Pequenas atitudes podem nos surpreender

deficiente_visualOi Regis! Lembra de mim, a bicha cega e confusa que pediu conselhos a você há alguns meses? Pois bem. Agora eu me converti a uma igreja evangélica e sou um ex-gay! brincadeira. Minha vida mudou muito desde a última vez em que conversamos. Vou contar por partes.

Após muita relutância, resolvi entrar em um grupo de deficientes gays no Facebook. Por meio dele, entrei em outro grupo, desta vez no whatsapp, de deficientes gays e devotees (pessoas que não são deficientes, mas se interessam por quem tem deficiência).

Sem querer me gabar, nunca pensei que eu fosse tão gostoso, visualmente falando! Kkkk. Toda hora eu recebia uma cantada de deficientes e não deficientes do tipo: “Nossa como você é lindo. Oi te achei isso e aquilo! Vamos conversar?”

Finalmente, após anos de sentimentos de inferioridade ou de inadequação eu estava me encontrando. Embora nenhum more perto de mim, consegui despertar um interesse maior em alguns homens: um cara do Rio de Janeiro, sem deficiência, o qual já me considera como namorado apesar da distância, um de São Paulo, que é cadeirante, e outro da Paraíba, também cadeirante! Todos os 3 coroas suuuuuuper gostosos, a julgar pelas vozes! Vale ressaltar que o cara do Rio que não tem deficiência não está no grupo do whatsapp. Esse eu conheci no grupo do Facebook.

Além disso, após tantas cantadas, minha auto-estima e coragem aumentaram tanto, que resolvi cantar um cara cego que tenho no face, mas que não estava em nenhum dos grupos citados. Eu sequer sabia se ele curtia homens ou não, e por sorte ele curtia! Tá doidinho pra me comer. E eu doida, louca, desnorteada pra dar pra ele! Kkkkk.

Ele tá tão animadinho que disse que vem à minha cidade a hora que eu quiser. Basta combinarmos!

Não preciso nem falar que qualquer sentimento de auto-rejeição que eu tinha acabou né? Sem brincadeira. De fevereiro pra cá, devo ter recebido umas 20 cantadas do Brasil inteiro! Costumo brincar que, se continuar assim, daqui a pouco viro patrimônio nacional!

O mais interessante é que eu devo ter cara de moça de família, porque a maioria dos caras que me canta quer coisa séria! Já discuti até adoção com alguns deles! Ah, se eles soubessem! E pensar que eu não queria absolutamente nada no ambiente virtual… “que bicha burra eu fui!” Bom, antes tarde do que nunca!

Você deve estar se perguntando: “””mas… E na vida real? Não aconteceu nada?” Aconteceu! Calma calma. Não dei ainda, mas fiz algo que com certeza vai me ajudar no encontro por sexo real.

No último e-mail, me abri com você sobre a dificuldade que eu tinha em andar sozinho, meus medos e inseguranças! Desde semana passada tenho ido sozinho para o trabalho e tem sido a melhor experiência da minha vida até então.

Para você ter uma ideia da sensação, se imagine saindo do armário com o apoio quase total da sociedade! Imaginou? A sensação de independência que andar sozinho me proporcionou chega a ser melhor!

O mais interessante é que eu fiquei seguro em várias áreas da minha vida, inclusive na amorosa, após tal feito! Não sei explicar… É bom demais para ser explicado em um e-mail.

Por enquanto é só isso. A propósito, parabéns pelo blog! Quanto mais eu leio, mais eu gosto!

P.s: espero que você não considere homofóbicos os termos que uso para referir-se a mim, tais como “bicha cega” e similares. Faço isso porque achei legal a junção das palavras.

É uma forma de chocar pessoas duplamente. Como sou bem resolvido com minha deficiência e minha homossexualidade, não me importo em me chamar de cego, de bicha ou de bicha cega! Quem me vê nem imagina. Por fora, um ser tímido, discreto e com carinha de anjo ingênuo e inocente. Por dentro, uma diaba prestes a explodir de prazer por aí!

Eu não sou homossexual – Não aceitação

nao_sou_homossexual_2Caro leitor, a partir de hoje eu trago para você uma série de escritos rascunhados há alguns anos. Demorou, mas a ideia amadureceu e tomou forma e eu intitulei de: Eu não sou homossexual. Também, separei os textos em cinco partes e com subtítulos para aumentar e facilitar a interação dos leitores.

Pois é, não adianta remediar porque quanto mais cedo você fechar para balanço mais rápido você encontrará as respostas a todos os questionamentos que faz sobre sua sexualidade. Os gays, invariavelmente, sabem quais são esses questionamentos e a maioria conduz à questão da não aceitação.

É sempre aquele blá, blá, blá, porque eu? Justamente eu? Isso não podia acontecer comigo! Não, tem alguma coisa errada! Isso tudo é passageiro, é apenas uma questão de tempo, breve tudo vai mudar e voltar à normalidade. Eu não sou homossexual!

A não aceitação, não é privilégio dos jovens e inexperientes, os maduros e idosos às vezes levam essa condição até a morte.

A aceitação da homossexualidade é um processo lento e não acontece do dia para a noite. Também, não adianta querer resolver tudo por instinto ou buscar todas as respostas porque a complexidade está além do nosso entendimento.

Você segue sua vida, os anos passam e seus desejos por homens não passa, muito pelo contrário, acentua-se.  Aí você pensa e vive uma fase da vida como bissexual e busca experiências sexuais com mulheres.

A família é o principal vetor que te impulsiona para a vala comum dos desesperados. A maioria cede às pressões sociais e acaba num altar de igreja, depois na cama e logo chegam os filhos. Desvencilhar-se do casamento não é tarefa fácil

As experiências sexuais com mulheres são válidas, porque você precisa sentir a sensação de desconforto, olho no olho e fazer sexo pensando num corpo masculino, isso também dá tesão!

O que move o ser humano na relação sexual é a atração física. Se você gosta de transar com homem e mulher não há nada de errado com você. A frequência também não importa, o importante é sentir tesão na relação. Os gays navegam entre os mares da bi e homossexualidade desde os primórdios da humanidade.

Após experimentações variando os gêneros, você se dá conta que prefere os homens às mulheres. A prevalência é natural quando se é homossexual e ainda assim você não se aceita, mas continua com pensamentos e fantasias cada vez mais frequentes e essas te colocam na estrada da perdição. Perdição que nada! Sentir tesão por homem é maravilhoso, mas nem todos pensam assim.

Você quer ser tocado e acariciado por outro do mesmo gênero. Você deseja um beijo de lábios carnudos, ásperos, com hálito e saliva de homem, quer sentir um corpo másculo, suado e o prazer à flor da pele.

O desejo não é sobrenatural e qual é o mal em desejar um pênis penetrando a boca ou o ânus? Não há mal nenhum, mas você teima em não aceitar e acha que dar o rabo é humilhante, coisa de seres inferiores.

Você imagina o esperma jorrando do membro do parceiro e não se importa em lambuzar, primeiro os dedos das mãos, para finalmente sentir o frescor viscoso do líquido derramado sobre o seu corpo.

O que dizer dos afagos apertados, peito com peito sem seios volumosos, invariavelmente, com pelos? A bestialidade do coito anal não é vergonha ou sujeira, é humano!

Após várias experimentações sexuais a vida te prega uma peça e quando menos você espera aconteceu. Pronto! Você está apaixonado por um homem.

O sentimento é algo inexplicável e transforma a sua vida. Muitos largam mulheres, filhos e até netos, outros saem da casa dos pais, uma minoria cria coragem e conta que é gay e tudo isso para viver o amor homossexual. O romance não tem prazo de validade e pode durar um mês, um ano, uma década ou até a morte.

Também, o amor não tem sexo, é sublime, muitas vezes louco e doentio. Os gays que vivem relações doentias, passam por situações de submissão que se traduz em obediência. Tornar-se escravo do parceiro é algo nojento, mas ainda assim, humano!

Humano também é o nosso instinto que nos leva por caminhos sombrios, mas deliciosos! Você é impulsionado ao mundo do sexo onde muitas vezes o parceiro nem faz o seu tipo, mas algo nele te atrai para gozar, um gozo rápido, uma foda desconfortável, algumas vezes fugaz. Após tantos encontros com parceiros anônimos você questiona seus valores morais, mas nem por isso você se sente promíscuo.

Após idas e vindas nesse mundo, exclusivamente, sexual, sair dos trilhos não é decisão fácil, pois o sexo é viciante e deliciosamente gostoso. Já não importa se você é ou não é, mas tudo o que é bom dura pouco, ou melhor, dura o tempo necessário ao aprendizado.

Quando você olha no retrovisor, a vida já está na curva do rio e não tem mais volta. O tempo que resta é pouco e não dá para voltar e tentar refazer o percurso novamente.

Já não existem mais corpos delirantes e juvenis esfregando-se atrás dos muros da escola, nem as intermináveis sessões de punhetas trancado no banheiro de casa.

Os amantes de outrora são imagens distorcidas da era dourada da juventude, das baladas e dos fins de noite trancado num carro mamando o marmanjo sacana da boate ou do taxista pederasta te pagamento um dinheiro, para mamar na sua vara até o sol raiar.

Das memórias dos guetos ainda chegam fragmentos distorcidos de homens comuns, mas existem fodas e fodas e a inesquecível foi aquela quando você entalou a vara no rabo do homem casado mais lindo da sauna que gemeu a tarde inteira e depois sumiu do mapa.

Enfim, hoje você é experiente, no seu dia-a-dia os segredos sexuais são coisas banais e sem importância e você conhece praticamente todos os comportamentos dos gays e por experiência sabe identificar quem já se assumiu ou não.

A vida segue e você não deixou passar as oportunidades, experimentou todas as situações possíveis nas relações. Talvez hoje você esteja casado com outro homem e vivendo a vida que nunca imaginou viver.

Você amadureceu e sabe que a vida é finita e não dá mais para desperdiçar o tempo e as oportunidades e não há nada de errado com você, porque o desejo por homens não é passageiro, está arraigado nos seus neurônios e na sua alma e nada vai mudar, afinal, hoje você tem a certeza que é homossexual.

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