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O principal dilema dos gays

Recentemente eu assisti ao filme Stonewall onde o orgulho começou e me surpreendi com informações sobre os jovens LGBT americanos.  Aproximadamente 40% vivem nas ruas, pois são colocados para fora de casa, abandonados por seus pais e familiares.

Eu nem imagino como é a nossa realidade, mas é possível montar um painel sobre como vivem os nossos jovens.

A adolescência chega e você não consegue esconder que não vive conforme os padrões. A descoberta da homossexualidade é algo terrível para qualquer ser humano. Há registros em 2015, onde mais de mil jovens cometeram suicídio no Brasil, infelizmente este não é o melhor caminho.

Os adolescentes que vivem e estudam em locais com aceitação melhor para gays e lésbicas têm 25% menos probabilidade de tentar suicídio. Ainda assim, é um percentual baixo.

O mundo evoluiu, mas o preconceito existe e sempre vai existir. Os cenários não são nada favoráveis porque as sociedades são predominantemente heterossexuais, com mais ou menos tolerância.

Outro indicador mostra que mais de 90% dos jovens não tem coragem de assumir e milhões vivem suas vidas no armário. Caro leitor, ficou espantado? Há estimativas da existência no país de aproximadamente dezoito milhões de gays e lésbicas e desses mais de 70% são jovens.

Eu, particularmente, penso que após descobrir-se gay, é necessário tentar assimilar a situação e não sair por aí dizendo a qualquer pessoa o que é ou do que gosta.

Sair do armário na juventude é um erro. Não sou contra, mas cada caso é único e é preciso perceber o momento certo e isso passa necessariamente por conhecer a si mesmo e também as pessoas à sua volta.

Os jovens vivem entre a diversidade e a violência e essa realidade é assustadora. Em 2016 o New York Times afirmou que o Brasil vive uma epidemia de violência contra gays. Na minha opinião o país vive uma epidemia de violência generalizada, principalmente contra as minorias.

Não existem fórmulas mágicas, mas a melhor solução é romper com a família e sair para o mundo.

Ao completar a maioridade saia de casa, vá morar longe da família. Quanto mais cedo isso acontecer melhor será seu futuro.

Recomece a vida e faça novos amigos. Se você mora no interior vá para a capital mais próxima. Essa fórmula é usada inconscientemente por gays desde sempre.

Quem sai de casa para tentar a vida longe da família tem grandes possibilidades de se dar bem ou até melhor do que vivendo sob as asas da proteção dos pais. Você vai aprender a se defender e essa atitude vai te fazer mais forte.

Longe da família você aprenderá a se virar sozinho e se você tem determinação vai conquistar o seu espaço; estudo, trabalho, remuneração, aquisição de bens, etc.

No início é difícil porque esbarra na questão financeira, mas é possível guardar algum dinheiro e buscar moradia alugada com outros colegas para dividir as despesas. É preciso batalhar, inserir-se no mercado de trabalho para poder se sustentar.

Há também a questão emocional, porque para viver longe dos pais e irmãos você vai cortar as raízes e isso balançará sua cabeça, mas nada que não se supere.

Vencidos os primeiros obstáculos, o passo seguinte é buscar formação acadêmica para melhorar as condições profissionais e financeiras.

Nesse novo cenário você vai descobrir o mundo gay e sem precisar dar satisfações a ninguém sobre aonde vai e com quem vai. Descobrirá a existência de outros iguais a você, além das mazelas, os perigos e também alegrias, diversão e muitas coisas boas e poderá arriscar-se em flertes e paqueras e descobrirá naturalmente o sexo entre iguais.

Quando você se estabelecer e amadurecer, estará equilibrado e talvez possa se reaproximar da família, porque sendo gay ou não, ela é referência para todos nós. Então você pode assumir, ou se preferir, manter-se no armário. Isso é pessoal e depende das circunstâncias da vida de cada um.

Eu fiz esse caminho e não me arrependo. Não foi fácil e muitas coisas aconteceram nos últimos trinta anos, mas hoje sou feliz e realizado. Conquistei meus objetivos e até hoje nunca disse abertamente ser homossexual. Você assume para si e não para os outros.

Esperei décadas para ter o respeito da minha família porque sempre respeitei a todos. Por trás sempre falaram de mim, tanto amigos quanto conhecidos e parentes, mas eu nunca estive nem aí para o que eles e outros pensavam ou falavam porque após a ruptura familiar eu coloquei uma pedra no passado e olhei apenas para a frente.

Eu conheci mais de uma centena de homens com histórias semelhantes. A Dificuldade de manter uma relação familiar por ser diferente nos isola e no isolamento ficamos aprisionados num mundo onde não existe uma porta de saída. A vida familiar te condiciona a seguir regras, você é controlado e cobrado por posturas e atitudes do padrão heteronormativo.

Portanto, crie coragem e vá construir a sua vida, porque para os gays, viver longe da casa dos pais é a melhor opção.

A homossexualidade e a intolerância 

Itaberli

Recentemente acompanhei o caso, do assassinato do jovem Itaberli Lozano (foto), de dezenove anos na cidade de Cravinhos, interior paulista, na região de Ribeirão Preto.

Conforme notícias, os responsáveis pelo crime são a mãe e o padrasto do jovem e o motivo conforme informou o tio da vítima, era a não aceitação da homossexualidade do filho.

Se realmente esse foi o motivo da morte e posterior carbonização do corpo, chego a acreditar que os seres humanos do século XXI são animais selvagens, raivosos e dementes.

A homossexualidade sempre foi rejeitada no âmbito familiar, mas chegar ao ponto de matar o próprio filho é coisa de outro mundo, ou melhor, completa insanidade. Este também não é um caso isolado e ocorre diariamente em qualquer lugar do mundo.

Não tenho lembranças de atitudes tão cruéis, mas em outros tempos, quando a família desconfiava ou descobria os desejos sexuais dos filhos, a situação era conduzida, invariavelmente, com o auxílio de padres ou médicos conhecidos da família, para soluções de acobertar ou esconder os desviantes em colégios internos, mosteiros e conventos. Não mencionei pastores, porque naquela época as religiões evangélicas e pentecostais estavam engatinhando no Brasil.

Alguns pais optavam por internar os filhos em estabelecimentos destinados a servir de refúgio do mundo, embora muitas vezes serviam também como locais de instrução para os religiosos; é possível citar abadias, mosteiros, conventos e outros claustros, mas os pais não usavam as próprias mãos para dar fim à vida de suas crias.

A homossexualidade nunca foi doença, mas em outros tempos era coisa do demônio, deficiência mental e por aí vai. Aqueles locais eram propícios a qualquer tipo de tratamento, principalmente às questões de moral e estabilidade social.

Ao suprimir as distinções sociais externas, construía-se uma orientação para seu esquema de honra. Por esse motivo, alguns poucos gays de elevado status socioeconômico iam para oásis psiquiátricos e eram distintos dos doentes mentais. Por outro lado, os manicômios públicos serviam apenas como um local de depósito para os indesejáveis das classes inferiores, e que o destino lhe reservava um futuro incerto, e eram tratados como animais doentes.

Nesses locais faziam experiências cerebrais, tratamentos de choque ou à base de medicamentos experimentais e há relatos de que muitos ficavam loucos.

Obviamente, nesses locais ocorreram muitas mortes e suicídios, mas nada comparado à barbárie da atualidade. Hoje a vida humana não vale nada e matar é tão banal quanto comer uma banana.

Um homossexual masculino internado num desses locais, poderia ou não retornar à vida social. Invariavelmente, todos saiam estigmatizados e faziam grandes esforços para esconder o seu passado e tratavam a disfarçar-se de homem.

Nem todos tinham essa capacidade de travestir-se porque muitos eram efeminados e dali para a vida mundana e a prostituição era questão de tempo. Uma vez no gueto nunca mais retornavam para seus familiares e perdiam a referência familiar. É triste pensar que jamais voltariam a ver seus parentes, mas estavam vivos! Construíam outras vidas com outras pessoas.

Aqueles que conseguiam apagar o passado reconstruíam suas vidas e até se casavam e constituíam família e vez ou outra buscavam por sexo homossexual e casual nos guetos das cidades.

Hoje a violência contra homossexuais é generalizada e não passa longe da vida de cada um de nós e por mais que haja aceitação individual ou coletiva, sempre há o perigo da agressão com morte.

Eu não sei o que se passa na cabeça das pessoas, a intolerância é marca registrada deste século, não apenas contra homossexuais, mas contra todos, independentemente de cor, sexo ou religião. Todos querem ter o direito à individualidade, buscam seu espaço no mundo e mesmo assim a vida é invadida e haqueada diariamente. A intolerância chegou ao ponto de afastar as pessoas do convívio social e familiar. Lamentável!

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