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Personalidade: Caio Fernando Abreu

caio fernando abreu

Quando eu nasci em 1959, Caio Fernando Abreu tinha 11 anos de idade. Se estivesse vivo teria hoje 69 anos. Faleceu em 1996 no mesmo dia da morte de Mario de Andrade, 51 anos depois.

Caio viveu pouco e intensamente. Ao deixar este mundo aos 48 anos, o escritor gaúcho que se tornou conhecido com o livro Morangos Mofados, passou pelo existencialismo, pelo movimento beatnik, Woodstook, geração hippie, golpe militar, desilusão contemporânea e pelo fantasma da Aids, até encerrar sua existência no jardim, fazendo aquilo de que mais gostava: cuidar das plantas. Sobre sua vida pessoal e amorosa pouco se sabe, mas isso não importa.

Entre suas principais obras, Morangos Mofados, livro de contos em que aborda questões como a morte, a sexualidade e a solidão, temas comuns às suas obras.

Caro leitor, a seguir a cronologia desta personalidade que fez parte da minha juventude e da vida adulta. Vale a pena gastar um tempo e ler este resumo da vida e obra do Caio.

CRONOLOGIA

1948 – Caio Fernando Loureiro de Abreu nasce no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago do Boqueirão (RS), cidade fronteiriça com a Argentina.

1954 – Com seis anos de idade, Caio escreve seus primeiros textos.

1963 – Caio se muda para Porto Alegre para cursar o colegial.

1966 – Seu primeiro conto, “O Príncipe Sapo” é publicado na revista Cláudia. Inicia a escritura do primeiro romance Limite Branco.

1967 – Começa o curso de Letras e Arte Dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), não conclui nenhum dos cursos. Dedica-se ao jornalismo.

1968 – Após seleção em um concurso nacional, muda-se para São Paulo para integrar a primeira redação da revista Veja. Recebe menção honrosa do Prêmio José Lins do Rego para o conto Três tempos mortos.

1969 – Recebe o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de escritores (UNEB) para a coletânea de contos Inventário do irremediável. Participa da antologia de autores gaúchos Roda de fogo.

1970 – Publica pela editora Movimento o livro Inventário do irremediável.

Caio Fernando Abreu, década de 1970 (Arquivo Pessoal)
Caio nos anos 1970

1971 – Caio se muda para o Rio de Janeiro para ser pesquisador e redator das revistas Manchete e Pais e Filhos, do grupo Bloch Editores. Ele retorna para Porto Alegre onde é preso por porte de drogas.

1972 – É redator do jornal Zero Hora e colaborador do Suplemento Literário de Minas Gerais. Recebe o prêmio do Instituto Estadual do Livro para o conto Visita que será publicado posteriormente na coletânea O ovo apunhalado.

1973 – Viaja para a Europa onde se sustenta exercendo vários tipos de trabalho como modelo, faxineiro ou lavador de pratos. O livro O ovo apunhalado receba menção honrosa do Prêmio Nacional de Ficção.

1974 – De volta ao Brasil, ele trabalha em Porto Alegre com o grupo teatral Província como ator na peça Sarau das Nove às Onze. Escreve para o teatro. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa para Opinião, Movimento, Ficção, Inéditos, Versus, Paralelo, Escrita.

1975 – O livro O ovo apunhalado sofre vários cortes da censura e é reconhecido pela Veja como um dos melhores livros do ano. Sua peça Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, primeiramente intitulada Uma visita ao fim do mundo, recebe o Prêmio Leitura do SNT.

1976 – Trabalha como crítico teatral na Folha da Manhã. Participa das antologias Assim escrevem os Gaúchos e Teia.

1977 – Publicação de Pedras de Calcutá e participação na antologia História de um Novo Tempo.

1978 – Muda-se para São Paulo onde trabalha como redator da revista Pop. Participa da Antologia de Literatura Rio-Grandense Contemporânea.

1980 – Recebe o Prêmio Status de Literatura para o conto Sargento Garcia.

1981 – Torna-se editor da Leia Livros.

1982 – Lançamento de Morangos Mofados pela editora Brasiliense.

1983 – Muda-se para Rio de Janeiro para colaborar com a revista Isto é. Publica Triangulo das águas.

1984 – Primeira encenação, com direção de Luciano Alabarse, da peça Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, em Porto Alegre, no Clube da Cultura. O livro Triângulo das águas ganha o prêmio Jabuti.

1985 – Volta para São Paulo onde trabalha como editor da revista A-Z. Escreve um roteiro para a série de TV Joana Repórter estreada por Regina Duarte. Morangos mofados é adaptado para o teatro e encenado por Paulo Yutaka.

1986 – Trabalha como redator no Caderno 2 do Estado de São Paulo. Em Porto Alegre a adaptação teatral de Morangos mofados é encenada por Luciano Alabarse.

1987 – Escreve a peça teatral A maldição do Vale Negro em colaboração com Luiz Artur Nunes. Escreve o roteiro do longa metragem de Sérgio Bianchi intitulado Romance.

1988 – Publica Os dragões não conhecem o paraíso. Trabalha novamente como redator para a revista A-Z. Lançamento de Mel & girassóis pela editora Mercado Aberto.

1989 – Recebe o Prêmio Molière junto com Luiz Artur Nunes pela autoria do melodrama A maldição do Vale Negro. Publicação do primeiro livro infantil As frangas pela Editora Globo.

1990Publicação do romance Onde andará Dulce Veiga? pela Companhia das Letras.
Em Londres, tradução para o inglês do livro Os dragões não conhecem o paraíso sob o título de Dragons…, é publicada pela editora Boulevard Books e traduzido por David Treece.

1991 – Em Paris é traduzido sob o titulo: Les dragons ne connaissent pas le paradis, pelas edições Complexe e é traduzido por Claire Cayron. Onde Andará Dulce Veiga? recebe o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor romance do ano.1990 – Publicação do romance Onde andará Dulce Veiga? pela Companhia das Letras.
Em Londres, tradução para o inglês do livro Os dragões não conhecem o paraíso sob o título de Dragons…, é publicada pela editora Boulevard Books e traduzido por David Treece.

1992 – Morou três meses na França, em Saint-Nazaire, como escritor/residente na Maison des Écrivains et des traducteurs Étrangers (MEET), onde ele escreve a novela Bien loin de Marienbad.

1993 – Realiza leituras de sua obra, em Amsterdam, Utrecht e Haia na Holanda. Participa, em Berlim, do Congresso Internacional de Literatura e Homossexualidade Em Milão, lança, em italiano, de Dov’è Finita Dulce Veiga?, pela editora Zanzibar, traduzido por Adelina Aletti. Representa o Brasil na III Interlit, Encontro Internacional de Escritores, em Erlangen, na Alemanha, junto dos escritores Rubem Fonseca e Sonia Coutinho. Leituras de sua obra em Erlangen, Nüremberg e Berlim. Escreve crônicas dominicais no jornal o Estado de São Paulo.

1994 – Reedição pela editora paulista Siciliano do seu primeiro romance Limite Branco. São lançados no Salão do Livro de Paris: Qu’est devenue Dulce Veiga?, publicado pelas edições Autrement; Bien loin de Marienbad, publicado pelas edições Arcane 17 e L’Autre voix, publicado pelas edições Complexe. Todos são traduzidos por Claire Cayron.
O autor retorna da França e anuncia, explicitamente, na crônica publicada no jornal O Estado de S. Paulo “Última carta para além dos muros”: “Voltei da Europa em junho me sentindo doente. Febres, suores, perda de peso, manchas na pele. Procurei um médico e, à revelia dele, fiz O Teste. Aquele. Depois de uma semana de espera agoniada, o resultado: HIV Positivo.”
Leitura dramática de seu monólogo teatral O homem e a Mancha, no primeiro Porto Alegre em Cena.
O autor volta a morar com os pais e a partir de outubro torna-se colaborador do caderno Cultura do jornal Zero Hora. Em Amsterdam lança de Waar zit Dulce Veiga?, traduzido por Maartje de Kort. Participa da 46° Feira Internacional do Livro de Frankfurt que tem o Brasil como pais-tema. Lança na Alemanha de Waas Geschach Wirklich mit Dulce Veiga?, traduzido por Gerd Hilger.

1995 – É escolhido pela Câmara Rio-Grandense do Livro para ser patrono da 41° Feira do Livro de Porto Alegre. Participa da antologia The Penquim Book of International Gay Writing com o conto Beauty (Linda, uma história horrível), traduzido por David Treece. Em maio, é publicada pela editora Sulina a antologia de textos Ovelhas Negras. Em setembro, na Itália, as edições Zanzibar publicam Molto Lontano di Marienbad, com tradução de Bruno Parsico. Reedição do seu primeiro livro de contos completamente reformulado, sob o título Inventario do irremediável.

1996 – Em 25 de fevereiro, Caio Fernando Abreu faleceu em Porto Alegre, aos 47 anos. Ovelhas Negras recebe o Prêmio Jabuti de melhor livro de contos do ano.

“Nos últimos tempos, quando não conseguia mais escrever, ele ia para o jardim cuidar das rosas. Ia cuidar da vida: tirar da terra a vida – e o Caio morrendo. Fazer desabrochar a flor – e o Caio morrendo. Num planeta enfermo como o nosso, num país, numa sociedade onde impera a boçalidade, a volúpia materialista, foi magnífico contar com o Caio.”
Lygia Fagundes Telles, em homenagem ao amigo quando ele partiu.

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Filme: Yves Saint Laurent

No final do ano passado fui assistir este filme que para mim não representava muita coisa, porque no auge do sucesso de Yves Saint Laurent eu era um adolescente pobre da periferia de São Paulo.

Enfim, me enganei e me apaixonei pela obra – A Direção de Arte do filme é deslumbrante, de emocionar, uma Ode à Beleza! O filme é imperdível, inclusive pela interpretação do protagonista que nos faz pensar estar diante de YSL, excelente!

O filme ainda retrata algumas paixões da sua vida, como Jacques de Bascher, que mais tarde namorou por quase 20 anos Karl Lagerfeld, e Pierre Bergé, que também era parceiro de negócios do estilista.

Fica a dica.

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Personalidade: Olavo Bilac

olavo-bilac_gayOlavo Bilac foi noivo de Amélia de Oliveira, irmã de seu amigo Alberto de Oliveira, que foi impedida de casar por outro irmão que não aceitava a vida de poeta boêmio que Bilac levava. Graças ao acaso ou não, a homossexualidade de Bilac seguiria seu curso.

Quando eu decidi escrever este post, eu não tinha a certeza do que ia escrever, porque não há provas da homossexualidade de Olavo Bilac, bem como, os achismos são apenas ideias vagas e profanações do mito.

Bilac era boiola e fim de papo. Isso é importante? Não, mas quem não gosta de divagar sobre possibilidades, mesmo que remotas, sobre a sexualidade das pessoas.

Ao longo da trajetória como literato, Olavo Bilac foi frequentemente alvo de comentários maliciosos que denunciavam publicamente sua homossexualidade. Um dos episódios foi a campanha que teria sido liderada por Machado de Assis e pelo barão do Rio Branco com o objetivo de impedir a eleição do escritor para a Academia Brasileira de Letras nas suas duas primeiras candidaturas, justamente por desconfiarem que ele fosse gay.

Outro episódio menciona a charge de Álvaro Martins publicada no primeiro número da revista de sátira e humor, O gato, em 1911, na qual João do Rio e Olavo Bilac admiram uma estátua do imperador romano Heliogábalo, cujo corpo musculoso estava completamente nu:

O dedo indicador de Bilac acaricia a nádega empinada da musculosa figura de mármore, enquanto, do outro lado, João do Rio observa a área genital desnuda. Um dos dois comenta: Soberbo hein! O outro responde: Que delicioso seria se todos os homens fossem assim!

O autor do desenho insinuava que os interesses sexuais dos dois escritores eram direcionados para os homens, a pessoa de Bilac talvez mais interessada em penetrar um parceiro e João do Rio se deliciando com o falo.

O erotismo de Bilac era quase sempre delirante, fruto, talvez, de uma perturbação nervosa, da boemia, da perversão. Se foi verdade que pouco acrescentava à fúria amorosa dos românticos, superava-a justamente por lhe trazer mais experiência, conferindo-lhe maior carnalidade.

Na vida boemia do Rio de Janeiro Bilac frequentava também as confeitarias e cafés e era frequentemente visto rodeado por homens em grupo de amigos e escritores.

Mário de Andrade considerou-o um exímio na pintura da pornocinematografia, alusão aos primórdios do cinema. Do começo ao fim mostrou-se tão sensível à forma da carne como à forma dos sonetos, embora circulassem sobre ele boatos sublinhados pelos epitáfios obscenos em que Emílio de Meneses em papeis deixados sobre mesas de confeitarias, insinuava tendências homossexuais.

Um desses papeis dizia:

Bilac esta cova encerra.
Choram sacros e profanos…
Muitos anos coma a terra,
A quem comeu tantos ânus!

olavo_bilac_gay1A provável homossexualidade de Bilac era naturalmente ocultada por ele, mesmo sendo comentada abertamente por seus contemporâneos.. Alguns poucos amigos mais íntimos não tinham provas da homossexualidade de Bilac e a sua predileção por ser ativo nas relações sexuais – Era um comedor de cu de jovens amantes.

Alguns historiadores afirmam que Olavo Bilac tinha uma ligação com uma seita estranha e que praticava a necrofilia. Estes pesquisadores, também, afirmam que o poeta foi pego tendo relações íntimas com um cadáver e que por isto foi expulso da faculdade de Medicina – Boatos!

Em sua época, dele dizia-se, maldosamente e não tão em sigilo, que era o maior pederasta do país.

Bilac tinha fama de grande erótico, embora nunca tivesse sido visto com uma mulher. Os biógrafos tradicionais frisam a frustrada paixão de Bilac por Amélia e isso apenas aos vinte e dois anos de idade, uma fase de indefinição ou descoberta da sexualidade.

Por fazer oposição ao governo do Marechal Floriano Peixoto, Bilac foi perseguido e passou um tempo escondido no interior de Minas Gerais. Não há registros sobre este período, mas alguns historiadores dizem que durante o período de exílio no estado de Minas ele ficou na companhia de outro homem. Ao retornar ao Rio de Janeiro ele foi preso.

Por volta de 1900, seguiu para Paris como correspondente da publicação Cidade do Rio. Encantado com a capital francesa, Bilac passou a visitar regularmente a cidade – Dizem as más línguas que ele teve um amante francês durante cinco anos.

O primeiro acidente de automóvel no Brasil foi causado por Olavo Bilac. Ele bateu o carro numa árvore em 1897 – Outras más línguas colocam a culpa num bofe escândalo que lhe tirou a atenção ao volante.

Enfim, Bilac também não era nenhum santinho e sempre que podia, ou melhor, quando sentia vontade, ele atacava por meio de referências maldosas à suposta homossexualidade de outros poetas e escritores, através de publicações com pseudônimos – Tudo com muito bom humor e sarcasmo.

Olavo Bilac morreu na madrugada do dia 28 de dezembro de 1918, de infecção pulmonar aos 53 anos de idade.

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Personalidade: Cazuza

Depois de uma semana trabalhando em Porto Alegre estou de volta a São Paulo.

Na quinta-feira passada eu e alguns colegas  fomos ao Thomas Pub em Porto Alegre e por lá rolou muita descontração e música, alias, o som das músicas do Cazuza ficaram na minha cabeça durante vários dias. Daí lembrei que não tinha nada no blog sobre ele

Nascido a 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro, Cazuza foi criado em Ipanema, habituado à praia.

Na adolescência, porém, o gênio rebelde do futuro roqueiro se manifestaria. Cazuza terminou o ginásio e o segundo grau a duras penas, e, depois de prestar vestibular para Comunicação, só porque o pai lhe prometera um carro, desistiu do curso em menos de um mês de aula. Já vivia então a boemia no Baixo Leblon e o trinômio sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Que ele amasse Jimi Hendrix, Janis Joplin e os Rolling Stones, tudo bem. Mas vir, a saber, que se drogava e que era bissexual, isso, para a supermãe Lucinha, não foi nada fácil. Assim como não foi, para o pai, ter que livrá-lo de prisões e fichas na polícia, por porte e uso de drogas.

Você já imaginou o Cazuza hoje, ou melhor, o Sr. Agenor como um grisalho de 54 anos?

Os mitos nunca envelhecem e deixam legados especiais. Ele foi o escritor de pensamentos únicos, não um poeta, mas o representante de uma geração.

Hoje é o dia dos solteiros e Cazuza se autodenominava “sempre solteiro”.

No dia 26 de abril de 1989 Cazuza deu uma entrevista para a revista Veja sobre a sua luta contra a AIDS – A capa da revista chocou o pais e a partir daquele momento a minha vida tomou outros rumos. Cazuza foi para mim uma lição de vida e se hoje estou vivo eu devo isso a ele, porque eu também fui “um porra louca”, rebelde, muito álcool e algumas drogas. Baixe o arquivo da Veja AQUI

A seguir o texto de Cazuza –  Querido DiárioTópicos para uma semana utópica.

Segunda-feira:
Criar a partir do feio
Enfeitar o feio
Até o feio seduzir o belo

Terça-feira:
Evitar mentiras meigas
Enfrentar taras obscuras
Amar de pau duro

Quarta-feira:
Magia acima de tudo
Drogas, barbitúricos
I Ching
Seitas macabras
O irracional como aceitação do universo

Quinta-feira:
Olhar o mundo
Com a coragem do cego
Ler da tua boca as palavras
Com a atenção do surdo
Falar com os olhos e as mãos
Como fazem os mudos

Sexta-feira:
Assunto de família:
Melhor fazer as malas
E procurar uma nova
(Só as mães são felizes)

Sábado:
Não adianta desperdiçar sofrimento
Por quem não merece
É como escrever poemas no papel higiênico
E limpar o cu
Com os sentimentos mais nobres

Domingo:
Não pisar em falso
Nem nos formigueiros de domingo
Amar ensina a não ser só
Só fogos de São João no céu sem lua
Mas reparar e não pisar em falso
Nem nas moitas dos metrôs nos muros
E esquinas sacanas comendo a rua
Porque amar ensina a ser só
Lamente longe, por favor
Chore sem fazer barulho

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Personalidade: André Gide

André Paul Guillaume Gide nasceu em Paris em 22 de novembro de 1869 e faleceu em 19 de fevereiro de 1951.

André Gide era homossexual assumido, bem como, falava abertamente em favor dos direitos dos homossexuais. Escreveu e publicou entre 1910 e 1924, o livro Corydon destinado a combater os preconceitos homofóbicos da sociedade de seu tempo.

Corydon é o título de um conjunto de ensaios sobre a homossexualidade, cujo título foi inspirado no personagem homônimo de Virgílio. O texto foi publicado separadamente entre 1911 e 1920, e o livro completo teve a sua primeira edição em 1924.

Gide era um homem muito à frente do seu tempo que sustentava que a homossexualidade existia nas civilizações culturalmente e artisticamente mais avançadas, como na Grécia, na Renascença italiana e na Inglaterra, o que se refletia em escritores e artistas como Homero, Virgílio, Ticiano e Shakespeare e nas suas representações das relações homem com homem, como as de Aquiles e Pátroclo, uma relação homossexual não platônica ou de amizade.

André Gide sugeriu que a homossexualidade é mais fundamental e natural que a heterossexualidade. Ele também acreditava nas virtudes das minorias e foi através da literatura que se opôs aos preconceitos da sua época.

Em 1947 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura por seus escritos abrangentes e artisticamente significativos, em que os problemas humanos foram apresentados com um amor sem medo da verdade.

Para não fugir à regra em 1952 a sua obra foi incluída no índice de livros proibidos pelo Vaticano.

Lista de E-books do autor: André Gide

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Personalidade: Darcy Penteado

O registro deste post foi sugestão do poeta Paulo Azevedo Chaves, numa troca de e-mails sobre textos e biografia.

Procurei na Internet informações sobre a vida do Darcy Penteado e achei poucos links contendo biografia detalhada, mas o que me interessava eu não localizei quase nada. Eu quis registrar aqui a importância da sua trajetória como ativista que o distingue como precursor dos movimentos homossexuais.

Darcy Penteado nasceu em São Roque, interior de São Paulo em 1926. Foi desenhista, cenógrafo e autor teatral. Um dos primeiros militantes dos movimentos LGBT brasileiro.

Sempre se distinguiu por seus desenhos elegantes a bico de pena, trabalhou em publicidade e como figurinista. Ilustrou revistas de moda e em seguida foi trabalhar em teatro. Na década de 1950, participou do TBC – Teatro Brasileiro de Comédia.

Participou de inúmeras exposições, ilustrou livros e foi uma figura presente na cena cultural da cidade de São Paulo entre a década de 1950 e década de 1980. Foi reconhecido em Nova York como um dos dez melhores retratistas do mundo.

Em 1973 participou da XII Bienal com um audiovisual que propunha uma tese em termos estéticos contra a violência e a intolerância. Nesse ano foi produzido um filme documentário de curta metragem intitulado: Via Crucis segundo Darcy Penteado.

Em 1976 publicou o seu primeiro livro de contos A Meta e a partir desse mesmo ano iniciou o ativismo na luta contra a discriminação aos homossexuais. Participou ativamente, durante os anos de repressão da ditadura militar, do jornal O Lampião, publicação pioneira para os gays brasileiros.

Por anos Darcy carregou sozinho a bandeira dos homossexuais no Brasil. Foi dele, ainda no início da década de 1980, a primeira tentativa de arrecadação de fundos em benefício da pesquisa sobre a AIDS no Brasil, através de um leilão. Apesar de desiludido com os resultados, participou de diversas campanhas de conscientização da doença. Gravou uma chamada para a televisão, de alerta ao público.

Faleceu em dezembro de 1987, aos 61 anos vitimado pela AIDS.

Atualmente, suas obras podem ser vistas no museu mantido pelo Centro Cultural Brasital, no munícipio de São Roque, em São Paulo.

Outro dia passeando na calçada da entrada principal do Edifício Copan, centro de São Paulo, eu descobri que existe ali uma praça com o nome de Darcy Penteado. Uma justa homenagem a este pioneiro no combate à intolerância –  A Praça saiu do armário.

Finalizo este artigo com uma frase do Darcy escrita numa de suas obras de 1985

“Subsistir apenas, não basta. É preciso dignificar a vida.”

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Créditos: a segunda imagem do post é de Sergio Valle Duarte

Fonte de PesquisaMemorial da Fama

Documento em PDF: Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais

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Christopher Plummer recompensado com o Globo de Ouro

No ano passado eu já havia dado a dica aqui no blog, sobre o filme Beginners.

No último domingo Christopher Plummer arrebatou a estatueta do Globo de Ouro, de melhor ator coadjuvante.

Vale destacar alguns comentários do ator durante a premiação:

“Os personagens gays são apenas seres humanos. Somos todos iguais. É assim que eu interpretei o personagem (Hal), não como uma caricatura “, disse Christopher Plummer nos bastidores do Globo de Ouro no domingo.

“Homossexuais são parte da sociedade desde os egípcios e dos gregos … É parte da natureza humana”.

No Brasil o filme saiu com o título Toda Forma de Amor e será lançado em DVD no dia 29 de fevereiro 2012.

Com o prêmio do ator, possivelmente, o filme volte ao circuito comercial.

O filme é um drama, mas com muito humor e sinceridade – Não deixe passar.