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A decoração da casa de um gay maduro

18717542-ponte-de-brooklyn-e-manhattan,-new-york,-cena-noturnaEu tenho um novo vizinho que é gay assumido. Outro dia ele foi ao meu apartamento pela primeira vez. Depois de um papo descontraído ele soltou essa: Nossa a sua casa não se parece em nada com a casa de um gay!

Eu perguntei: como assim? Ele respondeu: quem entra no seu apartamento não vai desconfiar que você é gay. Como exemplo citou a falta de revistas masculinas, quadros de nu masculino, badulaques na decoração e sem me ofender disse que a decoração era simples, sem luxo ou brilho, exceto uma gravura que eu trouxe de Nova York (essa ai que ilustra o post).

Após aquele papo eu refleti sobre o assunto e conclui que a minha casa é a minha cara, mostra quem sou e o meu way of life nunca teve e nunca terá o glamour e o brilho do mundo LGBT. Uma vez alguém disse que tudo dentro da nossa casa e até a decoração das paredes é reflexo daquilo que somos. Tai, este sou eu!

Quando comprei o meu apartamento, a decoração não foi pensada para ter brilho do mundo gay e sim para me dar conforto. Eu posso estar errado, mas a maioria dos lares, casas ou apartamentos dos gays não tem decoração LBGT, salvo raras exceções.

Até me lembrei de um apartamento que conheci aqui em São Paulo lá pelos idos de 1974. Na entrada tinha um grosso tapete de peles, um espelho de cristal com moldura dourada na parede lateral.

As paredes da sala eram todas decoradas com cópias de obras famosas, tinha até uma réplica da Marilyn Monroe de  Andy Warhol, um busto de nu masculino destacava-se numa mesinha e as cortinas da janela tinham detalhes bordados na cor rosa e azul. O lustre não era de cristal, era chamativo porque compunha-se de arandelas de plástico duro em formato de flores vermelhas. A mesa central possuía diversos objetos fálicos e até o cinzeiro tinha uma bunda aberta para apoiar os cigarros.

É óbvio que existem gays que adoram decorar a casa e muitas vezes a decoração não apenas os denuncia como homossexuais como expõe um lado do fetiche e até do mau gosto com decoração – Quem transaria com outro homem numa cama que tivesse na cabeceira um enorme quadro da Madonna? Só ser for fetiche!

O mundo da decoração mudou nesses quarenta anos. Hoje tudo é funcional e prático, aliás, tem de ser pratico, principalmente quando envelhecemos, pois precisamos de espaços menores, sem muita decoração.

O vintage é para pessoas que gostam e podem comprar coisas antigas, coloridas, extravagantes ou até obras de arte de artistas homoeróticos, etc.

Em tempo: na minha casa tenho alguns porta-retratos e num deles tem uma foto minha num jantar com o meu companheiro. Realmente, nada que me denuncie como gay.

Caro leitor dos GRISALHOS, como é a decoração do seu espaço?

O desinteresse dos grisalhos por relações estáveis

gay_heterossexualCaro leitor dos Grisalhos, após longas férias eu estou de volta completamente renovado. Confesso que desta vez senti saudades.

Hoje trago este assunto para discussão, pois muitos jovens gays sentem atração por homens mais velhos e na maioria das vezes as relações são fugazes e em outras é difícil encontrar outro parceiro. É o caso de um jovem acadêmico de medicina que teve seu primeiro contato com um homem há seis meses.

Antes, ele achava que o relacionamento com homem não passava de sexo, atração, algo carnal, sem envolvimento emocional e que assim ele pudesse manter o controle, manter o sigilo, ter a sua família com filhos e quem sabe algumas vezes dar as fugidas para suprir seus reais desejos.

Contudo, apos o primeiro contato, ele percebeu que há sim o envolvimento emocional, e, no seu caso foi muito forte, pois se considera carinhoso e descobriu que gostaria de ter alguém sigiloso assim como ele, mas que quisesse manter algo fixo e que pudesse dormir juntos, uma amizade, algo além de sexo.

Este jovem conheceu o blog há pouco tempo e chamou a sua atenção a quantidade de posts sobre a carência e o isolamento dos coroas homossexuais.

No entanto, suas experiências são incoerentes com essas ideias de que os coroas sofrem por não conseguir alguém, pois, as poucas experiências que ele teve o fizeram concluir que a maioria dos coroas só quer sexo, não estão preocupados em manter algo como uma amizade, apesar de mentirem que querem e que são carinhosos.

Este leitor já está desanimado, pois acha muito complicado encontrar alguém, poucos são os que entram em salas de bate papo e encontrar alguém na rua é muito complicado, apesar de acreditar que existem muitos enrustidos, mas quem se arrisca à exposição pública, principalmente na velhice?

Num e-mail ele escreveu: Gostaria de saber se você pode fazer um post dando sua opinião sobre esse descaso e desinteresse de um grande numero de maduros, para com algo mais fixo ou um envolvimento afetivo.

O meu corresponde pediu sigilo, portanto vou me restringir e complementar este post com a minha opinião.

Quando se é jovem temos o mundo à nossa frente, muitos sonhos e desejos de realizações tanto profissionais quanto pessoais. O jovem gay sonha em encontrar um parceiro para a eternidade, mas infelizmente tudo na vida tem data de validade.

Na juventude em me envolvi em alguns relacionamentos com homens maduros e nenhum deles foi uma relação estável, duraram meses e apenas um foi além de um ano. A diferença de idade, os diferentes níveis culturais e as próprias experiências de vida eram distintas. Eu nunca encontrei a minha alma gêmea.

Com o passar dos anos e com a maturidade percebi em mim o que deve ocorrer com a maioria dos gays maduros, ou seja, as vivências nos calejam e deixam cicatrizes profundas. Desilusões de sonhos não realizados, relacionamentos turbulentos, perdas, diferença de idade nas relações e a confirmação de que o mundo gay é completamente diferente do que imaginamos.

Já na fase adulta e na porta da terceira idade eu penso que é mais importante ter um amigo do que ter um amante ou companheiro. Morar juntos não é para qualquer um, porque as relações se desgastam.

Como diz um amigo: na velhice, seja gay ou não, o importante é ter saúde, algum dinheiro guardado para eventualidades e se aparecer alguém para uma transa ótimo, senão não há nada a fazer e terminar uma noite de tesão com uma punheta assistindo filme pornô ou interagindo com algum homem no mundo virtual.

Este meu amigo não está errado, porque eu sempre ouvi de outros gays idosos que no fim terminamos a vida, invariavelmente, sozinhos – Os gays não constituem família, então é óbvio que na velhice estaremos sozinhos.

Eu conheço pelo menos uma dezena de casais que vivem juntos para não ficarem ou morrerem sozinhos. Eu mesmo, já estou preparando a minha velhice porque sei que lá na frente eu estarei só.

Hoje eu tenho um companheiro, mas a morte é um divisor de águas em nossas vidas e perdas são irreparáveis e quase sempre insubstituíveis.

O desinteresse dos grisalhos por relações mais duradouras é decorrente de inúmeras variáveis durante a vida e a grande maioria delas foram variáveis frustrantes.

Gay idoso que gosta de jovem sabe que a relação não vai durar, portanto, opta por relações fugazes e casuais. São raros os encontros que se estendem por muito tempo. Alguns até preferem pagar michê para não ter envolvimento emocional.

Outro amigo me disse que os gays são assim porque não sabem trabalhar o seu lado emocional, são fragilizados pela família e pela sociedade. É tanta repressão que ao longo da nossa vida reprimimos nossas emoções e vivemos apenas para satisfazer nossos desejos sexuais.

Neste universo de relações entre jovens e maduros ou idosos existem casais que estão juntos há décadas, mas eu penso que é minoria dentro da minoria homossexual.

Independente desse cenário eu sempre digo aos jovens para seguirem em frente, buscando realizar seus sonhos pessoais, porque os seres humanos são distintos e únicos. As relações humanas são iguais às caixas de surpresa, sempre tem uma premiada.

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