Angústia existencial dos gays

Quando se fala em angústia existencial vem à mente o existencialismo e como o homem comum se coloca na vida. Alguém me disse: “não existe vida sem sofrimento e nem felicidade eterna”.

Os gays têm as suas angústias porque a sexualidade mexe com a cabeça de cada um e de formas diferentes e se não existir equilíbrio emocional, o tédio, a solidão, o vazio e a falta de sentido do mundo se instalam facilmente.

Angústia é a forte sensação psicológica, caracterizada por abafamento, insegurança, falta de humor, ressentimento e dor. Na moderna psiquiatria é considerada uma doença que pode produzir problemas psicossomáticos.

Porque sou gay?

“Segundo Sartre, o homem possui a liberdade para assumir a totalidade dos próprios atos e, diante da obrigação de optar, se angustia, visto que mesmo o não optar já é em si uma opção de delegar o poder decisório a outro e, como tal, arcar com a responsabilidade do que for escolhido por este”.

Não escolhemos ser homossexual e se pudéssemos escolher a maioria dos gays optaria pela heterossexualidade que é dominante no mundo. Como não escolhemos “ser gay” nos angustiamos e isso gera sofrimentos.

A crise ou angústia existencial dos gays não é um sentimento elitista ou filosófico e pressupõe sofrimentos diversos advindos da sexualidade, do comportamento, do isolamento social e da vida confinada no armário. Os conflitos internalizados acentuam a angústia, principalmente, na fase adulta da vida.

Na maturidade a angústia surge diante de situações comuns sobre um futuro imprevisível e suas consequências. Os gays maduros se angustiam porque não tem certeza do controle sobre o seu futuro, aliás, ninguém tem.

Os gays adultos enfrentam processos de questionamento contínuos e chegam a associar sua diversidade sexual com o pecado e a liberdade, além de questionamentos sobre situações onde se coloca como vítima ou um ser inferior:

  • ·         Porque não arrumo companheiro?
  • ·         Porque as relações são apenas sexuais?
  • ·         Porque não sou desejado?
  • ·         Porque estou sozinho?
  • ·         Porque ninguém me percebe?
  • ·         O que fiz de errado para me tratarem assim?

Esta vida é uma bosta!

O pecado

Na juventude o gay se fecha para não enfrentar o mundo e muitos jovens acreditam que ser gay é pecado, é errado ou está contra os princípios de Deus e com isso o amadurecimento traz em suas raízes os princípios assimilados na juventude – Nunca se esqueça de que a família e as religiões são castradoras e isso prejudica a sua vida.

Os jovens do século XXI tem mais liberdade de expressão da sexualidade, mas na maturidade não serão diferentes de qualquer outro gay.

Leio frequentemente manchetes nos jornais e Internet sobre jovens homossexuais que cometem suicídio porque não tem estrutura psicológica para enfrentar o “problema” da homossexualidade, se é que isso é um problema.

Vida Finita

Na maturidade e no início da terceira idade os gays tomam consciência da finitude das coisas e da vida e isso provoca angústia e temor, pois os coloca frente à possibilidade da própria morte.

Pensar na existência física é uma constante na fase adulta de qualquer ser humano e não é diferente para os gays, porque as vivências causam cicatrizes e se essas não foram devidamente cauterizadas abrem-se lacunas para questionar a existência física.

Também, o envelhecimento do corpo coloca os gays frente a frente com a realidade e isso causa angústia existencial, além de muitos outros problemas psicológicos – Lembre-se que o hedonismo predomina no mundo gay.

Ser ou não ser, eis a questão.

Não existe remédio contra a angústia existencial. Cedo ou tarde ela vai chegar e você precisa se preparar para enfrenta-la e depois sair dela ainda melhor de quanto entrou – Lúcido, maduro, confiante, otimista e ciente de que a vida é assim mesmo e que, portanto, não vai existir outra possibilidade de você viver uma segunda vida e de outra maneira.

A angústia existencial está presente na obra cinematográfica de Ingmar Bergman e até na poesia lírica de Fernando Pessoa onde se percebe uma linha temática sobre o tédio existencial e nela há uma interrogação filosófica incessante acerca do mistério da vida, e por consequente do seu próprio ser, leva-o a um estado de melancolia, de desalento, de profundo ceticismo e de angústia e tédio existencial por saber que esta é irrespondível e torna-se incapaz de viver a vida, acrescentando-lhe ainda a solidão interior.

Você é quem você é

Homossexual ativo ou passivo, bissexual, lésbica, transexual, jovem, maduro ou idoso.  Não é nenhuma aberração ou pecado ser o que você é. Também, não existe cura para a homossexualidade porque o sexo faz parte da natureza.

Portanto, aceite a sua condição e aproveite ao máximo o que ela pode te oferecer. Ame todos os homens que cruzar o seu caminho, faça sexo todos os dias, pague michê, não tenha medo de cair de cabeça numa relação mesmo que dure apenas um dia. Viva intensamente toda a sua juventude, maturidade e velhice porque não sabemos se existirá um amanhã. O sexo é apenas uma pequena porção da sua vida e existem milhares de coisas que você pode fazer.

Leia um livro, ouça música, vá para a praia ou para o campo, dance, cante no banheiro, se relacione com pessoas, estude e trabalhe com dedicação, seja honesto e bom. Faça trabalho voluntário, isso ajuda a combater a angústia existencial.

Respire fundo e sinta a natureza. Deixe o ar entrar nos seus pulmões e você sentirá mesmo por alguns segundos que você faz parte deste universo infinito.

Um ótimo feriadão a todos os leitores.

Leia também:

>> O medo da velhice e da solidão

Vida gay na Síria

Recentemente o blog dos grisalhos recebeu visitas vindas da Síria, principalmente da capital Damasco e isso me chamou a atenção. Daí eu fiz algumas pesquisas sobre a vida gay naquele país e consegui algum material para escrever este artigo.

A Síria está nas manchetes mundiais por conta dos conflitos entre rebeldes e as forças do governo de Bassar Al Assad. Cidades históricas estão sob fogo serrado há meses, entre elas a capital Damasco e Alepo a segunda maior cidade do país.

Falar em vida gay num pais árabe é quase utopia, mas destaco que muitas histórias de amor homossexual fizeram parte da literatura árabe antiga.

Para os árabes, a Síria é considerada um paraíso gay; belos homens em toda parte, e muitos, muitos homens gays, mas isso não destaca que a vida é livre, pois a maioria é enrustido.

Na Síria existem todos os problemas comuns dos gays árabes. A homossexualidade é ilegal e os gays são punidos com três anos de prisão. A exposição para a sociedade como homossexual ainda é impensável.

Na última década houve algumas tentativas para falar sobre homossexualidade na mídia, mas, como os gays ainda sentem que é perigoso, os debates sobre homossexualidade não foram adiante.

Os árabes não gostam de mudanças bruscas na sociedade. Falar sobre direitos homossexuais ainda parece para muitos árabes uma conspiração contra as religiões – O cristianismo e o Islã. Os árabes pensam que o apego à religião é o que os torna mais fortes e únicos. Os regimes repressivos no mundo árabe tendem a conceder ao seu povo o direito de defender os seus valores tradicionais, que é o único direito que eles estão dispostos a dar.

A palavra árabe “shaz” era a única palavra para descrever um homossexual. A palavra “shaz” pode ser traduzida como “desviante” ou “anormal.” É uma palavra muito ofensiva em árabe. Por outro lado, as pessoas criativas em cada domínio na mídia, literatura e arte estão agora tentando trazer o assunto para discussão aberta. Infelizmente, quase a totalidade da população considera a homossexualidade um pecado. Enquanto isso, a palavra “gay” entrou no idioma falado, principalmente por causa dos filmes e programas de TV americanos, e é usado com frequência por jovens instruídos.

A Síria ficou estagnada desde a década de 1980, protegendo-se de qualquer influencia estrangeira, e, portanto, pode ser considerado um país atrasado nas questões da diversidade sexual. A prática do protecionismo cultural tem ferido a comunidade gay aberta e não há perspectivas de evolução.

Outro problema recorrente são os casamentos forçados e a pressão familiar, porque a cultura árabe vê na família o alicerce da sociedade. Nesse cenário as lésbicas são as mais afetadas. Isso fez com que surgissem algumas comunidades secretas compostas de lésbicas, principalmente na capital Damasco.

O momento político atual da Síria é instável e com os recentes conflitos na fronteira com a Turquia o confronto militar entre os dois países é eminente.

Turismo

Para o turista que visita a Síria todo cuidado é pouco, mas sempre tem lugares de pegação como o Monchieh Park um pequeno parque atrás do Hotel Four Seasons em Damasco e algumas saunas na cidade como: Hammam Al-Jadeed, perto do Bab al-Jabieh, Hammam Jaramana e Hammam Al-Khanji.

Na cidade de Alepo tem pegação no Parque público da cidade, na Praça Saadallah e na área de Al-Shallalat. A única sauna que aceita turista gay sozinho é Al-Naeem Hammam. Na sauna Ghornata “Granada” Hammam a entrada é permitida apenas com acompanhante.

Na cidade de Lattakia a praia é um bom passeio para começar. Se puder hospede-se no Safwan Hotel que é o local mais famoso como local friendly da região.

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