Arquivos do Blog

Sair ou não Sair do Armário, eis a questão!

love-valour-compassion-07-gDepois de longas férias eu retorno ao blog para continuar o trabalho iniciado em 2009 e que não tem prazo para acabar.

Nesta volta dou espaço para histórias de leitores que acompanham nosso trabalho porque são temas recorrentes e comuns e acho legal compartilhar com todos os seguidores dos Grisalhos.

Eu prometi ao leitor publicar na próxima semana, mas antecipei por motivo de viagem:

Eis a história:

Pela primeira vez resolvi escrever sobre o tema homossexualidade entre homens maduros e casados. Gosto muito do tema e observo que além do medo natural, a maioria dos homens temem que descubram sobre a sua homossexualidade, ou ainda, temem que assumindo os seus desejos homossexuais é o mesmo que largar o certo pelo duvidoso – a vida estável de um casamento para uma vida promíscua dos gays.

Sou maduro na faixa dos 50 anos de idade e há 08 anos encontrei o grande amor e companheiro de minha vida, que também está na faixa dos 50 anos. Há quatro anos estamos juntos vivenciando uma vida maravilhosa e completa.  Moramos em Minas Gerais.

Ambos fomos casados com mulheres por mais de 20 anos e temos filhos e em respeito a eles é que não revelamos a nossa identidade, afinal o mais importante é o nosso relato e não os nossos nomes.

Como todos da nossa idade, somos fruto de uma ditadura que gerou uma sociedade repressora, castradora e machista onde “ser macho e comer todas as fêmeas” foi martelado em nossas cabeças desde que nos entendemos por gente. Assim, mesmo tendo desejos por outros coleguinhas de nossa idade, o contato, o troca–troca só nos era permitido quando ainda criança ou no muito quando estávamos na puberdade. Ao entrar na adolescência, já tínhamos que estar definidos sexualmente, e lógico, como heterossexual. E assim crescemos e nos tornamos os machos da sociedade, prontos para o casamento e a procriação.

Como sabemos o nosso desejo homossexual pode até ser reprimido, mas nunca suprimido. E assim aconteceu conosco. Quando nos tornamos “os machos da sociedade” entramos na roda viva da vida, tais como, fazer uma faculdade, casar, desenvolvimento de sua carreira profissional, criar filhos, fazer amigos (todos héteros e casados), ter um patrimônio etc. assim, você vai criando todos os seus personagens e quando você se dá conta, já se passaram anos e você já nem se lembra mais do seu EU, da sua própria essência, você foi engolido por seus personagens.

Por muitos anos achávamos que éramos e fomos felizes, pois tínhamos mulheres e filhos maravilhosos.

A partir dos quarenta anos os filhos estão crescidos, você começa a ter sua estabilidade financeira, adquire patrimônio, seu casamento já está totalmente desgastado, seus personagens vão se encerrando e você começa a resgatar o seu próprio EU e com eles o seu desejo de tocar, de beijar, de acariciar, de pegar em outro pau e sentir prazer total com outro homem, se permitindo ser penetrado e penetrar fazendo com que seus sonhos sejam todos realizados com plenitude.

Com o advento da Internet e o aparecimento das salas de bate papo, ficou muito mais fácil extravasar nossos desejos por muito tempo reprimidos. Observamos que  muitos dos que estão do outro lado sofrem e não se permitem viver plenamente a sua sexualidade.

Foi entre uma sala e outra, entre muitas histórias de vidas sofridas e algumas fantasiosas que num dia de agosto de 2007, era um sábado às 06h30 (antes das nossas mulheres acordarem) é que conheci o meu grande amor, o meu homem.

Pela primeira vez, não foi importante, se era ativo ou passivo, qual o tamanho do pau, o que gostava na cama, de onde estava teclando ou quero ver seu pau na net ou ainda bate uma punheta para mim. Conversamos sobre tudo, nossas vidas de héteros, nossas famílias e principalmente sobre nós mesmos, nossos desejos reprimidos e o desejo de encontrar um cara bacana, um verdadeiro companheiro. Ficamos conversamos durante sete dias sobre tudo e sobre todos e finalmente resolvemos marcar um encontro.

Era uma sexta feira e nos encontramos num lugar público e depois seguimos para o motel. Em nosso primeiro beijo, sentimos que ali estava algo diferente, foi algo tão intenso que ficamos namorando, nos beijos, nos tocando, nos chupando e conhecendo cada parte do corpo do outro por várias horas, foi tão intenso um com o outro que gozamos sem haver penetração, foi simplesmente maravilhoso!

Saímos do Motel e notamos um no outro a felicidade transbordando em nós, sentimos ali, que algo acontecera em nossas vidas e que depois daquele dia, nada seria mais como antes.

Mas tínhamos que ter certeza que aquilo tudo não era só um sonho e além disto, faltou algo em nosso primeiro encontro, a penetração. Se o prazer e o carinho com a penetração fosse igual aos nossos momentos que tivemos no motel, realmente tudo seria diferente.

Entramos em contato com o outro e nossos desejos eram ainda maiores e tínhamos a pressa de um novo encontro para provarmos e conhecermos o desejo total.

No dia seguinte, voltamos para o Motel, agora com mais confiança, sem o estresse da primeira vez, já nos conhecíamos um pouco na cama e a penetração aconteceu naturalmente, sem dores, com tranquilidade e com muito carinho. Lembro que naquele dia gozamos duas vezes e definitivamente, tínhamos encontrado o que procurávamos, um companheiro para chamar de meu!

Continuamos a nos encontrar, normalmente nas sextas feiras e seis meses depois eu pedi o divórcio para minha mulher. O amor que sentia era enorme e intenso pelo meu companheiro. Por outro lado, não tinha mais condições de continuar ao lado de uma pessoa que não amava mais, simplesmente para me garantir como macho era muito penoso e estava pagando um preço muito alto enganando a todos.

A psicoterapia foi uma grande aliada em minha vida para que pudesse romper com tudo que estava enraizado dentro de mim e nascer um novo homem.

Montamos um projeto de vida, programamos todos os passos que daríamos para não prejudicar ou se prejudicasse, muito pouco as pessoas que amamos. Hoje completamos quatro anos que estamos juntos.

Compartilhamos nossa vida com nossos filhos, nossos amigos héteros e agora com diversos amigos homossexuais.

Não precisamos levantar bandeiras e respeitamos quem o faça, nem sair gritando para todos que somos homossexuais. Nossos filhos convivem naturalmente conosco e nunca perguntaram sobre o que somos ou deixamos de ser quando estamos sozinho em nossa casa. Creio que para eles o que somos são simplesmente pai.

Os amigos, a mesma coisa, nunca perguntaram… vocês são gays?

Descobrimos que se afirmar em dizer pra todo mundo, sou gay não é importante para ninguém. O importante é o ser humano que está dentro de você. São suas atitudes que fazem toda a diferença. Ninguém sai por ai se apresentando. Muito prazer… Sou fulano de tal, sou hétero. Porque se exige tanto que os homossexuais, principalmente os maduros tem que sair do armário e tem que assumirem perante a sociedade?

Meus amigos, nosso relato não é para levantar nenhuma bandeira, simplesmente para dizer que, caso tenha se identificado com a nossa história, você também pode buscar sua felicidade através de organização, planejamento e principalmente amor a si próprio, você pode se permitir ser feliz, sem neuras, sem traumas e sem bandeiras.

Um grande abraço!

Um triangulo amoroso gay

gays_idosos_couplesQuando se fala em relação a três, imediatamente, nos vêm à cabeça as relações heterossexuais, mas essa situação também ocorre entre os gays e é mais comum do que imaginamos.

As relações homossexuais, invariavelmente, acontecem entre duas pessoas, principalmente quando se está solteiro e buscando um parceiro para sexo casual, onde algumas situações transformam-se em relações mais duradouras.

Fala-se muito em traição quando um dos parceiros busca sexo com um terceiro. Isso acontece tanto no universo heterossexual quanto no homo, pois essa dualidade é o principal drama humano, não é exclusivo dos homens e se replica nas questões do sagrado identificado como o amor e o profano identificado como o sexo.

Apesar de comum é um processo conflituoso e doloroso, pois nos dividimos entre os ideais de romantismo e os apelos da carne.

Não é tão simples convencer o parceiro a abrir mão da monogamia ou tornar-se adepto do sexo livre e sem compromisso. Há casos incomuns e um deles eu relato a seguir:

Oscar um quarentão manteve relação monogâmica por três anos com Carlos, um coroa de sessenta e dois, até que um dia Carlos se apaixonou por Guilherme outro coroa de sessenta e cinco anos.

O Oscar era ativo na relação com o Carlos que não se satisfazia com o sexo do parceiro e numa das suas escapadas foi à sauna e conheceu Guilherme o coroa dos seus sonhos. Forte, peludo e bem dotado, além de ativo às vezes gostava de ser passivo.

Após alguns meses Carlos levou o Guilherme para a casa do Oscar para apimentar a relação e de cara houve a química entre os três e o primeiro sexo entre eles ocorreu como “trenzinho”, porque num mesmo ato, Guilherme metia no Carlos, enquanto o Oscar metia no Guilherme. Louco não?

Depois de um ano Oscar liberou geral e também começou a ser o vagão central, enquanto ele enrabava o Carlos, o Guilherme satisfazia-se metendo no Oscar. Os três também praticavam simultaneamente sexo oral e anal, o que amarrou de vez os três na relação – Conjunção perfeita!

Em 2013, eles decidiram morar juntos numa chácara no interior paulista, após Oscar mudar de atividade profissional dedicando-se à criação de cães.

Interessante nessa história verídica é o ciúme dos três quando um parceiro do trio insinua-se para um quarto elemento, todos se vigiam porque estão envolvidos emocionalmente. Enfim, eu penso que esse é um caso raro de triangulo amoroso, pois a tolerância vai além dos limites das emoções.

Tudo bem, que ninguém é dono de ninguém, mas neste caso cada elemento do trio tem dois amores e isso é fácil de compreender, pois é possível amar duas pessoas.

Neste triangulo ninguém sacrifica seus desejos, há uma conjunção ideal entre o romantismo e os desejos carnais, mas ai de quem sair da linha!

O amor é lindo e mesmo assim tudo é efêmero, pois quando um dos parceiros partir ou falecer como fica essa história? Possivelmente, chegará ao fim, ou não?

E saber que a maioria dos gays vive sozinho…

Também, esse tipo de situação é fetiche para muitos gays.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 392 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: