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A Intolerância contra expressões da diversidade

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(Santander Cultura/Divulgação)

Caro leitor, eu administro este blog há quase nove anos e desde os primeiros escritos sempre alertei sobre a falsa sensação de liberdade de expressão, tanto pessoal quanto coletiva da população LGBT.

O mundo atual está muito chato, pois qualquer cidadão se vê no direito de criticar, atacar e até assassinar o semelhante por simples questão de um ponto de vista.

As redes sociais são territórios sem lei, onde todos sentem-se poderosos e no direito de escrever palavras de ódio. Nunca na minha vida, eu presenciei tantas demonstrações de racismo e intolerância. É todo dia, toda hora e a cada minuto.

Se comparada aos dias atuais, a ditadura militar do período da minha juventude era “light”, pois nunca fui molestado, ameaçado ou acuado por um cidadão comum. É óbvio que ninguém merece um regime de ditadura e hoje com toda a liberdade tenho a impressão que vivo numa ditadura manipulada pelas tecnologias.

Os gays são apenas a ponta do iceberg porque a intolerância está em todos os extratos sociais. Vivemos um período de extrema polarização, ou, se está à direita ou à esquerda.

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Critica internacional destaca a ação como ato político

Nesta semana acompanhei as notícias sobre as ações de movimentos sociais, entre eles o MBL que protestaram contra a exposição Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira, patrocinada e promovida pelo Santander Cultural na cidade de Porto Alegre. E saber que Pintores mundialmente reconhecidos como Alfredo Volpi e Cândido Portinari estavam entre as obras expostas.

O fechamento da exposição por pressão da direita radical deste país é lamentável. O MBL comemorou o encerramento como uma vitória da pressão popular e chamaram o Santander de vergonha dos gaúchos e pediu que os correntistas do banco, que mantém o centro cultural, encerrem suas contas em protesto.

Movimentos sociais são importantes porque lutam por causas específicas, mas na minha opinião o MBL é um movimento de direita que diz estar mudando o Brasil, mas esses filhinhos de papai da classe média, estudantes radicais classificaram as obras como apologia à pedofilia e zoofilia.

Segundo integrantes do movimento nas obras da exposição só tem putaria, só tem sacanagem que é reconhecida como arte. Há referências a Satanás e à prostituição infantil, por conta da obra sobre o meme Criança Viada, conhecido entre os gays.

Enfim, não vou me prolongar, mas deixo registrado aqui o meu repúdio a essas ações radicais, pois nenhum movimento me representa, porque se você vacilar será execrado publicamente, porque a nossa sociedade não está preparada para o contraditório.

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Um Cruel Gosto de Sangue

gosto-de-sangueNuma conversa, um correspondente me disse que ainda existe muita homofobia em diversos segmentos sociais brasileiros. Eu perguntei: ainda existe? Desculpe-me, mas sempre vai existir, talvez melhore daqui a cinquenta anos.

Na troca de mensagens eu tive uma leve percepção de que a homofobia era coisa do passado, mas após reflexão constatei que não era. Hoje existe mais homofobia do que em outras épocas, talvez por causa da exposição instantânea. Tudo acontece online, a violência está generalizada.

Além da homofobia, tem a transfobia, a lesbofobia e outras fobias sociais, pois as pessoas ficam apavoradas quando esbarram em seres humanos porque sofrem de ansiedade e se acham os donos do mundo e da verdade.

O preconceito não vai acabar tão cedo. Viado será sempre tratado como anormal, mesmo que você ache tudo muito lindo nas séries de TV com viés cômico, ainda assim, é uma verdadeira burrice acreditar que não existe, porque os gays vivem no mundo da lua, num mundo cor-de-rosa, de paz e amor, principalmente, os jovens.

Caro leitor, abra os seus olhos para o mundo à sua volta e deixe de pensar que você é aceito em qualquer extrato social, porque não é assim que acontece, é tudo fake! Há exceções, mas isso não vale para a maioria.

Vivemos numa sociedade machista, individualista, preconceituosa e cheia de vilões e super-heróis, aliás, quais são os seus heróis LGBT? Não estou falando de super-heróis da Marvel Comics ou DC comics – Não existem heróis!

Nós cidadãos LGBT, temos a falsa sensação de tolerância, de que somos aceitos, mas não é nada disso e assim vamos vivendo, cada qual no seu mundo particular como se o coletivo estivesse distante da realidade, mas o perigo está logo ali na esquina.

Inserir-se nos contextos sociais da atualidade é mais difícil do que se imagina.  Se é difícil para os pobres, imagine então, para as minorias?

A verdade nua e crua é que vivemos um faz-de-contas eterno onde as mídias eletrônicas mostram a realidade que não faz parte da nossa vida, até acontecer conosco. Tudo acontece instantaneamente.

Para nós simples mortais nem percebemos o quanto somos manipulados por informações plantadas nas redes sociais e nos canais de comunicação online e quando tiramos a venda que nos tapa os olhos não há nada a fazer a não ser resignar-se ao sistema.

A intolerância é marca registrada deste século e as pessoas perderam a habilidade de respeitar diferenças em crenças e opiniões, porque o seu ponto-de-vista jamais será considerado para qualquer fim.

Em qualquer lugar onde você está, existe uma nuvem negra que povoa o seu cotidiano. Se você ainda não sofreu qualquer violência física fique atento porque pode acontecer a qualquer momento, basta um deslize.

Numa sociedade de autômatos, somos robôs controlados pelo sistema e semelhantes aos personagens dos filmes: Laranja Mecânica ou Brazil de Terry Gilliam. A ficção nunca foi tão real!

Caro leitor, vivemos num Estado totalitário, onde nossos governantes são corruptos. Somos controlados por computadores e pela burocracia e somos identificados por fichas, números e cartões de crédito.

Neste cenário futurista vivemos confinados em caixas e obedientes a um sistema podre, se achando o rei da comédia, da mortadela, enfim, o rei de tudo e acreditamos que estamos seguros e imunes à violência.

Mas uma notícia na TV chama a nossa atenção e observamos atônitos números recorde de suicídio entre jovens gays, aliás são os jovens que mais sofrem violência física e psicológica, seja numa estação de trem do subúrbio, do metrô ou num terminal de ônibus.

A violência urbana está nas ruas, nos bares, nas baladas, na escola, na faculdade, na praia e principalmente, dentro de casa.

A violência rural está dentro de casa, nas ruas e praças das pacatas cidades do interior, ironia, não? Pois é, não existem lugares seguros.

Os idosos são extorquidos, espancados e mortos diariamente, pelo simples fato de serem gays.

Os travestis são cruelmente assassinados pelo fato de viverem na corda bamba da clandestinidade.

Os brutamontes e gangues apavoram os mais vulneráveis e os homossexuais.

Gays de todas as idades são assassinados pelo simples fato de estarem no lugar errado e na hora errada.

Tudo isso por um simples e banal gosto de sangue

Ótimo final de semana!

Nota: A imagem que ilustra este artigo faz parte da capa do filme Gosto de Sangue dos irmãos Ethan e Joel Coen

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