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Grisalhos: Balanço 2015

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Arte homoerótica de Raphael Perez

Dezembro chegou e breve mais um ano chegará ao fim.  No balanço das realizações pessoais a minha vida teve altos e baixos. Seria utópico se fossem apenas altos, pois as perdas são irreparáveis. Mas essa é a vida, as feridas cicatrizam e seguimos adiante.

Este ano escrevi sobre as relações familiares e a velhice gay. Um assunto pouco explorado por conta dos traumas individuais e as frustrações vivenciadas com nossa família, as dificuldades de aceitação, os conflitos e o rompimento, levando ao isolamento de cada individuo.

Revisitei os primeiros artigos publicados no blog, discorri sobre o amor homossexual e como é lindo amar diferente. Ah, falei também sobre o amor do João e sua vida na Espanha com seu coroa e o mestrado.

No mundo das relações pessoais escrevi sobre o desinteresse dos grisalhos por relações estáveis, as relações de fachada com mulheres, a busca do parceiro ideal e as peculiaridades das relações estáveis.

No universo gay escrevi sobre a ciência do arco-íris, parada gay e coisas que os gays devem fazer antes de morrer.

Neste ano me ocupei bastante com livros e filmes tanto em casa como nas livrarias e salas dos cinemas e fui figurinha carimbada no festival Mix Brasil da diversidade. Retomei o interesse na minha coleção particular de filmes temáticos, novas aquisições, nacionais e importados e nas prateleiras da chácara são mais de 200 títulos. Quem sabe quando me aposentar eu não abra um café e coloque um telão para reproduzir todos eles.

Como observador do mundo, identifiquei a busca frenética dos gays por um parceiro para sexo. Percebi os gays idosos se reinventado e buscando alternativas para combater o isolamento e a solidão. Escrevi sobre relações conflituosas entre gays jovens e idosos e mais recentemente sobre o romantismo gay.

Também, não poderia deixar de referenciar a crise política e econômica brasileira, que não nos afeta como gays, mas como cidadãos. Desemprego crescente, dívidas se acumulando, o consumo em queda e a incerteza para os próximos anos. Até os bares e points gays estão esvaziados.

Enfim, é preciso acreditar que dias melhores virão. Breve o verão chegará e junto com ele novas possibilidades. As praias de norte a sul do Brasil fervilharão de gente e nos diversos points, gays de todas as idades vão ferver, curtir, beber e se apaixonar

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Homossexualidade e Economia

homossexualidade_economia“Os sujeitos homossexuais só podem viver livremente suas sexualidades em lugares específicos, geralmente voltados ao entretenimento, com todas as suas limitações e artificialidades, pois a rua se estabelece como um lugar predominantemente heterossexual e repleto de moralidade”Reflexões de Pritchard (1998).

Os gays ganham mais visibilidade e o interesse dos empresários para investir em comércio e serviços específicos movimentando a economia de cidades, estados e do Brasil.

Conforme dados da ABRAT-GLS – Associação Brasileira de Turismo GLS – o turismo gay no Brasil movimenta hoje aproximadamente US$ 6,5 bilhões. Desse total, 70% vêm do turismo interno e 30% do internacional.

Também, não é de se admirar que o crescimento no setor seja maior do que o crescimento econômico de diversos segmentos no Brasil e as previsões para os próximos dez anos vão além da imaginação de qualquer economista.

O segmento LGBT tende a crescer nos próximos anos pela participação de grandes redes hoteleiras, companhias aéreas, construção civil, agências de viagem e turismo especializadas em atender este público.

Foi-se o tempo dos guetos escuros dos centros das grandes cidades. Hoje estabelecimentos comerciais de pequeno e médio porto estão em todos os lugares, inclusive, cidades do interior.

O mercado nacional concentra milhares de estabelecimentos, casas noturnas, bares, saunas, teatro, etc. que tem a cada ano consolidado mais espaços para atender a esse mercado no Brasil.

As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Florianópolis ocupam os quatro primeiros lugares no ranking nacional de destinos LGBT.

Também, cada vez mais as feiras de turismo estão abrindo espaço para o público gay porque os viajantes LGBT gastam uma média de 57% a mais durante suas férias em comparação aos turistas heterossexuais.

Atrair turistas homossexuais passou a fazer parte da agenda de muitos destinos turísticos, cujos órgãos oficiais têm participado ativamente na construção de um ambiente mais favorável e amigável, estimulando a solidificação de espaços gay friendly.

No mundo as cifras também são astronômicas.

De acordo com a análise de números de um estudo de pesquisa de mercado apresentado no World Travel Market em Londres,  o top 20 dos mercados LGBT poderá arrecadar US$ 202 bilhões esse ano.

Quem lidera a lista são os EUA, com turistas LGBT atingindo US$ 56,5 bilhões em gastos.

A economia e a homossexualidade nunca estiveram tão próximas e considerando que o impacto emocional desses estabelecimentos sobre os consumidores homossexuais é incalculável.

O universo da rua frequentado por muitos indivíduos em busca de encontros homossexuais tem limitações óbvias: impessoalidade, o risco de violência e impossibilidade de uma interação mais social do que sexual.

O mundo comercial gay seria assim uma resposta a esta frustração, unindo a eventual busca por parceiros sexuais a uma possibilidade mais ampla de socialização. Com este cenário, os empresários estão sorrindo à toa e a economia também, agradece.

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