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Livro: Devassos no Paraíso – 4ª edição

devessos no paraisoCaro leitor, finalmente depois de 18 anos, está pronta a 4ª edição do livro Devassos no Paraíso – A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade.

Esta nova edição foi revisada e atualizada, portanto, quem não tem, corra porque o lançamento está previsto para agosto/2018 e poderá ser adquirido nas tradicionais livrarias online do Brasil e tem até edição digital.

Vale lembrar que a primeira edição é de 1986 e a última é de 2000, e todas as edições anteriores estão esgotadas. Ver artigo de 2010

Comentários de Peter Burton, Gay Times:

O livro mais completo sobre a história da homossexualidade brasileira, em edição revista e ampliada.

Num frutífero diálogo com diversos campos de conhecimento e expressões de nossa cultura — o cinema, o teatro, a política, a história, a medicina, a psicologia, o direito, a literatura, as artes plásticas etc. —, João Silvério Trevisan constrói o mais completo estudo sobre a homoafetividade no Brasil.

Considerado um clássico, Devassos no Paraíso passou por mais de uma geração, provocou intensa interlocução com a comunidade LGBT e influenciou desde ações emancipatórias até novos estudos e abordagens sobre gênero e sexualidade.

Agora, esse monumental trabalho chega à sua quarta edição trazendo mais capítulos, imagens e texto atualizado sobre as lutas e conquistas dos direitos LGBT ocorridas no século XXI.

O Tabu da homossexualidade é um dos mais sólidos entraves morais de nossa sociedade. Ativista pioneiro do movimento LGBT, João Silvério produziu uma obra apaixonada e engajada porque acredita que, assim como cada discurso homofóbico alimenta a violência e a intolerância, toda consciência que se movimenta em busca da emancipação inspira outras consciências. E Será desse jeito que uma sociedade mais justa e menos homofóbica surgirá.

“Devassos no paraíso é, ao mesmo tempo, sério, informativo e divertido.”

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Publicado em Comportamento, Sexualidade

A exclusividade e o parceiro ideal

Gay maduro – quando a diferença de idade é o problemaA maioria dos gays já sentiu a vontade de viver uma relação ligeira e passageira com outro homem, mas ainda permanece a ideia da exclusividade e do companheiro ideal.

Na minha humilde opinião não existe o parceiro ideal porque tudo na vida muda e se transforma a cada dia. O que hoje é uma relação estável pode se desestabilizar e terminar no dia seguinte, ou, por morte do parceiro, desinteresse sexual,  ou fim do amor e aí o que fica e quando fica é apenas a amizade e mais uma experiência de vida.

Nascemos com a curiosidade pelo novo e diferente e quando conquistamos essa coisa nova nos tornamos senhores da exclusividade. Os gays brasileiros são românticos por natureza, mas o sentido de posse vem das nossas origens familiares. Temos que possuir bens, patrimônio e também pessoas.

O mundo mudou e o século XXI é marcado pela prestação de serviços, logo, o quesito relacionamento entre gays segue esse mesmo conceito. Não estou fazendo apologia ao frívolo, mas é fundamental viver um dia de cada vez. É legal sonhar e fazer planos, mas não temos o controle sobre as vontades do outro.

Ninguém é dono de ninguém e buscamos mais a amizade do que a relação sexual. Sexo é bom, mas chega um momento da relação que fica chato e sem o devido tesão e aí partimos para novas conquistas porque lá no fundo do subconsciente precisamos nos sentir vivos, amados, desejados.

Não estou falando de traição, mas da busca por novas relações mesmo que efêmeras, pois quando nos sentimos sozinhos saímos à procura de alguém para chamar de seu. O sexo se confunde com a amizade e a amizade se confunde com relação estável e na fragilidade de nossas emoções nos entregamos aos parceiros de uma forma banal e até submissa.

Cá estou aqui no interior curtindo a natureza e escrevendo essas coisas que para muitos não tem nexo, mas pergunto: Qual o sentido da vida? Antes de sermos gays somos seres humanos, máquinas complexas e nem sempre decifrável.

O universo dos gays idosos é limitado e quando aparece um parceiro, busca-se mais a segurança no outro do que o prazer de viver a terceira idade em sua plenitude, com sexo saudável e mente sã.

Um amigo confidenciou que por traz da sua homossexualidade existe um desejo insano de ter um companheiro, preferencialmente mais velho para viver uma vida a dois, mas sem sexo. Isso é muito estranho, mas os psicólogos indicam haver neste comportamento a falta do pai, do irmão, de amigos e de outras pessoas do sexo masculino. Quem busca um companheiro e não quer sexo envolvido na relação? O mundo está repleto de carências afetivas e fetiches.

A busca por parceiros sexuais é a situação mais normal do mundo e mesmo que não haja a exclusividade o que importa é a experimentação do sexo porque quem passar por esta vida sem uma relação sexual de fato, não viveu.

Exclusividade e parceiro ideal são sonhos que todos já tiveram principalmente os mais jovens. Na maturidade todas essas questões já deveriam estar resolvidas na cabeça de cada um, porque a vida não é composta apenas da busca por parceiros, há uma infinidade de coisas para fazer, mas infelizmente a maioria dos gays ainda não resolveu a questão e continuam numa busca infinita por exclusividade e parceiro ideal.

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Sauna Camões no Porto em Portugal

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Sauna Camões – Imagem Alexandre

Caro leitor, eu guardei este texto para publicar no dia quando eu me aposentasse. Enfim, esse dia chegou, pois desde o começo de outubro estou fora do mercado de trabalho e sobre isso contarei noutro artigo.

O meu correspondente é o Alexandre do Rio de Janeiro. Hoje trocamos mensagens por WhatsApp, mas agora vou ter tempo para agendar um encontro para um café.

É gratificante saber que através dos escritos do blog, jovens gays, maduros e idosos tem a possibilidade de resolver as neuroses da homossexualidade e como disse o Alexandre no texto: é quase um trabalho humanitário, pois este é o objetivo dos meus escritos desde 2009.

Eis o texto:

A cidade do Porto em Portugal, país com uma enorme concentração de gays maduros casados por metro quadrado, e acho que a maior concentração que eu conheço de coroas bonitos.  Na ditadura Salazar ser gay era crime e poderia dar em prisão ou morte, então era melhor casar sob as bênçãos da santa igreja e a conivência da sociedade. Todos os gays estavam sob o medo de que alguém poderia denunciar então confiar em quem?

As leis mudaram muito e hoje o casamento é igual para todos. Mas, a mentalidade dos gays maduros não acompanhou esta evolução e a sociedade também não mudou muito os seus preconceitos.  Por lá, aparentar ser gay é para a maioria, gays ou não, um fato a ser evitado a todo custo, pelo menos socialmente.

Os mais jovens já ousam um pouco mais e dão menos importância aos rótulos. Lisboa que é mais cosmopolita há mais espaço, lugares, mas no interior e no Porto, cidade que visito frequentemente, “o buraco ainda é mais embaixo”.

Lá, eu tenho dois amigos casados e proprietários de uma das duas saunas da cidade, a Sauna Camões. Os proprietários, Manuel e José, trabalham muito para manter a casa num padrão aceitável para os frequentadores gays maduros casados, que após uma mudança de endereço e ampliação do espaço recebe mais clientes “diferentes” dos costumeiros gays maduros casados de sempre.  A abertura dos gays maduros de sempre para novos visitantes e estrangeiros é feita com muita cautela, quando é feita.

Eu tenho repassado os posts do Blog Grisalhos para os meus amigos portugueses. Na minha ultima visita eu sugeri que os posts fossem impressos, colocados em uma pasta para ficar em local acessível na sauna à disposição de quem se interessar.  E assim foi feito. Em todas as impressões são informadas a fonte: o endereço do blog; e a sua autoria “por Regis”. Acreditamos que aos poucos os assuntos tratados possam ajudar aqueles senhores serem um pouco mais livres, não com a sociedade, mas com eles mesmos.

Assim Regis, eu estou informando que os seus textos também estão além-mar. Esperamos que você não se oponha a isso e considere como uma ajuda humanitária para um grupo que sofre, considera isso normal e nem sequer sabe que precisa de ajuda.  Em caso contrário, ouviremos você com a maior atenção e acataremos a sua decisão.

Também eu gostaria de conhecê-lo: conversar, bebendo uma cerveja ou toma um café… Mas atenção, isso não é uma cantada; é um desejo que eu acredito compartilhar com vários leitores do blog. Como eu sei que se você for beber cervejas com todos vai ser péssimo para sua saúde, a minha sugestão é para que você pense sobre a possibilidade de fazer algumas palestras, em São Paulo, aqui, ali…

Há várias empresas em São Paulo que fazem o trabalho da organização de eventos como esse e conseguem preços acessíveis aos participantes. A você caberia a escolha do tema e a disponibilidade de dia e hora.

Deixo esta sugestão e o desejo de que 2017 seja um ótimo ano para Você e para o seu Companheiro.

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Desejo sexual por idosos: Até onde é natural?

filmes_9282_Shortbus02Caro leitor, hoje vou tratar de um tema delicado, quase tabu. O gosto e os desejos de homens por homens, exclusivamente, idosos. Obviamente, não vou explorar todas as variáveis, mas focar até onde é natural ou patológico.

A nossa sociedade vê como anormal um homem gostar de outro homem e é mais anormal ainda, gostar de homem idoso com diferença de idade superior a quarenta anos.

No meio gay é comum jovens até 24 anos relacionar-se com idosos com mais de 65 anos. Observe aqui a diferença de idade superior a 40 anos. Também aquele trintão gostar de idosos acima dos 70 ou 75 anos. Essas relações são amores brutos, fortes, apaixonados, quase loucos e naturalmente saudáveis ou doentios.

Sabemos que os gays mais velhos em geral têm preferências por homens mais jovens e se o homossexual jovem aceita relacionar-se com um idoso com diferença de idade acima de quarenta anos, ou é michê (práticas sexuais alternativas) ou gosta e ama idosos naturalmente logo, é gerontófilo.

Sexólogos, psicólogos e psiquiatras chamam esta prática de gerontofilia que significa amor por idosos, seja heterossexual, bissexual ou homossexual e pode ser normal ou não.

O interesse amoroso de jovens gays, exclusivamente, por homens em média 40 anos mais velhos e o desejo sexual por características físicas próprias da velhice como: cabelos brancos, pele flácida e enrugada podem ser sinais de gerontofilia. No meio acadêmico não há consenso, porque a atração patológica é uma parafilia – categoria de distúrbios psíquicos que se caracterizam pela preferência por práticas sexuais incomuns, como o sadomasoquismo, o voyeurismo e situações bizarras.

A diferença de idade por si só não caracteriza o transtorno que é diagnosticado quando existe discrepância vulgar e o gay não consegue ter relações pessoais e sexuais na mesma faixa etária próxima à sua. Seria natural jovens gostarem de jovens, mas não é assim que funciona. Gays de todas as idades gostam e se relacionam com homens de qualquer idade.

Durante a minha vida eu observei a atração dos gays por homens mais velhos e na maioria das vezes as relações ocorreram por admiração à experiência, naturalmente adquirida com o passar dos anos e, claro afinidades e atrativos físicos. Isso não caracteriza nenhum transtorno, pois o gerontófilo, por sua vez, é motivado por desejos infames de manipulação por perceber o idoso como alguém vulnerável. Amo, é meu e faço dele o que quiser.

Quando um jovem se relaciona com um idoso e a relação chega ao fim, normalmente o jovem não aceita o fim do relacionamento, ele sofre bastante e dependendo do grau de sofrimento chega aos extremos de intimidar e ameaçar o ex-parceiro.

Também, observei jovem abusando do parceiro idoso, fazendo chantagem emocional, chantagem material, além da exposição pública da homossexualidade, para obter vantagens. Esses caras não gostavam de ser contrariados e tinham traços de personalidade infantil e conflitos sexuais. Por isso abusavam do idoso para obter satisfação no sexo e bastava um simples olhar para perceber haver transtornos de personalidade antissocial e até outras doenças como a esquizofrenia.

Os gays nesta condição nem sempre são capazes de identificar os sinais do problema. Por isso, familiares e amigos é que vão perceber que o desejo virou obsessão.

Sabe aquele jovem gay de vinte anos que ama de paixão o idoso e diz não conseguir viver sem ele? Pois é, a obsessão é um dos problemas. Ele corre atrás, telefona toda hora, desconfia do coroa, não dá espaço, faz marcação cerrada e não permite ao idoso manter interações sociais. Invariavelmente, há ou houve violência física, verbal ou psicológica – Isso é doença!

Para diferenciar um relacionamento patológico do saudável, é preciso observar as motivações de cada um, principalmente do mais jovem. Para o idoso que gosta de corpos belos, jovens e esculturais tudo é natural, aliás, este é quase um padrão no meio gay.

O envelhecimento e as mudanças biológicas associadas à sexualidade na velhice não impossibilitam relações saudáveis com jovens adultos. As relações românticas e sexuais entre gays conscientes de suas escolhas são maravilhosas, mas existem as relações perversas e inconscientes.

As fantasias são consideradas perversas quando chegam ao ponto de exigir a participação do outro sem consentimento e envolver humilhações. Gays idosos são submetidos a situações bizarras e sem o seu consentimento. Quando o interesse sexual incomum se torna insubstituível, é preciso procurar ajuda, mas nenhum gay procura ajuda porque pensa ser normal.
A gerontofilia pode ter origem na infância ou na adolescência. Torna-se mais frequente na fase adulta e costuma persistir por toda a vida. O gerontófilo crônico chegará aos 60 anos e vai ter loucura e fixação por idosos acima dos 80 anos.

Por ser um transtorno psicológico, o gerontófilo vive em situação de conflito e angústia, pois, por mais forte que sejam seus desejos, precisa reprimi-los. Dessa forma, pode sofrer de depressão.

Se o jovem gay manifesta o que quer, sofrerá com o preconceito, inclusive no meio gay, pois os próprios gays tratam deste assunto como perversão. É comum conversas em grupos tratarem desta situação de uma forma depreciativa: Olha lá o viadinho com o coroa, que mais parece ser o avô.

Ninguém em sã consciência acha que tem distúrbios da gerontofilia, mas pode existir e em existindo a psicoterapia é uma opção que deve ser levada em conta. O uso de medicamentos para conter os impulsos e o desejo sexual deve ser alternativa para um segundo estágio e para casos mais graves, afinal estamos no século XXI.

Nota: Este tema foi indicado por nosso leitor Roger que escreveu falando sobre o tema.

Publicado em cotidiano, Sexualidade

Em algum momento da vida desejei ou desejarei outro homem

casa_gay_maduroCaro leitor, cá estou após prolongadas férias, de volta ao trabalho mesmo aposentado e com a agenda diária repleta de atividades.

Durante minhas andanças revi pessoas e parentes, conheci novos lugares e revisei minha vida, passado e presente. Acho que estou no caminho certo para o envelhecimento, senão na parte física pelo menos na parte psicológica.

Também refleti sobre conceitos e visões que eu tenho de tudo à minha volta, inclusive, sobre sexualidade.

Obviamente, as experiências de vida de cada um são únicas, somos seres impares e possuidores de um senso de adaptação fenomenal!

Ninguém é 100% heterossexual, bissexual ou gay. Esta definição é minha e não tem nenhuma relação com a escala Kinsey.

Por experiência própria tive relações sexuais com todos esses, obviamente todos do gênero masculino. No leque de opções ocorreram relações de sexo anal, oral, punhetas, voyeurismo ou simplesmente um desejo de estar junto, colado, abraçado, acariciado. Tem homem que quer carinho, um afago, uma atenção.

As variáveis na relação entre os homens são quase infinitas. Desde aqueles que gostam de você e que não querem nada de sexo, até outros exclusivamente para sexo. Lembro-me de um homem casado que queria apenas beijar outro igual, sentia prazer no beijo, gozava ao se lambuzar na saliva de outro homem, nada mais.

Existem homens que relutam em aceitar o desejo por outro igual e na velhice tudo isso aflora devido à finitude da vida. Os valores morais dão lugar aos desejos pessoais mais secretos. Já vivi tudo, porque não experimentar algo diferente do padrão?

O mundo está repleto de homens que desejam outro homem. Tem aqueles que gostam até de animais, ou será que eu não vi direito e o meu vizinho não estava dando a vara para o seu cachorro chupar?

Na falta de um corpo humano, vai com o cachorro mesmo!

Caro leitor, você está pensando que eu estou zombando ou fazendo chacota? Os seres humanos são os tipos mais estranhos da natureza. Portanto, quando o assunto é relação entre humanos, tudo é possível e até com animais.

Também, somos dotados de uma criatividade única. Já transei com homem casado que queria ter experiência sexual com outro homem e mesmo após a realização do desejo voltou à normalidade da sua vida familiar, com mulher e filhos e nunca mais transou com outro.

Mas o que faz um homem desbundar de vez é quando se apaixona por outro homem. Aí pode ser qualquer um e sem rotulo.

Conheci um coroa que depois dos sessenta anos amou outro homem e até aquele momento nunca teve pensamentos homossexuais. Era casado, transava bem com a mulher, criou os filhos e cuidou dos netos. Uma vez me disse na maior sinceridade. Porra, nunca pensei que um dia fosse me tornar viado! Pois é, virou ou melhor, descobriu-se viado e nunca mais quis saber de mulheres, largou tudo e foi viver seu grande amor até o fim, faleceu em 1999.

Isso acontece sim, todos os dias os seres humanos se descobrem diferentes do padrão heteronormativo. O padrão é social, mas cada qual descobre seus desejos e vontades. Alguns aceitam, outros não. Alguns provam do amor homossexual, outros ficam na vontade.

Quem passou por essa vida num padrão único que atire a primeira pedra.

Claro que estou brincando, existem aqueles que não querem nem saber de homem por perto.

Mas o legal é gostar de outro homem e não ter medo de se arriscar, seja você heterossexual, bissexual ou gay, porque rótulos são rótulos.

A velhice nos proporciona reflexões sobre a vida, é quando descobrimos que tudo é tão simples.  Nós complicamos e embaralhamos coisas e situações de uma forma tão complexa pela simples razão de sermos aceitos na sociedade onde vivemos.

Na maturidade não precisamos de aceitação, precisamos de atenção e carinho da maneira mais simples possível e isso independe de gênero.

Eu quero envelhecer e ter alguém ao meu lado para autenticar a minha velhice, porque eu não nasci para ser saci, quero as duas pernas plantadas no chão, para caminhar e poder realizar sonhos, porque ainda tenho vários deles guardados na gaveta da minha vida.

Em todos os momentos da minha vida eu desejei, desejo e desejarei outro homem e você também teve ou tem esses desejos?

Nota:

Neste texto eu escrevi, propositalmente, 15 vezes a palavra homem e 4 vezes a palavra homens, para induzir o leitor a participar das minhas experiências de vida, mesmo que subjetivas elas afetam o comportamento e a assimilação desta leitura, ainda que leve e sem compromisso.

Publicado em Comportamento, Relacionamento, Sexo, Sexualidade

O caleidoscópio da homossexualidade masculina 

Caro leitor, a partir do dia 10 de março estarei em férias retornando apenas após a páscoa. Deixo para você mais um artigo para reflexão.

Circulou nas redes sociais e jornais online a notícia do homem casado por sessenta anos, bisavô que assumiu a homossexualidade para a família aos 95 anos. A história é semelhante ao enredo de filme Toda Forma de Amor com Christopher Plummer, aliás, ganhador do Oscar de ator coadjuvante por esse filme.

Eu já escrevi sobre uma experiência pessoal com o Gumercindo no artigo O taxista bissexual. Guga como era chamado passou quase setenta anos da vida desejando secretamente ter relações com outro homem e mesmo casado, depois viúvo, avô de três netos, consumou seus desejos com este que vos escreve.

Eu, particularmente, tenho convicções bem claras sobre a homossexualidade e penso que é oito ou oitenta. Não é possível passar a vida se escondendo de si mesmo e não experimentar ou porque não, se apaixonar por alguém do mesmo sexo.

No caso do sr. Roman (foto), assumir-se gay há sessenta ou setenta anos atrás era algo impensável e mesmo nos dias atuais ainda não é fácil.

A homossexualidade não se caracteriza por fazer sexo, mas por sentir desejo, atração, querer estar junto, dar um beijo, ser acariciado ou acariciar outro corpo semelhante.

Nos últimos quarenta anos, eu conheci histórias sobre as relações entre homens e sei de incontáveis tipos de relacionamentos, como um caleidoscópio que apresenta, a cada movimento, combinações variadas e agradáveis de efeito visual.

Uma vez um coroa cruzou o meu caminho e queria pagar a minha faculdade e não desejava nada em troca. Ele era um gay idoso, sem família, sem companheiro, enfim, sem ninguém. O homem tinha prazer em fazer o bem e sempre o fazia a gays mais jovens. Não que com essa atitude ele tivesse gozo, nada disso! Perguntei o motivo daquela ação e a resposta foi simples: Me dá prazer e felicidade poder ajudar e quero apenas a sua amizade.

Obviamente, conclui os meus estudos com os meus próprios recursos, mas essa experiência me fez crescer como ser humano

As variantes das relações entre iguais vão além do nosso discernimento. Outro homem gostava apenas de jovens e se contentava em leva-los à sua casa para conversar e servir-lhes água ou refrigerante. Assim, algumas horas se passavam e isso bastava ao coroa para estar feliz. Jurou de pés juntos nunca ter tocado qualquer daqueles jovens, todos menores de idade.Essas ações nem eram fetiches. 

Conheci casais de idosos ou de idosos com maduros que nunca tiveram relação com penetração, alguns satisfaziam-se com masturbação, deitar lado a lado e roçar um corpo no outro, cacete com cacete, um sessenta e nove talvez, e outras formas de prazer.

O que nos define como homossexuais é sentir-se atraído e gostar de outro igual, se apaixonar e amar. Doamos ao semelhante qualquer momento que nos tire o vazio da vida, porque isso já basta para sermos pessoas realizadas.

Em janeiro último relatei aqui no blog sobre os desejos homossexuais reprimidos e o meu encontro com um senhor viúvo desejoso por encontrar um amigo para compartilhar a vida.

Os desejos reprimidos vêm desde a adolescência, alguns jovens gostam de homens mais velhos e o sexo passa longe do objetivo principal.

Muitos querem um grisalho para chamar de seu e nesta frase de conotação possessiva está algo ingênuo e singular, pois no contexto geral esses jovens querem alguém com experiência para ser o professor na arte e no aprendizado do sexo e da vida.

Os sexólogos dizem que só gostar ou amar alguém não basta, isso é doença platônica, porque na essência há a submissão e isso condiciona para o sexo de fato e com facetas de passividade, será?

As nuances da homossexualidade são infinitas e a cada giro do caleidoscópio novas formas visuais se formam, então porque não usar a perspicácia e observar o mundo homossexual com outros olhos, ou melhor, outras lentes, preferencialmente, coloridas?

Há duas situações comuns: Gays que não se aceitam e gays atirados

Se o jovem não buscou parceiros por questões sociais ou familiares, invariavelmente, se casa e constitui família, tornando difícil a vivencia homossexual e quando se dá conta envelheceu e a válvula de escape para tentar recomeçar a vida é a separação ou viuvez. Nunca é tarde para satisfazer os mais íntimos desejos ou aceitar-se como gay, mas o melhor da vida passou.

Se o jovem busca parceiros desde cedo, inicialmente ele é inexperiente na arte do amor e se entrega aos seus homens de forma até ingênua e isso molda sua vida;

Jovens que se jogam no mundo gay são fodidos por seus pares, mamam cacetes de todas as formas e fodem freneticamente seus parceiros, deparam-se com voyers, masturbadores e chupadores. Vez ou outra caem em ciladas de sadomasoquistas e aproveitadores de plantão. Permitem-se usar e serem usados para o prazer, pelo simples fato de que tudo é aprendizado.

A maioria dos gays maduros que tiveram uma juventude plena, com o tempo ficam seletivos, buscam relações mais estáveis e com menos adrenalina. Muitos se apaixonam e sofrem desilusões novelescas e isso muda a forma de ver o mundo e as relações.

Na maturidade já conhece todos os macetes e truques da paquera e experiente não se entrega a qualquer um. Busca pacientemente um parceiro com afinidades, desaparece das baladas e assume a postura de um homem de meia idade com o controle sobre a sua vida.

Prefere ficar sozinho do que ter problemas de relacionamentos e acredita que ninguém muda ninguém e quando se dá conta envelheceu, o tempo passou e a juventude não volta mais. Mas, olha para trás e sorri porque viveu plenamente.

Nessa fase da vida, valoriza os sentimentos sem segundas intenções e prefere a companhia de outro homem para não ficar sozinho, porque na velhice a sensação de vazio é mais frequente. Também, a decadência física gera um misto de impotência e finitude da vida.

Caro leitor, imagine um gay na velhice sem nunca ter tocado outro corpo masculino?

Nós somos carentes e as carências são preenchidas com atenção, calor humano, diálogo, toques e afagos e no fim da vida deseja-se algo simples e não tão complexo como o sexo de fato.

Entregar-se de corpo e alma a um parceiro não é o fim do mundo, entendo ser importante para alguns e desnecessário para outros, bem como, na velhice cada oportunidade deve ser aproveitada com sabedoria.

Se você tem desejos de estar com outro homem, o importante é não passar por essa vida sem experimentar o amor homossexual, seja você casado ou não, com filhos ou netos, não importa!

Também, não dá para passar a vida apenas com desejos e sonhos e não os concretizar, porque fica a sensação de frustração e mais lá na frente arrependimento não resolverá seus anseios, portanto, se você sente alguma atração por homem, não perca tempo, saia do seu quadrado, do conforto da sua casa e arrisque-se numa aventura, afinal o que é a vida senão uma grande aventura!

Como disse o senhor Roman:

Gostaria de alguém com quem pudesse contar. Eu realmente não preciso de qualquer conexão física ou mental. Eu quero ir dormir e ter alguém ao meu lado, não por qualquer outra razão além da certeza de que alguém se importa.

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O amor e o desejo homossexual

Gays maduros - a difícil arte dos encontrosCaro leitor, quantas vezes você parou para pensar sobre amor e sexo? Qual a diferença entre homoerotismo e homoafetivo? É possível amar um homem, sem pensar em sexo? É possível fazer sexo e não ter sentimento?

Durante muito tempo vivi conflitos dessa natureza, pois na adolescência antes da paixão, eu tinha atração física por homens mais velhos e depois da primeira relação sexual me senti como se tivesse cometido um crime. Isso aconteceu com você?

Eu lembro que chequei na minha casa e estava morrendo de medo de alguém perguntar o que estava acontecendo. Essa coisa de se achar cometendo um crime é a culpa por ser diferente.

Com o passar do tempo fui sendo envolvido por sentimentos, não apenas por um corpo, mas o aconchego, aquela necessidade de estar com o outro, até o instante que me apaixonei. Foi a primeira paixão e um amor juvenil me tirou dos trilhos da normalidade.

Sofrimento e desilusão são substantivos adequados para descrever aqueles momentos, mas no balaio veio também a satisfação, alegria e contentamento, por mera questão de gramática, os substantivos evidenciam a essência.

Já na fase adulta eu ainda tinha dúvidas sobre sexo e amor, ou desejo físico, porque quase nunca se completavam totalmente. Quando eu amava não era correspondido e quando o tesão aflorava o amado brochava.

Há situações comuns do companheiro jurar de pés juntos te amar e realmente ama, mas pula a cerca para sexo casual. É uma situação emblemática sentir amor por alguém e não se satisfazer totalmente.

Ainda sobre o meu passado, obviamente não vivi apenas buscando o amor. Também experimentei o prazer sexual sem envolvimento emocional com diversos homens. Era apenas carnal, porque não sentia paixão ou amor pelo parceiro e vice-versa.

Acho legal ser sincero, não iludir ou enganar o semelhante. Diz não amar, mas sente tesão. Diz que ama, mas não sente tesão ou ainda o melhor dos mundos: Diz amar e tem enorme tesão. Tudo isso é a realidade mesmo que não haja correspondência.

Amor e sexo para um mesmo companheiro não é raro, pois há sintonia entre dois seres onde o sentimento de cada um está afinado com o outro, enquanto a parte física também satisfaz ambos parceiros.

Dizem por aí, serem os gays promíscuos por natureza e não é verdade, pois buscar primeiro o sexo é coisa natural entre os humanos, para depois desabrochar as emoções e afinidades entre o casal. Não é tão simplista assim!

Uma boa parcela de gays privilegia o sexo e isso pode ser explicado por vivências do passado que marcaram ou machucaram o coração. Amor não correspondido, sofrimentos e rejeições bloqueiam os sentimentos.

É importante considerar cada uma das suas escolhas. Eu optei por viver os últimos trinta anos com apenas dois companheiros e posso afirmar: amei o primeiro e amo o último e ambos me deram tesão. Não preciso cobiçar a galinha do vizinho achando que ela é mais saborosa.

Conjugar o verbo amar é muito mais difícil do que o verbo fornicar e nas questões do coração não existe uma bula padrão com instruções para a felicidade.

Conheço gays de todas as idades e sempre me deparo com um ou outro sofrendo por amor não correspondido e a maioria nem chegou a ter uma relação sexual com o homem amado. Deixam-se levar por sentimento platônico e o tempo passa e se perde meses e até anos investindo numa relação que não vai dar em nada. Vale como experiência de vida.

Eu, por exemplo, penso ser primordial tentar primeiro o sexo, a afinidade física, porque se isso der certo o amor pode desabrochar naturalmente, basta se permitir amar e ser amado. Tem gente que não quer nem pensar nisso. Tudo bem!

Mas a realidade é muito diferente do cenário ideal, dos casais felizes, da longa convivência e relações estáveis. Eu posso estar enganado, mas vivemos uma época de total liberdade onde a individualidade está acima de qualquer regra, todos priorizam o bem-estar pessoal e muitos não abrem mão da sua privacidade em prol de uma relação a dois.

Um amigo diz: a época do romantismo ficou no passado e hoje só há romance se ele vier acompanhado do minuto de fama. Não é bem assim, mas analisando o cenário numa visão macro, ele não está errado.

Todos os seres humanos são dotados da capacidade de amar e obviamente de ter desejos carnais. Deliciar-se com um corpo é maravilhoso!

Não posso esquecer de mencionar situações onde os gays reprimem os sentimentos por conta das pressões sociais e familiares. A vida dupla não permite abrir-se ao amor e a busca por um corpo masculino acontece fortuitamente nos cantos escuros das cidades.

Quanto aos gays idosos, esses buscam um parceiro para viver a velhice, sem abrir mão da beleza física ou os dotes do bofe. Nem sempre isso é possível, então observa-se esses personagens atirando para qualquer lado e mesmo assim nada os priva do isolamento.

Outro complicador entre o amor e o desejo está no valor da aparência e do status social muito valorizado pela maioria dos gays.

Se você é idoso e tem estabilidade financeira não vai ter problemas, se você não tem dinheiro, mas você é bonito, as pessoas vão ficar com você porque é um coroa lindo e enxuto. Desculpem-me os feios, mas beleza é fundamental no universo homossexual.

Eu nunca busquei beleza física e o máximo das exigências eram restritas às características, pois todos têm o seu modelo de homem ideal e isso não passa necessariamente por corpos esculturais, belas picas, mãos másculas, cara e jeito de macho. Isso é fetiche!

O romantismo do passado citado pelo meu amigo está vinculado à época, porque era difícil socializar em praça pública. Os encontros eram raros e não havia tanta oferta de homens no mercado. Longas convivências sem o sexo de fato, nutriam as paixões, além da possibilidade de criar um clima favorável para romances novelescos.

O amor está no ar em qualquer época, é apenas uma questão de visão e interpretação. Não dá para analisar fora do contexto social, porque hoje as abordagens da paquera são muito mais fáceis e acessíveis.

Existem sim, por aí, gays românticos, amáveis, dóceis e carinhosos, buscando um parceiro para amar, bem como, estão sedentos de prazer e desejo homossexual, pois até as bichas podem ser felizes