Pistantrofobia no mundo gay

OLYMPUS DIGITAL CAMERANome estranho não? Mas nada que não seja devidamente esclarecido.

Nascemos, nos descobrimos, vivemos e gozamos da juventude. Corpos rígidos, olhos atentos, raciocínio rápido e  hormônios a flor da pele. Com o tempo, os braços e pernas tornam-se flácidos, as rugas se espalham como raízes pelo rosto, as atividades inevitavelmente mudam e a experiência pode ser interpretada como ponto forte. Não adianta nem tentar escapar: todo mundo fica velho.

Mais do que o envelhecimento do corpo, o envelhecimento do cérebro gera uma série de doenças psicológicas, bem como, fobias de todos os tipos.

Entre os gays é comum o comportamento de não confiar nas pessoas por razões óbvias e eles tem motivos de sobra para serem desconfiados, mas nada que justifique o excesso de zelo porque isso apenas colabora para o isolamento social e, por conseguinte, problemas psicológicos, inclusive a depressão.

Não confiar nas pessoas tem origem nas experiências de vida de cada um e geralmente advêm de experiências negativas. O nosso cérebro sempre busca nas memórias os indicadores para nos direcionar comportamentos do presente.

Um exemplo do cotidiano está na confiança que depositamos nas pessoas, seja ele um amigo, um companheiro ou apenas um parceiro sexual e algum tempo depois nos decepcionamos porque tivemos experiências desagradáveis, tais como: o amigo traiu a sua confiança, o companheiro te trocou por outro e o parceiro sexual preferiu outro corpo mais belo.

Algumas situações negativas são inevitáveis. A verdade é que acumulamos experiências durante a vida e a homossexualidade sempre será o principal motivo de vivenciarmos situações negativas, pois estamos rodeados de circunstancias que geram negatividade em nossas vidas. É preciso batalhar muito para evitar situações dessa natureza.

Talvez, isso seja um dos principais motivos dos jovens gays que gostam de homens maduros e idosos sentirem-se desprezados, mas esses jovens não compreendem as experiências de vida dos mais velhos que em sua grande maioria tem medo de confiar no parceiro por experiências negativas do passado.

No mundo gay os seus personagens vivem constantemente desconfiados de tudo. Mas incubar uma fobia de medo extremo, para não confiar nas pessoas parece algo surreal. Então quando eu li sobre o assunto, eu achei o tema interessante e trouxe aqui no blog para debater com os leitores.

Um medo para ser patológico deve causar danos significativos no cotidiano das pessoas. No caso dos gays que sofrem dessa fobia, as suas relações ficam bastante comprometidas, gerando danos em toda esfera social, pois em tudo que é social encontramos relações e acredito que boas relações só se estabelecem na confiança, sem ela nenhum laço permanece por muito tempo. O mesmo acontece com as relações humanas, sem um nó forte da confiança não há amor, respeito, carinho, admiração e amizade que resista.

É muito complicado deixar de criar vínculos sociais por medo, devido a um passado negativo e que não volta mais.

Há algum tempo eu tento encontrar respostas para essa fobia, pois ela não é tratada como doença e parece-me que o efeito negativo sobre as pessoas restringe-se ao isolamento social e uma vida solitária, principalmente, na maturidade e na velhice.

Portanto, se você tem sofrido de Pistantrofobia procure um especialista, ele poderá te ajudar.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 18/02/2014, em Qualidade de Vida, Saúde e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. Pedro Santos

    Tenho 55 anos, sou divorciado e optei por morar sozinho pós o último divorcio, sofri com relacionamentos, e ainda não sai do armário para a família e trabalho, tenho poucos amigos gays, a maioria também no armário.
    E a paquera é difícil, porque todos querem saber tanto detalhe de sua vida, antes mesmo de conhecer o rosto um do outro, isso gera medo e desconforto.
    Eu acho que um encontro em lugar público com poucas informações um do outro, se rolar atração, virão descobertas durante a paquera ou mesmo namoro.
    Mas colocar toda a sua vida em detalhes num e-mail, que nunca vai se concretizar, me enche de medo.
    Estou certo? Estou errado? Tenho pistantrofobia? Não sei…

    • Pedro
      Eu penso que todos os gays tem pistantrofobia, aliás, todos os seres humanos. Vivemos num mundo de aparências e individualidades onde todos tem medo de se expor e abrir-se com outros seres humanos.
      abraço

      • Grisalhos,
        Obrigado, por responder. Sim, é verdade, todos temos medo. Mas porque temos medo?
        Eu tenho medo de perder família, amigos, emprego, ainda mais na minha idade. Poucas pessoas para conversar e desabafar, sabe é triste perceber tão tarde, que somos diferentes em apenas “uma” questão, e tão iguais em “tantas” questões, e ficamos aprisionados por causa de “uma” questão.
        Um grande abraço.

    • José Lima

      Oi Pedro, me identifiquei com seu comentário e senti vontade de falar contigo. Tenho 60 anos e me separei há bastante tempo. Mora no Rio? Essa é a primeira vez que acesso esse blog, pois estava procurando no google algo que pudesse me mostrar um caminho e caí aqui. Fui ler a reportagem para saber do que se tratava, pois é, será que o moderador pode nos colocar em contato? Abraços.

  2. A meu ver, muitos gays sofrem dessa fobia. Desde adolescência, ao descobrir que é “diferente” dos colegas, por gostar de homens e pior ainda “homens idosos” – o caso de muitos. A partir dessa descoberta, já começa viver desconfiado dos familiares e colegas, procura se isolar e realizar os desejos “clandestinamente” e no decorrer das experiências, resulta a pistantrofobia que complica as relações sociais. Estou referindo, os gays que vive no armário!

  3. Tenho 28 anos, só sinto atração por coroas, e sofro de pistantrobofia.

    Cheguei à conclusão que minha vida resumir-se-á à fast-foda, já que confiar em coroas é algo praticamente impossível de se ocorrer. Sejam casados ou solteiros, é sempre a mesma ladainha. Querem relacionamento, mas, ao mesmo tempo, vivem em uma caça vazia na busca pelo sexo. Sinto uma heteronormatização no mundo homossexual, no sentido de quem pega mais – no caso gay: machos – se sente com poder, mais viril ou algo que o valha. O jeito é viver a solidão mesmo e enfrentá-la cotidianamente.

    O mundo gay realmente é uma mentira, da pior espécie possível.
    Chega a ser vergonhoso ser homossexual e só sentir atração por coroas; infelizmente essa atração não mudará, e continuarei vivendo à margem de uma sociedade cada vez mais hipócrita, em seus diversos âmbitos.

    A vida nos dá uns pesos que vou lhe falar viu!!!

  4. Isso é típico dos coroas casados. Se bem que nem sempre. Há alguns meses peguei um e-mail de um quarentão, solteiro e super atraente. Começamos a conversar pela net, mas nem deu tempo de marcar um encontro; Ele era muito esguio, não compartilhava nada, não cedia nada sobre si mesmo além de informações sobre seu corpo. Não podia falar de emprego, em que bairro morava, a idade exata… Disse logo que não daria certo. É frio, insípido, como tentar paquerar uma boneca inflável, sem personalidade. Mas é compreensível a falta de confiança, como indica o texto (excelente por sinal).

    E sim, todo medo que nos impede de seguir com a vida de forma saudável deve ser tratado. Fobia não é frescura, imaturidade ou timidez, sei bem…

    • Eri
      Essa fobia não é exclusiva dos casados. Eu acredito que ela atinge principalmente os solteiros

      • Sim, concordo. O que queria acrescentar é que não podemos negar que quando se vive uma vida dupla, e consequentemente se tem algo a esconder, a desconfiança é ampliada. É só uma dedução superficial, mas realmente não tenho muita experiência de causa.

  5. L.S., slz-ma

    o meu amor tem fobia de câmaras de radiografias.

  6. Tenho um parceiro sexual faz 10 anos. Casado, mais novo que eu 14 anos. Procuro ajuda-lo naquilo que posso. Mas estou consciente que não quero me “pendurar” nele, crendo que isso fosse resolver meus conflitos, medos, inseguranças, solidão, etc…
    A única pessoas que sei que posso contar e confiar é: Eu Mesmo. Assim acreditando e me apoiando, não crio expectativas no outro e o relacionamento se torna mais leve, sem cobranças e muito mais gostoso 🙂

  1. Pingback: A vida social dos gays | Grisalhos

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