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Livro: Devassos no Paraíso – 4ª edição

devessos no paraisoCaro leitor, finalmente depois de 18 anos, está pronta a 4ª edição do livro Devassos no Paraíso – A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade.

Esta nova edição foi revisada e atualizada, portanto, quem não tem, corra porque o lançamento está previsto para agosto/2018 e poderá ser adquirido nas tradicionais livrarias online do Brasil e tem até edição digital.

Vale lembrar que a primeira edição é de 1986 e a última é de 2000, e todas as edições anteriores estão esgotadas. Ver artigo de 2010

Comentários de Peter Burton, Gay Times:

O livro mais completo sobre a história da homossexualidade brasileira, em edição revista e ampliada.

Num frutífero diálogo com diversos campos de conhecimento e expressões de nossa cultura — o cinema, o teatro, a política, a história, a medicina, a psicologia, o direito, a literatura, as artes plásticas etc. —, João Silvério Trevisan constrói o mais completo estudo sobre a homoafetividade no Brasil.

Considerado um clássico, Devassos no Paraíso passou por mais de uma geração, provocou intensa interlocução com a comunidade LGBT e influenciou desde ações emancipatórias até novos estudos e abordagens sobre gênero e sexualidade.

Agora, esse monumental trabalho chega à sua quarta edição trazendo mais capítulos, imagens e texto atualizado sobre as lutas e conquistas dos direitos LGBT ocorridas no século XXI.

O Tabu da homossexualidade é um dos mais sólidos entraves morais de nossa sociedade. Ativista pioneiro do movimento LGBT, João Silvério produziu uma obra apaixonada e engajada porque acredita que, assim como cada discurso homofóbico alimenta a violência e a intolerância, toda consciência que se movimenta em busca da emancipação inspira outras consciências. E Será desse jeito que uma sociedade mais justa e menos homofóbica surgirá.

“Devassos no paraíso é, ao mesmo tempo, sério, informativo e divertido.”

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Publicado em Comportamento, Consumo

Universo gay e universo infinito

universo gay e infinitoCaro leitor, eu já escrevi alguns artigos sobre o gueto gay, suas origens, os prós e os contras, a sociabilidade e os conflitos interiores quando nos descobrimos diferentes.

Na atualidade os guetos ainda existem nas mais variadas formas e o que era gueto virou Universo Gay, um contexto mais amplo a partir dos movimentos LGBT.

Antigamente os confinamentos nos guetos eram essenciais, hoje não mais os são e cada um procura inserir-se nos ambientes que acha mais adequado à sua forma de viver porque a realidade de cada um é diferente e num contexto mais amplo até o local onde você mora influencia o seu comportamento.

De uma forma geral os jovens, maduros e idosos são atraídos ao universo gay por causa do preconceito e por conta de afinidades, pois sempre acabam se reunindo em pequenos grupos com uma bandeira do arco-íris ao fundo.

Não se engane se você é induzido a consumir produtos e serviços exclusivos desse universo, porque na realidade o importante é sentir-se aceito pelo grupo e o principal, poder paquerar e encontrar parceiros para interação sexual.

Mas o que para a maioria é uma válvula de escape, quase ninguém percebe o universo gay como uma realidade paralela, com hierarquia, linguagem, interesses e assuntos comuns.

Há muitos anos eu observo a evolução e as transformações sociais no Brasil e posso afirmar que o universo gay é limitado, pois os cidadãos se acomodam nele, às vezes sentimos que é o único possível e tudo que existe além dele é ruim ou desinteressante.

Na maturidade somos mais seletivos e nos afastamos desse universo por razões obvias e quando nos damos conta ficamos entre a cruz e a espada, ou seja, somos atraídos aos guetos por falta de oportunidades e pessoas para interação, por outro lado construímos uma identidade que muitas vezes não nos permite viver no universo gay.

Bem, isso gera certa frustração e isolamento, mas é possível descobrir-se num universo infinito, com ou sem amizades, ambientes e assuntos gays.

O ideal é manter uma rede de relacionamentos restrita de interesses comuns e sem se distanciar do universo geral de todos os mortais, afinal no cotidiano precisamos de pessoas do universo infinito, do padeiro, do atendente, do sapateiro, do florista e de todas as pessoas que nos prestam serviços a todo o momento.

Há pessoas incríveis no mundo, seja no ambiente do trabalho, na família ou na sociedade em geral e posso afirmar:  vale a pena ir além porque muitas vezes nos afastamos de pessoas que nos querem bem e não nos questionam sobre nossas vidas.

Finalizo dizendo que não devemos nos apequenar e restringir nossas interações sociais. Como eu disse anteriormente, os guetos são bons, mas existe um mundo lá fora que vale muito a pena se arriscar e viver.

Caro leitor dos grisalhos, você pode encontrar os diversos artigos sobre os guetos, fazendo uma busca no blog com a palavra gueto.

Publicado em Consumo, Negócios, Sociedade

Sauna Camões no Porto em Portugal

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Sauna Camões – Imagem Alexandre

Caro leitor, eu guardei este texto para publicar no dia quando eu me aposentasse. Enfim, esse dia chegou, pois desde o começo de outubro estou fora do mercado de trabalho e sobre isso contarei noutro artigo.

O meu correspondente é o Alexandre do Rio de Janeiro. Hoje trocamos mensagens por WhatsApp, mas agora vou ter tempo para agendar um encontro para um café.

É gratificante saber que através dos escritos do blog, jovens gays, maduros e idosos tem a possibilidade de resolver as neuroses da homossexualidade e como disse o Alexandre no texto: é quase um trabalho humanitário, pois este é o objetivo dos meus escritos desde 2009.

Eis o texto:

A cidade do Porto em Portugal, país com uma enorme concentração de gays maduros casados por metro quadrado, e acho que a maior concentração que eu conheço de coroas bonitos.  Na ditadura Salazar ser gay era crime e poderia dar em prisão ou morte, então era melhor casar sob as bênçãos da santa igreja e a conivência da sociedade. Todos os gays estavam sob o medo de que alguém poderia denunciar então confiar em quem?

As leis mudaram muito e hoje o casamento é igual para todos. Mas, a mentalidade dos gays maduros não acompanhou esta evolução e a sociedade também não mudou muito os seus preconceitos.  Por lá, aparentar ser gay é para a maioria, gays ou não, um fato a ser evitado a todo custo, pelo menos socialmente.

Os mais jovens já ousam um pouco mais e dão menos importância aos rótulos. Lisboa que é mais cosmopolita há mais espaço, lugares, mas no interior e no Porto, cidade que visito frequentemente, “o buraco ainda é mais embaixo”.

Lá, eu tenho dois amigos casados e proprietários de uma das duas saunas da cidade, a Sauna Camões. Os proprietários, Manuel e José, trabalham muito para manter a casa num padrão aceitável para os frequentadores gays maduros casados, que após uma mudança de endereço e ampliação do espaço recebe mais clientes “diferentes” dos costumeiros gays maduros casados de sempre.  A abertura dos gays maduros de sempre para novos visitantes e estrangeiros é feita com muita cautela, quando é feita.

Eu tenho repassado os posts do Blog Grisalhos para os meus amigos portugueses. Na minha ultima visita eu sugeri que os posts fossem impressos, colocados em uma pasta para ficar em local acessível na sauna à disposição de quem se interessar.  E assim foi feito. Em todas as impressões são informadas a fonte: o endereço do blog; e a sua autoria “por Regis”. Acreditamos que aos poucos os assuntos tratados possam ajudar aqueles senhores serem um pouco mais livres, não com a sociedade, mas com eles mesmos.

Assim Regis, eu estou informando que os seus textos também estão além-mar. Esperamos que você não se oponha a isso e considere como uma ajuda humanitária para um grupo que sofre, considera isso normal e nem sequer sabe que precisa de ajuda.  Em caso contrário, ouviremos você com a maior atenção e acataremos a sua decisão.

Também eu gostaria de conhecê-lo: conversar, bebendo uma cerveja ou toma um café… Mas atenção, isso não é uma cantada; é um desejo que eu acredito compartilhar com vários leitores do blog. Como eu sei que se você for beber cervejas com todos vai ser péssimo para sua saúde, a minha sugestão é para que você pense sobre a possibilidade de fazer algumas palestras, em São Paulo, aqui, ali…

Há várias empresas em São Paulo que fazem o trabalho da organização de eventos como esse e conseguem preços acessíveis aos participantes. A você caberia a escolha do tema e a disponibilidade de dia e hora.

Deixo esta sugestão e o desejo de que 2017 seja um ótimo ano para Você e para o seu Companheiro.

Publicado em Consumo, Saúde

+ Sobre os gays e as drogas

gay_e_drogasQuando falamos de drogas, logo associados às drogas ilícitas como, cocaína, maconha, crack, etc. É bom lembrar-se das drogas lícitas como cigarro, álcool, medicamentos e até um simples colírio, assunto já tratado aqui no blog.

No universo dos homossexuais não existem estudos sobre o consumo de drogas ilícitas, portanto, todas as referências utilizadas neste artigo foram embasadas em estudos e pesquisas sobre o consumo de drogas no Brasil entre 2005 e 2015.

Por que os gays consomem drogas? Porque antes de serem homossexuais eles são seres humanos e estão inseridos no contexto deste problema de ordem social universal.

O consumo de drogas no universo gay atinge todas as faixas de idade e todas as camadas sociais, com prevalência entre os jovens e predominantemente do sexo masculino.

Os jovens começam a consumir drogas lícitas, como o álcool e cigarro no fim da infância e acentua-se na juventude quando os conflitos internos da homossexualidade são evidentes, pois é quando o jovem passa por transformações hormonais e emocionais.

A partir daí, há todo um contexto social contribuindo para se consumir drogas lícitas. As pressões exercidas por grupos familiares, educacionais e religiosos geram exclusão social, falta de empatia a grupos heterossexuais, agressividade doméstica e principalmente a baixa autoestima.

A maioria dos jovens busca inserção em grupos homossexuais. Essa ocorrência é comum nos grandes centros urbanos e capitais brasileiras, principalmente na região sudeste do Brasil.

Como acontece o contato com as drogas ilícitas?

Há estudos indicando as escolas secundárias como o principal vetor para o consumo de drogas.

Há que se considerar também que os jovens gays andam em turmas e se encontram, geralmente, nos finais de semana e sempre nos finais de tarde e à noite, onde circulam por bares e baladas dos points gay e sempre viram a noite, bebendo, dançando,paquerando e é ai que entra a droga.

Neste universo dos grupos existe a divisão de classes: os mais pobres consomem maconha e crack e os mais abastados consomem ecstasy, cocaína e até heroína.

Acredita-se que mais de 20% dos jovens gays de todas as classes sociais viverão toda a juventude na corda bamba entre o consumo de bebidas e o consumo de drogas e desses aproximadamente 7% serão dependentes químicos até a fase adulta e mais de 10% farão uso eventual da maconha até os 50 anos de idade.

Há também na fase adulta entre os 30 e os 50 anos, um percentual de 3% dos gays consumindo cocaína e outras drogas sintéticas. Esse fenômeno ocorre durante o período de ascensão profissional com o consequente aumento da renda mensal.

O mais interessante é que o declínio do consumo de drogas ilícitas na fase adulta contrasta com o acentuado aumento do consumo de bebidas alcoólicas. Estima-se que mais de 50% dos gays masculinos consumirão álcool até a velhice.

Experiências no universo homossexual

Desde os meus quinze anos, no ano de 1974, eu tenho vivências no universo gay de São Paulo e no Rio de Janeiro.

As drogas populares da época eram a maconha e as chamadas bolinhas, remédios consumidos com álcool que atuavam no sistema nervoso central e davam o tal “barato”.

As minhas experiências com drogas restringiram-se ao consumo de maconha e comprimidos durante o período de um ano, entre 1979 e 1980. O primeiro contato foi em bares gays do centro da cidade e através da Tula, uma bicha que circulava nos guetos à procura de sexo, aventuras e drogas.

Naqueles tempos o consumo de drogas ocorria principalmente dentro das boates. A Medieval frequentada por famosos, Val Improviso, Nostro Mondo e a famosa Homo Sapiens conhecida como HS, na Rua Marques de Itu onde atualmente está o ABC Bailão. Inclusive, o motivo do fechamento da HS,foi justamente uma batida policial que identificou tráfico e consumo de drogas dentro da boate.

Muitos conhecidos, colegas e amigos se drogavam para enfrentar a noite nas ruas, bares e boates. As drogas eram consumidas nas ruas escuras e becos da cidade. Na década de 70 as noitadas eram um mundo surreal de sexo livre e explícito nas praças e banheiros públicos. Leia o artigo Um Olhar Retrô sobre a Cena Gay Paulistana.

Já nos anos 80, eu tive um amigo chamado Luizinho que se drogava com cocaína e tinha um caso com um coroa sessentão do Rio de Janeiro que ia para São Paulo todo final de semana e fez uso de cocaína por mais de três anos.

Motivo para o gay idoso se drogar: As experiências sexuais do casal eram verdadeiras orgias e viagens alucinógenas numa realidade paralela.

Algumas vezes tinha-se notícia que corria de boca em boca, sobre gays mortos por overdose em festas particulares em apartamentos privados, hotéis e motéis da cidade.

O uso de drogas no universo gay das décadas de 70 e 80 não era diferente do consumo dos dias atuais. Os principais motivos são: inserção social em ambientes gay, hábitos e costumes do grupo, fuga da realidade e experiências extrassensoriais, mas devido ao consumo contínuo por longos períodos a dependência é inevitável para uma parcela desses gays.

A dependência é o pior dos mundos, pois a juventude é a melhor fase da vida, período de estudos, inserção no mercado de trabalho, ascensão profissional e crescimento pessoal em todos os sentidos.

Não sou conversador, mas todos nós almejamos algo na vida, como realizar sonhos e conquistar um espaço neste mundo, ainda mais para o gay que é minoria neste planeta.

Outro dia passeando na Avenida Paulista eu observei um homem parado e olhando um gay abraçado a um amigo e ele soltou o seguinte comentário: Além de viado também é drogado – Duplo preconceito: drogas e homossexualidade.

 Como observador deste mundo moderno, eu percebo os gays jovens e maduros vivendo freneticamente numa sociedade de consumo e penso que eles buscam a droga como solução mágica para seus conflitos interiores, mas não é assim que funciona.

O contato com ela ocorre quando o gay está buscando mais intensamente o conceito de si mesmo, a sua identidade psicossocial, pois ele acredita que a resposta está no exterior, sem tentar buscá-la em si mesmo.

Já os gays maduros e idosos se drogam porque não enxergam perspectivas para o futuro. Muitos buscam esquecer traumas ou perdas de entes queridos e sem perceber o vício acaba sendo parte integrante do seu cotidiano, pois não conseguiram se livrar da dependência química.

O pior dos mundos é a dependência e a necessidade do uso de drogas em maiores quantidades para se obter os mesmos efeitos. Quando se percebe passaram anos e até décadas.

Por mera coincidência, eu fiquei em São Paulo num feriado abril deste ano e fui acordo logo cedo com sirenes de carros de bombeiro. Resumo: Um gay morador do prédio da frente queria suicidar-se porque o parceiro rompeu a relação, mas o motivo da paranoia é que ele estava drogado.

No mundo das drogas há riscos de morte súbita, paranoias como citei no parágrafo anterior, agressividade e o mais comum: parada cardíaca. Também, é sabido que na abstinência provoca depressão.

É triste, mas esta é a realidade

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Mundo gay: Tempos Modernos

bwakaw_filmeQuem tem hoje sessenta anos ou mais, viveu numa época completamente diferente, sem Internet, Smartphone ou redes sociais. As negociações sexuais ocorriam frente a frente, nas ruas, praças, bares, boates, saunas e banheiros, portanto, muito diferente dos jovens da atualidade, que muitas vezes nem sabem o que é negociação de sexo.

Os gays tem um leque de possibilidades e variados espaços de socialização e suas formas de abordagem são, invariavelmente, via Internet e através de aplicativos, os chamados App

Também, seria legal se todo gay idoso conseguisse lidar com as tecnologias, mas não tem jeito, para muitos é difícil assimilar tanta novidade. Alguns tentam, mas desistem frente à primeira dificuldade. Até o meu companheiro aos setenta anos não aprendeu a usar o Smartphone e quando quer saber alguma coisa me pede para pesquisar na Internet.

A tecnologia trouxe facilidades, mas as formas de abordagem são as mesmas desde sempre. Os jovens da geração Y querem que tudo aconteça rapidamente e não é assim que ocorre no mundo real. Se por um lado são mais saudáveis por outro são vulneráveis porque a homossexualidade fica adormecida. O sexo tem que ser experimentado ao vivo e em cores e sem tecnologia. Quando um jovem não consegue o que quer, principalmente nos relacionamentos ele se frustra e fica amargurado.

Tem tanto jovem gay com depressão! Por quê?

Nas relações humanas tudo acontece no tempo certo e isso pode demorar meses ou até anos. Vejo os jovens buscando coisas imediatas e não é assim que funciona. Sua comunicação é pobre, não tem vocabulário e postura adequada e quando perguntado sobre preferencias sexuais as respostas são vagas.

A modernidade trouxe facilidades, mas também, muitas coisas superficiais. Os gays mais jovens têm dificuldades de assimilar cultura, porque o popular é descartável. Vivemos numa época do consumo, da supervalorização das roupas de marca, comida fast-food, música eletrônica descartável, bugigangas eletrônicas e pisantes Nike.

Todo gay que encontro na rua ou no transporte público está com fone de ouvidos, possivelmente ouvindo música, teclando alucinadamente no seu Smartphone e poucos são aqueles que se dão ao trabalho de olhar para o lado e contemplar um homem bonito e gostoso ou tentar uma paquera.

Parece-me que essa geração de gays tem muita deficiência cultural quando deveria ser o contrário, porque toda a informação está ai. Infelizmente a maioria desses jovens é da geração Control C, Control V.

Os gays tem de estudar, ler, ouvir boa música, ver filmes de conteúdo humano, aprender a gostar de teatro e ler jornais, mesmo os digitais. Todo gay deve concluir uma faculdade e fazer no mínimo um curso de pós-graduação. Isso fará a diferença, especialmente num país como o Brasil.

Fico feliz quando recebo e-mail de jovens buscando conhecimento através do blog, porque a maioria dos gays não quer saber de ler e se o fazem é por obrigação.

As tecnologias proporcionam facilidades no nosso cotidiano. Quer um filme vai no Youtube, quer saber de uma balada, basta pesquisar e lá está o site, quer ir ao cinema, futebol, teatro ou shows, compra-se ingressos via Internet.

Travestis e Drag Queens estão formando legiões de admiradores via Instagram, porque o que vende é visibilidade. Todos querem seu minuto de fama!

Eu particularmente me dou bem com tecnologia, sou consumidor de filmes e outros penduricalhos e encontro tudo o que procuro com apenas alguns cliques. Ontem queria comer uma pizza e ela chegou rápida via Ifood.

Mesmo com tantas facilidades não se consegue mudar comportamentos inerentes às relações humanas. Vejo nos gays destes tempos modernos muitas coisas vazias, claro há exceções! Tem jovem que não sabe se expressar, escreve mal, excesso de gírias indecifráveis, comportamentos femininos, mentes vazias, vícios comportamentais, além de não saber cuidar da aparência, roupas exageradas sem nenhum critério, cabelos desgrenhados, piercing, tatoo à mostra por todo o corpo e muito plástico.

Tudo isso é fruto dos tempos modernos, globalização que interfere na cultura dos povos e na juventude. Todos querem mostrar aquilo que não são, porque é impossível que todos estejam realmente bem, bonitos, sorridentes e felizes. É o que encontramos nas redes sociais – Tudo é válido mas com moderação!

Caro leitor, você pode me julgar conservador, talvez eu seja, afinal já tenho cinquenta e seis anos e caminhando para a terceira idade, mas estou sempre plugado em tudo que acontece no mundo e assimilando apenas as coisas boas e sem jamais deixar de dar atenção às pessoas ou trocar um bom papo por conversas virtuais.

Então tá, eu não sou tão conservador assim, mas quem procura alguém mais novo para relacionamento percebe as limitações desses jovens e ai o bofe não sabe por que não arruma namorado ou porque foi usado e descartado.

No último sábado fiquei em São Paulo e fui passear na Avenida Paulista. Passei na Livraria Cultura para pegar um livro. Observei casais gays de várias idades e cada qual com seu Smartphone à mão e nem prestando atenção no companheiro ao seu lado.

Mais tarde no Fran’s Café um casal, o mais velho aparentando cinquenta anos e o mais jovem uns vinte e cinco, não se olhavam e quase não conversavam. De cabeça baixa, ambos manipulavam seus aparelhos celulares como quem bate uma punheta.

Já no CineSesc fui assistir ao filme Bwakaw, leia a sinopse aqui – Observei os poucos gays esperando o inicio da sessão  e todos sem exceção munidos de Smartphone. Até dentro da sala do cinema um telefone tocou e olha que não tinha nem trinta pessoas.

As tecnologias tornam tudo mais fácil, mas também mecânico e digital e as relações entre gays estão frias e robotizadas.

E quando a noite cai, nas boates e bares LGBT das cidades, gays de todas as raças, idades e classes sociais circulam entre as pessoas e munidos, alguns com seus companheiros e todos com os seus Smartphones.

Nesse admirável mundo novo, os gays idosos seguem suas vidinhas, confinados em apartamentos ou no conforto da sua casa e sem interação com o mundo atual, porque sem tecnologia eles mofam nas prateleiras das cidades.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, um relacionamento entre dois gays chegou ao fim, mas tudo bem, porque basta um clique e logo aparece outro.

Nota: A foto deste post, foi tirada com meu celular diretamente da tela do cinema.

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Um olhar crítico sobre publicações homoeróticas

olhar_critico_g_magazineO envelhecimento parece não interessar a ninguém, inclusive aos gays.

Quando eu era jovem eu era cobiçado e desejado e olha que não faz tanto tempo assim. Hoje aos 55 anos percebo claramente como o homossexual vai desaparecendo à medida que envelhece.

A minha geração participou dos primeiros movimentos sociais em prol dos diretos e da identidade dos homossexuais. No decorrer desses anos conquistamos alguns direitos e liberdade, mas o próprio movimento gay não liberou esse preconceito de idade.

Eu me recordo de antigas publicações, como o Snob, Gente Gay, Pasquim e Lampião da Esquina que traziam notícias sobre o universo homossexual, violência policial e discutia-se a sexualidade. Com o fim do jornal em 1981 sobraram as revistas homoeróticas ou pornográficas, em sua maioria estrangeiras centradas na publicação de fotos de nu e cenas de sexo. Lembro-me também da revista SuiGeneris quesurgiu como produto da segmentação do mercado editorial que propunha discutir, com homossexuais e heterossexuais, questões relativas à homossexualidade.

A revista investiu numa possibilidade de afirmação do “ser gay” através de temas como cultura, comportamento, moda e entrevistas com grandes nomes do meio artístico/político nacional. Esta publicação buscava refletir a atitude do “assumir-se”, mas também destacava a validade do desejo homoerótico e buscava fortalecer a autoestima dos seus leitores. Circulou de janeiro de 1995 a março de 2000, quando, por motivos financeiros, encerrou sua publicação.

olhar_critico_juniorHá algum tempo eu acompanho as publicações da revista G Magazine lançada em 1997 e da Junior e o que pude constatar é que não existe espaço para os gays mais velhos; os ursos até ganham algum destaque porque se mostram másculos e viris e os poucos maduros ou idosos são apresentados de uma forma deturpada.

No caso da representação dos homossexuais idosos feitas nas revistas homoeróticas como a G Magazine e Junior, por exemplo, é válida a daquele que se cuida, que está preocupado em ficar com aparência de homem jovem e bonito; que procura sempre fazer com que a velhice não esteja ali, a mostra de quem quer ver.

Em boa parte das matérias, esses homens idosos e homossexuais aparecem como pessoas que só tinham desejos sexuais quando eram jovens. Na velhice, eles são representados como pessoas que não possuem desejos sexuais. Ser homossexual idoso, nas matérias dessas revistas, está ligado à imagem daquele que disfarça a velhice e que são carentes de relações afetivo-sexuais.

Estamos no meio da cultura da juventude: importa a masculinidade, mas também importa a idade. É como se os gays vivessem um eterno complexo de Peter Pan, onde o envelhecimento é o principal vilão que deve ser combatido a todo custo. Do contrário, deixará de ser um corpo desejado, tornando-se um corpo abjeto e que deverá ser escondido.

No tocante a homossexualidade, o corpo velho parece evidenciar uma espécie de pânico produzido pela imagem de deterioração legado pelo mito da velhice, cuja fragilidade e horror são amplamente produzidos no interior das “comunidades” gays, que produzem novos efeitos em torno de certa homonormatividade baseada no ideal de juventude e individualismo.

Mais do que nunca, a homossexualidade está sempre ligada ao “ser jovem”, consequentemente, a ideia do ser jovem não deve aparecer apenas no rosto, mas também no corpo que deve sempre ser “sexy”, “gostoso”, “malhado”, “sarado”, “atlético” e “saudável”.

olhar_critico_sui_generisOscilando entre a imagem da “tia velha”, exageradamente efeminado, desprovido de atrativos e meio gagá, e a do “tiozinho tarado”, capaz de atacar inesperadamente qualquer jovem “inocente”, os homossexuais idosos representariam uma das formas mais proeminentes de alteridade abjeta e excluída dentro da atual experiência “positiva” da homossexualidade masculina.

Eu digo isso sem nenhum receio de ser criticado, pois se observa, por exemplo, na imprensa voltada para grupos minoritários, em especial ao público homossexual masculino, a existência de publicações que não atribui automaticamente um lugar de fala para o homossexual na sociedade. Indo mais além, através das revistas voltadas para os gays é possível analisar qual o espaço e representações que elas fazem do desdobramento desse grupo, pois até então, é como se os homossexuais idosos não existissem, há um silencio no tocante a existência desse grupo tido, normalmente por essas publicações homoeróticas e pelos próprios homossexuais, como pessoas duplamente abjetas, isto é, pela questão da idade e do corpo, que vai fugir do padrão de desejo.

Lidar com as limitações biológicas da vida e aceitar o corpo em degeneração continuam sendo um dos principais desafios dos gays no mundo moderno, basta observarmos a obsessão que as pessoas, têm com as formas corporais e a apresentação juvenil que atravessa todo o complexo da moda, das academias de ginástica, dos anabolizantes, dos cosméticos e da cirurgia plástica.

Se a preferência pela juventude e a antipatia pela velhice é comum na história das concepções sobre envelhecimento, e também constituem sentimentos disseminados na chamada cultura de consumo, eles parecem atingir o seu ápice quando se considera a chamada “cultura gay masculina” dos centros urbanos e das metrópoles.

Nesse cenário, aparentemente marcado pelo hedonismo e pela obsessão com atributos físicos capazes de suscitar atração e desejo, em que tudo parece girar em torno de um mercado sexual hierarquizado por critérios de juventude e beleza, não há lugar para pessoas de mais idade, que carregam os estereótipos derivados da depreciação de sua atratividade como parceiros sexuais.

Aos mais velhos, só resta pagar para desfrutar de companhia fugaz e arriscada. E essa concepção ou “verdade” que geralmente está inserida no contexto ao ser gay idoso, pois a verdade pode ser vista como social e histórica.

Publicado em Comportamento, Consumo, Cultura, Diversão

Os gays rasgam as fantasias no Carnaval

GalaGay-Isabelita-dos-Patins-e-Ricardo-AmaralNo Brasil, talvez não exista data mais aberta à diversidade do que o carnaval. Dos desfiles de escolas de samba aos blocos de rua, onde homens se vestem com roupas de mulher sem medo de ser feliz – a folia costuma receber e celebrar a comunidade gay todos os anos, em diversos cantos do País.

O termo rasgar a fantasia originou-se de velhos carnavais onde as pessoas mostravam-se como realmente elas eram em personalidade e comportamento, depois de tê-los dissimulado, ou seja, no carnaval você pode ser quem você quiser ser porque tudo é permitido.

Para os gays o carnaval é o momento de “sair do armário” e ir para as festas de rua ou salão com alguma fantasia que lhe seja especial ou particularmente pessoal.

A fantasia usada no carnaval tem relação com nossas fantasias mais secretas, aquelas que a gente não conta pra ninguém.

Para muitos rasgar a fantasia quer dizer “cair na folia”, para outros significa lavar todos os pecados, esquecer o cotidiano como se nada tivesse acontecido.

Os gays buscam os bailes de carnaval para soltar a sensualidade e a sexualidade reprimida, dessa forma, os bailes de carnaval servem como uma oportunidade anual para que o privado torne-se mais público.

A expressão desinibida do homossexual durante o carnaval comprova que a sociedade brasileira tolera a homossexualidade e a bissexualidade, mas no cotidiano não é bem assim…

Até a primeira metade do século XX, os homossexuais não tinham muito espaço para brincar o carnaval, exceto os bailes de salão. Isso ocorreu gradativamente a partir do final dos anos 40 com a institucionalização do carnaval através de ajuda financeira do governo de Getúlio Vargas, para as escolas de samba.

carnaval_gay_wordpressA partir dos anos 70 surgiram os primeiros bailes para o publico gay, onde travestis e Drag Queens deixaram suas marcas registradas. Personalidades como Rogéria, Isabelita dos Patins, Roberta Close, Telma Lipp e Claudia Wonder ferveram nos salões, principalmente no Gala Gay do Rio de Janeiro. Tanto que em 1984 Roberta foi a musa do carnaval carioca.

Portanto, há 30 anos os gays estão mais soltos, porque a partir do pioneirismo dessas desbravadoras, novos comportamentos foram assimilados na sociedade brasileira. Naquela época os homossexuais, travestis e transexuais não eram bem-vindos e nem endeusados como ocorre atualmente.

Mesmo assim, o carnaval ainda é uma das poucas oportunidades dos gays realmente soltarem a franga, rasgarem todas as fantasias e cair na folia, para libertar a sexualidade.

Ninguém precisa atravessar o deserto do Saara, dizer à mamãe que quer mamar ou perguntar à jardineira por que ela está tão triste para saber que, nos próximos dias, o carnaval vai mobilizar milhões de pessoas de norte a sul do País.

Então, um ótimo carnaval!

Leia também: 

## Gala Gay do Rio de Janeiro

Cenas de Antigos Carnavais

## Os gays no Carnaval

O carnaval chegou

## Mundo gay e carnaval…tudo a ver