O movimento gay e neopagão Radical Faeries

Este artigo estava engavetado há quase um ano e hoje sexta-feira, 13, eu resolvi publicar. Tem gente que acredita que a sexta-feira, 13 dá azar, mas isso é fruto do imaginário popular. A fobia deste dia tem até nome científico parascavedecatriafobia.

O artigo pode não agregar nenhum valor ao seu conhecimento, mas vale como curiosidade, para você conhecer algumas variantes do comportamento social dos homossexuais.

O Radical Faeries foi fundado em 1979 nos Estados Unidos por Harry Hay. Em português seria algo como: “Fadas Radicais”.  É um movimento místico, neopagão e homossexual que atualmente está presente em várias partes do mundo. No Brasil não se tem notícias de locais com templos e nem informações de gays adeptos desse movimento.

O “Fadas Radicais” não é afiliado a nenhum movimento gay organizado e trilham a contracultura dos movimentos gays atuais  e que procura rejeitar a imitação dos heterossexuais e redefine a identidade gay através da espiritualidade. O seu fundador sempre rejeitou o rótulo de movimento e se definiu como um estilo de vida livre.

O movimento Fadas Radicais começou nos Estados Unidos entre os gays masculinos durante a revolução sexual e da contracultura de 1970. O movimento expandiu-se em conjunto com o movimento dos direitos dos gays, desafiando a comercialização da vida moderna LGBT enquanto celebrava construções e rituais pagãos. O “fadas radicais” tende a ser completamente independentes e contra o sistema.

A cultura Faerie é indefinível como grupo; no entanto, tem características semelhantes ao marxismo, o feminismo, paganismo, os índios nativos americanos, a nova espiritualidade dos tempos modernos, o anarquismo, o individualismo radical e a cultura terapêutica de auto realização pessoal.

É um misto de solenidade espiritual combinada com a libertação sexual dos gays que gostam de viver em comunidades rurais e são adeptos da vida livre.

Hoje o Radical Faeries incorpora uma grande variedade de gêneros, orientações sexuais e identidades. Nos santuários os encontros são abertos a todos, enquanto alguns ainda se concentram na experiência espiritual particular dos homens que amam homens.

Os integrantes adeptos do movimento gostam de viver uma vida rural com conceitos ambientalmente sustentáveis e sem as tecnologias modernas, como parte da sua expressão criativa. Nesses ambientes foram construídos santuários, jardins, hortas e obviamente espaços para meditação e a experimentação do sexo.

Nos Estados Unidos as comunidades são geralmente inspiradas por espiritualidades indígenas, nativas ou tradicionais, especialmente aqueles que incorporam gender queer, um tipo de entidade espiritual gay.

A ramificação espiritual do movimento visa também equilibrar a vida dos gays, sem culpas ou rancores sobre a homossexualidade. O conceito sobre a sexualidade indica que ser gay é uma condição espiritual pré-existente no individuo.

Harry Hay e John Burnside

Para os adeptos do movimento o espírito gay é central e que ele próprio é a fonte da espiritualidade, o início da sabedoria. A consciência sobre esses aspectos espirituais abrem a mente para a seriedade da homossexualidade, sua profundidade e potencial, assim, anunciando uma nova etapa no sentido de Libertação Gay.

Existem alguns santuários nos Estados Unidos: Oregon, Tennessee, Vermont e Ontário, além de outros na França, Tailândia e Austrália.

O movimento Radical Faeries foi retratado no cinema, com algumas cenas no filme Shortbus do diretor James Cameron Mitchell e no famoso e inovador seriado Os Assumidos. Num dos episódios os protagonistas Emmett e Michael foram para uma propriedade rural para descobrir o seu “inner Faerie”. Naquele episódio ocorreram várias aventuras na fazenda, incluindo um encontro místico com Harry Hay, o fundador do movimento.

O fundador do Radical Faeries faleceu em 2002 e um filme retrata a sua vida: Hope along the wind, a história de Harry hay.

Dramas e delícias da bissexualidade

No Rio de Janeiro, no final do século passado, o escritor e jornalista Pedro Nava se suicidou, aos 81 anos, ao ter suas atividades sexuais com michês de Copacabana ameaçadas de serem reveladas à família por um dos seus parceiros. Nem amigos nem familiares suspeitavam que ele levasse uma vida dupla.

Mesmo em meio à liberação sexual vivida por gays em todo o mundo, hoje em dia, muitos deles ainda optam por se passarem por heterossexuais para serem melhor aceitos socialmente, e isso é particularmente verdadeiro no que se refere aos políticos. Muitos são gays, mas ocultam sua homossexualidade por trás da cortina hipócrita da família bem estabelecida, com esposa e filhos. E desse modo ganham respeito e mais votos dos seus eleitores.

O jornalista e poeta Paulo Azevedo Chaves narrou a este blog que em sua adolescência, no Recife, nos anos 50, seus primos, tanto os noivos como os casados, tinham relacionamentos homossexuais entre si ou com terceiros. E que ao longo de  sua vida adulta, passada entre Rio de Janeiro e Recife, ele conheceu vários gays que optaram pelo casamento convencional em busca de melhor aceitação social e também para escapar da solidão na velhice.

Um dos casos mais ilustrativos ocorreu na década de 90, no Recife, quando um jovem amigo  gay e ”pintoso”, se converteu à Assembleia de Deus, quebrou todos seus CDs, ficou noivo e foi viver de acordo com os padrões  morais da repressiva sociedade provinciana, em sua cidade natal.Quantos “entendidos” sufocam a própria homossexualidade para viverem segundo os cânones morais e religiosos das cidades de pequeno e  médio porte Brasil a fora? É isso que o assíduo colaborador de GRISALHOS se pergunta.

Ele também conta uma aventura amorosa que viveu já sessentão (hoje está com 73 anos) com um rapaz de trinta anos, que trabalhava como repositor de supermercado na vizinhança de seu apartamento em Afogados, bairro recifense. O rapaz era olindense e tinha mulher e três filhos. Durante dois ou três anos, eles viveram momentos de felicidade juntos. Mas quando Paulo se mudou para outro município, por motivo de trabalho, eles se separaram. Marcelo – este é o nome do olindense –continuou com sua vida dupla, transando com outros homossexuais. Ao se reencontrarem recentemente, Marcelo, mulato, quarentão, ainda muito atraente, contou ao ex-parceiro que estava com Aids. Ele contraíra a terrível doença transando no escuro de cinemas pornôs gays do Recife, sem proteção, depois que se separaram.

A bissexualidade é uma condição de vida muito comum em todos os estratos sociais mundo a fora. O famoso Alexandre Magno, rei da Macedônia, foi um bissexual assumido e muito respeitado por suas tropas na Grécia Antiga. Outro grande guerreiro, Julio Cesar, senador e conquistador da Gália na época pós-Imperio  romano, também foi um dos mais famosos bissexuais da História. E isso se repete através do espaço e do tempo em nosso mundo. O triste é quando essa vida dupla leva a tragédias, como a de Pedro Nava, que deu um tiro na cabeça numa rua de Copacabana, ao ser chantageado por um michê, que telefonou para sua casa, em plena madrugada. Segundo Paulo, ele foi um gigante como escritor, mas, por sua covardia, um anão como ser humano.

Imagem: Ricardo Chaves

Leia também: Mitos do universo bissexual

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