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Na contra mão do preconceito contra os gays…

casal gay praia andandoVivemos tempos de incertezas e preconceito, mas também de descobertas e aceitação.

Recentemente foi divulgado relatório da Trangender Europe sobre o número de mortes cruéis contra os gays no Brasil, principalmente entre transexuais e travestis, aliás, somos campeões mundiais neste quesito.

Não é de se estranhar o preconceito porque ele sempre existiu e os travestis sempre foram alvo da violência por questões simples de identidade e comportamento. Quer ver um exemplo prático assista ao filme Amarelo Manga.

O envolvimento com homens heterossexuais, principalmente de baixa renda e escolaridade é cenário propício para a violência, porque os trans e travestis são usados na obtenção de favores principalmente financeiros e quando não são mais úteis são descartados como lixo humano. Lamentável!

Também, há violência contra gays frequentadores dos guetos e notadamente assumidos e nestes casos os agressores são estranhos, cidadãos comuns que cruzam o caminho.

Mas nem tudo são notícias ruins. Recentemente circulei pela cidade em ônibus e Metrô e observei um mundo de descobertas, principalmente entre os jovens gays.

A informação sobre sexualidade está disponível desde muito cedo para esses jovens e isso facilita o entendimento da homossexualidade, assim, não é difícil compreender porque a mudança de atitudes leva gays com idade entre 15 e 25 anos a assumir posturas claras sobre identidade e gênero.

Isso é o que fará a diferença no futuro, porque a mudança sempre acontece de dentro para fora e neste cenário aqueles que trabalharem as questões da sexualidade sairão na frente. Como eu sempre digo: Não precisa sair do armário, é primordial aceitar a homossexualidade.

Um facilitador é o entendimento da sexualidade individual e cada um tem sua própria história, família e valores. Alguns são mais corajosos, outros preferem a mordaça.

Caro leitor, apenas para ilustrar este texto.

Recentemente meu companheiro fez uma cirurgia e neste mês de janeiro nós viajamos para o interior e na bagagem estavam minha irmã caçula, meu pai e madrasta.

Foi a primeira vez em quase onze anos que viajamos juntos com a minha família por um período superior a 10 dias. A convivência foi pacífica e sem estresse, cada um respeitou a individualidade do outro. Mesmo os parentes do interior, primos, primas e tias receberam o “forasteiro” com educação e cordialidade.

Tudo correu bem porque há muito tempo eu trabalho a questão da inserção social entre familiares e amigos de uma forma objetiva e sem medos. É preciso analisar o terreno, avaliar as possibilidades para então tomar atitudes positivas.

Muitas vezes as dificuldades de aceitação decorrem da nossa postura e dos nossos traumas e não dá para ficar na defensiva se escondendo do mundo porque as pessoas sabem quem somos, do que gostamos e como vivemos.

O mundo atual nos permite sair da bolha e viver uma vida senão plena pelo menos mais digna. Também, é importante saber respeitar a individualidade de cada pessoa com quem nos relacionamos, seja família, colegas de trabalho, amigos ou apenas conhecidos.

Aos gays mais velhos eu digo:

Viva a sua vida sem se importar com o que os outros vão pensar, também, não dê motivos para chacotas e piadas e seja sério em suas atitudes. Demonstrações de afeto devem ficar entre quatro paredes, porque não sabemos qual será a reação das pessoas.

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Extra, extra, gay news 2019!

extra-extra

Caro leitor, eu estou de volta para mais um ano de reflexões sobre o meu cotidiano, experiências e vivências do nosso mundo onde ser gay já foi um desafio e hoje é apenas um detalhe na minha vida.

Eu acompanho as redes sociais, blogs, canais no Youtube e páginas sobre homossexualidade e observo muita superficialidade, pois os protagonistas estão mais interessados em mostrar o seu estilo de vida gay onde tudo é lindo, bonito e perfeito, como se os problemas não existissem e a segregação e a exclusão fossem apenas miragens num deserto de futilidades e vida vazia.

O assunto da semana sobre meninas e meninos vestirem rosa ou azul se tornou piada e memes.😂

Do outro lado do rio os defensores dos direitos dos gays, artistas e personalidades interessadas exclusivamente na promoção pessoal publicaram repúdio ao governo que ai está como se o retrocesso fosse algo a ser combatido. 🤔

Em minha opinião é muito blá blá blá e pouca ação porque ninguém dá a cara para bater e muitos ficam atrás da cerca jogando comida aos porcos.

Circulou nas redes sociais a extinção da secretaria dos direitos LGBT, aliás, é apenas mais um assunto num universo de minorias. O que não faltará em 2019 serão boatos, inclusive, sobre a extinção da Parada Gay, o cancelamento do carnaval, perseguição aos gays e por ai vai. 🧐

Nos meus quase sessenta anos de idade nunca precisei de direitos específicos porque sempre estive inserido no mundo heterossexual, assim como a maioria dos gays.

O que eu preciso é de um círculo cada vez menor de amigos para apoio e convivência, porque na velhice é assim que funciona. Os tempos atuais são de individualidade, logo, trocar experiências de vida dentro do contexto homossexual é quase utopia.

É como eu sempre digo: Estude, trabalhe, construa o seu patrimônio, obtenha a sua casa ou apartamento próprio e guarde dinheiro para ter uma velhice digna. 🤑

Ainda como observador do que acontece no mundo gay, eu vejo a maioria dos gays buscando um namorado, para relação estável, poliamor, sexo livre, relação aberta e tudo dentro do padrão heterossexual, como se fosse importante aos gays ter um parceiro para chamar de seu.👬

Vivemos o tempo presente e neste cenário estamos inseridos, a sociedade está em constante transformação aqui ou em quase todos os lugares do mundo. É aproveitar tudo o que se apresenta, as tecnologias vieram para ficar e isso transforma o mundo e as pessoas.

Os jovens gays precisam tirar proveito do presente e olhar para frente com otimismo porque dias melhores sempre virão e pior não vai ficar.

Nesta semana eu revi um documentário americano que passou há alguns anos na HBO chamado Fabulous Queer Cinema, sobre a evolução da temática LGBT no cinema ao longo dos últimos 100 anos. Ao final eu concluí que a sociedade se transforma não por políticas de estado, mas por ideias de pessoas corajosas que colocam a sua diversidade em prol de uma sociedade mais justa e igualitária.

Em 2019 eu quero e desejo a todos saúde, pretendo viajar mais e quem sabe morar alguns meses em Natal/RN. Eu continuarei a escrever sobre o nosso cotidiano, coisas boas, agradáveis e positivas, afinal breve o blog completará dez anos.

Para quem tem interesse, eu indico os seguintes filmes: Romance a três, Um inverno para lembrar, Nina, Desobediência e Martin, temas antigos e atuais para entender o amor homossexual.

Um ótimo ano para todos os leitores do blog dos grisalhos!