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Extra, extra, gay news 2019!

extra-extra

Caro leitor, eu estou de volta para mais um ano de reflexões sobre o meu cotidiano, experiências e vivências do nosso mundo onde ser gay já foi um desafio e hoje é apenas um detalhe na minha vida.

Eu acompanho as redes sociais, blogs, canais no Youtube e páginas sobre homossexualidade e observo muita superficialidade, pois os protagonistas estão mais interessados em mostrar o seu estilo de vida gay onde tudo é lindo, bonito e perfeito, como se os problemas não existissem e a segregação e a exclusão fossem apenas miragens num deserto de futilidades e vida vazia.

O assunto da semana sobre meninas e meninos vestirem rosa ou azul se tornou piada e memes.😂

Do outro lado do rio os defensores dos direitos dos gays, artistas e personalidades interessadas exclusivamente na promoção pessoal publicaram repúdio ao governo que ai está como se o retrocesso fosse algo a ser combatido. 🤔

Em minha opinião é muito blá blá blá e pouca ação porque ninguém dá a cara para bater e muitos ficam atrás da cerca jogando comida aos porcos.

Circulou nas redes sociais a extinção da secretaria dos direitos LGBT, aliás, é apenas mais um assunto num universo de minorias. O que não faltará em 2019 serão boatos, inclusive, sobre a extinção da Parada Gay, o cancelamento do carnaval, perseguição aos gays e por ai vai. 🧐

Nos meus quase sessenta anos de idade nunca precisei de direitos específicos porque sempre estive inserido no mundo heterossexual, assim como a maioria dos gays.

O que eu preciso é de um círculo cada vez menor de amigos para apoio e convivência, porque na velhice é assim que funciona. Os tempos atuais são de individualidade, logo, trocar experiências de vida dentro do contexto homossexual é quase utopia.

É como eu sempre digo: Estude, trabalhe, construa o seu patrimônio, obtenha a sua casa ou apartamento próprio e guarde dinheiro para ter uma velhice digna. 🤑

Ainda como observador do que acontece no mundo gay, eu vejo a maioria dos gays buscando um namorado, para relação estável, poliamor, sexo livre, relação aberta e tudo dentro do padrão heterossexual, como se fosse importante aos gays ter um parceiro para chamar de seu.👬

Vivemos o tempo presente e neste cenário estamos inseridos, a sociedade está em constante transformação aqui ou em quase todos os lugares do mundo. É aproveitar tudo o que se apresenta, as tecnologias vieram para ficar e isso transforma o mundo e as pessoas.

Os jovens gays precisam tirar proveito do presente e olhar para frente com otimismo porque dias melhores sempre virão e pior não vai ficar.

Nesta semana eu revi um documentário americano que passou há alguns anos na HBO chamado Fabulous Queer Cinema, sobre a evolução da temática LGBT no cinema ao longo dos últimos 100 anos. Ao final eu concluí que a sociedade se transforma não por políticas de estado, mas por ideias de pessoas corajosas que colocam a sua diversidade em prol de uma sociedade mais justa e igualitária.

Em 2019 eu quero e desejo a todos saúde, pretendo viajar mais e quem sabe morar alguns meses em Natal/RN. Eu continuarei a escrever sobre o nosso cotidiano, coisas boas, agradáveis e positivas, afinal breve o blog completará dez anos.

Para quem tem interesse, eu indico os seguintes filmes: Romance a três, Um inverno para lembrar, Nina, Desobediência e Martin, temas antigos e atuais para entender o amor homossexual.

Um ótimo ano para todos os leitores do blog dos grisalhos!

Publicado em Comportamento, Opinião, Sociedade

O gay viado ou o viado gay?

gay viado

Caro leitor, você ficou curioso com o título deste post?

Bem, se o título chamou a sua atenção, vamos ao artigo:

História:

Uma das hipóteses sobre a origem da palavra “viado” remonta ao final do século XIX no Rio de Janeiro. Originária da palavra transviado passou a ser utilizada por agentes da segurança pública nas batidas policiais em prostíbulos, cais do porto, ruas e vielas, pois os pederastas frequentavam os mesmos locais das prostitutas. Algo assim: Aqui tem mais um viado para o camburão.

Outra hipótese é literalmente originada do animal, o veado. Na época de acasalamento, os machos produzem esperma em excesso, mas não são todos que conseguem acasalar. Daí eles precisam se livrar do sêmen acumulado nos testículos e como não têm preconceitos como nós humanos montam uns nos outros, formando verdadeiros trenzinhos.

Mesmo após o coito, muitos machos acabam criando laços afetivos e convivendo como um casal. Somando isso aos trejeitos delicados e graciosos do animal, o apelido foi vinculado à imagem do homossexual, sendo considerado pejorativamente como “viado” — talvez um veterinário — certamente tinha informações privilegiadas sobre a vida animal e fez uma analogia com a vida dos pederastas daquele século.

A partir dos anos 1950, o termo passou a ser utilizado em pequenos grupos de amigos enrustidos, porque mesmo ofendidos, atacados e até agredidos, porém, apesar de tudo os homossexuais ainda encontravam na sua perseverança uma criatividade e humor para lidar com o preconceito do dia-a-dia e passaram a se tratar dessa maneira de forma bem humorada e divertida.

Nas décadas seguintes o termo virou manchete de revistas e jornais, inclusive o Lampião da Esquina. Os próprios gays masculinizados, diziam que viado era a bicha passiva, efeminada, extravagante e os travestis e não se identificavam como tais, porque faziam o papel do ativo.

Sinônimos:

Homossexual, gay, fresco, efeminado, florzinha, biba, bicha, boneca, bichona, boiola, baitola, perdido, fanchona, entendido, maricas, maricona, pederasta, sodomita e por ai vai.

Cotidiano:

Ninguém sai por ai dizendo: Olha lá gay! e sim: Olha lá viado!

Os cumprimentos de dois gays: E ai viado! Tudo bem?

Na sauna: Os viados são os extrovertidos, alegres e inquietos. Entram e saem do dark room a cada cinco minutos.

No cinema: Viado que se preza não cola a bunda na cadeira. Circula nos corredores e banheiros à procura do próximo parceiro.

Na boate: O viado entra, observa, bebe e bebe, depois dança com o primeiro que lhe desperta o desejo.

Na pegação: A maricona dá em cima do bofe e não faz ideia que ele é florzinha.

Mais recentemente, a palavra passou a ser de uso corrente não apenas entre os gays, mas da população em geral, principalmente humoristas e artistas: Fala viado!

Hoje está na Internet, rede social e whatsapp – Ou você nunca recebeu um vídeo ou imagem de um viado? damos gargalhadas do conteúdo e passamos adiante.

Todo gay é viado, certo?

Na prática nem todos demonstram ou gostam de viadagem. Aliás, frescura, sensibilidade feminina exagerada, baitolices.

O comportamento do gay viado aflora quando está em grupos, em locais fechados. Isso gera uma sensação de liberdade e prazer, exceto bees, travestis e os afetados que são os viados sem máscaras.

Ser gay viado é atitude. Esse comportamento pode ser uma forma de se soltar e demonstrar o que é ou uma forma de brincadeira entre amigos gays, mesmo os masculinizados. Ninguém escolhe ser motivo de chacota. Mesmo que a necessidade de ser aceito por um grupo talvez exacerbe um comportamento que já existia, às vezes as pessoas exageram porque finalmente se sentem livres.

Sim, todos somos viados, mas uma parcela faz questão de demonstrar viadagem e isso faz parte da natureza e da coragem de cada um.

Um amigo me disse: Ser viado é gostar de Donna Summer, Cher, Beyoncé, mas também ópera e música clássica, de Wagner a Vivaldi.

Acredite, não é nossa culpa. O que acontece é que às vezes estamos andando na rua feito pessoas normais e, subitamente, ouvimos a música nova da Beyoncé e aí não há como resistir! Em segundos estamos no chão fazendo twerking! É mais forte que a gente!

Também, não existe hierarquia de comportamento. Agir feito homem não faz de ninguém melhor, e perseguir o feminino ou efeminado é só machismo. Todo mundo é livre para ser e agir como quiser. Você pode até achar feio, mas não poder acabar com a liberdade alheia.

Bem, se não está dando para dar pinta na sua cidade não se arrisque a ser violentado e esfolado em outros cantos do país. Entretanto, isso não significa que você tenha que se esconder, segurar seus trejeitos ou tratar seu namorado como um conhecido.

Be happy!