Diz que me ama e transa com estranhos

raphael_perezÉ mais comum do que se imagina, ver homens pulando a cerca e buscando parceiros para sexo fora da relação estável entre casais do mesmo gênero.

No passado este tipo de comportamento gerou rótulos sobre a promiscuidade e a infidelidade dos gays, pois assim como os heterossexuais, a traição sempre foi vista como falta de caráter, desvio de conduta, compulsão por sexo, pessoa falsa e aproveitadora dos sentimentos alheios.

E porque isso acontece?

O principal motivo é a falta de tesão no parceiro.  A experimentação do sexo com estranhos e sem vínculos afetivos é uma forma de sentir-se vivo e com muito tesão.

Também, longas convivências esfriam o desejo carnal e neste universo da carne cada dia é uma incógnita e novos corpos vão aguçar o desejo.

A traição é uma das maiores dores que alguém pode sentir na vida. Quem já passou por isso sabe bem o que é se decepcionar com uma pessoa que muitas vezes você se doou por inteiro.

Quem é traído, se sente a pior pessoa do mundo, depois de tanta dedicação e amor, foi trocado, muitas vezes, pela “primeira opção que passou na rua.”

Como diz a letra da música da Rita Lee: Amor é cristão, sexo é pagão.

Há pessoas que são insaciáveis e precisam praticar o sexo diariamente, dia sim dia não ou com menor frequência pelo menos uma vez por semana. Se o parceiro não dá conta dessa saciedade, obviamente, busca-se outros parceiros para preencher as lacunas do desejo.

Outra situação é encontrar um amante mais belo, como direi, mais gostoso, porque a comparação com o parceiro da relação estável é inevitável e ocorre a todo momento, todos os dias e principalmente longe dos olhos do companheiro.

É comum, um dos parceiros buscar outro corpo para saciar seus desejos mais íntimos e secretos. Isso passa necessariamente por experimentar outras formas e papeis sexuais. Se na relação estável ele é ativo, na relação eventual pode ser passivo, pratica sexo oral com estranho, mas não faz com o parceiro. É a conhecida história da mulher santa. O companheiro é o santo e puro na história e os parceiros fora da relação são as amantes e putas de plantão.

A traição devido à idade também acontece, principalmente, se um dos parceiros é muito idoso e não tem mais ereção, mesmo que seja o passivo, porque o envelhecimento, as rugas e a pele flácida não é atrativo para a prática sexual.

Existem os compulsivos e mesmo amando o parceiro, sempre haverá buscas por outros corpos e a compulsão leva o indivíduo a arriscar-se em cinemas, banheiros e saunas.

Amar não é sinônimo de propriedade e nos dias atuais as relações abertas são acordos informais para a prática do sexo, sem a preocupação de ser observado e criticado por amigos ou pelo próprio traído. Seria a melhor solução se fosse óbvio, mas nem sempre o parceiro aceita dividir a cama com um estranho. 

Eu conheci uma dezena, talvez duas, de traições entre parceiros. É sempre a mesma história, dizendo que fraquejou, errou e que não acontecerá novamente. Basta surgir a oportunidade e tudo recomeça. Isso está no DNA do ser humano.

Na verdade, os gays estão sempre na busca da perfeição, o parceiro ideal, bom de cama, bonito, gostoso, inteligente, com grana no bolso e que faça sexo diariamente por toda a vida, além de nos amar é claro!

Trocar o parceiro por um estranho para práticas sexuais não é crime. A fidelidade nunca foi requisito para viver uma relação estável, logo e principalmente no meio gay isso é comum porque não existem muitos vínculos com pessoas (esposa, marido, filhos, netos, etc).

As relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são vistas pelos gays como relações clandestinas, ou você que tem um parceiro e está numa relação estável nunca se imaginou fazendo sexo com outro homem?

Como saber se ele está a fim de você

APDYNHOs relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo é um jogo de xadrez complicadíssimo e de desfecho imprevisível.

Em tempos de Internet e redes sociais acredita-se tudo fácil, mas engana-se quem pensa ser uma simples questão de oportunidade, porque ninguém tem bola de cristal.

No mundo digital não é possível prever a reação das pessoas, pois se num primeiro momento a paquera investe fortemente para segurar você, percebe-se um marasmo na tomada de decisão, porque você é mais um na lista do bofe.

No mundo real a história é diferente e só não percebe quem não quer, ou finge-se de ingênuo, alimentando ilusões frustrantes. Deve-se considerar se o bofe está a fim de você, para sexo, amizade, relacionamento ou interesse financeiro e status social, ou nenhuma dessas possibilidades.

Eu, particularmente penso que o mais difícil é saber se ele está a fim de você. Isso serve para todas as idades e classes sociais. Se fosse fácil ninguém quebrava a cara e o coração em relações conturbadas e relações que não levam a lugar algum.

Você pode estar solteiro ou num relacionamento e de repente o homem te olha. Lembre-se: olhar não é sinônimo de desejo ou vontade, pois olhar todo mundo olha e observa. Em mais de 90% dos olhares não há indicação de aproximação para fins de relacionamento ou intimidade.

Também, acredito que no decorrer da vida, vamos aprimorando o nosso gaydar para saber se uma pessoa está a fim de algo, além de uma boa conversa.

As situações a seguir, são alguns exemplos sobre este assunto:

Olhar, puxar conversa e ir para a cama no primeiro encontro – Situação assim, como direi, relâmpago é clássica, apenas sexo e são raros os casos que evoluem para uma relação mais intimista.

Olhar, puxar conversa e não falar de sexo – O bofe está indeciso e não sabe se quer um amigo ou um amante

Olhar, puxar conversa e enrolar na relação – Neste caso, você pode ser um cara legal, bom papo e bom partido, mas o parceiro não quer saber de cair de cabeça ou se deixar envolver. Ele nem desconfia que está indeciso e não sabe o que quer. Aqui ele não quer, nem o amigo e nem o amante.

Rolou um sexo, mas ele foge de você igual ao diabo da cruz – Não houve a química ideal e nada mudará o cenário. Ele te comeu, mas queria ser comido, ou vice-versa. Questões de pele são essenciais para a continuidade da relação; existem parceiros que fazem ambos papeis e se adaptam bem nesta condição.

O homem diz que te ama, mas não quer envolvimento – Simples palavras para agradar e não te decepcionar. Não ama e jamais te amará. O sentimento é platônico.

Ah, tem os indecisos, introvertidos, inseguros. É preciso muita paciência porque o medo de arriscar-se numa relação corrói qualquer desejo.

Lembre-se que palavras são palavras e nada mais. As verdadeiras intenções estão nas ações e atitudes do parceiro.

Quando alguém está realmente a fim de que algo aconteça ele vai fazer coisas impensáveis, arrisca-se em situações e faz o improvável.

Os gays são diversos por natureza e nem preciso elencar os motivos. Não adianta insistir com parceiros problemáticos e indecisos.

Há quem diga que o homem passivo se apaixona facilmente, tudo mentira. Conheço ativos que caíram de quatro por parceiros 100% passivos. Ninguém tem controle sobre os segredos do coração, ou seria da mente?

Os casais em relacionamento estável reclamam da falta de apetite sexual dos parceiros. Simples, acabou o tesão! Fica com ele porque assimilou a relação, não quer viver sozinho, virou amizade, tem medo de enfrentar o mundo, tem dó, pena e outros tantos sentimentos de piedade. Às vezes é caso de amor. Poxa vida! Lembre-me novamente do amor platônico.

Outra situação comum. Seu parceiro olhou para outro. Olhar não tira pedaço de ninguém, afinal apreciar a beleza humana é uma arte, mas se rolou sinais ou toques, pode ter certeza de que ele quer experimentar outro corpo e aí o seu par está buscando um substituto para a cama, dele é claro!

Uma parcela de gays gosta de variar e transar com mais de um parceiro ao mesmo tempo. Eis aqui o motivo de hoje se falar em relação aberta. A individualidade abre um leque de possibilidades. Eu não tenho nada contra, é cada um no seu quadrado.

Há exceções, mas os jovens são volúveis, inexperientes e suscetíveis a mudanças comportamentais, logo, trocar de parceiro é algo normal, porque a novidade aguça a mente jovem. Já os mais velhos são experientes e sabedores das consequências de mudanças bruscas. São mais estáveis em suas relações, mas não são santos e pular a cerca é apenas questão de oportunidade.

Ninguém é 100% honesto, nem consigo nem com o parceiro. Isso é da natureza humana. O sujeito te dá corda na balada, começa uma relação e após te conhecer arruma qualquer desculpa e cai fora. Assim, sem mais nem menos, para você é claro! Para ele é normal.

Os gays estão sempre na busca do parceiro ideal, só que não existe o homem ideal e todos têm defeitos. Às vezes até a voz pode irritar o companheiro. Exigimos demais dos outros e não cuidamos para aparar arestas dos nossos defeitos.

Para saber se ele está a fim de você fique atento aos sinais corporais e comportamentais. Passada essa fase vem a fase do diálogo e da conversa.

O diálogo deve ser franco, honesto e sem melindres ou rodeios. Às vezes é melhor ser visto como um chato, mas honesto, do que um gay maravilhoso, mas falso. Nossa vida e nossas relações são pautadas por atitudes.

Um amigo escreveu esta semana numa rede social:

As palavras não podem explicar tudo e é por isso que existem as músicas, as cores, as paixões, os olhares, as caretas, as carícias, as lágrimas, os sorrisos e os beijos.

Isso é atitude!

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