Arquivo mensal: janeiro 2014

Velhice gay: Falsas percepções de identidade

velhice_gay_grisalhos_wordpressComo é que um homem gay maduro pode redefinir-se após anos de uma vida baseada numa falsa percepção de si mesmo?

Individualmente, cada um tem a sua história e trajetória de vida, mas quando pensamos no coletivo as histórias individuais são comuns.

Os gays são atores de si mesmos, por isso é que eles precisam saber com clareza de que modo estão atuando e sendo a cada instante. Com isso é possível desenvolver habilidades tornando-se os senhores criadores de suas realidades com maior consciência, deixando de ser autômato, ou seja, sem a percepção lúdica de si mesmo.

Eu acho importante cada um agir de modo consciente, pois na maturidade e na velhice os gays não são participantes ativos dentro de contextos familiares e sociais. A maioria já está aposentada e o contexto do trabalho foi excluído da sua vida.

Os gays na maturidade são apenas observadores do que ocorre no mundo e isso não os protege, pois jamais se perde o que somos na essência.

Os gays maduros e idosos sabem que não é fácil inserir-se em contextos familiares e sociais porque a homossexualidade sempre foi um divisor de águas das gerações anteriores a 1970.

Eu nasci em 1959 e hoje aos 54 anos, eu tenho a consciência e consigo notar que o individuo homossexual permanece incessantemente entrando e saindo de espaços fechados, todos configurados em meio a diversas leis e sistemas.

Se o gay não está dentro de um contexto familiar, está dentro de um contexto de trabalho ou em alguma outra situação sociocultural que o requisite num estado padronizado de manifestação que interage e modifica a sua biografia pessoal. Esse estado padronizado é o padrão heteronormativo.

É deste modo que eu observo o movimento que gera o aprisionamento do nosso ser essencial em uma trama que, ao atar, cega. 
O mais triste deste estado é que o cegar vale tanto para uma visão mais acurada sobre a realidade externa, como também para uma visão interior.

A crise, portanto, acontece quando o indivíduo homossexual passa a se dar conta de que não se entende nos vários sentimentos e sensações a que é acometido – Sente uma ruptura no sentido da vida.

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Outra queixa comum daqueles que se percebem em estados mais depressivos é a falta de ação, mas mesmo neste estado de aparente não ação, exacerba-se mais uma amostra de um tipo de manifestação também sem controle.

Hoje existem as psicoterapias para gays que vivenciam processos que auxiliam o individuo a entrar em contato com os aspectos que os estruturaram e que, dentro deste processo, o gay maduro tem a oportunidade de se observar e de se transformar.

Isto gera a possibilidade de um reconhecimento perceptivo a respeito de nós mesmos e dos possíveis motivos que chegaram a nos distanciar de quem realmente somos.

Acontece que num processo gradativo, a nossa percepção pouco a pouco acaba sendo minada. Passamos a achar normal uma vida medíocre sem grande entendimento sobre nós mesmos. Achamos normal corrermos atrás de uma ganância desenfreada alimentada por uma competição atroz, sem contar o hedonismo reinante no meio gay.

Assim, envelhecemos e pouco a pouco perdemos a referência de quem somos e o pior é que passamos a achar que a baixa qualidade de prazer que temos na vida é normal.

Finalizo este artigo da mesma maneira que comecei, com perguntas para uma reflexão sobre a maturidade e velhice vividas no presente:

  1. Como é que um homem de meia idade pode sair do armário e começar a transição para viver como um homem gay?
  2. Quais são os desafios físicos e emocionais de homens gays maduros, alguns dos quais estão explorando sua atração pelo mesmo sexo pela primeira vez?
  3. Que preconceitos e desigualdades os gays têm de enfrentar quando chegam à maturidade ou velhice?

Nota:

O texto da segunda imagem do post é de Luís Antônio Groppo que é Pesquisador do CNPq, possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e professor do Mestrado em Educação do Centro Universitário Salesiano de São Paulo

Encontrando amigos gays

2014_grisalhos_amigos_gaysTodos nós podemos nos tornar solitários quando ficamos mais velhos, principalmente os gays.

Parece tão óbvio, mas quando envelhecemos nos esquecemos de coisas simples do cotidiano que podem auxiliar na busca por amizades.

No Brasil ainda é utopia pensar em grupos sociais da terceira idade para homossexuais. Existem asilos e centros de convivência de idosos, mas nesses locais o gay é segregado e colocado à margem do grupo porque esses centros não oferecem um ambiente social onde o idoso homossexual se sinta confortável.

Algumas dicas podem ajudar a manter uma base sólida de amizades, porque bem ou mal, sempre precisamos de pessoas que possam nos auxiliar nos momentos difíceis.

Faça amizades com outros gays na mesma faixa de idade. Estreite o relacionamento, se permita ser amigo para todas as ocasiões. Mesmo que o seu amigo tenha companheiro e você não, isso não impede de manter o vínculo.

As pessoas criam vínculos na mesma faixa social ou com pequenas diferenças de status quo.

Os gays precisam de amigos gays porque na hora do aperto é o amigo que vai ajuda-lo e vice-versa.

As amizades são construídas com base em características comuns: Preferências de parceiros, afinidades para artes, música, cinema, TV, a mesma faixa de idade e até comportamentos similares.

Amigos com pequenas diferenças de idade são os ideais porque tem a mesma visão do mundo e da vida.

Se você vive no armário procure amigos que também não assumiram a homossexualidade. É importante se permitir abrir a sua vida para uma nova amizade e tirar da cabeça que haja interesses materiais. Interesses sempre existem, mesmo que seja para tirar proveito da amizade numa hora difícil.

É comum casais gays procurarem outros casais gays, não para troca de casais, mas para vínculos de amizade.

Um estudo de 2012 na Inglaterra indicou que o problema de solidão entre os gays idosos acentua-se após os 65 anos e os problemas de saúde tornam-se constantes após os 70 anos.

Nesse estudo os gays acima de 65 anos preferem ter amigos a ter parceiros ou companheiros para sexo.

Hoje a tecnologia permite conhecer pessoas mesmo de outras cidades e até países. Com acesso à Internet você pode participar de fóruns de discussão ou sites de namoro e fazer contato com outros gays – mas tenha sempre cuidado ao fornecer informações pessoais.

E não descarte a possibilidade da utilização de um anúncio pessoal em jornal ou revista especializada – muitas pessoas encontram amigos através de anúncios pessoais, e você pode manter seus dados confidenciais através dos sistemas de mensagem que a maioria dos jornais respeitáveis ​possui.

Ainda vale aquele anúncio, mais do que batido: “homens procurando homens” ou “mulheres que procuram mulheres” nas secções de anúncios dos seus jornais locais.

Amizades você encontra nas ruas, nas praças e nas praias – No meio gay é comum idosos frequentarem saunas, não para fazer sexo, mas para manter vínculos, bater papo e passar o tempo – Na velhice os gays são abandonados à própria sorte!

A dica é simples: Sair do isolamento social e buscar pessoas para amizades e assim ter novos amigos.

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A ideia deste post surgiu após a leitura de um programa chamado Improving later life da organização Inglesa AGEUK.ORG, no caderno Planning for later Life, para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros.

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