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A primavera dos gays

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obra de Raphael Perez pintor homoerótico

Setembro chegou e com ele muito calor, baixa umidade e falta de chuvas. Há algumas semanas eu observo as flores desabrochando lá na chácara e mesmo com o tempo seco elas insistem em cumprir o seu ciclo.

Amanhã às 17h02 começa oficialmente a primavera aqui nos trópicos e já percebo as movimentações de gays circulando pela cidade, correndo de um lado a outro, de mãos dadas, curtindo e buscando diversão, interagindo socialmente com seus iguais.

Como observador do cotidiano, não vejo as pessoas falando da mais linda estação do ano, parece piegas, coisa juvenil, mas o esquecimento é natural num mundo de tecnologias onde o mais importante é estar sempre no topo, sair bem na foto e poucos percebem a influência desta estação na vida de cada um e nas mudanças comportamentais.

Sim, nosso comportamento muda com as estações e na primavera ficamos mais soltos e abertos ao diálogo. Se para os jovens a estação não tem tanta importância, para os mais velhos é o momento de rever velhos conceitos e recomeçar novo ciclo.

Um amigo diz: Os idosos são como ursos que hibernam no inverno para sair da toca na primavera.

Mesmo fadados à solidão os gays tem mais é que aproveitar o presente, porque o futuro é incerto e a única certeza é o dia de hoje. Os alarmistas já previram o fim do mundo para o próximo sábado, portanto, não deixe para amanhã o que pode ser feito agora. Crie coragem para entrar nos círculos sociais e deixe de lado o preconceito da sua homossexualidade.

Nas grandes cidades os parques já recebem multidões de pessoas que procuram lazer e descontração. Basta observar com atenção e lá estão os gays, principalmente os maduros e idosos com passos lentos e caminhadas compassadas. Entre um olhar e outro há muita desconfiança e ainda assim os encontros acontecem de forma natural.

Hoje é tempo de engavetar as roupas do inverno e desengavetar as roupas leves, marcar encontros para socializar e quem sabe rolar algo além da amizade. Os bares já apresentam os primeiros sinais de que tempos quentes e chuvosos virão e lá perto de casa os botecos ficarão apinhados de gays, alguns são figurinhas carimbadas marcando presença quase diária.

Se você acredita numa vida além do sábado, comece a planejar a próxima viagem, preferencialmente, bem acompanhado, porque os dias prometem muitas emoções. Não deixe passar oportunidades pois os ciclos da vida são curtos, assim como as estações do ano.

Se você está numa relação estável aproveite e saia de casa, saia da rotina, das notícias ruins sobre a política brasileira e leve o parceiro para uma sessão de cinema, um passeio no parque, um jantar, uma bebida e até mesmo uma boate e se a ocasião permitir leve flores.

Se você está solteiro vá para locais onde possa ser visto, observado e paquerado, sem desgrudar do Smartphone é claro! Pode incluir no roteiro saídas às escondidas para saunas e locais de pegação porque não? Tudo é permitido e danem-se os preconceituosos.

Aproveite bastante a sua vida nesta primavera porque quando você perceber acabou, is over, c’est fini.

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Os gays no olho do furacão

boa-noite-cinderelaNão é de hoje que os homossexuais são alvos fáceis em roubos de dinheiro, joias e bens pessoais. Muitos sofrem violência física, estupros e as sequelas psicológicas muitas vezes são irreversíveis.

Hoje li no portal G1 (foto), sobre uma quadrilha especializada que aplica o golpe do Boa Noite Cinderela em homens no Rio de Janeiro, em sua maioria gays.

A história:

As primeiras referências remontam aos anos 90 e as primeiras vitimas foram os gays, pois esse tipo de golpe acontecia em casas noturnas, boates e bares.

O nome foi dado pela polícia que apelidou o golpe em referência ao quadro de TV “Boa Noite, Cinderela”, apresentado por Silvio Santos nos anos 70. Também, há algumas similaridades à história da Cinderela que participou de um grande baile e que perdeu seu sapatinho de cristal ao sair correndo do baile. Aqui as referências eram às Drag Queens, pois eram as principais vítimas.

O olho do furacão

Eu coloque esta hipérbole no título do post para chamar a atenção para o problema. É para exagerar na ideia mesmo, porque hoje os homossexuais não vivem exclusivamente nos guetos, ocupam todos os espaços públicos, literalmente no olho do furacão, expostos a todos os tipos de tempestades.

A insegurança não é exclusividade dos cidadãos LGBT, mas estamos mais expostos, até parece que somos vigiados o tempo todo. As redes sociais, também contribuem para a exposição pública, portanto é preciso ter cuidado, levar uma vida normal e tranquila, mais reservada e evitar pessoas estranhas.

A droga e o drogador

Não existe um único produto usado no Boa Noite Cinderela. Os golpistas geralmente se valem de calmantes, principalmente os da classe dos benzodiazepínicos, normalmente inseridos em bebidas ou acondicionados em chicletes.  Essas drogas são muito perigosa, pois agem no sistema nervoso central, e junto com álcool, pode levar ao óbito.

O modus operandi é sempre o mesmo. As vítimas são abordadas na rua, praças, restaurantes, bares e lanchonetes, muitas vezes longe dos ambientes conhecidos como frequência de gays: saunas, boates e points de pegação.

Os bandidos agem sozinhos, mas hoje é comum pertencerem à alguma quadrinha e abordam homossexuais que saem sozinho e são dopados através de substâncias em comidas, doces, cafés ou na própria bebida.

Os criminosos até preferem abordar um homossexual porque eles acreditam que a maioria mora sozinho, mas há héteros também e no caso dos gays as denúncias são mínimas, por conta da orientação sexual e a vergonha da exposição.

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