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Essa Estranha Atração

estranha atraçãoCaro leitor, a atração que sentimos por homens é algo além do nosso entendimento, porque a infinidade de opções não nos permite definir um perfil físico ideal. Como diz o ditado: para cada feio existe o belo e vice-versa.

Outro dia eu observei um homem de aproximadamente 40 anos paquerando outro na mesma faixa de idade e a diferença física entre eles era surreal. O primeiro era magro, imberbe, cabelos castanhos, pele clara e altura para mais de 1,80. O segundo homem era baixo, pele morena, cabelos com leve calvície, poucos pelos e com sobrepeso. Enfim, pude observar que se entenderam e saíram para passear e ajustar os detalhes para um relacionamento.

Que me perdoem os conservadores, mas as relações partem do físico para o sentimento, é carnal mesmo! Não creio ser possível amar qualquer um, sem ter afinidade física, porque primeiro idealizamos um parceiro com todas as características físicas enraizadas no nosso subconsciente e após os primeiros contatos físicos vão surgindo os primeiros sinais de que gostamos e amamos aquele homem.

Em geral os gays sempre buscam um corpo para depois buscar um amor e esse é o principal motivo das frustrações e dos desencontros amorosos. Idealiza-se o homem ideal e quando ele se apresenta faz-se um cenário de obsessão, quase loucura! Leva-se em conta até o tamanho do cacete!

Obviamente existem outros fatores e características nas relações, mas sempre partindo da idade porque balizamos nossas relações por faixa etária, depois do físico, então se coloca na balança a cultura, o status socioeconômico, e outros fatores comportamentais agregadores de valor.

Você já se viu em relações complicadas? Pois é, isso ocorre porque a soma de todos os fatores gera o resultado do que você idealizou, mas nem tudo vem à tona em pouco tempo e aos poucos se percebe que o parceiro tem defeitos como qualquer ser humano e esses defeitos são invariavelmente comportamentais.

O que cativa qualquer um, é um parceiro com o mínimo de defeitos e quando nos apaixonamos fazemos vistas grossas e relevamos muitas atitudes em prol dos principais pontos dos nossos desejos físicos.

De que adianta ter um deus grego ao seu lado se ele é uma mula. Quem não gosta de parceiros inteligentes, sensíveis e com bom repertório cultural? Também, se o futuro parceiro é carne de vaca no açougue do mundo gay, ele será excluído da lista de pretendentes e por mais que exista atração física, a relação não passará de uma ou duas fodas mal dadas apenas para saciar seus desejos e tirar da cabeça aquele gostosão sempre disponível em bares, saunas e boates.

Enfim, essa estranha atração pode leva-lo a relacionamentos jamais imaginados e não é porque o Kevin Spacey saiu do armário que o mundo vai mudar.

Novembro chegou e se você não faz exame de próstata regularmente, aproveite a campanha e corra para o médico – Novembro Azul.

Leia o post de 2012:  O mundo gay e o mundo fora dele.

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Diz que me ama e transa com estranhos

raphael_perezÉ mais comum do que se imagina, ver homens pulando a cerca e buscando parceiros para sexo fora da relação estável entre casais do mesmo gênero.

No passado este tipo de comportamento gerou rótulos sobre a promiscuidade e a infidelidade dos gays, pois assim como os heterossexuais, a traição sempre foi vista como falta de caráter, desvio de conduta, compulsão por sexo, pessoa falsa e aproveitadora dos sentimentos alheios.

E porque isso acontece?

O principal motivo é a falta de tesão no parceiro.  A experimentação do sexo com estranhos e sem vínculos afetivos é uma forma de sentir-se vivo e com muito tesão.

Também, longas convivências esfriam o desejo carnal e neste universo da carne cada dia é uma incógnita e novos corpos vão aguçar o desejo.

A traição é uma das maiores dores que alguém pode sentir na vida. Quem já passou por isso sabe bem o que é se decepcionar com uma pessoa que muitas vezes você se doou por inteiro.

Quem é traído, se sente a pior pessoa do mundo, depois de tanta dedicação e amor, foi trocado, muitas vezes, pela “primeira opção que passou na rua.”

Como diz a letra da música da Rita Lee: Amor é cristão, sexo é pagão.

Há pessoas que são insaciáveis e precisam praticar o sexo diariamente, dia sim dia não ou com menor frequência pelo menos uma vez por semana. Se o parceiro não dá conta dessa saciedade, obviamente, busca-se outros parceiros para preencher as lacunas do desejo.

Outra situação é encontrar um amante mais belo, como direi, mais gostoso, porque a comparação com o parceiro da relação estável é inevitável e ocorre a todo momento, todos os dias e principalmente longe dos olhos do companheiro.

É comum, um dos parceiros buscar outro corpo para saciar seus desejos mais íntimos e secretos. Isso passa necessariamente por experimentar outras formas e papeis sexuais. Se na relação estável ele é ativo, na relação eventual pode ser passivo, pratica sexo oral com estranho, mas não faz com o parceiro. É a conhecida história da mulher santa. O companheiro é o santo e puro na história e os parceiros fora da relação são as amantes e putas de plantão.

A traição devido à idade também acontece, principalmente, se um dos parceiros é muito idoso e não tem mais ereção, mesmo que seja o passivo, porque o envelhecimento, as rugas e a pele flácida não é atrativo para a prática sexual.

Existem os compulsivos e mesmo amando o parceiro, sempre haverá buscas por outros corpos e a compulsão leva o indivíduo a arriscar-se em cinemas, banheiros e saunas.

Amar não é sinônimo de propriedade e nos dias atuais as relações abertas são acordos informais para a prática do sexo, sem a preocupação de ser observado e criticado por amigos ou pelo próprio traído. Seria a melhor solução se fosse óbvio, mas nem sempre o parceiro aceita dividir a cama com um estranho. 

Eu conheci uma dezena, talvez duas, de traições entre parceiros. É sempre a mesma história, dizendo que fraquejou, errou e que não acontecerá novamente. Basta surgir a oportunidade e tudo recomeça. Isso está no DNA do ser humano.

Na verdade, os gays estão sempre na busca da perfeição, o parceiro ideal, bom de cama, bonito, gostoso, inteligente, com grana no bolso e que faça sexo diariamente por toda a vida, além de nos amar é claro!

Trocar o parceiro por um estranho para práticas sexuais não é crime. A fidelidade nunca foi requisito para viver uma relação estável, logo e principalmente no meio gay isso é comum porque não existem muitos vínculos com pessoas (esposa, marido, filhos, netos, etc).

As relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são vistas pelos gays como relações clandestinas, ou você que tem um parceiro e está numa relação estável nunca se imaginou fazendo sexo com outro homem?

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Como saber se ele está a fim de você

APDYNHOs relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo é um jogo de xadrez complicadíssimo e de desfecho imprevisível.

Em tempos de Internet e redes sociais acredita-se tudo fácil, mas engana-se quem pensa ser uma simples questão de oportunidade, porque ninguém tem bola de cristal.

No mundo digital não é possível prever a reação das pessoas, pois se num primeiro momento a paquera investe fortemente para segurar você, percebe-se um marasmo na tomada de decisão, porque você é mais um na lista do bofe.

No mundo real a história é diferente e só não percebe quem não quer, ou finge-se de ingênuo, alimentando ilusões frustrantes. Deve-se considerar se o bofe está a fim de você, para sexo, amizade, relacionamento ou interesse financeiro e status social, ou nenhuma dessas possibilidades.

Eu, particularmente penso que o mais difícil é saber se ele está a fim de você. Isso serve para todas as idades e classes sociais. Se fosse fácil ninguém quebrava a cara e o coração em relações conturbadas e relações que não levam a lugar algum.

Você pode estar solteiro ou num relacionamento e de repente o homem te olha. Lembre-se: olhar não é sinônimo de desejo ou vontade, pois olhar todo mundo olha e observa. Em mais de 90% dos olhares não há indicação de aproximação para fins de relacionamento ou intimidade.

Também, acredito que no decorrer da vida, vamos aprimorando o nosso gaydar para saber se uma pessoa está a fim de algo, além de uma boa conversa.

As situações a seguir, são alguns exemplos sobre este assunto:

Olhar, puxar conversa e ir para a cama no primeiro encontro – Situação assim, como direi, relâmpago é clássica, apenas sexo e são raros os casos que evoluem para uma relação mais intimista.

Olhar, puxar conversa e não falar de sexo – O bofe está indeciso e não sabe se quer um amigo ou um amante

Olhar, puxar conversa e enrolar na relação – Neste caso, você pode ser um cara legal, bom papo e bom partido, mas o parceiro não quer saber de cair de cabeça ou se deixar envolver. Ele nem desconfia que está indeciso e não sabe o que quer. Aqui ele não quer, nem o amigo e nem o amante.

Rolou um sexo, mas ele foge de você igual ao diabo da cruz – Não houve a química ideal e nada mudará o cenário. Ele te comeu, mas queria ser comido, ou vice-versa. Questões de pele são essenciais para a continuidade da relação; existem parceiros que fazem ambos papeis e se adaptam bem nesta condição.

O homem diz que te ama, mas não quer envolvimento – Simples palavras para agradar e não te decepcionar. Não ama e jamais te amará. O sentimento é platônico.

Ah, tem os indecisos, introvertidos, inseguros. É preciso muita paciência porque o medo de arriscar-se numa relação corrói qualquer desejo.

Lembre-se que palavras são palavras e nada mais. As verdadeiras intenções estão nas ações e atitudes do parceiro.

Quando alguém está realmente a fim de que algo aconteça ele vai fazer coisas impensáveis, arrisca-se em situações e faz o improvável.

Os gays são diversos por natureza e nem preciso elencar os motivos. Não adianta insistir com parceiros problemáticos e indecisos.

Há quem diga que o homem passivo se apaixona facilmente, tudo mentira. Conheço ativos que caíram de quatro por parceiros 100% passivos. Ninguém tem controle sobre os segredos do coração, ou seria da mente?

Os casais em relacionamento estável reclamam da falta de apetite sexual dos parceiros. Simples, acabou o tesão! Fica com ele porque assimilou a relação, não quer viver sozinho, virou amizade, tem medo de enfrentar o mundo, tem dó, pena e outros tantos sentimentos de piedade. Às vezes é caso de amor. Poxa vida! Lembre-me novamente do amor platônico.

Outra situação comum. Seu parceiro olhou para outro. Olhar não tira pedaço de ninguém, afinal apreciar a beleza humana é uma arte, mas se rolou sinais ou toques, pode ter certeza de que ele quer experimentar outro corpo e aí o seu par está buscando um substituto para a cama, dele é claro!

Uma parcela de gays gosta de variar e transar com mais de um parceiro ao mesmo tempo. Eis aqui o motivo de hoje se falar em relação aberta. A individualidade abre um leque de possibilidades. Eu não tenho nada contra, é cada um no seu quadrado.

Há exceções, mas os jovens são volúveis, inexperientes e suscetíveis a mudanças comportamentais, logo, trocar de parceiro é algo normal, porque a novidade aguça a mente jovem. Já os mais velhos são experientes e sabedores das consequências de mudanças bruscas. São mais estáveis em suas relações, mas não são santos e pular a cerca é apenas questão de oportunidade.

Ninguém é 100% honesto, nem consigo nem com o parceiro. Isso é da natureza humana. O sujeito te dá corda na balada, começa uma relação e após te conhecer arruma qualquer desculpa e cai fora. Assim, sem mais nem menos, para você é claro! Para ele é normal.

Os gays estão sempre na busca do parceiro ideal, só que não existe o homem ideal e todos têm defeitos. Às vezes até a voz pode irritar o companheiro. Exigimos demais dos outros e não cuidamos para aparar arestas dos nossos defeitos.

Para saber se ele está a fim de você fique atento aos sinais corporais e comportamentais. Passada essa fase vem a fase do diálogo e da conversa.

O diálogo deve ser franco, honesto e sem melindres ou rodeios. Às vezes é melhor ser visto como um chato, mas honesto, do que um gay maravilhoso, mas falso. Nossa vida e nossas relações são pautadas por atitudes.

Um amigo escreveu esta semana numa rede social:

As palavras não podem explicar tudo e é por isso que existem as músicas, as cores, as paixões, os olhares, as caretas, as carícias, as lágrimas, os sorrisos e os beijos.

Isso é atitude!

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As paqueras gay de antigamente

Gay maduro e a vida sexual recheada de novos parceirosQuando o assunto é paquera, posso afirmar que muita coisa mudou e os tempos atuais proporcionam rápidos encontros para sexo ou algo mais. Basta registrar o número do telefone no WhatsApp e um mundo se abre ao alcance das suas mãos.

Obviamente, a paquera depende das preferências, principalmente quanto à idade, pois há um leque diverso de possibilidades.

Recordo-me de outros tempos onde a paquera era muito difícil e restrita. Não havia nem telefone e os poucos aparelhos privados eram privilégio de poucos. Depois vieram os telefones públicos, sim, aqueles onde se colocava uma moeda e se comunicava com o interlocutor por alguns minutos.

Na minha juventude a forma mais comum de paquera, era procurar homens nas ruas, praças e alguns poucos locais de socialização de homossexuais. Era um tiro no escuro e eu nunca sabia se daria certo ou não.

Caramba! Como me dei mal em muitas situações. Uma vez olhei para o bofe e encarei, ele deu corda até o momento que me aproximei. Dali para a frente foi baixaria, agressões verbais, enfim, uma vergonha!

Eu nunca apanhei de bofe e aprendi cedo a me defender.

Situações constrangedoras sempre existiram, mas buscar parceiros nos espaços da cidade era coisa do tempo das cavernas. Os raros olhares nas ruas e praças eram indícios de que existiam alguns poucos homens iguais a você.

Quando havia o contato, os desencontros eram infinitos. Não havia afinidade, tipo: Sou ativo e só como ou sou apenas passivo, ou gosto de homens mais velhos ou de mais novos. Ainda, prefiro gordos ou magros. Tem que ter pelos e cabelos castanhos. Não gosto de careca, nem de efeminados.

Às vezes você tinha que mostrar o pau antes de sair para uma transa – Vamos até um banheiro pois eu preciso conferir se você tem o cacete que me agrada.

Eis aí o motivo para eu definir como tempos das cavernas. Talvez, hoje ainda exista esse tipo de situação, mas mostrar o cacete para arrumar um parceiro é no mínimo degradante ou não? Pois sempre tive a sensação de ser mercadoria num mercado de peixes.

Esse tipo de exposição ainda é comum nos banheiros públicos das cidades. É o local ideal para olhar um belo cacete, obviamente, para aqueles que são fissurados por gebas monstruosas, grandes e desengonçadas.

Mas falando em paquera, a primeira condição adversa era encontrar o par ideal, coisa quase impossível porque os homossexuais viviam escondidos nos guetos. Chegar até lá era uma maratona de adversidades e enfrentamentos para não ser descoberto, além dos conflitos de aceitação.

Até você criar coragem decorriam meses, às veze anos. Quando finalmente você decidia enfrentar a situação, se deparava com um mundo estranho, de pessoas estranhas, bizarras, caladas e até mau encaradas. Não era o circo dos horrores, mas era um mundo enigmático e quase indecifrável de pessoas simples até as mais excêntricas.

A paquera comum ocorria nos bares frequentados exclusivamente por homens. Um ambiente onde os gays chegavam ao cair da noite e por lá ficavam até a madrugada ou ao raiar do dia.

À noite todos os gatos eram pardos e as mariposas faziam a alegria do lugar. As afinidades eram quase nulas porque ou você se dava bem ou virava carne de vaca.

A comunicação ocorria entre garrafas e mais garrafas de cerveja ou cachaça, bebidas comuns dos bares. Os mais esnobes tomavam Whisky e bebidas adocicadas, aliás os mais esnobes eram mais mariposas do que gatos, dada a delicadeza como seguravam seus drinks e a forma como verbalizavam seus discursos.

Enfim, não sei se consegui montar o cenário daqueles bares neste último parágrafo, mas assim eram os seus personagens.

Aí, você fazia uma amizade, o cara contava os seus problemas e você os seus. Passavam-se semanas e as conversas não evoluíam porque não havia afinidade para algo mais.

Quando você menos esperava já estava noutro canto do bar conversando com outro homem e jogando conversa fora. Às vezes acontecia de você se entregar para saciar os seus desejos, mas na semana seguinte lá estava você, novamente sozinho e livre para novas paqueras.

O círculo era vicioso e não levava a lugar algum. Era apenas para passar o tempo e socializar, mas era a melhor escola da vida para qualquer gay.

Dificilmente você arranjava um parceiro para além de uma noite. Era um puteiro disfarçado de bar, aliás, todo puteiro tem um bar e não é no puteiro que você encontra o príncipe encantado, mas existiam alguns poucos casais afirmando-se em relações mais estáveis.

É preciso registrar algo importante sobre aquelas paqueras. Independente da inconstância, das neuroses e do hedonismo, os homens eram mais educados e gentis.

Recordo-me de ocasiões onde fui cortejado por outros homens em disputas saudáveis, sempre com muito respeito e educação. Coisa rara nos dias atuais. Já este que vos escreve sempre foi atirado e decidido nas paqueras. Era oito ou oitenta, mas sempre respeitando o semelhante.

Fora das grandes cidades, na praça da cidadezinha do interior, os rapazes gays, nas noites de sábados e domingos, enfileiram-se em volta do coreto, com o fito de paquerar aqueles que desfilam por ali.

Como as tecnologias eram raras, outra forma corriqueira de paquera eram as correspondências escritas, através da seleção de anúncios de revistas. Aqueles que buscavam parceiros para algo além do sexo, submetiam-se às longas esperas das correspondências que demoravam séculos para chegar, principalmente, se fosse de outra cidade ou estado.

O que sobravam das paqueras? Alguns bons e verdadeiros amigos.

Bons tempos que não voltam mais

Nota: a paquera é uma gíria que se incorporou ao vernáculo

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O romantismo gay

raphael_perezSer romântico pressupõe uma qualidade que nem todos os seres humanos possuem porque o romantismo está vinculado às emoções. É uma característica que aflora ao longo da vida, nas relações pessoais e nos seres que se apaixonam por outro.

Atualmente no meio gay esta é uma característica que está um pouco adormecida, mas não esquecida, talvez por conta de todas as mudanças sociais das últimas décadas, ou porque é próprio do século que vivemos. Dizem até que ser romântico é brega e está ultrapassado, será?

Eu, particularmente, acredito que não, pois ser romântico é pertencer à arte do sonho e fantasia, é ter fé, paixão, intuição, saudade.

Um leitor do blog me escreveu sobre as dificuldades em manter uma relação com um homem maduro e até acredita que nasceu na época errada. Diz que os homens são frios, mal educados e nada românticos.

Suas principais queixas são relativas à falta de interesse dos parceiros que querem apenas sexo e depois caem fora. Relatou a sua frustração com o mundo atual, tudo descartável, falta de respeito, cuidados, atenção e principalmente diálogo.

Recordo-me uma vez andando pela rua eu cruzei com um coroa bonitão, cabelos grisalhos, vestindo paletó e gravata. Ele olhou e veio na minha direção com galanteios e dizendo que eu era um tesão e queria transar comigo.

Eu apenas ouvi o que o homem dizia, ele até tentou ser romântico, com um convite para um jantar à luz de velas, um passeio ao luar e apenas nós dois juntinhos na sua casa na praia do Guarujá. Ao final daquela cantada me entregou um cartão e seguiu seu caminho. Nunca telefonei ou procurei o gostosão porque tudo o que ele me disse foi para impressionar, talvez ele fosse romântico e galanteador, mas queria sexo urgente. Ninguém é romântico no primeiro encontro

Foi-se o tempo das paqueras, das longas conversas onde se conhecia o parceiro, as intenções, as afinidades, tanto sexuais quanto pessoais. Não sou saudosista, mas até os últimos anos do século passado, as relações, inclusive heterossexuais eram mais românticas.

Outro caso ocorreu em 1977. Eu trabalhava numa empresa e todo dia passava no bar da esquina para tomar café. Eu sempre observava um senhor português que todo dia estava no balcão. Ele era o meu homem ideal e fiz de tudo para me aproximar.

Finalmente após três meses conversamos e rolou uma química. Dali para a sua casa levou mais dois meses e foi apenas para conversar e tomar uma cerveja. O sexo aconteceu no sétimo mês no seu apartamento na Ilha Porchat, litoral de São Paulo.

Naqueles meses nos encontramos diversas vezes, saíamos para passear nos finais de semana, íamos ao cinema, jantares em cantinas da cidade, inclusive, numa delas à luz de velas por conta de um blecaute em São Paulo. Ele era romântico, carinhoso e tinha todo o cuidado comigo.

Naquele período nos conhecemos bem, cada qual com seus desejos, frustrações, medos e sonhos. Ele por ser mais velho tinha receio de ser usado e depois descartado, porque buscava o amor romântico. Foi uma relação legal e nos tornamos amigos.

Enfim, fui servir o exército e mantivemos nosso relacionamento por um ano.  Uma vez por mês ele ia ao quartel me levar cigarros, até que por circunstâncias da vida cada qual seguiu seu caminho e sem mágoas.

Se você é do tipo romântico não mude sua maneira de ser, mas controle o tesão, conheça o parceiro, análise, veja as variáveis, porque cada ser humano é único, com mil defeitos e muitas virtudes. Também, seja quem você é e não o que os outros esperam de você.

Mesmo sendo romântico não dá para sair por ai se entregando ao primeiro que aparece. Essa coisa de se apaixonar no primeiro encontro é coisa de adolescente. Os gays têm tantas carências afetivas que ficam fragilizados, tanto na juventude quanto na velhice.

Não porque o homem é um deus grego que você vai se humilhar e rastejar aos seus pés. Em geral os gays se deixam levar por falsas promessas. O corpo e a aparência prevalecem e a razão fica em segundo plano. Mesmo os românticos devem equilibrar a racionalidade com as emoções.

É preciso identificar quando alguém quer apenas sexo, pois ninguém consegue mentir sem cair em contradições. Há gays que mesmo buscando apenas o sexo, são românticos, porque romantismo não é sinônimo de relação estável. O romantismo acontece principalmente quando há envolvimento emocional entre os parceiros. Aos apaixonados ficam as lições de vida!

Não podemos esquecer dos gays que são excelentes atores na arte de dissimular uma paixão, aí não tem jeito, você vai cair no conto do príncipe encantado.

Observe ao seu redor e perceberá a falta de diálogo entre as pessoas, todos querem resultados imediatos, inclusive para relações mais estáveis. As pessoas não mudaram o que mudou foram os costumes, porque o individualismo é marca registrada deste século, logo os interesses não são comuns e sim pessoais.

Vivemos no século da comunicação, tudo online e ainda assim há problemas de diálogo e há carência de afetos. Isso não quer dizer que não existem relações românticas, porque os românticos estão perdidos na multidão.

Romantismo pressupõe compartilhar momentos e ninguém consegue ser romântico para si mesmo, mas idealiza encontrar um homem para praticar o romantismo e viver uma história de amor.

Identifica-se os românticos  nas relações estáveis e duradouras, por questões óbvias. Quem ama sabe ou aprende a ser romântico com a pessoa amada.

Se você está apaixonado ou ama outro homem e é correspondido, você é um privilegiado!

Mais um leitor escreveu: sou simpático, romântico, sincero, amigo e carinhoso, mas ninguém quer um gay extraterrestre.

Eu disse a esse leitor que esse discurso é padrão no meio gay, principalmente, aos que gostam de homens mais velhos e aos que estão com autoestima baixa e até parece anúncio classificado pessoal comum na Internet.

Outro leitor me escreveu: Regis é tão confuso ser gay! Imagine ser gay romântico?

Eu respondi: que nada! Ser gay é natural e ser romântico demonstra que você não faz parte da maioria deles.

Ser romântico é uma arte! Eu me considero romântico e não espero reciprocidade do meu companheiro, porque nem todos são iguais e e lá se vão quase oito anos de relacionamento.

Publicado em Comportamento, Sexo

O gueto como referência aos gays

gueto_gay_no_mundoCaro leitor dos Grisalhos, há quinze anos nós vivemos no século XXI e parece que nada mudou.

O subconsciente coletivo dos homossexuais do nosso século ainda guarda resquícios e memórias do século passado onde os gays foram confinados em guetos.

Em geral, os gays reclamam que os coroas querem apenas sexo e que buscam apenas os jovens bonitos e de corpos sarados. Isso acontece porque os gays buscam homens para relacionamento nos guetos, principalmente, os mais jovens que estão aprendendo a socializar.

Quem gosta de coroas e quer mais do que uma relação sexual não vai encontra-los nos guetos e se encontrar, eles estão lá para buscar parceiros para sexo, logo a beleza física e os dotes são essenciais e quem não possui essas características está fora do mercado.

Ao longo das últimas três décadas o gueto ampliou suas fronteiras, além dos bares, boates, saunas e cinemas, ele invadiu as praias brasileiras e principalmente a Internet.

Quem busca relacionamentos via Internet, invariavelmente, vai encontrar apenas o mercado do sexo, seja em sites de relacionamento, salas de bate papo ou redes sociais.

Aqui no blog, todo dia eu deleto dezenas de comentários de leitores que fazem seus anúncios pessoais, com e-mail, telefone de contato, descrições físicas e preferências sexuais. O chamado: anúncio classificado. Porque isso acontece? Porque nas buscas do Google quando se digita gay maduro ou idoso, o blog dos grisalhos é referência nacional.

Breve viveremos mais um verão brasileiro e as praias estarão lotadas de pessoas e lá estarão os gays fervendo nos quiosques e points de badalação. Quem busca gay maduro ou idoso nas praias poderá até encontrar um parceiro para um relacionamento, mas sempre prevalecerá o mercado do sexo. Pense comigo: Os gays nas praias querem olhar homens bonitos de corpos perfeitos. Se você não tem essas características está fora. Pode até rolar um sexo eventual, mas você será descartado.

Os gays residentes em cidades do interior de qualquer parte do Brasil sempre viajam para os grandes centros urbanos em busca de liberdade e da possibilidade de um encontro homossexual, ou não?

Quem curte homem maduro vai às quintas-feiras ao ABC Bailão em São Paulo ou ao La Cueva no Rio de Janeiro, para que?

A maioria dos gays frequentadores de Parada Gay ou carnaval da sua cidade quer o que? Expressar sua homossexualidade, seus afetos e paquerar.

Os poucos e imundos cinemas de pegação dos centros velhos das capitais ainda resistem ao tempo, por quê?

Pegação é sinônimo de sexo e as saunas, parques e banheiros públicos ainda são referência quando o assunto é sexo homossexual.

Fora do gueto a coisa é muita estranha, porque os gays maduros e idosos estão inseridos em todos os espaços e a probabilidade de encontra-los é pequena, a maioria está em relacionamento estável, não é assumido, tem hábitos próprios da idade e vivem no armário, logo, é figurinha difícil de encontrar.

Leia o meu artigo: Porque os gays maduros são assim? ou este outro: Por onde andam os gays maduros e idosos?

A seguir um trecho de uma resposta do João Silvério Trevisan, de uma entrevista para a Revista Cult em 2010:

Eu frequento o gueto, tenho receio de que leve a uma demarcação de territórios – mas sei que ele é necessário. Se eu for com meu namorado ao gueto, posso beijá-lo; mas se eu fizer isso em uma boate hetero ou em um restaurante, o segurança vai me botar para fora ou eu vou ser repreendido pelo garçom – tanto que as pessoas estão forçando a barra para expressar seus afetos em público, apoiando-se nas leis anti-homofóbicas que existem.

Fora do gueto, você corre riscos, pois o campo da sexualidade é muito propício para a eclosão de demônios e existe uma enorme quantidade de pessoas doentes por homofobia. A existência do gueto, portanto, é um mal menor. A ideia é que o gueto se amplie a tal ponto que as suas fronteiras desapareçam.

Um ótimo fim de semana e feriado a todos!

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O coroa, o filhão e a reinvenção do gay idoso

1776594109-ensaio-traz-casais-gays-dos-anos-80-3348304035-323x479Outro dia lá na chácara eu me pus a pensar porque o gay idoso é tão cobiçado pelos mais jovens. Sei também, que são pretendidos por gays maduros e até mesmo por outros idosos. Neste texto vou explorar apenas as relações entre os coroas e os jovens.

Existem no universo homossexual vários tipos de relações e uma delas é o garoto gostar de homens mais velhos, em contrapartida, os mais velhos procuram os mais novos, principalmente, por conta da juventude e beleza física.

Os garotos que curtem coroas e maduros buscam a experiência dos mais velhos, idealizam relações mais significativas e mesmo sendo jovens até sonham com relações duradouras, mas a realidade mostra-se muito diferente por incontáveis razões que não vem ao caso relatar aqui.

Atualmente os jovens buscam muito mais do que uma relação para curtir, para ficar ou para fazer sexo. Ficar por ficar, se envolver com o coroa apenas para fazer sexo é uma forma desvalorizada pelos garotos, exceção aos profissionais do sexo.

Pensar que hoje, ser coroa diz respeito a um tipo muito mais definido por seus atributos emocionais e por sua trajetória de vida do que exatamente por sua idade – É o que eu chamo de Reinvenção do Gay Idoso.

Em termos gerais é correto dizer que o coroa é associado aos quarentões e cinquentões acompanhados de qualidades, de personalidade e de competências emocionais relacionadas à estabilidade, experiência e maturidade.

No mundo gay são comuns algumas formas de tratamento usadas nas relações íntimas entre os coroas e os jovens: paizão, paizinho, tio, tiozinho, filhão, filhote e até bebê; apesar dessas denominações terem uma relação de afetividade, na verdade é uma forma de hierarquia, ou não?

Quando se fala de gay maduro entenda-se como outra categoria para o coroa. O filhão se caracteriza por ter uma cabeça boa, ser maduro, a respeito da sua pouca idade, situada, aproximadamente, entre os 20 e 30 anos, embora haja coroas que afirmam que há muitos rapazes mais novos, com menos de vinte anos, que os procuram para sua iniciação sexual, assim como, por outro lado, encontra-se filhões com mais de 30 anos de idade.

O coroa dispõe de um capital erótico ambíguo. É um gay de idade indefinida, mas com sinais visíveis do envelhecimento. O cabelo grisalho, as rugas, a barriga saliente, os movimentos mais lentos. Tipicamente, parece ser o homem maduro de modos viris, que tem saúde, disposição física, apresentação pessoal e dinheiro suficiente para frequentar espaços do circuito gay, encontrar amigos, beber, se divertir e também tentar a sorte no mercado da paquera. O coroa é, portanto, a figura que encarna a representação mais positiva do gay idoso, contrapondo-se às representações associadas à velhice.

Para o filhão, o coroa tem que ter caráter, maturidade e experiência e ao mesmo tempo tem que se cuidar, principalmente da aparência. Os garotos esperam deles habilidades eróticas e afetivas: eles acham que os coroas sabem iniciar o cara sem dor e o cara gostando. O que não deixa de ser verdade.

A virilidade também é uma característica associada ao coroa. Mesmo que nem sempre na relação sexual o coroa desempenho o papel de ativo.

Os coroas também exigem dos garotos discrição, que sejam másculos, mesmo que sejam passivos; que queiram envolver-se em relacionamentos mais estáveis, que estejam dispostos a retribuir dedicação, empenho e fidelidade. Em troca os coroas dão aos jovens a oportunidade do aprendizado e da convivência social, alguns dão carro e roupas, outros, estudos e até moradia.

Um fator decisivo, a meu ver, que permite compreender essas relações é como essas situações coexistem sem muitas perdas e onde todos ganham. Obviamente, há perdas e os garotos reclamam que os coroas querem apenas sexo, já os maduros reclamam que os garotos são volúveis e ao se deparar com uma situação melhor, pulam de galho em busca de melhores parceiros.

Nesse redemoinho de situações, eu observo as mudanças comportamentais, principalmente, dos coroas. Talvez nessa primeira geração de gays idosos, nossos contemporâneos, se tornou possível conceber a vivência legítima de uma vida amorosa como experiência possível para esses “novos” senhores.

gay_idoso_5Pense comigo: Essa é a primeira geração de LGBTs maduros e idosos que podem expressar seus desejos e identidades, para além dos limites da clandestinidade vivida até o inicio dos anos 90. Eu vivi a minha adolescência e parte da vida adulta naquele cenário repressivo e clandestino e não era nada fácil as relações homossexuais, principalmente, entre jovens e maduros. Se hoje as relações entre jovens e coroas duram em média um ou dois anos, naquele tempo duravam semanas ou alguns meses.

Ainda assim, nos dias atuais, em sua maioria, essas relações não sofreram grandes mudanças. Ainda se percebe o anonimato, a manutenção da vida dupla, tanto do coroa quanto do jovem por questões familiares e é mais comum do que imaginamos, encontrar coroas casados e que querem ter relações estáveis com garotos.

Outro dia eu ouvi o seguinte depoimento de um gay cinquentão e casado: Eu quero encontrar um jovem que queira me fazer sentir amor, pois família e filhos, isso eu já tenho. Eu quero alguém dedicado a mim, enfim, eu quero viver uma história de amor.

Os coroas que gostam de garotos entre 16 e 19 anos sabem que a relação não será duradoura, logo, é o sexo pelo sexo – é a iniciação sexual do jovem e a satisfação sexual do coroa.

Os coroas casados e com filhos buscam nos jovens o sexo homossexual e o anonimato, preservando as relações familiares já estabelecidas. São raros os casos de divórcio para viver um grande amor.

Os coroas ciumentos que gostam de garotos já viveram muitas relações e as perderam por possessão e incompatibilidades.

A situação mais comum são os coroas que gostam de demonstrar poder em relação aos garotos com quem tem relacionamentos sexuais. Na verdade esse comportamento tem a ver com a não aceitação da homossexualidade e os coroas descontam suas frustrações nos jovens.

Moral da história: Acabam sozinhos e abandonados pelos garotos, não conseguem manter relação estável, vivem em bares e saunas buscando o sexo, para preencher o vazio de suas vidas.