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Deterioração intelectual dos gays idosos

gay_idoso_casado1Prezado leitor, quais são as principais causas e mais corriqueiras da deterioração intelectual dos gays na velhice?

Porque problemas psíquicos e emocionais não permitem aos idosos agir livremente e com iniciativa pessoal?

Recentemente, conversando com o meu companheiro, eu pude identificar que a partir de certa idade os idosos ficam inseguros devido às doenças, falta de disposição física, cansaço e fadiga são fatores que condicionam a mente e confinam os idosos em espaços limitados. Insegurança, medos e falta de tesão pela vida transformam esses homens em fantasmas.

Obviamente, um dia precisamos sossegar o facho, mas o confinamento existe mesmo não havendo doenças físicas aparentes.

Eu conheço muitos gays idosos e a maioria vive num círculo vicioso. Já não saem para viagens, lazer ou diversão e o mundo se resume a quase nada. E pensar que existem tantas coisas para se fazer na vida!

Os idosos da atualidade viveram a plenitude da vida nos guetos e isso fez com que ficassem inertes, pois dificilmente encontram saídas para ver o mundo de uma forma diferente, ficaram apáticos e se você convida para sair ou viajar arranjam desculpas esfarrapadas.

Às vezes tenho a impressão de que o gueto é o único ponto de referência ainda existente em suas vidas, pois sempre eu os vejo conversando em pequenos grupos, bebendo cerveja em bares da cidade, em locais conhecidos por frequência de gays e invariavelmente, sozinhos. Estão ali para passar o tempo e socializar, mesmo que, por poucas horas. O mundo deles é apenas isso!

Nesse cotidiano a deterioração intelectual é evidente, pois as conversas são vazias e sem conteúdo e quase todos vivem das glórias do passado. Você comenta sobre um filme ou um livro novo e eles estão desatualizados, sabem apenas o que passa diariamente na TV. Não é questão de status, mas a decadência intelectual é impressionante, pois muitos têm formação acadêmica.

Só para você ter uma ideia. Alguns finais de semana eu fico em São Paulo e vez ou outra eu encontro um velho conhecido e as conversas dele sempre remetem às glórias do passado, da juventude e da beleza, dos amores e amantes e os seus olhos brilham e um fugaz sorriso aparece, mas após breves devaneios tudo esmaece.

Ele fica indiferente e logo busca uma desculpa para ir embora e voltar à sua vida rotineira e muito controlada, sem responsabilidades criativas. Já convidei para ir à chácara, ao cinema e até para jantar e nada surtiu efeito.

Igual a ele existe um batalhão de gays na mesma situação, pois estão assimilados nesta condição de insegurança, num mundo restrito e cheio de obstáculos. Com o passar dos anos ficam ainda mais inseguros e até um passeio simples no parque é algo inimaginável.

Uns tempos atrás eu pensava que atitudes dessa natureza estavam vinculadas às afinidades entre gays que se conhecem há décadas, mas após várias tentativas de manter relacionamento de amizade, eu percebi que o problema não era esse e sim uma apatia natural pela vida. Escrevi natural porque me parece que todos vão pelo mesmo caminho.

Também, não são problemas financeiros porque a grande parte desses gays possui casa ou apartamento próprio e tem boa renda mensal. É comodismo mesmo! Falta de perspectivas, desistiram cedo demais!

Outro fator identificado é a desilusão afetiva. Já não acreditam em relacionamentos, vivem do passado e não vivem o presente, logo, não tem sonhos e não há perspectivas para um futuro, mesmo que limitado em poucos anos.

Meu companheiro disse que o divisor de águas na sua vida foi quando completou setenta anos e após o tratamento de um câncer na laringe percebeu a finitude da vida. Foi quando decidiu sair do lugar comum e fazer o que sempre gostou, viajar. Neste caso, ele optou por viver a vida plenamente, sem confinamentos a espaços limitados. Ele diz: Viajar é renovar as energias e descobrir a beleza da vida através de pessoas e paisagens.

Claro, ele tem a mim como companheiro e isso já é meio caminho andado, mas mesmo quando estou no trabalho ele sai para suas caminhadas matinais, faz compras, vai aos shoppings, missas, conversa com as pessoas, busca manter-se informado do que acontece no mundo. Faz da leitura um passatempo gostoso e sem obrigação, gosta de escrever cartas de próprio punho para amigos dos tempos do banco, etc.

Ele também percebe a apatia de outros gays conhecidos e residentes no nosso bairro. Quando os encontra as conversas são vazias e sempre tem a sensação de que não está agradando.

Um conhecido uma vez me disse: Sublimei o sexo, não quero mais saber disso. Tempos depois soubemos da sua internação voluntária numa casa de repouso, após terminar o relacionamento com o bofe. Nunca mais tivemos notícias dele.

Não existem fórmulas mágicas para combater a deterioração intelectual, mas se você gosta de praia, vá morar à beira mar. Se gosta do campo, vá morar no interior e se é cosmopolita viva nas cidades, mas esteja sempre em movimento.

Na velhice é primordial, além de estimular a memória, outras funções mentais, corporais e comportamentais precisam ser estimuladas como a inteligência, a criatividade, a concentração, o raciocínio, as percepções, as noções espaciais, os sentidos, a imaginação, a sociabilidade, a comunicação, as atividades físicas, as habilidades lógicas, artísticas e musicais. Poxa! quanta coisa não?

Agir livremente e com iniciativa é um dos melhores remédios para combater a solidão, o isolamento e o envelhecimento.

Os conflitos de interesses entre gays

gay_idoso_6Caro leitor dos grisalhos, vou discorrer sobre a relação pessoal entre gays idosos e jovens e os conflitos de interesses dessas partes. Você pode concordar ou discordar e tem a liberdade de comentar o assunto.

Bem, o conflito de interesses ocorre quando um homossexual demonstra um interesse secundário no resultado de determinada ação, sendo esse interesse contrário ao de outro homem, parceiro, companheiro, amante, caso, etc.

É sabido que toda vez que conhecemos um homem, temos interesses próprios. O interesse primário é o tipo gostosão que nos atrai para o sexo. A partir do primeiro encontro surgem outros interesses.

Quando olhamos para um homem observamos suas características que mais se aproximam daquilo que buscamos para um relacionamento, é aquela coisa do tesão a qualquer preço e invariavelmente, colocamos como prioridades a aparência física e o modo de se vestir. Se o homem está bem vestido ele atrai muitos pretendentes mesmo sendo idoso. Não basta ser gostoso, tem que ter bom gosto e estar sempre em dia com o asseio, os cuidados pessoais e a saúde.

Após o primeiro contato, passamos a observar outras características como o nível cultural, formas de se expressar, postura, inteligência e principalmente as condições socioeconômicas do pretendente.

Um amigo sempre diz que na busca por parceiros colocamos como prioridade além da parte física, um homem que tenha condições econômicas iguais ou superiores às nossas, será?

Eu, particularmente, acredito que não, mas analisando a minha vida posso afirmar que meu amigo não está de todo errado, pois existem dois tipos de homem. O amante e o companheiro. Para ser amante serve qualquer um desde que seja gostoso, mas para ser companheiro tem que ter afinidades e elas passam necessariamente por condições socioeconômicas e culturais, ou não?

Os gays são hedonistas por natureza, logo, o prazer é supremo e aliado a esses prazeres há uma infinidade de coisas materiais que permeiam esse mundo de prazeres. Este também é um dos motivos do porque os gays são consumistas de carteirinha.

Nas relações entre gays não é diferente. Os coroas que gostam de jovens buscam inconscientemente a beleza e o vigor físico para usufruir dos prazeres sexuais e depois desfilar e mostrar o bofe à sociedade, porque isso o faz sentir-se jovem e capaz de conquistar amantes. Obviamente, há exceções, mas é assim que acontece.

Por outro lado, os jovens buscam nos homens mais velhos, a experiência e a estabilidade financeira para conduzi-lo a outro patamar social. Obviamente, aqui também há exceções porque gostar de alguém é algo que vai além da nossa vontade e muitos já se pegaram gostando de homens mais velhos com condições socioeconômicas inferiores.

A quase totalidade dos jovens gays que se relaciona com idosos tem condições econômicas inferiores por questões óbvias. O jovem está começando a vida, ainda estuda para alcançar objetivos e muitos ainda nem entraram no mercado de trabalho.

Não há estudos, mas ao longo da vida eu observei e vi jovens gays em relacionamentos com idosos e a proporção era para lá de 90%, ou seja: Para cada dez jovens, nove eram de classe social inferior à do coroa. Vez ou outra aparecia um jovem de família classe média alta envolvido com homem de classe inferior.

Essa coisa de construir patrimônio e crescer juntos é algo até utópico, exceto, se o casal for da mesma geração e faixa de idade. Entre idosos e jovens as relações são efêmeras e no tempo necessário de usufruir o que há de melhor no presente.

Caro leitor, porque é tão difícil de encontrar a sua alma gêmea idosa ou jovem? Somos seletivos em qualquer fase da vida e buscamos mais do que um corpo bonito para saciar nossos desejos. Buscamos também alguém com afinidades culturais e sociais, ou não? Não desprezamos nem a faixa etária do bofe! Quem gosta de jovem não muda as preferências e vice-versa.

Outro amigo diz: Gay idoso que gosta de jovem vive na corda bamba porque mais cedo ou mais tarde a andorinha bate asas e voa.

Voltando aos relacionamentos geracionais entre gays eu observo e constato haver muitos outros interesses além do sexo. Ninguém fala, outros desconversam, mas a maioria se vê no direito de herdar bens patrimoniais do parceiro. Isso ocorre principalmente em longos relacionamentos.

Eu acho legal um coroa ajudar o parceiro mais jovem nos estudos e encaminhá-lo para a vida, pois é algo natural, mas isso não lhe dá o direito de exigir fidelidade ou amor até a morte. É uma troca, não de favores, mas de oportunidades! Ninguém compra ninguém, exceto os michês para favores sexuais e sempre tem más línguas dizendo que o bofe está na relação por interesses materiais.

Também, um presente de vez em quando não faz mal a ninguém, mas gays abastados oferecem aos seus parceiros jovens, carros, motos, viagens internacionais, jantares em restaurantes da moda, roupas de grife e em troca há o sexo e uma relação muitas vezes falsa.

Parece que quanto maior a diferença de idade e do nível social, maior é o abismo entre sexo e relacionamento.

Uma situação também comum é o fim de caso por conta de outro homem, mais bonito, mais dotado, mais endinheirado.

Acho sacanagem viver com um coroa por décadas e depois terminar a relação porque conheceu outro e ainda querer levar para si os bens materiais obtidos na relação. Caro leitor, isso é mais comum do que você imagina. Conheci um coroa que foi depenado legalmente pelo companheiro ao fim de uma relação de vinte anos.

O mundo das relações entre gays com grande diferença de idade é um universo desconhecido de situações anormais, aliás, quase nada é normal. Há casos de ciúmes doentios de ambos personagens, não por amor, mas possessão, como se o outro fosse simples objeto, Tipo, é meu e ninguém põe a mãe e olha lá se sair da linha.

Existem jovens que sabendo das condições de vulnerabilidade dos idosos fazem chantagem emocionais para obter dinheiro para os seus prazeres. Aqui nem tudo são flores e uma relação aparente esconde um submundo de dominações e ciúmes.

Existem gays especializados em relações com idosos, para tomarem posse dos bens e ativos após falecimento. Eu pessoalmente conheço pelo menos dois espertalhões que hoje vivem de renda obtida com morte de parceiros, aliás, mais de uma morte, ou seja, mais de um parceiro num período de quinze anos. Especificamente nesse caso, um deles sempre se aproximou de idosos com idade acima dos oitenta anos e dizia que os velhinhos lhe davam tesão, porque além de amá-los tinha uma compulsão para cuidar, dar banho, fazer comida e por aí vai. Ninguém merece, isso pra mim é michê disfarçado de amigo.

Há situações onde o parceiro idoso faz um trato com o mais jovem, para ser cuidado na velhice, principalmente em situações de doenças em troca de algum patrimônio ainda em vida. Aqui entra um novo personagem: Cuidadores profissionais de gays idosos. Não são malandros, são profissionais que aceitam a situação como forma de trabalho.

Nessas relações há de tudo. Eu recordo da minha adolescência em 1974, quando um coroa industrial me ofereceu um apartamento e estudos para eu ser o seu amante. Caro leitor, o homem tinha um apartamento caríssimo numa região nobre da cidade para acomodar o amante! Já escrevi sobre isso e não aceitei porque seria escravo sexual e não teria liberdade.

Os jovens amantes belos e sonhadores também sofrem na relação com os idosos, porque muitos deles querem uma relação sexual sem compromisso, onde paga-se os favores de diversas formas e nem sem sempre há dinheiro envolvido.

Existem coroas que usam e abusam da sua superioridade social para manter seus amantes em rédea curta. Usam de chantagem emocional para controlar a situação por períodos de sua conveniência.

Há também coroas frágeis e dependentes dos parceiros que fazem qualquer coisa para tê-los ao seu alcance, inclusive pagando contas e oferecendo pequenos mimos.

Enfim, é um mundo muitas vezes surreal porque os seus personagens agem de acordo com as circunstancias e interesses próprios e quase nunca os interesses são comuns. Talvez a única coisa comum seja o sexo e nem sempre é da forma que eles imaginam.

Ao longo da minha vida eu vi tanto jovem sofrer por amor a outro idoso e não ser correspondido. Vi relações conturbadas por conflitos de interesses, enquanto gays idosos penavam na mão de jovens espertos e sabedores das fragilidades do amante. Enfim, ninguém é santo, ingênuo ou bobo e tudo gira em torno das circunstancias.

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