Arquivos do Blog

Parada Gay de Sampa e a Violência

Na semana que precede a Parada Gay 2017 em Sampa, foi publicado no Portal G1, matéria especial sobre o mapa da homofobia em São Paulo.

Os contrastes entre a maior parada gay do mundo em número de pessoas e a violência contra gays, lésbicas e transexuais são assustadores.

Enfim, percebe-se uma explosão de intolerância apesar de se observar mais tolerância por parte da população. Os praticantes da violência são quase 100% de homens contra os coletivos LGBT.

A Parada Gay traz temas importantes a cada ano, além de ser um dos grandes eventos da cidade.

Coincidentemente, este ano o meu aniversário será no domingo dia 18 de junho, mesma data da Parada Gay de Sampa

A seguir algumas imagens ilustrativas e creditadas a Rodrigo Cunha (Infografia) do Globo.

Clique nas imagens para ampliar:

mapa-homofobia2

mapa-homofobia

mapa-homofobia1

Os gays no mercado de trabalho

gay-trabalho-homossexualEm recente matéria da revista Exame, uma pesquisa apontou: De acordo com um estudo divulgado em janeiro deste ano pelo Center for Talent Innovation, 61% dos funcionários LGBT no Brasil dizem esconder sua sexualidade para colegas e gestores.

Além de 61% dos profissionais não assumirem sua orientação sexual, 49% disseram que não a escondem, mas não falam abertamente sobre o assunto no ambiente de trabalho e alteram o próprio comportamento para se integrar entre os colegas.

Isso não é de se estranhar, pois desde que eu me conheço por gente, homossexualidade no ambiente profissional sempre foi tabu.

Descobrir-se gay é algo prá lá de traumático e ocorre invariavelmente, na adolescência. Os medos se instalam a cada novo cenário e a dificuldade de assimilar as situações traz insegurança.

No trabalho não é diferente. O primeiro emprego é comemorado como uma vitória pessoal, pois, enfim conseguiu inserir-se no mundo profissional, em contrapartida, os gays se deparam com uma nova situação que os seguirá pelo resto da vida – O comportamento no ambiente do trabalho: assumir ou não?

Esse mundo já foi muito pior, pois se a pesquisa indica que 49% não esconde, mas não fala. No passado esse percentual era quase 100% e isso não tem nem quarenta anos.

Cada cidadão LGBT vive uma realidade profissional diferente, não existe um padrão, logo, cada qual vai viver de acordo com o mundo que se apresenta e é necessário adaptar-se a ele. Se a empresa tolera a sexualidade dos seus empregados, é mais fácil a adaptação, caso contrário, não há nada a fazer e o negócio é ficar na sua.

Obviamente, existem gays em todos os seguimentos da sociedade e não é de se estranhar encontrá-los em todas as profissões. Algumas são mais comuns, principalmente na área de humanas.

Independente da profissão é notória a transformação da sociedade e mesmo em ambientes mais repressores como as forças armadas ou academias de polícia, os gays estão ai para desenvolver suas competências.

É certo que alguns seguimentos como moda e artes têm um grande contingente de gays, enquanto as profissões administrativas concentram o maior número relativo de gays por metro quadrado no país.

humor-e-discriminao-por-orientao-sexual-no-ambiente-organizacionalNão importa se o gay trabalha no comércio, na indústria ou em serviços. Importante é estar empregado num momento de altas taxas de desemprego no Brasil e mesmo nos dias atuais muitas vezes é necessário esconder a homossexualidade para não ser mais um no olho da rua, além é claro da discriminação e humilhação a que muitos são submetidos quase que diariamente.

Eu nunca entendi porque a sexualidade é colocada em xeque, quando na verdade o que importa é a competência para desenvolver atividades profissionais. Eu vejo o meu ambiente de trabalho e até identifico alguns gays, mas eles têm receio de serem constrangidos e evitam conversas, como se sexualidade fosse coisa de extraterrestre, então eu fico na minha e também não abro o jogo.

Mas aos poucos a realidade está mudando, principalmente por atitudes dos próprios trabalhadores. Recentemente conversando com uma colega de trabalho ela me surpreendeu ao falar sobre um assunto e relacioná-lo à sua namorada. Achei aquilo o máximo!

Sair do armário é uma decisão que só cabe ao profissional tomar. Por isso, o primeiro item a ser colocado na balança é o desejo pessoal e as consequências, boas ou ruins dessa decisão.

O cenário melhorou muito nos últimos dez anos, mas não significa que todas as empresas aceitam a diversidade, algumas tem programas, principalmente as multinacionais e grandes corporações.

Mesmo diante de um cenário mais favorável, a maioria dos gays prefere não arriscar e mantem sua homossexualidade no armário para não ter de enfrentar situações constrangedoras e até homofóbicas, porque o mercado ainda é hostil.

 

%d blogueiros gostam disto: