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Em algum momento da vida desejei ou desejarei outro homem

casa_gay_maduroCaro leitor, cá estou após prolongadas férias, de volta ao trabalho mesmo aposentado e com a agenda diária repleta de atividades.

Durante minhas andanças revi pessoas e parentes, conheci novos lugares e revisei minha vida, passado e presente. Acho que estou no caminho certo para o envelhecimento, senão na parte física pelo menos na parte psicológica.

Também refleti sobre conceitos e visões que eu tenho de tudo à minha volta, inclusive, sobre sexualidade.

Obviamente, as experiências de vida de cada um são únicas, somos seres impares e possuidores de um senso de adaptação fenomenal!

Ninguém é 100% heterossexual, bissexual ou gay. Esta definição é minha e não tem nenhuma relação com a escala Kinsey.

Por experiência própria tive relações sexuais com todos esses, obviamente todos do gênero masculino. No leque de opções ocorreram relações de sexo anal, oral, punhetas, voyeurismo ou simplesmente um desejo de estar junto, colado, abraçado, acariciado. Tem homem que quer carinho, um afago, uma atenção.

As variáveis na relação entre os homens são quase infinitas. Desde aqueles que gostam de você e que não querem nada de sexo, até outros exclusivamente para sexo. Lembro-me de um homem casado que queria apenas beijar outro igual, sentia prazer no beijo, gozava ao se lambuzar na saliva de outro homem, nada mais.

Existem homens que relutam em aceitar o desejo por outro igual e na velhice tudo isso aflora devido à finitude da vida. Os valores morais dão lugar aos desejos pessoais mais secretos. Já vivi tudo, porque não experimentar algo diferente do padrão?

O mundo está repleto de homens que desejam outro homem. Tem aqueles que gostam até de animais, ou será que eu não vi direito e o meu vizinho não estava dando a vara para o seu cachorro chupar?

Na falta de um corpo humano, vai com o cachorro mesmo!

Caro leitor, você está pensando que eu estou zombando ou fazendo chacota? Os seres humanos são os tipos mais estranhos da natureza. Portanto, quando o assunto é relação entre humanos, tudo é possível e até com animais.

Também, somos dotados de uma criatividade única. Já transei com homem casado que queria ter experiência sexual com outro homem e mesmo após a realização do desejo voltou à normalidade da sua vida familiar, com mulher e filhos e nunca mais transou com outro.

Mas o que faz um homem desbundar de vez é quando se apaixona por outro homem. Aí pode ser qualquer um e sem rotulo.

Conheci um coroa que depois dos sessenta anos amou outro homem e até aquele momento nunca teve pensamentos homossexuais. Era casado, transava bem com a mulher, criou os filhos e cuidou dos netos. Uma vez me disse na maior sinceridade. Porra, nunca pensei que um dia fosse me tornar viado! Pois é, virou ou melhor, descobriu-se viado e nunca mais quis saber de mulheres, largou tudo e foi viver seu grande amor até o fim, faleceu em 1999.

Isso acontece sim, todos os dias os seres humanos se descobrem diferentes do padrão heteronormativo. O padrão é social, mas cada qual descobre seus desejos e vontades. Alguns aceitam, outros não. Alguns provam do amor homossexual, outros ficam na vontade.

Quem passou por essa vida num padrão único que atire a primeira pedra.

Claro que estou brincando, existem aqueles que não querem nem saber de homem por perto.

Mas o legal é gostar de outro homem e não ter medo de se arriscar, seja você heterossexual, bissexual ou gay, porque rótulos são rótulos.

A velhice nos proporciona reflexões sobre a vida, é quando descobrimos que tudo é tão simples.  Nós complicamos e embaralhamos coisas e situações de uma forma tão complexa pela simples razão de sermos aceitos na sociedade onde vivemos.

Na maturidade não precisamos de aceitação, precisamos de atenção e carinho da maneira mais simples possível e isso independe de gênero.

Eu quero envelhecer e ter alguém ao meu lado para autenticar a minha velhice, porque eu não nasci para ser saci, quero as duas pernas plantadas no chão, para caminhar e poder realizar sonhos, porque ainda tenho vários deles guardados na gaveta da minha vida.

Em todos os momentos da minha vida eu desejei, desejo e desejarei outro homem e você também teve ou tem esses desejos?

Nota:

Neste texto eu escrevi, propositalmente, 15 vezes a palavra homem e 4 vezes a palavra homens, para induzir o leitor a participar das minhas experiências de vida, mesmo que subjetivas elas afetam o comportamento e a assimilação desta leitura, ainda que leve e sem compromisso.

Coisas que os gays idosos devem fazer antes de morrer

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Paul Freeman

No último domingo eu pude rever o filme When I’m Sixty four, utilizando o recurso da Smart TV com acesso à Internet, via Youtube.

O legal é que meu companheiro, mesmo não entendendo inglês ficou ao meu lado, assistiu com atenção e ao final disse: Que história maravilhosa! Como os seres humanos são complexos em comportamento e sentimentos!

O filme retrata o relacionamento entre dois homens idosos, um heterossexual viúvo e um homossexual sozinho.

Realmente existem milhares de Ray, papel de Paul Freeman, onde a solidão na velhice para um heterossexual é igual ou pior do que para um homossexual.

O isolamento social de um homem viúvo, mesmo cercado de filhos e netos, a falta de atenção e cuidados, onde todos têm seus interesses particulares, principalmente, materiais e onde o idoso é, literalmente, empregado dos filhos.

No meu ponto de vista todos os gays idosos deveriam pensar em viver como o Jim, papel de Alun Armstrong. Ter sonhos e fazer planos, tipo: Coisas para fazer antes de morrer.

Fora do filme a realidade é outra.  Uma série de atitudes é essencial para realizar sonhos. Não basta apenas sonhar é necessário buscar meios de realiza-los:

Guardar dinheiro para gastar na velhice

                   Mudar velhos hábitos

                                   Ter coragem de enfrentar o mundo

                                                    Buscar alguém para dividir os sonhos.

Relacionamentos começam primeiro com amizade, você tem que sentir-se bem ao lado do outro, querer estar com ele, fazer concessões, ter diálogos e objetivos comuns. Gostar de alguém não começa necessariamente no sexo, mas o sentimento pelo outro faz brotar o desejo carnal.

No filme, o personagem de Ray lentamente descobre no Jim, o desejo de viver e ele quer fazer parte daquela história, passando pela descoberta da homossexualidade do Jim, os conflitos interiores, a repulsa aos homossexuais, o afastamento do amigo, até descobrir-se apaixonado.

A reaproximação e o desejo de estar com o amigo, sem saber como fazer sexo com outro homem, o enfrentamento da família até a decisão de viver um grande amor, porque a vida está chegando ao fim. Lindo e poético!

Eu conheço gays idosos que estão sozinhos, mofando, adoecendo e esperando a morte chegar e isso me entristece. Infelizmente pouquíssimos deles estão lendo este texto.

De qualquer maneira, o que dizer aos gays maduros e idosos? Viva intensamente, se apaixone e deixe-se levar pelas emoções e sem medo de ser feliz. Claro, se tiver condições e saúde espelhe-se no Jim, faça a sua lista de prioridades antes de morrer.

Viajar e conhecer o mundo

                Realizar e dividir sonhos

                                                Apaixonar-se

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