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Desmistificando o coroa gay

gay_idoso_6No universo dos gays, o comportamento dos coroas é observado pelos mais jovens como algo frio, sem sentimentos, exibicionista e principalmente, ávidos por sexo sem compromisso.

Bem, os coroas possuem diversos tipos de comportamento e com o passar dos anos e com o envelhecimento outras mudanças ocorrem nas questões comportamentais, mas alguns tipos mantêm um padrão, senão vejamos:

Coroas até sessenta anos se comportam como eternos jovens, já os mais velhos ficam mais seletivos e assumem a velhice como um processo natural e aqueles que estão com mais de setenta anos já estão assimilados e desses os que não apresentam problemas de saúde ainda estão na ativa e vivenciam, na medida do possível, o amor homossexual.

Para entender o comportamento é preciso indexá-lo ao preconceito que desperta nos gays desde a juventude um artefato de defesa e eles usam isso como escudo nas inúmeras situações repressivas do cotidiano, inclusive, contra os próprios gays, seus possíveis parceiros.

O coroa já viveu os seus momentos de sonhos e na maturidade e na velhice ele não quer saber de compromisso sério ou relação estável e nem passa por sua cabeça a necessidade de inclusão social.

Suas vivências e interações no seu extrato social geram um leque de comportamentos, mas todos têm em comum não se apegar ao companheiro, ou melhor, não sofrer num relacionamento. É o que eu chamo de instante play, ou, viver o momento presente sem planos para um futuro incerto. É a consciência plena da maturidade e da finitude da vida.

Os coroas que gostam de jovens vivem a parceria para o sexo e etiqueta. Eles escolhem jovens bonitos, de corpos esculturais e abrem mão dos conhecimentos ou da inteligência do mais jovem. O jovem passa a ser o amante que lhe proporciona prazeres e visibilidade social, mas, tudo é efêmero e qualquer desentendimento faz o coroa pular fora e buscar outro parceiro por questões óbvias de hedonismo.

Também dizer que os coroas são frios e sem sentimentos por conta dessas atitudes não é verdade absoluta. Eles agem assim porque estão calejados, com feridas do passado e a vida lhes ensinou os altos e baixos das relações.

Na verdade os mais velhos são os educadores dos mais jovens e nessa relação há muitos conflitos. Os jovens se acham usados e os idosos nem pensam em usá-los. O jovem é o suporte ao coroa para que ele se sinta jovem e capaz de realizar conquistas amorosas ou sexuais.

Coloque-se no lugar do coroa e imagine-se não tendo mais atrativos físicos que desperte o tesão dos jovens.

Desde muito cedo eu soube que tudo seria momentâneo, mas apenas na maturidade descobri porque é assim. Não existe mistério, pois no curso da vida os gays experimentam situações que envolvem sentimentos de ansiedade e quanto encontram um parceiro a felicidade desabrocha. Mas no percurso ocorrem perdas, frustrações, rejeições e essas terminam em desilusões e muitas vezes se transformam em rancor e ódio que somado ao preconceito molda os comportamentos.

O coroa passa a agir mais com a razão do que com a emoção. A vida lhe ensina isso e em contrapartida ele quer desfrutar seus momentos sem traumas. Também, o coroa sente-se rejuvenescer quando está ao lado de outro jovem e isso traz à tona a busca da eterna juventude.

A busca da eterna juventude leva a outros comportamentos de instintos básicos, como frequentar saunas, cinemas e buscar parceiros na Internet para saciar o seu desejo homossexual. Quem vive em função apenas do sexo não muda o comportamento e na velhice continuará a procurar o sexo pelo sexo.

Coroa gay que gosta de jovem sempre estará na gangorra dos relacionamentos e a diferença de idade é um complicador que não permite relações duradouras, salvo raras exceções.

A cultura do prazer não é privilégio dos jovens, os maduros e idosos buscam o prazer mesmo vivendo no armário e isso compromete outros tipos de relações.

Quem ultrapassou décadas de confinamento e rejeições, após encontrar um companheiro quer desfilar com o bofe a tiracolo para mostrar que ele é capaz de conquistar parceiros. Na verdade ele faz isso inconscientemente por diversas razões e todas estão diretamente ligadas às suas emoções reprimidas e ao envelhecimento do corpo.

Não é fácil desabrochar emoções represadas por décadas de sofrimento interior e na velhice a mente continua jovem, mas o corpo está em processo de degeneração. O coroa quer aproveitar os momentos que lhe restam para viver um fio de amor homossexual.

É interessante observar coroas efeminados, pois não possuem comportamento de rejeição aos jovens porque precisam deles, em contrapartida os coroas masculinizados são mais suscetíveis às trocas constantes de parceiros.

Claro que tem os esnobes e fetichistas! Esses usam o status social e financeiro para atrair jovens para relações sexuais e vivem das aparências; se outro jovem mais bonito cruzar o seu caminho a troca será inevitável por mera questão de status.

Já os coroas que gostam de maduros têm probabilidades de ir além do prazer sexual, porque vivendo com um parceiro na mesma faixa etária, os conflitos tendem a ser menores e o entendimento da homossexualidade não compromete a relação.

Neste cenário os ajustes entre os parceiros são pequenos e dependem de poucas adaptações, enquanto na relação entre o coroa e o jovem as disparidades são evidentes, por uma simples questão de lógica.

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Velhice gay: castigo ou redenção?

gayOutro dia um amigo disse que não imaginava que teria uma velhice sem preconceitos, pois passou toda a juventude e a fase adulta sendo discriminado pela família e sociedade.

Quem tem hoje sessenta anos ou mais nasceu antes de 1956 e viveu a infância e parte da juventude na década de 60, logo essa geração acompanhou o processo de transformação das experiências sexuais.

No aspecto geracional, destacam-se os momentos: o período que vai da ditadura até a abertura política, e o impacto da pandemia da AIDS; a transição da perspectiva de direitos no âmbito dos novos movimentos sociais; o processo de construção de um circuito de entretenimento gay nas cidades brasileiras; a evidência do evento da Parada Gay, que passou a dar visibilidade à sociabilidade, à homossexualidade; a luta por reconhecimento social e civil do emergente movimento LGBT.

Em consequência, essa geração encontra-se no auge das mudanças sociais espelhadas em novos estilos de vida gay, com o crescimento do mercado de consumo, dos espaços de entretenimento homoerótico, das formas de lazer, das manifestações públicas e da reafirmação política de direitos sociais e civis. Assim, novas questões surgem para os indivíduos velhos e envolvem aspectos que se delineiam ao longo da vida do homossexual, como a luta por afirmar a homossexualidade na trajetória de vida e sair de dentro do armário.

Caro leitor, há vinte anos sair do armário era impensável! Aliás, eu sempre digo que atualmente a sociedade não está nem ai se eu estou ou não no armário. Pense nisso.

O castigo citado no título deste artigo vem da ideia e argumentos de estudiosos sobre a velhice e a homossexualidade como duplo estigma, mas todo ser humano envelhece, logo cabe a cada um construir a sua velhice. Para alguns a velhice é castigo para outros, redenção.

O constrangimento com a própria homossexualidade, muitas vezes, suscita as dúvidas em relação a si mesmo e a obrigação de justificar a diferença. A consequência é o enfrentamento das muitas crises existenciais que aparecem na gestão da vida individual, porém não sem gerar situações paradoxais, entre as quais, o cumprimento social do casamento heterossexual se verificava como uma realidade para os homens dessa geração.

Eu sou positivista e acredito firmemente na velhice como algo bom. Minha juventude não foi nada fácil, mas no decorrer da vida colecionei as experiências boas e esqueci as ruins para não viver com traumas e neuroses. Quem chega à velhice com problemas psicológicos obviamente tem mais propensão a doenças físicas.

Em minha opinião os gays devem aproveitar a velhice para se redimir do passado e aproveitar a onda citada no terceiro parágrafo para viver uma vida boa, quebrando paradigmas e adaptando-se ao contexto social atual.

Discutindo este assunto com o amigo citado no primeiro parágrafo, a redenção significa poder fazer tudo aquilo que deixamos de fazer ao longo da vida gay, por incontáveis razões e motivos. Na velhice não precisamos dar mais satisfações a parentes e amigos, somos donos da nossa vida, nos sustentamos do nosso trabalho e fazemos aquilo que gostamos de fazer.

O comportamental não tem muita importância. Se você tem um parceiro e ele mora com você, obviamente a vizinhança inteira sabe que ele é seu amante.

Observe o quanto pessoas em geral não estão nem ai para o seu comportamento, salvo alguns casos extremos que violam preceitos morais, mas até esses preceitos estão mudando.

Meu companheiro diz que hoje faz coisas que jamais faria nos anos sessenta ou setenta, porque a sociedade era extremamente conservadora. Ele diz que o mundo era pequeno demais, todos se conheciam principalmente em cidades do interior.

Hoje as pessoas estão dispersas nos espaços públicos, o que facilita a vida e o dia a dia dos gays. Ele ainda completa: Ser gay há quarenta anos era castigo, hoje não é mais. Esta é a visão de um homem de 70 anos.

Se você já vive a velhice, faça-a de uma maneira saudável e positiva, senão vá preparando o caminho porque ninguém sabe como será o mundo em 2050

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