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As dificuldades nas relações sociais entre gays maduros

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Não adianta querer parar o tempo, pois ele chega para qualquer um. A partir dos 50 anos os gays masculinos tem tendência de querer congelar o tempo, pois não aceitam o envelhecimento como processo natural e com esse fenômeno o comportamento e atitudes também mudam para além do convencional.

É a partir dessa fase e depois de uma série de frustações amorosas que uma parcela se atira no sexo sem segurança, além de correr riscos de contrair doenças ficam vulneráveis aos oportunistas de plantão.

A facilidade de comunicação através de aplicativos e redes sociais facilita os contatos, principalmente para o prazer, mas condiciona ao isolamento social. Como se não bastasse o isolamento próprio da idade e da homossexualidade as tecnologias também isolam o ser humano por dependência psíquica, dai muda-se comportamentos e sem perceber estão presos num mundo vazio de buscas por prazer enquanto as relações sociais ficam fora do radar.

Caro leitor, você conhece gay maduro ou idoso que usa redes sociais sem fins sexuais? Sim, existem, mas é minoria.

Talvez seja essa a visão dos jovens que gostam de maduros têm dos mais velhos. Querem apenas sexo e nada de compromissos. Por outro lado, tem aqueles maduros que buscam um parceiro, justamente para preencher o vazio e o isolamento e se permitem às relações tediosas e de confinamento. Há exceções, há sentimentos, mas no geral é assim mesmo.

Caramba os gays são seres humanos e fazem tudo o que qualquer simples mortal faz, logo não há porque rotulá-los de promíscuos e sedentos por prazer.

Os próprios gays maduros tem uma visão distorcida de seus pares e fica a sensação de que tudo no mundo gay é sexo, bebidas, saunas, farras e que não existem aqueles que gostam de relações sociais pautadas em diálogo e conversas que agregam valores culturais, como literatura, música e eventos diversos. Aliás, nos dias atuais está difícil encontrar amigos.

É claro, também, as afinidades são primordiais nas relações. Pergunto: Porque um gay maduro não pode ter relações de amizade sem interesse?

Tudo bem é difícil manter vínculos sociais com outros gays e esta realidade ninguém mostra, porque vejo TV, Internet e parece um mar de rosas, mas por traz das cortinas desse faz-de-contas a realidade dos maduros é outra. Hoje a cena LGBT não é para maduros e idosos, mas para os jovens e o que é bom para eles não é bom para os mais velhos.

O cenário atual principalmente nos grandes centros urbanos é repleto de opções, mas faltam pessoas para compartilhar outros espaços e outras conversas.

Como disse um falecido amigo: O tempo presente é o meu mundo, seja ele na juventude ou na velhice.

Partindo da premissa de que boa parcela dos maduros e idosos vive no armário não é fácil encontrar alguém para compartilhar momentos de lazer sem interesses. Esses gays não querem vínculos de amizades para não comprometer a imagem construída ao longo da vida e não querem ser identificados como homossexuais.

Há exceções, porque alguns mantem vínculos com pequenos grupos, aliás, esses grupos se formam ou se mantem no decorrer de anos de amizade e convivência.

Então é cada um no seu quadrado porque na velhice a volta ao gueto é uma condição senão obrigatória, talvez transitória para a interação social entre os homossexuais.

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As sociedades invisíveis de gays idosos

gay_farmer2Dezembro chegou e o verão se apresenta com as suas cores, altas temperaturas e gente correndo pelas ruas apressada em garantir o melhor da festa de final de ano.

Aqui no meu cotidiano eu continuo observando o cotidiano dos gays e me causou surpresa, aliás, agradável, perceber que o mundo gay dos maduros e idosos é recheado de vida.

Aquela ideia de isolamento é coisa do passado, existe um mundo colorido para além dos nossos olhos e nosso entendimento. É o que eu chamo de sociedade invisível de gays idosos.

Na maturidade e principalmente na velhice os gays estão se enturmando, arrumando seus pares, para amizades e sexo. Vejo casais caminhando na Avenida Paulista e posso afirmar que esses arranjos de parceria tem muita coisa positiva.

As relações estão mais estáveis e menos fugazes porque se busca um companheiro para compartilhar o dia-a-dia e depois encontram outros casais para compartilhar amizades. Neste cenário eles compartilham bate papo, viagens, almoços, jantares e festas.

Não é surreal afirmar que a felicidade existe e preenche a vida desses maduros e idosos com muita vida. Cuida-se da saúde e o que vem depois é lucro.

A minha geração está literalmente fora do armário, com reservas, sem chocar a sociedade, vivendo a plenitude da aposentadoria com segurança e alegria. O estereótipo do velhinho gay ainda existe principalmente aqueles que não prepararam o caminho da velhice, tanto emocional quanto material.

Eu, particularmente acho legal e até motivador ver essa turma desfilando por aí sem a preocupação de encontrar o bofe ideal, pois ele ficou no passado e se aparecer um no presente tudo bem, senão, vida que segue.

Outra coisa comum são os círculos fechados de amigos, muito semelhante ao que acontece nos Estados Unidos. Uma turma de seis gays e até mais, todos maduros e aposentados com tempo de sobra para fazer o que lhe dão prazer.

Os componentes desses grupos se identificam por afinidades e dificilmente existe um jovem no grupo. São gays que gostam de homens maduros e a amizade começa justamente por gostos semelhantes de parceiros. Nesses grupos há respeito, não há traição, ou seja, um paquerando o parceiro do outro. Cada membro sabe o seu lugar nesta sociedade e isso gera vínculos fortes e duradouros.

Há reciprocidade em compartilhar o entretenimento e quando um não quer os demais seguem o planejado. Obviamente, nem sempre é possível todos estarem presentes em todos os eventos, mas na maioria das vezes eles estão sempre juntos.

Outro fator positivo neste tipo de sociedade é a ajuda mutua porque têm as características de uma família homoafetiva, cada qual se preocupa com o outro e não estão nem aí para o que os outros vão pensar, principalmente, vizinhos.

Nesta sociedade invisível não é obrigatório ter um parceiro, mas a maioria tem e isso torna o grupo mais coeso. São casais de maduros e idosos se enturmando com outros casais e diferentemente de maduros que gostam de jovens não querem viver isolados como um casal.

Os encontros geralmente ocorrem em ambientes fechados, na casa de um ou de outro, um almoço, um jantar ou simplesmente para passar o tempo. Quase nunca em locais públicos, exceto em eventos previamente combinados, como lazer, viagens, turismo,etc.

Ah, e não pense você que são puritanos e chatos pelo contrário, são alegres, soltam literalmente a franga, contam piadas, se travestem do que bem entender e vivem a vida numa boa.

E assim o mundo gira, os laços afetivos se estabelecem e a velhice é vivida com plenitude, logo, o isolamento para esses gays idosos é simples miragem e a solidão é apenas um assunto acadêmico.