Publicado em Religião

Breve história da homossexualidade na igreja católica

padre gay

A homossexualidade relacionada à religião católica existe desde os primórdios do cristianismo. Também há muitos santos e santas LGBT.

Na antiguidade os mosteiros eram os refúgios de homens com desejos desviantes e a maioria deles sem vocação, se escondiam nos mosteiros para fugir das punições impostas contra os homossexuais, principalmente na idade média época da inquisição.

A partir do concílio de Trento em 1563 foi aprovado o decreto “Cum Adolescentium Aetas“, que recomendava a criação de seminários.

Mas essa mudança não alterou o modus operandi, tanto dos homossexuais quanto de suas famílias que pagavam altas somas em dinheiro à igreja para confinar seus filhos nos seminários escondendo-os da sociedade, porque eram aberrações e vergonha.

Nessas escolas de padres a iniciação sexual ocorria de forma nada natural entre os seminaristas e outros mais velhos, inclusive os professores. Criava-se um clima fantasioso para relacionar os desejos carnais com a religião e a fé. Quando havia a química entre os parceiros a vida seguia o seu curso e no caso das rejeições sexuais a punição era a forma de vingança mais cruel, inclusive, psicológica e física. Exemplo: isolamento e castigos carnais.

Dos seminários à ordenação e posterior designação para paróquias nos confins do mundo, de pequenos vilarejos às grandes cidades.

Ao assumir uma igreja o padre virou símbolo do controle social e religioso das comunidades, tendo ascendência sobre os fiéis, seus familiares e descendentes.

A prática sexual se tornou rotineira, invariavelmente entre os padres gays e os fiéis e neste contexto ocorreu de tudo. Pedofilia, relação sexual não consensual, estupros e amores loucos, insanos e promíscuos, também amores correspondidos e duradouros, sempre sobre o manto sagrado, inviolável e obscuro da igreja.

Hoje o clero é disposto numa hierarquia ascendente, baseado nos 3 graus do Sacramento da Ordem (o Episcopado, o Presbiterado e o Diaconato), que vai desde o simples diácono, passando pelo presbítero, bispo, arcebispo, primaz, patriarca (em casos mais especiais) e cardeal. Nessa hierarquia o acobertamento das práticas sexuais envolvendo padres, bispos e outros sacerdotes sempre existiu.

Quanto maior na hierarquia, maior é o controle e ascensão sobre as pessoas, logo criar vínculos secretos baseados na sexualidade gera uma rede de proteção entre os próprios religiosos e seus seguidores. Veja os recentes casos de escândalos de bispos acobertando padres.

Caro leitor, sobre o tema eu recomendo o filme O Clube de Pablo Larrain.

Aqui no nosso mundo gay existem os fetiches com padres, homens que veneram os homens de preto. Existem gays loucos por batinas e demais vestimentas sacerdotais. Enquanto muitos são seviciados e induzidos ao sexo, outros querem a qualquer custo ter experiências sexuais com padres.

Lembro que padres são cidadãos comuns e estão inseridos em todos os contextos sociais. Nas últimas décadas foi e é comum encontrá-los em saunas e locais de pegação. Também, estão classificados em classes sociais: pobres, classe média e alta.

Essa tara ou desejo decorre justamente da posição social dos padres na sociedade. Os pretendentes a amantes desejam algo proibido, secreto e ao mesmo tempo libidinoso. Há até situações de amores platônicos.

Eu conheço histórias surreais de amantes fiéis aos seus sacerdotes que hoje trabalham e viajam regularmente ao Vaticano como serviçais e pessoas de confiança. Há casos de amantes com mais de quarenta anos de relacionamento.

Mas tudo está mudando gradativamente, a igreja de um modo geral está perdendo fieis e a ascendência sobre as pessoas. Nos dias atuais não existe mais espaço para situações secretas, somos vigiados a todo instante e os homens e mulheres estão denunciando práticas obscuras e forçadas, ou para ter o seu minuto de fama ou por recompensas financeiras (chantagem), além das questões morais como uma forma de vingança pessoal.

O seminário continua a ser uma estrutura e um recurso essencial para a vida da Igreja, é também verdade que a reflexão sobre os velhos e novos problemas de formação sacerdotal – em particular, a disciplina interna, a sexualidade e as formas de interação entre o seminário e a vida diocesana e civil – é e continuará a ser necessária e urgente, na consciência de que a verdadeira reforma da Igreja deve partir sempre de dentro: cada dia haverá menos espaço para os homossexuais dentro da Igreja Católica.

Nota: A imagem que ilustra este texto é a capa do livro de mesmo nome e vale a leitura.

Publicado em Cinema, Religião

Filme: Boy erased uma verdade anulada

boy erased

Caro leitor, faz tempo que eu não indico aqui no blog um filme temático. Enfim, o tema LGBT tem média anual de dez novos títulos lançados todos os anos no Brasil. Se comparado com o mercado editorial é pouco e se comparado ao mercado americano ou europeu é quase nada.

O longa-metragem causou polêmica nas redes sociais por falar sobre cura gay e sua estreia nos cinemas brasileiros foi cancelada. Porém, para a Universal (produtora e não igreja 😂), a decisão de lançar o filme direto em DVD foi mercadológica, após o fraco desempenho nos cinemas americanos e a não indicação ao Oscar. Na época, a decisão de não lançar o filme nos cinemas brasileiros motivou comentários do autor do livro, Garrard Conley, cuja história real inspirou o filme.

Trata-se da história de um filho de pais religiosos que obrigam o garoto homossexual a buscar a cura gay, após ser enviado para um acampamento em que é empreendida a terapia de conversão, a fim de tentar transformá-lo em heterossexual.😱

No elenco Lucas Hedges como Jared e Joe Alwyn como Henry, Russell Crowe como o pai e pastor Marshall e a mãe Nicole Kidman num papel digno de Oscar.

Eu já assisti ao filme e super recomendo!👏🏻👏🏻

O lançamento ocorreu esta semana no Brasil, portanto, corra e adquira o seu exemplar porque este filme vai esgotar num piscar de olhos.

Bom feriado e uma Feliz Páscoa ao leitor!

Meu blog sobre filmes gays 🏳️‍🌈 – Aqui