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Um triangulo amoroso gay

gays_idosos_couplesQuando se fala em relação a três, imediatamente, nos vêm à cabeça as relações heterossexuais, mas essa situação também ocorre entre os gays e é mais comum do que imaginamos.

As relações homossexuais, invariavelmente, acontecem entre duas pessoas, principalmente quando se está solteiro e buscando um parceiro para sexo casual, onde algumas situações transformam-se em relações mais duradouras.

Fala-se muito em traição quando um dos parceiros busca sexo com um terceiro. Isso acontece tanto no universo heterossexual quanto no homo, pois essa dualidade é o principal drama humano, não é exclusivo dos homens e se replica nas questões do sagrado identificado como o amor e o profano identificado como o sexo.

Apesar de comum é um processo conflituoso e doloroso, pois nos dividimos entre os ideais de romantismo e os apelos da carne.

Não é tão simples convencer o parceiro a abrir mão da monogamia ou tornar-se adepto do sexo livre e sem compromisso. Há casos incomuns e um deles eu relato a seguir:

Oscar um quarentão manteve relação monogâmica por três anos com Carlos, um coroa de sessenta e dois, até que um dia Carlos se apaixonou por Guilherme outro coroa de sessenta e cinco anos.

O Oscar era ativo na relação com o Carlos que não se satisfazia com o sexo do parceiro e numa das suas escapadas foi à sauna e conheceu Guilherme o coroa dos seus sonhos. Forte, peludo e bem dotado, além de ativo às vezes gostava de ser passivo.

Após alguns meses Carlos levou o Guilherme para a casa do Oscar para apimentar a relação e de cara houve a química entre os três e o primeiro sexo entre eles ocorreu como “trenzinho”, porque num mesmo ato, Guilherme metia no Carlos, enquanto o Oscar metia no Guilherme. Louco não?

Depois de um ano Oscar liberou geral e também começou a ser o vagão central, enquanto ele enrabava o Carlos, o Guilherme satisfazia-se metendo no Oscar. Os três também praticavam simultaneamente sexo oral e anal, o que amarrou de vez os três na relação – Conjunção perfeita!

Em 2013, eles decidiram morar juntos numa chácara no interior paulista, após Oscar mudar de atividade profissional dedicando-se à criação de cães.

Interessante nessa história verídica é o ciúme dos três quando um parceiro do trio insinua-se para um quarto elemento, todos se vigiam porque estão envolvidos emocionalmente. Enfim, eu penso que esse é um caso raro de triangulo amoroso, pois a tolerância vai além dos limites das emoções.

Tudo bem, que ninguém é dono de ninguém, mas neste caso cada elemento do trio tem dois amores e isso é fácil de compreender, pois é possível amar duas pessoas.

Neste triangulo ninguém sacrifica seus desejos, há uma conjunção ideal entre o romantismo e os desejos carnais, mas ai de quem sair da linha!

O amor é lindo e mesmo assim tudo é efêmero, pois quando um dos parceiros partir ou falecer como fica essa história? Possivelmente, chegará ao fim, ou não?

E saber que a maioria dos gays vive sozinho…

Também, esse tipo de situação é fetiche para muitos gays.

Coisas que a vida ensina depois dos 56 anos

sendak_headshotAqui estou eu, apagando um monte de velinhas que nem cabem no bolo.

No balanço de mais um ano, várias realizações foram concluídas, muitas ainda virão e com certeza sem o estigma da velhice precoce, da solidão ou isolamento social que invariavelmente, pega os gays de surpresa, ou não?

Ao fazer reflexões da minha vida, eu me conscientizo do quanto sou privilegiado, mesmo com tantos obstáculos, posso afirmar que sou vencedor.

Outro dia revendo o filme C.R.A.Z.Y – Loucos de Paixão, recordei  a minha juventude e os dilemas íntimos de ser diferente.

Naquela São Paulo dos anos 1970, vivi momentos de pânico ao me descobrir homossexual. Numa época de ditadura militar, justamente eu, fui convocado para servir ao exército, mas por sorte eu pude viver numa época de grandes transformações sociais. Recordo-me das aventuras na Boate Nostromondo ao som de Donna Summer e até os pegas com maconha nas esquinas da Praça Roosevelt.

A minha geração viveu um tempo onde o clima de sedução entre iguais era muito excitante, ou ainda é assim e não percebi?

Os porres de álcool nos finais de semana eram fugas para combater os conflitos interiores. Eu não me aceitava como gay, aliás, quem se aceita? – Incontáveis noites mal dormidas, pesadelos, choros e caminhadas solitárias nas noites de Sampa.

Os anos 80 foram de muitas perdas, mãe, amigos vitimados pela AIDS e a revolta por viver num mundo louco e insensível.

Mas tudo na vida é assim mesmo! Perdas e ganhos.

A partir dos anos 90 a minha vida mudou, entrei de cabeça numa relação estável que durou vinte anos e me dediquei à conclusão do meu curso superior e ao trabalho.

A vida me ensinou tantas coisas que se eu fosse escrever daria um livro, aliás, tudo o que escrevo neste blog são escritos da minha vivência pessoal.

Hoje tenho percepções claras de todas as fases da minha vida. Ser gay não é fácil, mas com o tempo nos acostumamos e ser homossexual passa a ser apenas um detalhe. Não tem jeito, é aceitar ou aceitar, senão vai envelhecer com muitas neuroses e problemas psicológicos.

A vida também ensinou a enfrentar a família sem subjuga-la, a ficar quieto no meu canto nas salas de aula desde a adolescência até concluir a faculdade e ser tolerante com os intolerantes. A inteligência é uma arma poderosa contra a sociedade, no ambiente de trabalho, nas relações sociais e nas situações mais esquisitas que se apresentam diariamente.

Aos cinquenta e seis anos sou um aprendiz, com mente jovem e um corpo em processo de declínio, mas isso é o curso natural da vida.

Já escrevi sobre o planejamento do futuro, para não depender de ninguém, ser independente e autossuficiente e viver uma vida confortável, para poder realizar sonhos, porque o que nos move e impulsa para a vida são os sonhos – Quem não sonha não vive, vegeta.

Aprendi vivendo cada momento com intensidade, o presente é o que me impulsiona para o amanhã, o passado serve apenas como referência nas escolhas atuais e o futuro será consequência do que faço e realizo hoje – Pra mim, Viver é ser livre!

Aquela angústia de não ter ninguém para compartilhar uma cama, um final de semana ou viagem passou. Não é necessário ter um amante, um caso, um namorado. Se acontecer tudo bem! O amor romântico entre gays até existe, mas nunca foi pra mim, porque jamais sonhei amor eterno. Como diz o poeta: Que seja eterno enquanto dure.

Quem escolhe demais fica sem ninguém. É preciso olhar para o outro e descobrir virtudes, não defeitos. A vida ensina tudo o que é necessário para um relacionamento maduro, sem neuroses, ciúmes ou vinganças.

Hoje entendo porque o envelhecimento incomoda, mas estou aprendendo a lidar com as limitações físicas, o importante é manter a mente arejada e aproveitar ao máximo os prazeres que se apresentam diariamente. Nem precisa ser prazer sexual, pode ser uma comida saborosa, um bom filme, um jardim florido, uma mata virgem, uma revoada de pássaros no fim de tarde ou a coisa que eu mais gosto de fazer: Pegar uma estrada e dirigir por horas, ouvindo boa música e contemplando a natureza – Se o namorado estiver ao lado, melhor ainda.

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