Publicado em Comportamento, Opinião, Sociedade

O gay viado ou o viado gay?

gay viado

Caro leitor, você ficou curioso com o título deste post?

Bem, se o título chamou a sua atenção, vamos ao artigo:

História:

Uma das hipóteses sobre a origem da palavra “viado” remonta ao final do século XIX no Rio de Janeiro. Originária da palavra transviado passou a ser utilizada por agentes da segurança pública nas batidas policiais em prostíbulos, cais do porto, ruas e vielas, pois os pederastas frequentavam os mesmos locais das prostitutas. Algo assim: Aqui tem mais um viado para o camburão.

Outra hipótese é literalmente originada do animal, o veado. Na época de acasalamento, os machos produzem esperma em excesso, mas não são todos que conseguem acasalar. Daí eles precisam se livrar do sêmen acumulado nos testículos e como não têm preconceitos como nós humanos montam uns nos outros, formando verdadeiros trenzinhos.

Mesmo após o coito, muitos machos acabam criando laços afetivos e convivendo como um casal. Somando isso aos trejeitos delicados e graciosos do animal, o apelido foi vinculado à imagem do homossexual, sendo considerado pejorativamente como “viado” — talvez um veterinário — certamente tinha informações privilegiadas sobre a vida animal e fez uma analogia com a vida dos pederastas daquele século.

A partir dos anos 1950, o termo passou a ser utilizado em pequenos grupos de amigos enrustidos, porque mesmo ofendidos, atacados e até agredidos, porém, apesar de tudo os homossexuais ainda encontravam na sua perseverança uma criatividade e humor para lidar com o preconceito do dia-a-dia e passaram a se tratar dessa maneira de forma bem humorada e divertida.

Nas décadas seguintes o termo virou manchete de revistas e jornais, inclusive o Lampião da Esquina. Os próprios gays masculinizados, diziam que viado era a bicha passiva, efeminada, extravagante e os travestis e não se identificavam como tais, porque faziam o papel do ativo.

Sinônimos:

Homossexual, gay, fresco, efeminado, florzinha, biba, bicha, boneca, bichona, boiola, baitola, perdido, fanchona, entendido, maricas, maricona, pederasta, sodomita e por ai vai.

Cotidiano:

Ninguém sai por ai dizendo: Olha lá gay! e sim: Olha lá viado!

Os cumprimentos de dois gays: E ai viado! Tudo bem?

Na sauna: Os viados são os extrovertidos, alegres e inquietos. Entram e saem do dark room a cada cinco minutos.

No cinema: Viado que se preza não cola a bunda na cadeira. Circula nos corredores e banheiros à procura do próximo parceiro.

Na boate: O viado entra, observa, bebe e bebe, depois dança com o primeiro que lhe desperta o desejo.

Na pegação: A maricona dá em cima do bofe e não faz ideia que ele é florzinha.

Mais recentemente, a palavra passou a ser de uso corrente não apenas entre os gays, mas da população em geral, principalmente humoristas e artistas: Fala viado!

Hoje está na Internet, rede social e whatsapp – Ou você nunca recebeu um vídeo ou imagem de um viado? damos gargalhadas do conteúdo e passamos adiante.

Todo gay é viado, certo?

Na prática nem todos demonstram ou gostam de viadagem. Aliás, frescura, sensibilidade feminina exagerada, baitolices.

O comportamento do gay viado aflora quando está em grupos, em locais fechados. Isso gera uma sensação de liberdade e prazer, exceto bees, travestis e os afetados que são os viados sem máscaras.

Ser gay viado é atitude. Esse comportamento pode ser uma forma de se soltar e demonstrar o que é ou uma forma de brincadeira entre amigos gays, mesmo os masculinizados. Ninguém escolhe ser motivo de chacota. Mesmo que a necessidade de ser aceito por um grupo talvez exacerbe um comportamento que já existia, às vezes as pessoas exageram porque finalmente se sentem livres.

Sim, todos somos viados, mas uma parcela faz questão de demonstrar viadagem e isso faz parte da natureza e da coragem de cada um.

Um amigo me disse: Ser viado é gostar de Donna Summer, Cher, Beyoncé, mas também ópera e música clássica, de Wagner a Vivaldi.

Acredite, não é nossa culpa. O que acontece é que às vezes estamos andando na rua feito pessoas normais e, subitamente, ouvimos a música nova da Beyoncé e aí não há como resistir! Em segundos estamos no chão fazendo twerking! É mais forte que a gente!

Também, não existe hierarquia de comportamento. Agir feito homem não faz de ninguém melhor, e perseguir o feminino ou efeminado é só machismo. Todo mundo é livre para ser e agir como quiser. Você pode até achar feio, mas não poder acabar com a liberdade alheia.

Bem, se não está dando para dar pinta na sua cidade não se arrisque a ser violentado e esfolado em outros cantos do país. Entretanto, isso não significa que você tenha que se esconder, segurar seus trejeitos ou tratar seu namorado como um conhecido.

Be happy!

Publicado em Comportamento, cotidiano, Opinião, Saúde

Solidão: o efeito colateral dos movimentos LGBT

solidão gay

A minha geração senão a primeira, é a segunda a viver abertamente a sexualidade. No Brasil dos anos 1970, eu observava tudo de olhos abertos e boca fechada por conta da forte repressão daqueles tempos.

São daquela época os primeiros movimentos sociais. Leia aqui o histórico

O tempo passou e diversas conquistas foram incorporadas ao cotidiano dos gays. Não vou citá-los, se o leitor tiver interesse pode pesquisar na Internet.

Mas um ponto sempre me chamou a atenção: Direitos dos idosos LGBT, aliás, depois de quase cinquenta anos mais recentemente a vulnerabilidade dos idosos passou a ter a atenção dos movimentos sociais.

A vulnerabilidade da população LGBT idosa no Brasil sempre foi relegada ao segundo plano e por isso os efeitos colaterais são evidentes na atualidade. Há quem diga que não, mas me provem o contrário.

O principal efeito é o isolamento social. Solidão e isolamento sempre foram características dos gays na velhice, mas hoje a solidão atinge não apenas os idosos, pois os maduros e até os jovens sentem na pele este fenômeno do século XXI.

No mundo gay quem tem dinheiro está buscando parceiros para quebrar esse paradigma, quem não tem vive no limbo. Incluo neste rol de pessoas abastadas, músicos, escritores e profissionais liberais bem sucedidos e os pioneiros das lutas por direito dos gays.

Não é uma crítica às conquistas, mas eles pensaram em tudo e se esqueceram de que todos os seres humanos envelhecem e morrem inclusive os gays. Não adianta ter liberdade e diretos se não construir uma base social de amigos. O que percebo é que ninguém está preocupado com o outro e isso gera um efeito contrário e afeta a todos. Não é um fenômeno geral, é bem específico, basta ver os índices de suicídio na população gay.

Quem construiu uma rede social vive bem e quem não fez o alicerce busca freneticamente um parceiro para preencher o vazio da vida. Parece que todos querem casar e viver relações estáveis para combater a solidão, mas é apenas maquiagem.

Vivemos num mundo onde a informação é tanta que não temos tempo de cuidar de nós mesmos, onde cada qual mal cuida da sua vida, onde não há interações sociais, logo a solidão se faz presente. Não adianta ter cem pessoas no Whatsapp e sentir-se sozinho.

Recentemente eu estava tomando um café e encontrei um conhecido de longa data. Apenas nos cumprimentamos e ele foi embora sem ao menos perguntar se eu estava bem.

Eu olho ao redor e observo os gays de todas as idades sofrendo desse mal invisível. Isso gera uma série de fatores negativos além de outros efeitos colaterais. Até este que vos escreve se enquadra em algumas situações de solidão, pois criei um mundo próprio longe da ferveção LGBT, hoje aposentado vivendo entre a capital e o interior. Minha rede social familiar é sólida, logo tenho amigos e parentes heterossexuais e me encaixo no cotidiano deles e eles no meu.

Vez ou outra bate uma solidão e eu combato o isolamento com viagens frequentes, pois como diz uma amiga: Quem viaja não tem tempo de pensar em doenças e muito menos na morte.

O antídoto para este fenômeno é saber preencher a vida com coisas prazerosas, porque de que adianta você ter liberdade para fazer o que bem entender se não sabe como usá-la.

Mas esse isolamento é apenas um dos muitos efeitos colaterais dos movimentos LGBT, há outros que relatarei em futuros escritos.

Caro leitor, aproveite o mês de março, pois o verão chegará ao fim e nos tempos de outono a solidão tende a acentuar-se e isso não é nada bom.

Vivemos não apenas os tempos da Febre Amarela, mas uma epidemia da solidão gay.

Seja feliz!

♥ Leitura recomendada: Solidão Gay