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Livro: Devassos no Paraíso – 4ª edição

devessos no paraisoCaro leitor, finalmente depois de 18 anos, está pronta a 4ª edição do livro Devassos no Paraíso – A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade.

Esta nova edição foi revisada e atualizada, portanto, quem não tem, corra porque o lançamento está previsto para agosto/2018 e poderá ser adquirido nas tradicionais livrarias online do Brasil e tem até edição digital.

Vale lembrar que a primeira edição é de 1986 e a última é de 2000, e todas as edições anteriores estão esgotadas. Ver artigo de 2010

Comentários de Peter Burton, Gay Times:

O livro mais completo sobre a história da homossexualidade brasileira, em edição revista e ampliada.

Num frutífero diálogo com diversos campos de conhecimento e expressões de nossa cultura — o cinema, o teatro, a política, a história, a medicina, a psicologia, o direito, a literatura, as artes plásticas etc. —, João Silvério Trevisan constrói o mais completo estudo sobre a homoafetividade no Brasil.

Considerado um clássico, Devassos no Paraíso passou por mais de uma geração, provocou intensa interlocução com a comunidade LGBT e influenciou desde ações emancipatórias até novos estudos e abordagens sobre gênero e sexualidade.

Agora, esse monumental trabalho chega à sua quarta edição trazendo mais capítulos, imagens e texto atualizado sobre as lutas e conquistas dos direitos LGBT ocorridas no século XXI.

O Tabu da homossexualidade é um dos mais sólidos entraves morais de nossa sociedade. Ativista pioneiro do movimento LGBT, João Silvério produziu uma obra apaixonada e engajada porque acredita que, assim como cada discurso homofóbico alimenta a violência e a intolerância, toda consciência que se movimenta em busca da emancipação inspira outras consciências. E Será desse jeito que uma sociedade mais justa e menos homofóbica surgirá.

“Devassos no paraíso é, ao mesmo tempo, sério, informativo e divertido.”

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Publicado em Contos da cidade, Literatura

Conto: O Menino do Gouveia

menino do gouveia
Foto da Fundação Biblioteca Nacional

Caro leitor, eu descobri este conto vasculhando as obras de James Green. Recentemente adquiri um exemplar do seu livro raro chamado Frescos Trópicos – Fontes sobre a homossexualidade masculina no Brasil (1870 – 1980) em parceria com Ronald Polito.

De acordo com os pesquisadores e autores do livro, é considerado o primeiro conto erótico gay publicado no Brasil, editado pela revista Rio Nu, em 1914 e assinado por Capadócio Maluco, um pseudônimo. Na época Gouveia era a gíria para homens velhos que se relacionavam sexualmente com garotões.

O menino do Gouveia

Estendido junto a mim na cama suspirativa do chateau, depois de ter sido enrabado duas vezes, tendo na mão macia e profissional a minha respeitável porra, em que fazia umas carícias aperitivas, o menino do Gouveia, isto é, o Bembem, contou-me pitorescamente a sua história com todos os não-me-bulas de sua voz suave de puto matriculado.

– Eu lhe conto. Eu tomo dentro por vocação; nasci para isso como outros nascem para músicos, militares, poetas ou até políticos. Parece que quando me estavam fazendo, minha mãe, no momento da estocada final, peidou-se, de modo que teve todos os gostos no cu e eu herdei também o fato de sentir todos os meus prazeres na bunda.

Quando cheguei aos meus treze para catorze anos, em que todos os rapazes têm uma curiosidade enorme em ver uma mulher nua, ou pelo menos um pedaço de coxa, um seio ou outra parte do corpo feminino, eu andava a espreitar a ocasião em que algum criado, ou mesmo meu tio, ia mijar, para deliciar-me com o espetáculo de um caralho de um homem.

Não sei por que era, eu sentia uma atração enorme para o instrumento de meus prazeres futuros.

Havia então, entre os empregados, um que possuía uma parativelas que era mesmo um primor de grossura e comprimento, fora a cabeçorra formidável. Uma destas picas que nos consolam até a alma!

Entretanto, o que mais aguçava a minha curiosidade e me dava um desejo insofrível, era poder ver a porra de meu tio. Este, porém, era muito cauteloso, e jamais ia satisfazer as suas necessidades sem trancar a porta da privada, ficando eu deste modo com o único recurso de calcular e julgar, pelo volume que lhe via na perna esquerda, as dimensões do seu mangalho que parecia ser colossal.

Um dia em que ele e titia foram à cidade muni-me de uma verruma e fiz na porta do quarto dos mesmos uma série de buracos dispostos de maneira que eu pudesse observar todos os movimentos noturnos.

– Confesso, Capadócio Maluco – acrescentou o Bembem, aumentando o movimento punhetal que vinha fazendo na minha pica -, que nem uma só vez me passou pela cabeça a idéia de que ia ver a titia nua ou quase nua. O meu único pensamento era poder apreciar ereto o membro viril do titio.

Nessa noite, mal nos recolhemos aos dormitórios, eu fui postar-me, metido na comprida camisola de dormir, na porta e com os olhos pregados nos furos previamente feitos.

Parece, porém, que o casal não tinha pressa nenhuma em se foder ou então ambos andavam fartos, pois meu tio, em camisa de meia, sem tirar as calças, sentou a ler um livrinho que depois eu souber ser da Coleção Amorosa do Rio Nu, enquanto minha tia, em mangas de camisa, principiou uma temível caçada a algumas pulgas teimosas.

Se eu gostasse de mulher, teria me deliciado vendo, nos movimentos bruscos da caçada, os seios da moça, que eram alvíssimos, de bicos vermelhos, redondos e rijos como se ela ainda fosse cabaçuda; porém todo o meu prazer, toda a minha curiosidade, estavam entre as pernas do tio, no seu caralho, cuja lembrança me punha comichões na bunda.

Afinal, ela parece que cansou na perseguição dos pequenos animais, pois deixou cair a saia e rapidamente substituiu a camisa por uma pequena camiseta de meia de seda que lhe chegava até o meio das nádegas.

Mesmo sem querer, tive que admirar-lhe as pernas bem-feitas, as coxas grossas, torneadas e muito claras, a basta pentelhada castanho-escura e – com quanta raiva o confesso! – o seu traseiro, amplo, macio, gelatinoso.

Ah! se eu tivese um cu daqueles, era feliz! Era impossível que meu titio, tendo ao seu dispor um cagueiro daqueles, pudesse vir a gostar da minha modesta bunda! Quanto ciúmes eu tive da tia naquela noite!

Parece que a leitura do tal livrinho produziu alguma coisa em titio. Ele principiou a olhar de vez em quando para a mulher, estendida de papo para o ar sobre o leito; depois passou várias vezes a mão pela altura da pica.

Finalmente levantou-se, num momento tirou toda a roupa e caminhou para a cama.

Oh! Céus! Eu então pude ver, com toda a dureza que uma tesão completa lhe dava, os vinte e cinco centímetros de nervo com que a Natureza o brindara. Que porra!

Grande, rija, grossa, com uma chapeleta semelhante a um pára-choques da Central e fornida dum par de colhões que devia ter leite para uma família inteira.

Ele chegou-se ao leito, começou a beijar a esposa nos olhos, na boca, no pescoço, nos seios e depois, quando a sentiu tão arreitada como ele estava, afastou-lhe as belas coxas, trepou para cima do leito e eu, do meu observatório, vi aquele primor de pica deslizar suavemente e sumir-se todo pelo cono papudo da titia, que auxiliava a entrada do monstro fazendo um amestrado exercício de quadris, a suspirar, a gemer, a vir-se, no mais completo dos gozos, na mais correta das fodas.

Não quis ou não pude assistir ao resto da cena. Eu tinha uma sensação esquisita no cu, parecia que as pregas latejavam. Mais tarde vim a saber que isso era tesão na bunda.

Corri para o meu quarto, fechei-me por dentro, atirei para longe a camisola, que me incomodava e, tendo arrancado a vela do castiçal, tentei metê-la pelo cu acima a ver se me acalmava. Fui caipora; as arestas da bugia machucavam-me o ânus e não a deixavam entrar.
Passei uma noite horrível.

Publicado em Comportamento, Opinião, Sociedade

O gay viado ou o viado gay?

gay viado

Caro leitor, você ficou curioso com o título deste post?

Bem, se o título chamou a sua atenção, vamos ao artigo:

História:

Uma das hipóteses sobre a origem da palavra “viado” remonta ao final do século XIX no Rio de Janeiro. Originária da palavra transviado passou a ser utilizada por agentes da segurança pública nas batidas policiais em prostíbulos, cais do porto, ruas e vielas, pois os pederastas frequentavam os mesmos locais das prostitutas. Algo assim: Aqui tem mais um viado para o camburão.

Outra hipótese é literalmente originada do animal, o veado. Na época de acasalamento, os machos produzem esperma em excesso, mas não são todos que conseguem acasalar. Daí eles precisam se livrar do sêmen acumulado nos testículos e como não têm preconceitos como nós humanos montam uns nos outros, formando verdadeiros trenzinhos.

Mesmo após o coito, muitos machos acabam criando laços afetivos e convivendo como um casal. Somando isso aos trejeitos delicados e graciosos do animal, o apelido foi vinculado à imagem do homossexual, sendo considerado pejorativamente como “viado” — talvez um veterinário — certamente tinha informações privilegiadas sobre a vida animal e fez uma analogia com a vida dos pederastas daquele século.

A partir dos anos 1950, o termo passou a ser utilizado em pequenos grupos de amigos enrustidos, porque mesmo ofendidos, atacados e até agredidos, porém, apesar de tudo os homossexuais ainda encontravam na sua perseverança uma criatividade e humor para lidar com o preconceito do dia-a-dia e passaram a se tratar dessa maneira de forma bem humorada e divertida.

Nas décadas seguintes o termo virou manchete de revistas e jornais, inclusive o Lampião da Esquina. Os próprios gays masculinizados, diziam que viado era a bicha passiva, efeminada, extravagante e os travestis e não se identificavam como tais, porque faziam o papel do ativo.

Sinônimos:

Homossexual, gay, fresco, efeminado, florzinha, biba, bicha, boneca, bichona, boiola, baitola, perdido, fanchona, entendido, maricas, maricona, pederasta, sodomita e por ai vai.

Cotidiano:

Ninguém sai por ai dizendo: Olha lá gay! e sim: Olha lá viado!

Os cumprimentos de dois gays: E ai viado! Tudo bem?

Na sauna: Os viados são os extrovertidos, alegres e inquietos. Entram e saem do dark room a cada cinco minutos.

No cinema: Viado que se preza não cola a bunda na cadeira. Circula nos corredores e banheiros à procura do próximo parceiro.

Na boate: O viado entra, observa, bebe e bebe, depois dança com o primeiro que lhe desperta o desejo.

Na pegação: A maricona dá em cima do bofe e não faz ideia que ele é florzinha.

Mais recentemente, a palavra passou a ser de uso corrente não apenas entre os gays, mas da população em geral, principalmente humoristas e artistas: Fala viado!

Hoje está na Internet, rede social e whatsapp – Ou você nunca recebeu um vídeo ou imagem de um viado? damos gargalhadas do conteúdo e passamos adiante.

Todo gay é viado, certo?

Na prática nem todos demonstram ou gostam de viadagem. Aliás, frescura, sensibilidade feminina exagerada, baitolices.

O comportamento do gay viado aflora quando está em grupos, em locais fechados. Isso gera uma sensação de liberdade e prazer, exceto bees, travestis e os afetados que são os viados sem máscaras.

Ser gay viado é atitude. Esse comportamento pode ser uma forma de se soltar e demonstrar o que é ou uma forma de brincadeira entre amigos gays, mesmo os masculinizados. Ninguém escolhe ser motivo de chacota. Mesmo que a necessidade de ser aceito por um grupo talvez exacerbe um comportamento que já existia, às vezes as pessoas exageram porque finalmente se sentem livres.

Sim, todos somos viados, mas uma parcela faz questão de demonstrar viadagem e isso faz parte da natureza e da coragem de cada um.

Um amigo me disse: Ser viado é gostar de Donna Summer, Cher, Beyoncé, mas também ópera e música clássica, de Wagner a Vivaldi.

Acredite, não é nossa culpa. O que acontece é que às vezes estamos andando na rua feito pessoas normais e, subitamente, ouvimos a música nova da Beyoncé e aí não há como resistir! Em segundos estamos no chão fazendo twerking! É mais forte que a gente!

Também, não existe hierarquia de comportamento. Agir feito homem não faz de ninguém melhor, e perseguir o feminino ou efeminado é só machismo. Todo mundo é livre para ser e agir como quiser. Você pode até achar feio, mas não poder acabar com a liberdade alheia.

Bem, se não está dando para dar pinta na sua cidade não se arrisque a ser violentado e esfolado em outros cantos do país. Entretanto, isso não significa que você tenha que se esconder, segurar seus trejeitos ou tratar seu namorado como um conhecido.

Be happy!

Publicado em Relacionamento, Sexualidade

O desejo por homens casados

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A maioria dos gays provavelmente vai admitir que em algum momento de suas vidas já se sentiu atraído por homem casado, mas nunca pensaram em tentar fazer algo para separar esse homem de sua esposa. No entanto, muitos gays só procuram homens casados e comprometidos.

Caro leitor, o desejo é mutável e está em constante evolução, logo, este comportamento não é bizarro e se você é um deles não se assuste, porque na verdade você se sente atraído por homem casado pelo simples motivo de sentir tesão e descobrir afinidades.

É óbvio que existem outros motivos e nas minhas andanças pelo mundo gay, além das experiências de outros companheiros, eu posso afirmar que isso é normal, com alguns contratempos e depende exclusivamente de você encarar este tipo de relacionamento e saber o que deseja extrair da relação: apenas sexo ou algo mais.

Quem gosta de gay maduro ou idoso pode esbarrar na condição de casado do parceiro, porque esse homem sempre viveu no armário, não aceitou sua homossexualidade e optou pelo casamento mesmo que de fachada para esconder seu desejo por homens.

Outro motivo bastante comum é que o homem casado não tem aparência ou trejeitos de gay, assim é fácil discernir que todo gay masculinizado procura outro homem másculo, ativo, com gestos e comportamentos de homem com H. Gays masculinizados tendem a buscar parceiros semelhantes.

Psicólogos indicam haver nessa busca a identidade paterna e a ausência do pai na infância, pode ser, mas existe um mundo real além das teses acadêmicas.

Há vários benefícios em se envolver com alguém indisponível. A emoção de um caso, a sensação de ter sido “escolhido” no lugar de outra mulher e o sentimento de poder e controle são alguns dos motivos que levam gays a caçarem homens comprometidos.

Confira outras justificativas para esse comportamento:

Baixa autoestima:

Alguns gays com baixa autoestima acreditam que não são bons o suficiente para serem o parceiro oficial. Muitas vezes têm histórico de relacionamentos abusivos, em que eram maltratados, e como mecanismo de defesa buscam relações sem compromisso e fadadas ao fracasso para evitarem se machucarem novamente. O gay também pode relacionar sua autoestima a sua aparência, então vai se sentir bem quando conseguir fisgar um homem casado.

Vício em sexo:

Envolver-se com homens casados é algo que os gays viciados em sexo normalmente querem parar de fazer, porém isso é quase impossível sem a ajuda de um terapeuta. Há vários fatores que contribuem para um gay tornar-se viciado em sexo, incluindo o abuso sexual na infância. Eles muitas vezes se sentem culpados e envergonhados por esse comportamento, mas a sensação de caçar um homem casado tende a ser irresistível.

Poder e controle:

Os gays dizem que procuram alguém comprometido porque gostam de se sentirem no controle da situação. Teoricamente eles não têm nenhum tipo de amarra e podem deixar o parceiro a hora que bem entenderem. Porém, esse comportamento é um reflexo do medo de abandono ou de compromisso. Esse gay muitas vezes foi abusado ou ferido no passado e encontra nessa relação uma forma de se sentir mais seguro. No entanto, não percebe que na verdade acaba sendo controlado pelos desejos do homem casado, já que é ele quem decide se vai deixar a esposa ou encerrar o caso.

Outras situações corriqueiras:

A maioria dos homens casados que transa com gays são bissexuais, logo não espere muita coisa dessa relação a não ser sexo. Há exceções mas o cenário não é animador.

Entrar numa relação com homem casado e depois de algum tempo perceber que está apaixonado. Não existe mágica, é aceitar e tentar resolver seus problemas emocionais da melhor maneira possível, porque senão, é sofrimento na certa!

Viver com homem casado por longos períodos e ciente da sua condição de amante, enfim, gosta de ser o outro e não admite mais ninguém na vida do parceiro que não seja a mulher.

Envolver-se com homem casado, mas querer uma relação estável, se possível com a separação da mulher. Isso é comum e acontece cotidianamente porque o homem casado se apaixonou pelo parceiro e depois de dez ou vinte anos, é chegada a hora de sair do armário e iniciar uma nova vida. Somente fortes paixões e amor podem fazer homem casado tomar decisão de rompimento do casamento.

Na contramão dessas relações é importante lembrar: Homens casados se relacionam com garotos de programa e travestis porque não desejam situações complicadas, resolvem seus desejos sexuais e seguem as suas vidas. Quer encontrar homem casado então visite uma sauna e descobrirá um mundo onde ninguém sabe se o cara é gay ou bissexual.

Também, esses homens buscam gays semelhantes para sexo e amizade. Uma companhia para extravasar as neuroses do dia-a-dia, fora da rotina familiar. Há tendência de isso se acentuar na medida em os filhos crescem e se casam, o paizão envelhece e se aposenta.

A probabilidade de uma relação estável com homem casado dar certo é de uma para cada dez casos. Portanto, se você está no rol de gays que tem desejo por casados esteja ciente não apenas das probabilidades, mas também da complexidade dessa relação.

Leia também: Homens gays e as relações de fachada com mulheres.

Publicado em Ciência, Qualidade de Vida, Saúde

Os gays e a inteligência emocional

inteligencia emocional

Caro leitor, inteligência emocional é um conceito em Psicologia que descreve a capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.

As questões emocionais influenciam bastante a vida dos gays porque são mais vulneráveis do que os heterossexuais, por conta da ruptura com os padrões heteronormativos e isso, de certa forma, fragiliza o controle das emoções. Não preciso enumerar as situações adversas a que fomos submetidos desde a infância.

Isso deveria ser um aprendizado, e o é para muitos, mas mesmo na velhice boa parcela dos gays não consegue manter suas emoções num padrão normal ou sob controle. Esses fatos do passado os fragiliza e traz consequências ruins e de difícil aceitação, mas nunca é tarde para avaliar os sentimentos e aprender a lidar com novas situações adversas.

Porque tens a necessidade de ser aceito pelas pessoas? Porque buscas incessantemente parceiros? Diariamente temos várias necessidades e muitas delas nos deixam ansiosos e é justamente a necessidade de relações humanas.

Eu acredito ser possível viver uma vida boa e sem neuroses. Para isso é importante trabalhar a inteligência emocional, administrando e cuidando das emoções sem reprimi-las. No entanto, é preciso distinguir que, quando se está na companhia de outras pessoas, é preciso levar em consideração o modo como essas pessoas interpretam o que expressamos. O equilíbrio é a chave das interações humanas e também entre gays.

Eu observei ao longo dos anos muitos amigos frustrados porque não encontraram o parceiro ideal e se encontraram durou pouco ou quase nada. As relações são assim mesmo, idas e vindas, chegadas e partidas, pode durar um dia ou uma década, enfim, nada é eterno. Essas frustrações se acumulam e a busca incessante por novas interações gera frustrações e muita insegurança.

Para que as emoções não nos dominem, entre outras coisas, é preciso saber que as necessidades de relacionamentos vem sempre por último.

Todos necessitam de segurança e isso passa por estudo, trabalho, um local para moradia, alimentação, saúde e bem estar, depois o entretenimento e as relações pessoais. Tudo isso vem antes de você sair à caça de um parceiro para sexo porque se encontrar e ao se relacionar poderá se envolver emocionalmente. Pode ser bom ou ruim.

Os gays jovens gostam de música, baladas, diversão, a turma e sexo, nessa ordem. Os mais velhos preferem leituras, bom papos e interações sociais que agregam valor às suas vidas. Obtidas todas essas necessidades então devem vir o parceiro e o sexo e se não vir não há porque se desesperar, a vida segue o seu curso. Por incrível que pareça os gays agem de forma diferente do padrão que equilibra as emoções, logo, a inteligência emocional fica em segundo plano e os problemas tendem a dominar a vida dessas pessoas. Claro, há casos e casos e ninguém é igual a ninguém, mas o equilíbrio emocional permite viver bem, sem neuras e principalmente ansiedade.

A ansiedade traz problemas físicos, cognitivos e condutores: taquicardia, mal-estar, tremores, pensamentos negativos e condutas compulsivas. Os pensamentos negativos afastam as pessoas e quando se percebe não existe mais tempo de corrigir rotas e objetivos. Tudo na vida é questão de momento, o presente é a nossa única certeza, um passo de cada vez, um obstáculo em cada esquina. Assim é a vida!

Os gays são ansiosos por natureza e isso decorre das emoções negativas, Se, pelo contrário, filtrarmos de uma maneira mais adequada e realizando menos generalizações no âmbito pessoal, é mais fácil experimentar emoções saudáveis e positivas, ou não?

Você precisa sentir prazer nas coisas que faz e sem necessariamente estar acompanhado de outras pessoas e se estiver é ainda melhor. Você deve aceitar suas amizades com naturalidade e sem exageros. Se você tem um parceiro é importante compartilhar coisas boas que carreguem energias positivas mesmo que a relação termine na manhã seguinte. Às vezes chega-se na velhice e não se aprende a equilibrar as emoções.

Obviamente, alguns gays assimilam as questões emocionais com mais facilidade, pois cada um tem uma história, um passado que moldou a sua personalidade e quem você é. Nem sempre personalidades fortes indicam controle emocional, também, na adianta se fechar ao mundo e não se permitir envolvimento emocional porque isso acarreta efeitos colaterais, como o isolamento e a depressão.

Não existe mágica! Para uma vida saudável basta ser aberto e agradável, porque uma mente fechada costuma ser indicador negativo que não permite enfrentar dificuldades de maneira mais segura. Também, é necessário diminuir os níveis de estresse e nas relações ser mais observador e ser um bom ouvinte, além é óbvio, da empatia.

Ser um ouvinte mais ativo e prestar verdadeira atenção ao que está sendo falado por outras pessoas nos ajudará a adquirir um melhor entendimento dos sentimentos. Quando conseguirmos usar essa informação para tomar decisões e melhorar nossas relações, este será um sinal de que nossa inteligência emocional está em bom estado.

Publicado em Comportamento, cotidiano

Coisas que a vida ensina depois dos 59 anos

sendak_headshotCaro leitor, todo ano eu faço um balanço da minha vida em relação ao ano anterior, o que mudou ou como estou?

A homossexualidade nos impede de viver a vida plenamente por questões óbvias de repressão familiar, religiosa e social. No decorrer dos anos ficamos mais isolados, também por conta do envelhecimento.

Hoje aos 59 anos eu encaro a vida de uma forma completamente nova, pois já não me importa o que os outros vão falar e sim como está a minha saúde, a minha cabeça e o meu bem estar.

Eu busco amizades que agregam valor ao meu dia-a-dia com boas conversas e sem as neuroses tão comuns na terceira idade, principalmente no meio gay.

Agora aposentado e fora do mercado de trabalho eu tenho tempo para observar o mundo nos detalhes e principalmente o mundo gay em constante transformação.

Na semana passada conversando com um amigo, comentei sobre o gueto gay, a importância para a socialização dos homossexuais, mas também como ele te escraviza e te prende e quando você percebe está alienado num círculo vicioso, mas apenas percebemos isso quando envelhecemos e olhamos o gueto de fora para dentro.

Eu não tenho necessidades de estar inserido no gueto, conheço muitos gays de todas as idades porque há mais de 40 anos eu vivo e moro no bairro mais gay do Brasil.

Quem tem o privilégio de morar em frente ao ABC Bailão? Ou a trezentos metros do Largo do Arouche?

Hoje eu divido a minha vida entre a Rua Marques de Itu e a chácara no interior. Eu adoro viajar e não consigo ficar na cidade mais de dez dias e para isso foi necessário um planejamento de longo prazo com objetivos claros e alcançáveis porque na velhice ficamos ou ficaremos invariavelmente sozinhos.

Eu sempre trabalhei as questões psicológicas para viver sozinho. Eu acredito que a solidão é estado de espírito. Você precisa estar bem e compartilhar com as pessoas momentos do seu cotidiano. Também, eu tenho um companheiro há mais de dez anos e isso facilita a vida e mesmo se estivesse só eu suportaria bem a situação, como dizemos: tiraria de letra.

Olhando no retrovisor da minha vida vejo todos os colegas e amigos gays que morreram decorrentes da AIDS num tempo onde os remédios e tratamentos eram precários. Hoje o Brasil é referência mundial no tratamento de soropositivos e eu jamais pensei que um dia isso fosse acontecer.

Sou um gay adulto quase na terceira idade, bem resolvido e de bem com a vida. O que me auxiliou nessa maturidade e aceitação foi muita leitura de livros acadêmicos, romances e ficção sobre a homossexualidade.

Também, sou cinéfilo e dei preferência aos filmes temáticos sobre gays, lésbicas, transexuais, bissexuais e isso ajudou demais a entender a homossexualidade, quem sou e porque sou gay.

Neste blog eu sempre procuro ser positivo porque eu sei que não é fácil aceitar a diversidade sexual dos seres humanos, imagine a sua própria diversidade? Existem muitas coisas negativas e é preciso afastar-se de coisas ruins e cercar-se de coisas boas.

Enfim, mais um ano, mais um ciclo se encerra e outro começa com muitos planos de viagens, leitura, muitos filmes, aliás, deixo a dica de um lançamento: 120 batimentos por minuto.

A vida se renova e neste novo ciclo, eu ocupo o meu tempo observando as pessoas, buscando novos contatos com parentes e familiares, afinal eu saí de casa muito cedo para enfrentar o mundo, foram quarenta e quatro anos de trabalho contínuo e agora é a hora de resgatar pessoas que eu deixei pelo caminho e aproveitar a vida sem pressa.

Aproveito para informar aos leitores que me escrevem que o meu aniversário é hoje, dia 18 de junho, coincidentemente, no mês do orgulho gay. Sou uma pessoa simples, sem luxos, acessível e procuro atender a todos sem distinção e tenho orgulho de ser gay e poder compartilhar com os leitores o meu mundo e as experiências de vida de pessoas iguais a mim e a você.

Também, não gosto de política, não defendo esse ou aquele, direita, centro ou esquerda. O segredo do sucesso é aceitar-se homossexual, estudar, trabalhar, conquistar o seu espaço e fazer o que você gosta.

Um abraço e seja feliz!

Publicado em Curiosidade, Turismo

Largo do Arouche referência LGBT

A capital paulista possui diversos lugares que construíram a identidade homossexual a partir dos anos 1960 no meio urbano, tais como o Largo do Arouche, Avenida Ipiranga, República e o Conjunto Metrópole. Foi nesses locais que os homossexuais começaram a ocupar a cidade enquanto coletivo. A comunidade se reunia em bares, praças ou em banheiros públicos em busca de sexo.

Quem visitou a cidade e não conheceu o Largo do Arouche? Eu nasci na cidade e tenho o largo como referência desde 1973 e já escrevi aqui no blog várias referências e passagens sobre a ferveção nos bares, boates e banheiros. Hoje resido a apenas 400 metros da praça, é o quintal da minha casa.

largo do arouche

O Arouche é o logradouro brasileiro com o maior número de endereços LGBT, em levantamento realizado pelo Guia Gay São Paulo. E o próprio largo também é área de convivência dos gays e lésbicas, especialmente nos fins de semana.

No coração gay da cidade, o Largo do Arouche é rodeado quase exclusivamente por lugares do mundo mix, como lojas, bares, cinemas, saunas, clubes do sexo, restaurantes e até padaria gay! Sim, é verdadeiramente um bairro gay, semelhante aos bairros de Toronto e Barcelona porque além do comércio e de serviços há diversos prédios residenciais ocupados por morados gays de todas as idades. Os moradores mais antigos ainda residem por lá.

Hoje o largo não está abandonado, mas carece de revitalização, pois há mais de duas décadas nada foi feito para melhorar este espaço urbano.

Mas boas notícias são bem-vindas e o local será revitalizado a partir da segunda quinzena do mês de junho, talvez após a Parada Gay 2018.

O projeto de reforma para o Largo do Arouche, inclui a criação de um quiosque LGBT.

O espaço prestará atendimento social, psicológico e jurídico para a comunidade arco-íris. Outros três quiosques vão abrigar a administração do Largo (com uma horta comunitária anexa), base da polícia militar e banheiro público 24 horas.

Idealizado pelo escritório de arquitetura francês Triptyque, o projeto prevê a demolição do atual Mercado das Flores, inaugurado em 1953, e a construção de um novo, que terá marquise para captação, armazenamento e reúso de água da chuva para rega da plantas.

Segundo a Câmara de Comércio França-Brasil, 25 empresários franceses doaram R$ 2,3 milhões para a obra. A Prefeitura de São Paulo não informa os valores.

O projeto também prevê área para cães, bancos de madeira e concreto e um playground que poderá ser usado à noite.

Desde o ano passado, grupos, como o Coletivo Aroucheanos, fazem reuniões e discutem a reforma do espaço para que ele não perca a simbologia que possui para a comunidade gay da cidade e principalmente para os visitantes de outras cidades e estados.

É aguardar, conferir e acompanhar o projeto.

Nota: Parte do texto foi extraído exatamente como publicado no Guia Gay de São Paulo