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Sobre pintos e bundas

soldiers_parade_by_raphael_perezCaro leitor, transformar ideias em texto não é fácil. Quando escrevo os artigos, os textos começam herméticos e dá um trabalho danado deixá-los acessíveis e leves e sem perder a profundidade.

Assuntos dessa natureza não são comuns devido aos tabus arraigados no subconsciente coletivo. No mundo gay não é diferente, porque ninguém fala ou comenta, mas pensa, sonha, idealiza até materializar.

Sobre bundas eu acredito que se fala pouco e mesmo os ativos pensam mais em pintos. A bunda não faz sucesso entre os homossexuais e no ato sexual ela é figura secundária.

É interessante, pois a bunda dos homens é apreciada e cantada em verso e prosa pelas mulheres, mas gays não dão muita atenção aos seus contornos e formas.

A bicharada não imagina como é a bunda masculina sob a calça. O olho, invariavelmente, é direcionado para outras partes. Em sã consciência não prestamos atenção porque o objetivo é o pinto.

Há bundas magras, rebitadas, rechonchudas, lisas, ásperas, peludas. Também, não se fala: A sua bunda é muito gostosa ou que bundão, ou, que bundinha! Os falsos exaltam a bunda no ato do gozo e nada mais. É fato, somos atraídos pelo falo e não pela bunda.

Essa parte do corpo não interessa, porque o que interessa mesmo é o orifício central da bunda. É lá que se escondem todos os segredos do prazer homossexual, ou seria no pinto?

Quem tem vontade de comer uma bunda nem passa a mão e vai direto ao assunto, ou melhor, ao orifício. Se for apertadinho melhor ainda.

Gosto não se discute. Eu, por exemplo, adoro uma bunda com pelos, sim, porque se gostasse de bunda lisa transava com mulher. Nada contra os imberbes, mas bunda digna de troféu é aquela carnuda. Nesse universo os ursos fazem a festa.

Outra curiosidade: Os passivos sempre fazem o comercial de suas bundas. Vasculhe a Internet e vai encontrar coisas do tipo: bunda lisa, lisinha, redondinha e arrebitada. Esse marketing é antigo e direcionado aos ativos que dão pouca ou nenhuma importância ao cartão de visitas.

Mesmo secundária a bunda tem papel preponderante na relação com o pinto, pois o que seria dele sem a bunda?

As fantasias sexuais entre bundas e pintos vão além do simples ato da penetração. Os pintos, principalmente, aqueles monstros enormes e de difícil ereção passeiam vagarosamente sob a superfície lunar da bunda e viajando a centímetros do buraco fatal eles descansam no mar da tranquilidade.

Há que considerar as bundas empinadas. Elas são privilégio de jovens esbeltos e de corpos torneados. Invariavelmente, bundas dessa natureza são os melhores suportes para uma penetração leve e profunda, além do formato entre vales servem de suspensório ao pinto. Entendeu? Não é para entender, é para rir.

Entre outros tipos, destaque para a bunda gaveta. Essa é facilmente encontrada entre os homens magros e a melhor maneira de usá-las é não se permitir penetrar, mas sentar e enterrar o pinto dentro. Outro dia uma amiga confidenciou não conhecer bunda gaveta, mas imaginou que essa gaveta poderia ser a bunda de urso, reta, quadrada e sem protuberâncias.

Bundas à parte, o campeão de audiência é mesmo o pinto. O rei da natureza humana masculina e o preferido de nove entre dez homossexuais. Desde os mais tímidos, até os atrevidos são hipnotizados pelo poder do pinto. Gays assumidos idolatram e os enrustidos cobiçam porque ter outro pinto à disposição é demonstração de poder ao quadrado.

Os passivos se deleitam e os ativos são atraídos para trair a bunda e buscar um pinto.

O dito cujo, é observado dia e noite e por onde passa desperta o desejo da maioria. Sob a calça ele já é campeão, porque volume é o que importa. Mas cuidado! Nem sempre volume é sinônimo de tamanho. Um pintinho sempre se esconde entre bagos graúdos.

Aliás, tamanho nunca foi documento e a marca registrada de um bom pinto é a sua capacidade de penetrar sem machucar e fazer gozar sem masturbar.

Diferentemente da bunda, os pintos são artistas natos e os gays os pintam de todas as cores, formas e tamanhos. Há pintos brancos, morenos e negros, finos, compridos, carnudos e grossos e até modelo extra grande, para as bonecas poderosas.

O pinto tem tendências político militar, de direita e de esquerda, a maioria prefere a posição de continência, mas sempre tem um rebelde que insiste em apontar para o céu. Esses são os piores porque devido à anatomia da bunda, nem sempre é possível a penetração.

O pinto é narcisista por natureza. Seu dono procura sempre um espelho e observa o bilau para comprovar a beleza e masculinidade do membro rijo.

Pintos gostam de ser observados, paparicados, bajulados e lambidos, pois sabem que são os maiorais, cobiçados e adorados. A primeira reação de quem os persegue, é apalpar, acariciar e apertar entre os dedos, para depois cair de boca e lambuzar o danado e por fim escondê-lo do mundo no seu orifício sexual.

A natureza do pinto varia de acordo com o tamanho. Se pequeno é bicho danado e enganador, se tem porte médio faz cu doce para trabalhar e se é grande sente-se o próprio sol, já os extra grandes são tristes e solitários.

Quem tem vontade de dar, faz qualquer coisa para ter um pinto para chamar de seu.

Os comentários são sempre superlativos: Que pintão gostoso! Enorme, grosso e durão, mesmo sendo ele mindinho ou no máximo similar ao polegar.

Um bom pinto pode ser facilmente encontrado desfilando pelado e duro no escurinho do cinema, nos banheiros públicos e Shopping Centers, em parques e saunas. Durante o verão desfilam soberanos e até eretos mostrando a carinha sob a sunga nas praias de norte a sul do Brasil.

O seu verbete é quase infinito: pênis, cacete, caralho, vara, jeba, pau, bilau. Vai do cu direto para a mesa servido como mandioca, salsichão, chouriço, franguinho e salame servido na baquete. Do sorvete de saquinho à banana e a sobremesa está servida.

Apesar de cada homem ter o seu, o do outro é sempre melhor. Quem ainda não experimentou e usou um pinto alheio não sabe o que está perdendo e não dá para passar nessa vida sem um encontro mágico com este ser de outro planeta.

Enfim, no mundo gay bundas e pintos não vivem um sem o outro, salvo raras exceções de divórcios amigáveis onde cada um fica no seu lugar.

Há aqueles que não gostam de misturar pinto com bunda, ou porque são voyeur por natureza ou porque vivem apenas das delicias dos toques e pinto com pinto também dá tesão. Há quem diga haver mais mistérios entre o pinto e a bunda do que supõe a vã filosofia. Será?

Ainda assim, o pinto continuará seu reinado por toda a eternidade.

Crédito da imagem: Raphael Perez artista Israelense homoerótico

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O fetiche dos gays por fazendeiros

gay_fetiche_fazendeiroO mundo dos fetiches não tem limites e o fetiche por fazendeiros é mais um no rol de tantas taras e desejos.

Entre numa sala de bate papo e identifique-se como um fazendeiro cinquentão e verás como esse fetiche é forte.

A imagem do homem gay do interior, rústico, másculo, maduro ou de meia idade povoa a imaginação de milhares de admiradores, mas além da imagem do desejo também está a imagem do homem proprietário de terras, gado e dinheiro.

Essa relação de desejo passa invariavelmente pela profissão, pois fazendeiro é uma profissão igual a bombeiro, marinheiro, policial ou executivo que também são fetiches comuns.

É óbvio que devem existir fazendeiros homossexuais, mas a proporção em relação à população é mínima, bem como, hoje as fazendas são administradas por empresas e aí as chances de você encontrar um fazendeiro, e gay é quase nula.

Ainda assim, quem não gostaria de manter relações sexuais com um fazendeiro? Depois do sexo, uma relação rural estável. Conforto, passeios à cavalo pelos campos, uma bela casa na fazenda com varanda e uma vida de rainha ou rei?

gay_farmer1Um amigo me disse: se um dia encontrar um fazendeiro, cinquentão e morador/dono de uma fazenda, ele larga tudo e vai viver com o homem, porque isso é o que ele sempre sonhou. Na verdade esse sonho não existe desde sempre, ele foi sendo construído através de imagens e histórias contadas através dos tempos e que despertaram o desejo, a curiosidade.

Também, a maioria dos fetichistas de fazendeiros são aqueles que nasceram em cidades do interior e que por algum tempo viveram na roça e depois migraram para as cidades e metrópoles.

Este fetiche é embasado na imagem do homem másculo, ativo de membro avantajado. Antes de chegar ao fazendeiro o fetiche passa pelo peão da fazenda, pelo capataz, pelo cuidador de gado e por ai vai. Tudo isso pode ser visto em revistas homoeróticas ou pornográficas que publicam cowboys e fazendeiros musculosos mostrando seus dotes sexuais, membros rijos, grandes e grossos.

A cena rural instiga os instintos sexuais das pessoas e no imaginário popular a prática do sexo em regiões remotas, distantes da cidade, em meio à mata, em sítios e fazendas em situações rústicas e sem o glamour das cidades é uma volta às origens do homem primitivo. O tal do sexo selvagem.

Eu fui pesquisar sobre o assunto e cheguei ao Brasil colonial. Os senhores das terras mantinham relações sexuais com suas escravas e escravos. Portanto, não é novidade e esse fetiche é herança genética e está no nosso DNA.

Tom_of_Finland_06Um dos maiores ilustradores do fetichismo rural foi Tom of Finland, um artista Finlandês conhecido por seu trabalho de caráter homoerótico.

Tom nasceu na costa sul da Finlândia, em finlandês, chama-se Toukokuu. Sua pátria se tornou independente apenas três anos antes do nascimento de Tom e algumas cidades do país continuavam rústicas e selvagens. Os homens que trabalhavam nos campos e florestas, os fazendeiros e lenhadores, eram homens que carregavam a aspereza e a selvajaria do campo.

Nas minhas pesquisas encontrei também um site na Internet – Gay Farmer Dating, onde pessoas buscam parceiros rurais para sexo homossexual.

Outro site é o Gay Farmer da Nova Zelândia que se identifica como um clube para homens e mulheres homossexuais.

No ambiente agrário e rural as pessoas estão mais ligadas à sua fazenda, seus vizinhos e sua aldeia.  É difícil distanciar-se das pessoas ao seu redor, quando é claro que você é diferente de como eles esperam que você seja e sair do armário no mundo rural é, portanto, mais difícil.

O Gay Farmer Club existe para ajudar os gays a ter orgulho da homossexualidade com atividades em grupo que incluem viagens, caminhadas em área remotas, festas, comemorações e esportes (segunda foto)

E conforme eu prometi num post de julho de 2012, finalmente consegui cumprir a promessa de escrever algo sobre o fetiche dos gays por homens das zonas rurais e fazendeiros – Leia aqui.

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