim, a vida continua e vamos à luta, com cuidados, prevenção e sem perder o tesão e nunca deixe de usar camisinha, afinal contrair Aids é tão fácil quanto evitá-la

Peculiaridades das relações estáveis

gay_loveOlá pessoal! Ando meio sumido do blog por conta de problemas de saúde do meu companheiro.

Bem, aproveitando este momento de superação, eu quero falar sobre as particularidades das relações estáveis.

Quando nos relacionamos colocamos em prática o que normalmente acontece entre os parceiros: paixão, sexo, as questões de pele, a convivência sob o mesmo teto ou não, etc.

Ai sem perceber o tempo passa e algumas relações tornam-se estáveis.

Na convivência diária dessas relações, a rotina toma formas particulares de acordo com cada casal, mas o que é comum a todos são as afinidades de cada parceiro.

Vive-se como um casal, cada qual com seu trabalho e afazeres. Os gostos e preferências são díspares, mas sempre com respeito. É o que eu chamo de afinidades particulares.

Ninguém entra numa relação pensando que um dia vai depender do parceiro, seja dependência material, física ou emocional. Mas à medida que o tempo passa essas dependências começam a aparecer e um não vive sem o outro.

Na semana passada meu companheiro me acordou às duas horas da madrugada com dores no estomago e lá fomos nós para o Pronto Socorro. Após exames veio à constatação: Apendicite aguda.

A operação ocorreu na sexta-feira e devido à idade, 70 anos e arritmia cardíaca encontra-se na UTI, com acompanhamento até a completa recuperação para receber alta.

Não moramos juntos, mas moramos no mesmo prédio em São Paulo. Cada um respeita o espaço do outro, porque tanto eu quanto ele não gostamos de dormir na mesma cama e porque eu ronco demais. Isso é motivo para casais, inclusive, heterossexuais dormirem em quartos separados.

Na rotina diária, eu ainda estou na ativa e ele aposentado.  Nos encontramos todos os dias e algumas vezes na semana jantamos juntos. Ele gosta de novelas e eu de filmes, logo não compartilhamos a mesma televisão. Fora da rotina, viajamos e passamos finais de semana na chácara.

O interessante nessa história e que eu não pensei duas vezes em ficar com ele no hospital, inclusive nem fui trabalhar por dois dias e nesta segunda-feira retornei ao escritório.

Nosso relacionamento já vai para oito anos e há quatro ele mora em São Paulo. Essa é a primeira vez que ele está ausente por mais de dois dias e após todos esses acontecimentos eu posso afirmar que hoje dependo dele, não para problemas de saúde, mas uma dependência física, da sua presença e das conversas alegres do dia-a-dia. Ele faz os meus dias menos estressantes.

Ontem ele me disse que agora eu sou o seu anjo da guarda porque salvei a sua vida, mas eu fiz o que qualquer um faria naquela condição – Situações dessa natureza geram vínculos fortes e consolidam ainda mais o relacionamento.

Eu espero que até o final desta semana ele receba alta do hospital, para se recuperar e retomar a sua vida aqui fora.

Enfim, as relações têm peculiaridades e problemas de saúde passam a ser frequentes, principalmente para os idosos. Nesses momentos difíceis de nossas vidas se não temos alguém ao nosso lado, a solidão é ainda mais latente.

A vida compartilhada não é apenas sexo, também é muito bom perceber os cuidados, desde a coisa mais simples até uma comida caseira e gostosa, além de todos os cuidados com o parceiro nas questões de saúde.

A você leitor dos Grisalhos, uma ótima semana!

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