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Reflexões sobre perdas e ganhos

Perdas-e-GanhosSabe-se que na vida há perdas e ganhos e isso está vinculado a cada ser humano de formas diferentes.

Conversando com um amigo ele diz que já saiu perdendo na vida por ser homossexual, pois segundo ele, ser gay num mundo predominantemente heterossexual é a maior perda que um ser humano pode ter.

Eu, obviamente, não contestei, mas penso diferente porque perdas e ganhos não tem nada a ver com opção ou preferência sexual.

Quando se fala em perdas, lembramos-nos de perdas humanas por morte ou conflitos por rompimento de relações de entes queridos. Há perdas de coisas materiais, como dinheiro, carro, casa ou uma simples agulha. Há ainda perdas por situações que deixamos passar em nossas vidas: perda de tempo, de horários, de compromissos e oportunidades.

Outras perdas como memória, visão, audição e membros do corpo são extremamente traumatizantes. Enfim, se você parar para refletir sobre perdas vai entrar num buraco sem fundo de tantas possibilidades, mas porque isso acontece?

Simples, porque o ser humano só enxerga coisas negativas. Imagine então como os gays vivem num mundo de situações negativas. Só para ilustrar, eu conheço um vizinho idoso e gay que todos os dias reclama de tudo e quando ele se vê envolvido em situações de perdas até parece que o mundo vai acabar, faz drama, chora e por ai vai. Às vezes leva tempo além do normal para assimilar tanta coisa negativa.

Portanto, não há uma receita para lidar com as perdas, é cada qual com suas experiências de vida, mas sempre com a expectativa de que amanhã será outro dia.

Obviamente, as grandes perdas são de pessoas e quando alguém perde o companheiro a superação leva meses, anos ou talvez não seja superada em vida.

Sobre os ganhos a história é outra, lembramos-nos de ganhos materiais, situações que aproveitamos sem deixar passar, ganhamos experiências de vida, novas vidas. Se ganha diariamente, mas valorizamos pouco os nossos ganhos, como se fossem situações normais do cotidiano.

Para os gays os ganhos não são diferentes, afinal fazemos parte do mundo. Outro dia ouvi alguém dizer: Ganhei um amante e perdi minha família porque assumi a relação com o parceiro. Ganhou de um lado e perdeu do outro e nem vou entrar no detalhe do que mais valeu, se a perda ou o ganho.

Em minha opinião ganhou um companheiro, mas poderia ter evitado a perda da família. Precisava contar ou assumir?

São situações assim que me levam sempre a ponderar atitudes que possam causar qualquer tipo de perda. Claro, eu já perdi demais nessa vida e hoje mais experiente evito perder, sim, porque perdemos muitas coisas devido ao nosso comportamento.

O que eu mais ouço no meu círculo de amizades é sobre fim de relacionamento e perda do companheiro. A proporção nesta relação é 10 por 1, muito mais porque a relação terminou do que por morte. Lembro ao leitor que meu círculo de amizades é composto em sua maioria por gays maduros e idosos.

Talvez a perda com fim de relacionamento seja a principal perda entre os gays, por questões óbvias. Em contrapartida o principal ganho é experiência de vida, ou não?

No balança da minha vida perdas e ganhos tem pesos iguais, ops! Esta semana perdi mais um ente querido, mas não vou contabilizar como perda e vou colocar no meu baú de ganhos, afinal foi uma pessoa que passou na vida e me trouxe apenas coisas boas.

Assim é a vida! Portanto, mãos à obra. Vamos limpar do nosso caminho perdas desnecessárias, porque a maioria delas pode ser evitada e vamos colecionar ganhos para equilibrar os pesos da balança.

Os gays precisam perder o medo para ganhar na vida!

Grisalhos: Balanço 2015

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Arte homoerótica de Raphael Perez

Dezembro chegou e breve mais um ano chegará ao fim.  No balanço das realizações pessoais a minha vida teve altos e baixos. Seria utópico se fossem apenas altos, pois as perdas são irreparáveis. Mas essa é a vida, as feridas cicatrizam e seguimos adiante.

Este ano escrevi sobre as relações familiares e a velhice gay. Um assunto pouco explorado por conta dos traumas individuais e as frustrações vivenciadas com nossa família, as dificuldades de aceitação, os conflitos e o rompimento, levando ao isolamento de cada individuo.

Revisitei os primeiros artigos publicados no blog, discorri sobre o amor homossexual e como é lindo amar diferente. Ah, falei também sobre o amor do João e sua vida na Espanha com seu coroa e o mestrado.

No mundo das relações pessoais escrevi sobre o desinteresse dos grisalhos por relações estáveis, as relações de fachada com mulheres, a busca do parceiro ideal e as peculiaridades das relações estáveis.

No universo gay escrevi sobre a ciência do arco-íris, parada gay e coisas que os gays devem fazer antes de morrer.

Neste ano me ocupei bastante com livros e filmes tanto em casa como nas livrarias e salas dos cinemas e fui figurinha carimbada no festival Mix Brasil da diversidade. Retomei o interesse na minha coleção particular de filmes temáticos, novas aquisições, nacionais e importados e nas prateleiras da chácara são mais de 200 títulos. Quem sabe quando me aposentar eu não abra um café e coloque um telão para reproduzir todos eles.

Como observador do mundo, identifiquei a busca frenética dos gays por um parceiro para sexo. Percebi os gays idosos se reinventado e buscando alternativas para combater o isolamento e a solidão. Escrevi sobre relações conflituosas entre gays jovens e idosos e mais recentemente sobre o romantismo gay.

Também, não poderia deixar de referenciar a crise política e econômica brasileira, que não nos afeta como gays, mas como cidadãos. Desemprego crescente, dívidas se acumulando, o consumo em queda e a incerteza para os próximos anos. Até os bares e points gays estão esvaziados.

Enfim, é preciso acreditar que dias melhores virão. Breve o verão chegará e junto com ele novas possibilidades. As praias de norte a sul do Brasil fervilharão de gente e nos diversos points, gays de todas as idades vão ferver, curtir, beber e se apaixonar

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