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Da leitura aos filmes gays e às ONGs

211524191vf4a6a0Caro leitor dos grisalhos, você sempre me pergunta através de Email como eu adquiri tanta experiência e como tenho tantas histórias para contar, além da minha compreensão e aceitação da homossexualidade.

Para entender quem eu sou ou porque sou gay, não bastou apenas crescer, amadurecer e adquirir experiência de vida. Uma das melhores maneiras de entender a minha homossexualidade foi buscar na leitura, as razões de ser diferente.

Os gays  tem à sua disposição uma gama de opções de literatura, seja ficção, romance, fatos reais, trabalhos acadêmicos e a Internet com uma diversidade de informações, inclusive, este blog.

Quem tem hoje acima dos cinquenta anos, nasceu até meados dos anos 1960 e naquela época, além da repressão da ditadura militar, o mercado editorial brasileiro era restrito e praticamente não existia literatura específica, salvo obras clássicas da Europa e Estados Unidos..

Muitas histórias da literatura gay, por exemplo, foram transformadas em filmes. Tem gente que não gosta de ler, mas gosta de assistir filmes. Eu gosto dos dois, mas sempre gostei de assistir filmes de todos os gêneros e os temáticos sempre foram meus preferidos, daí derivou uma coleção que hoje tem mais de trezentos títulos, além de muitos títulos duplicados.

Na minha estante tem de tudo um pouco e abrange praticamente todo o universo homossexual e bissexual: lésbicas, travestis, transexual, gay masculino jovem, maduro ou idoso.

Cada filme sempre ocupou um espaço na minha vida para a reflexão, seja no drama, na comédia ou tragédia e mesmo um filme sobre lésbicas sempre tirei lições para a minha vida, porque a única diferença é o gênero.

O primeiro filme que assisti no cinema foi Morte em Veneza em 1974 e de lá para cá eu viajei por incontáveis histórias do universo homossexual, masculino e feminino.

Hoje tem sempre um filme temático em cartaz e muitas produções brasileiras, o que me aproxima ainda mais da minha realidade.

Eu gosto de assistir filmes do Festival Mix Brasil e outros que não passam em circuito comercial ou alternativo e são lançados diretamente em DVD.

Como o leitor pode observar, desde os meus quinze anos, eu cai de cabeça neste universo para entender quem eu sou e posso afirmar que valeu muito a pena, porque além do entretenimento eu adquiri conhecimento.

Quem acompanha meus escritos sabe que é lá na chácara que eu tenho tempo para reflexões sobre a minha vida e também para pensar em temas para escrever aos leitores.

Recentemente, lá estava eu sentado na varanda, observando a natureza, olhando e ouvindo os pássaros e veio um insight.

Regis, quando você partir desta vida, o que vai ser da sua coleção de filmes temáticos?

Algumas hipóteses: Minha família vai queimar tudo ou destruir, talvez venda para qualquer sebo e por qualquer preço.

Eu fiquei triste com essa constatação, mas estou numa fase de desapego de coisas materiais, então eu decidi:

Ou faço doação desse acervo para alguma ONG ou videoteca, consciente de que pode servir ou não aos propósitos de terceiros, ou eu mesmo posso dar o encaminhamento para cada um desses títulos.

Enfim, desapeguei e decidi vendê-los eu mesmo em vida, pois quem comprá-los vai aprender através das histórias algo sobre a homossexualidade, assim como eu aprendi.

Também decidi que de todo o valor arrecadado com cada venda, descontadas todas as despesas de comissão, custo da loja virtual, taxas etc. será revertido para uma ou duas ONGs que atua com gays, preferencialmente, soropositivos. O pagamento das doações será feitos às entidades ao final de um mês ou dois meses e dependendo das movimentações das vendas.

Parte do meu acervo já está disponível no Eshops e tem muitos dvds e blu-ray nacionais e importados, novos, lacrados, usados e todos em excelente estado de conservação. Não se assuste com os preços, afinal é para fins sociais.

Eu sei que isso vai tomar um tempo, mas o meu companheiro vai ajudar, principalmente, para fazer as postagens.

Breve, também estarei aposentado e fora do mercado de trabalho e como até lá eu não venderei tudo, talvez use o tempo livre para dar continuidade neste projeto, que para o leitor pode parecer simples, mas para mim tem um grande significado.

Enfim, caso você tenha interesse poderá ver o acervo e fazer compras, no link a seguir:

http://eshops.mercadolivre.com.br/GRISALHOSGLS

Caro leitor, neste projeto pirataria não tem vez. Não tenho cópias, não faço cópias, eu odeio cópias.

Uma das ONGs escolhidas para receber doação é a GPV-RJ – Conheça clicando aqui

Outra ONG será de São Paulo.

 

 

Filme: Orgulho e Esperança

orgulho_esperancaNa semana passada eu recebi o tão esperado, pelo menos pra mim, blu-ray Orgulho e Esperança. O filme não passou nos cinemas brasileiros e tem previsão de lançamento diretamente em DVD e Blu-ray em janeiro 2016.

Bem, eu mais que recomendo o filme aos leitores dos Grisalhos, é um filme essencial, principalmente, aos jovens, porque para entender a evolução das questões LGBT no Brasil e no mundo é preciso retroceder no tempo.

O filme é baseado em fatos reais ocorridos no Reino Unido em 1984.

Com a decisão do governo de Margaret Tatcher de fechar vinte minas de carvão, 20 mil trabalhadores tem o emprego ameaçado, o que leva a uma greve geral da categoria.

Em paralelo, um pequeno grupo de ativistas gays e lésbicas, cansados de serem ignorados pelos meios de comunicação e o governo, decide se aliar à luta dos mineiros.

Orgulho e Esperança, do diretor Matthew Warchus, foca sua história neste episódio, mostrando que a tolerância não é um objetivo impossível de se concretizar quando há respeito.

O filme tem diversos personagens carismáticos e bem construídos, mas centra-se em Joe Copper, um jovem de vinte anos que ainda está começando sua vida fora do armário e adere à luta de Mark Ashton, o rebelde e temperamental líder do grupo ativista Lesbians and Gays Support the Miners (LGSM).

Enquanto vários sindicatos recusam a proposta de união de lutas, um grupo de Onllwyn, uma pequena cidade mineira no País de Gales, decide receber a visita dos protagonistas, ainda que por um engano ao telefone. O representante dos mineiros, Dai Donovan se sensibiliza com o discurso de Mark e decide convencer seus colegas a trabalharem juntos.

É claro que o filme reúne todos os elementos que parecem clichês, mas são mais do que verdadeiros: as mulheres que se encantam com os gays, dos mais efeminados aos que tem postura heteronormativa ou aquele que ainda não saiu do armário mesmo após muitos anos, ao que está se descobrindo e precisa sair do ambiente familiar para viver sua vida.

O filme mostra os primeiros casos de AIDS, os homofóbicos religiosos e aqueles que são intolerantes até conhecerem e começarem a entender que a única diferença entre heterossexuais e homossexuais é a preferência por meninos ou meninas – Tudo contado com bom humor, mas nem por isso menos sério.

Se por um lado é fácil simpatizar com a ala gay do filme, os mineiros também se mostram nada difíceis de serem compreendidos graças ao roteiro que nivela todos na mesma categoria.

Assim, diversos personagens têm grandes momentos. Jonathan (Dominic West), por exemplo, é um ator excêntrico e que sofre dos males da AIDS e conquista as mulheres da comunidade mineira com seus passos de dança, o que faz dois heterossexuais pedirem para aprenderem a dançar para conquistar garotas.

Aliás, a ala feminina de Orgulho e Esperança é um show de interpretação, principalmente a excelente Imelda Staunton como Hefina Headon, que pode não ser simpática à primeira vista, mas consegue humanizar seus colegas por meio da acidez.

Há espaço também para uma carismática idosa que pergunta de tudo sobre as preferências sexuais de cada um e como elas funcionam. Também, um mineiro idoso interpretado por Bill Nighy e seu diálogo comovente ao revelar-se gay para a amiga Hefina Headon.

A trilha sonora é maravilhosa e traz sucessos dos anos 1980 como I want to break free com Freddie Mercury, Relax do Frankie Goes to Hollywood, Tainted Love, do Soft Cell, e West End Girls, do Pet Shop Boys.

Como filme, Orgulho e Esperança é bem definido, com começo, meio e fim e sem nenhuma grande inovação no gênero. Sinceramente, nem é necessário, pois a história não é cinema de protesto, arte ou o que seja. É ate melhor que tenha sido feito da forma mais simples possível, pois atinge a todo tipo de público, do homo ao hetero, dos mais jovens aos mais velhos, garantindo que todos entendam o que é dito.

Confesso que há muito tempo eu não experimentava uma sensação tão gostosa, ao ponto de me emocionar, sorrir e chorar, talvez porque vivi intensamente aqueles anos 80.

Enfim, o filme tem em mãos uma improvável aliança mostrando que, no fundo, todos são iguais, independente de credo, raça ou orientação sexual. E que há motivos de sobra para se orgulhar de ser quem você é. Estou certo de que Orgulho e Esperança vai comover aos leitores dos grisalhos e há de arrancar mais do que apenas lágrimas furtivas. Recomendo!

Confira o trailer:

 

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