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Sauna Camões no Porto em Portugal

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Sauna Camões – Imagem Alexandre

Caro leitor, eu guardei este texto para publicar no dia quando eu me aposentasse. Enfim, esse dia chegou, pois desde o começo de outubro estou fora do mercado de trabalho e sobre isso contarei noutro artigo.

O meu correspondente é o Alexandre do Rio de Janeiro. Hoje trocamos mensagens por WhatsApp, mas agora vou ter tempo para agendar um encontro para um café.

É gratificante saber que através dos escritos do blog, jovens gays, maduros e idosos tem a possibilidade de resolver as neuroses da homossexualidade e como disse o Alexandre no texto: é quase um trabalho humanitário, pois este é o objetivo dos meus escritos desde 2009.

Eis o texto:

A cidade do Porto em Portugal, país com uma enorme concentração de gays maduros casados por metro quadrado, e acho que a maior concentração que eu conheço de coroas bonitos.  Na ditadura Salazar ser gay era crime e poderia dar em prisão ou morte, então era melhor casar sob as bênçãos da santa igreja e a conivência da sociedade. Todos os gays estavam sob o medo de que alguém poderia denunciar então confiar em quem?

As leis mudaram muito e hoje o casamento é igual para todos. Mas, a mentalidade dos gays maduros não acompanhou esta evolução e a sociedade também não mudou muito os seus preconceitos.  Por lá, aparentar ser gay é para a maioria, gays ou não, um fato a ser evitado a todo custo, pelo menos socialmente.

Os mais jovens já ousam um pouco mais e dão menos importância aos rótulos. Lisboa que é mais cosmopolita há mais espaço, lugares, mas no interior e no Porto, cidade que visito frequentemente, “o buraco ainda é mais embaixo”.

Lá, eu tenho dois amigos casados e proprietários de uma das duas saunas da cidade, a Sauna Camões. Os proprietários, Manuel e José, trabalham muito para manter a casa num padrão aceitável para os frequentadores gays maduros casados, que após uma mudança de endereço e ampliação do espaço recebe mais clientes “diferentes” dos costumeiros gays maduros casados de sempre.  A abertura dos gays maduros de sempre para novos visitantes e estrangeiros é feita com muita cautela, quando é feita.

Eu tenho repassado os posts do Blog Grisalhos para os meus amigos portugueses. Na minha ultima visita eu sugeri que os posts fossem impressos, colocados em uma pasta para ficar em local acessível na sauna à disposição de quem se interessar.  E assim foi feito. Em todas as impressões são informadas a fonte: o endereço do blog; e a sua autoria “por Regis”. Acreditamos que aos poucos os assuntos tratados possam ajudar aqueles senhores serem um pouco mais livres, não com a sociedade, mas com eles mesmos.

Assim Regis, eu estou informando que os seus textos também estão além-mar. Esperamos que você não se oponha a isso e considere como uma ajuda humanitária para um grupo que sofre, considera isso normal e nem sequer sabe que precisa de ajuda.  Em caso contrário, ouviremos você com a maior atenção e acataremos a sua decisão.

Também eu gostaria de conhecê-lo: conversar, bebendo uma cerveja ou toma um café… Mas atenção, isso não é uma cantada; é um desejo que eu acredito compartilhar com vários leitores do blog. Como eu sei que se você for beber cervejas com todos vai ser péssimo para sua saúde, a minha sugestão é para que você pense sobre a possibilidade de fazer algumas palestras, em São Paulo, aqui, ali…

Há várias empresas em São Paulo que fazem o trabalho da organização de eventos como esse e conseguem preços acessíveis aos participantes. A você caberia a escolha do tema e a disponibilidade de dia e hora.

Deixo esta sugestão e o desejo de que 2017 seja um ótimo ano para Você e para o seu Companheiro.

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+ Sobre os gays e as drogas

gay_e_drogasQuando falamos de drogas, logo associados às drogas ilícitas como, cocaína, maconha, crack, etc. É bom lembrar-se das drogas lícitas como cigarro, álcool, medicamentos e até um simples colírio, assunto já tratado aqui no blog.

No universo dos homossexuais não existem estudos sobre o consumo de drogas ilícitas, portanto, todas as referências utilizadas neste artigo foram embasadas em estudos e pesquisas sobre o consumo de drogas no Brasil entre 2005 e 2015.

Por que os gays consomem drogas? Porque antes de serem homossexuais eles são seres humanos e estão inseridos no contexto deste problema de ordem social universal.

O consumo de drogas no universo gay atinge todas as faixas de idade e todas as camadas sociais, com prevalência entre os jovens e predominantemente do sexo masculino.

Os jovens começam a consumir drogas lícitas, como o álcool e cigarro no fim da infância e acentua-se na juventude quando os conflitos internos da homossexualidade são evidentes, pois é quando o jovem passa por transformações hormonais e emocionais.

A partir daí, há todo um contexto social contribuindo para se consumir drogas lícitas. As pressões exercidas por grupos familiares, educacionais e religiosos geram exclusão social, falta de empatia a grupos heterossexuais, agressividade doméstica e principalmente a baixa autoestima.

A maioria dos jovens busca inserção em grupos homossexuais. Essa ocorrência é comum nos grandes centros urbanos e capitais brasileiras, principalmente na região sudeste do Brasil.

Como acontece o contato com as drogas ilícitas?

Há estudos indicando as escolas secundárias como o principal vetor para o consumo de drogas.

Há que se considerar também que os jovens gays andam em turmas e se encontram, geralmente, nos finais de semana e sempre nos finais de tarde e à noite, onde circulam por bares e baladas dos points gay e sempre viram a noite, bebendo, dançando,paquerando e é ai que entra a droga.

Neste universo dos grupos existe a divisão de classes: os mais pobres consomem maconha e crack e os mais abastados consomem ecstasy, cocaína e até heroína.

Acredita-se que mais de 20% dos jovens gays de todas as classes sociais viverão toda a juventude na corda bamba entre o consumo de bebidas e o consumo de drogas e desses aproximadamente 7% serão dependentes químicos até a fase adulta e mais de 10% farão uso eventual da maconha até os 50 anos de idade.

Há também na fase adulta entre os 30 e os 50 anos, um percentual de 3% dos gays consumindo cocaína e outras drogas sintéticas. Esse fenômeno ocorre durante o período de ascensão profissional com o consequente aumento da renda mensal.

O mais interessante é que o declínio do consumo de drogas ilícitas na fase adulta contrasta com o acentuado aumento do consumo de bebidas alcoólicas. Estima-se que mais de 50% dos gays masculinos consumirão álcool até a velhice.

Experiências no universo homossexual

Desde os meus quinze anos, no ano de 1974, eu tenho vivências no universo gay de São Paulo e no Rio de Janeiro.

As drogas populares da época eram a maconha e as chamadas bolinhas, remédios consumidos com álcool que atuavam no sistema nervoso central e davam o tal “barato”.

As minhas experiências com drogas restringiram-se ao consumo de maconha e comprimidos durante o período de um ano, entre 1979 e 1980. O primeiro contato foi em bares gays do centro da cidade e através da Tula, uma bicha que circulava nos guetos à procura de sexo, aventuras e drogas.

Naqueles tempos o consumo de drogas ocorria principalmente dentro das boates. A Medieval frequentada por famosos, Val Improviso, Nostro Mondo e a famosa Homo Sapiens conhecida como HS, na Rua Marques de Itu onde atualmente está o ABC Bailão. Inclusive, o motivo do fechamento da HS,foi justamente uma batida policial que identificou tráfico e consumo de drogas dentro da boate.

Muitos conhecidos, colegas e amigos se drogavam para enfrentar a noite nas ruas, bares e boates. As drogas eram consumidas nas ruas escuras e becos da cidade. Na década de 70 as noitadas eram um mundo surreal de sexo livre e explícito nas praças e banheiros públicos. Leia o artigo Um Olhar Retrô sobre a Cena Gay Paulistana.

Já nos anos 80, eu tive um amigo chamado Luizinho que se drogava com cocaína e tinha um caso com um coroa sessentão do Rio de Janeiro que ia para São Paulo todo final de semana e fez uso de cocaína por mais de três anos.

Motivo para o gay idoso se drogar: As experiências sexuais do casal eram verdadeiras orgias e viagens alucinógenas numa realidade paralela.

Algumas vezes tinha-se notícia que corria de boca em boca, sobre gays mortos por overdose em festas particulares em apartamentos privados, hotéis e motéis da cidade.

O uso de drogas no universo gay das décadas de 70 e 80 não era diferente do consumo dos dias atuais. Os principais motivos são: inserção social em ambientes gay, hábitos e costumes do grupo, fuga da realidade e experiências extrassensoriais, mas devido ao consumo contínuo por longos períodos a dependência é inevitável para uma parcela desses gays.

A dependência é o pior dos mundos, pois a juventude é a melhor fase da vida, período de estudos, inserção no mercado de trabalho, ascensão profissional e crescimento pessoal em todos os sentidos.

Não sou conversador, mas todos nós almejamos algo na vida, como realizar sonhos e conquistar um espaço neste mundo, ainda mais para o gay que é minoria neste planeta.

Outro dia passeando na Avenida Paulista eu observei um homem parado e olhando um gay abraçado a um amigo e ele soltou o seguinte comentário: Além de viado também é drogado – Duplo preconceito: drogas e homossexualidade.

 Como observador deste mundo moderno, eu percebo os gays jovens e maduros vivendo freneticamente numa sociedade de consumo e penso que eles buscam a droga como solução mágica para seus conflitos interiores, mas não é assim que funciona.

O contato com ela ocorre quando o gay está buscando mais intensamente o conceito de si mesmo, a sua identidade psicossocial, pois ele acredita que a resposta está no exterior, sem tentar buscá-la em si mesmo.

Já os gays maduros e idosos se drogam porque não enxergam perspectivas para o futuro. Muitos buscam esquecer traumas ou perdas de entes queridos e sem perceber o vício acaba sendo parte integrante do seu cotidiano, pois não conseguiram se livrar da dependência química.

O pior dos mundos é a dependência e a necessidade do uso de drogas em maiores quantidades para se obter os mesmos efeitos. Quando se percebe passaram anos e até décadas.

Por mera coincidência, eu fiquei em São Paulo num feriado abril deste ano e fui acordo logo cedo com sirenes de carros de bombeiro. Resumo: Um gay morador do prédio da frente queria suicidar-se porque o parceiro rompeu a relação, mas o motivo da paranoia é que ele estava drogado.

No mundo das drogas há riscos de morte súbita, paranoias como citei no parágrafo anterior, agressividade e o mais comum: parada cardíaca. Também, é sabido que na abstinência provoca depressão.

É triste, mas esta é a realidade

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