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A vida secreta das borboletas

borboleta-gayAlguns personagens na minha vida foram em sua maioria de homens sem aceitação da homossexualidade e negação de jamais ter mantido relação sexual com outro homem.

Caro leitor, imagine o personagem: Homem de meia idade, cabelos grisalhos, estatura mediana, professor de escola secundária, casado, pai de duas filhas.

Bem, ele foi frequentador assíduo do antigo Cine Paissandu no centro de São Paulo. O seu comportamento era semelhante ao da mariposa, de hábitos noturnos e assim que pousa deixa suas asas abertas. Ele era assim, pois saia à caça sempre à noite e quando sentava numa poltrona do cinema abria os braços e as pernas esperando um parceiro, preferencialmente jovem para apalpa-lo e dali partia para um hotel de viração naquelas redondezas.

Quem conhecia este homem jamais imaginava que ele usava os garotos para saciar seus desejos homossexuais. Mariposas iguais a essa são encontradas nos quatro cantos do mundo!

Outro personagem clássico neste incrível mundo do faz-de-conta é um homem comum, casado ou solteiro, de características e gestos masculinizados, idade superior a quarenta anos, de fala mansa e comportamento reservado.

Quem não conhece não imaginava que por trás daquele homem sério e de postura altiva escondia-se uma boneca sedenta por cacetes juvenis, com fetiches femininos que se deitava e esperava seu homem de bruços e braços abertos feito uma borboleta azul durante o verão. Borboletas azuis proliferam nos quatro cantos do mundo, principalmente nos países tropicais.

A vida secreta das borboletas não se resume apenas a esses dois personagens. Há dezenas, talvez centenas de tipos, todos com algo em comum: a maioria é homem casado, com filhos e netos, profissionais de todos os segmentos e um segredo guardado a sete chaves: Desejo sexual por homens.

Para esses homens a vida de heterossexual enrustido é uma vida sem sentido, pois acreditam que a família é o centro do universo, mas no fundo tem uma vidinha insignificante. Muitos sacrificam e reprimem seus desejos em prol de carreira profissional impulsionada por herança familiar conservadora. Filho de médico, médico é e assim por diante.

A educação dos jovens em famílias tradicionalmente religiosas é outro fator repressor e inibidor dos desejos homossexuais. Até os anos 1980, famílias conversadoras católicas reprimiam seus filhos mostrando jovens efeminados, desviantes e anormais e com a pecha de pecadores e possuídos pelo demônio. Atualmente além das famílias católicas as evangélicas e neopentecostais são repressoras dos filhos.

Após todas as repressões e privações da juventude, o homossexual confina-se num casulo ou pupa reproduzindo a fase da crisálida e posteriormente após muitos anos transforma-se na borboleta como conhecemos, com asas e de vida curta. Uma borboleta adulta vive algumas semanas, exceção à Monarca que vive até nove meses, é uma vida efêmera.

Os homossexuais enrustidos também tem vida sexual muita curta, muitos passam a vida sem experimentar o sexo entre iguais, não tem vida plena e atividade homossexual regular. Às vezes passam anos sem contato com outro homem e quando se dão conta assim como as borboletas estão no fim da vida.

Eu conheci homens com sérios problemas emocionais e psicológicos porque reprimiram a sexualidade em prol da família quando o correto era enfrentar ou abandonar a família repressora e viver a plenitude da vida longe dos parentes.

Não é fácil afastar-se dos pais, irmãos, tios e primos, mas é necessário o afastamento porque se eles não te aceitam a sua vida sexual será curta e sem sentido. É passar pela vida em brancas nuvens e em plácido repouso adormecer e quando se der conta envelheceu e o fim da vida já está logo ali na frente.

Você escolhe o seu destino e quem quer ser: O ser humano pleno ou a borboleta!

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Essa Estranha Atração

estranha atraçãoCaro leitor, a atração que sentimos por homens é algo além do nosso entendimento, porque a infinidade de opções não nos permite definir um perfil físico ideal. Como diz o ditado: para cada feio existe o belo e vice-versa.

Outro dia eu observei um homem de aproximadamente 40 anos paquerando outro na mesma faixa de idade e a diferença física entre eles era surreal. O primeiro era magro, imberbe, cabelos castanhos, pele clara e altura para mais de 1,80. O segundo homem era baixo, pele morena, cabelos com leve calvície, poucos pelos e com sobrepeso. Enfim, pude observar que se entenderam e saíram para passear e ajustar os detalhes para um relacionamento.

Que me perdoem os conservadores, mas as relações partem do físico para o sentimento, é carnal mesmo! Não creio ser possível amar qualquer um, sem ter afinidade física, porque primeiro idealizamos um parceiro com todas as características físicas enraizadas no nosso subconsciente e após os primeiros contatos físicos vão surgindo os primeiros sinais de que gostamos e amamos aquele homem.

Em geral os gays sempre buscam um corpo para depois buscar um amor e esse é o principal motivo das frustrações e dos desencontros amorosos. Idealiza-se o homem ideal e quando ele se apresenta faz-se um cenário de obsessão, quase loucura! Leva-se em conta até o tamanho do cacete!

Obviamente existem outros fatores e características nas relações, mas sempre partindo da idade porque balizamos nossas relações por faixa etária, depois do físico, então se coloca na balança a cultura, o status socioeconômico, e outros fatores comportamentais agregadores de valor.

Você já se viu em relações complicadas? Pois é, isso ocorre porque a soma de todos os fatores gera o resultado do que você idealizou, mas nem tudo vem à tona em pouco tempo e aos poucos se percebe que o parceiro tem defeitos como qualquer ser humano e esses defeitos são invariavelmente comportamentais.

O que cativa qualquer um, é um parceiro com o mínimo de defeitos e quando nos apaixonamos fazemos vistas grossas e relevamos muitas atitudes em prol dos principais pontos dos nossos desejos físicos.

De que adianta ter um deus grego ao seu lado se ele é uma mula. Quem não gosta de parceiros inteligentes, sensíveis e com bom repertório cultural? Também, se o futuro parceiro é carne de vaca no açougue do mundo gay, ele será excluído da lista de pretendentes e por mais que exista atração física, a relação não passará de uma ou duas fodas mal dadas apenas para saciar seus desejos e tirar da cabeça aquele gostosão sempre disponível em bares, saunas e boates.

Enfim, essa estranha atração pode leva-lo a relacionamentos jamais imaginados e não é porque o Kevin Spacey saiu do armário que o mundo vai mudar.

Novembro chegou e se você não faz exame de próstata regularmente, aproveite a campanha e corra para o médico – Novembro Azul.

Leia o post de 2012:  O mundo gay e o mundo fora dele.

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