A diversidade sexual dos gays

sexo_maduroA diversidade sexual dos gays, aliás, de todos os seres humanos é uma coisa maravilhosa. Outro dia observando um casal pude perceber que eles eram amantes. Ambos eram maduros e o mais velho aparentava mais de sessenta anos.

Mas o que faz alguém sentir atração física por alguém muito mais velho?

O universo dos gays maduros que gostam de mais velhos é composto de homens masculinizados, cabelos brancos, barba, bigodes, calvície, barrigas salientes e corpo desgastado pelo tempo. Esses atributos físicos estão fora dos padrões estéticos da beleza física cultuada no mundo gay.

Eu mesmo me incluo neste grupo porque tenho cinquenta e três anos e meu companheiro sessenta e seis – Numa conversa franca nós chegamos à conclusão que gostamos de homens maduros, experientes, com personalidade mais desenvolvida e uma atitude madura para a vida e que a parte física tem a ver com a questão de “pele”.

Eu sempre me relacionei com homens mais velhos. O meu padrão sempre foi homens acima dos quarenta anos. Nesse padrão tem outros atributos: não pode ser homem imberbe, não aprecio homens brancos, prefiro os morenos com traços árabes (talvez por causa da minha descendência).

O tesão por corpo envelhecido não tem explicação.  Alguns estudiosos relacionam essa preferência às fantasias sexuais de homens maduros (pai, tio, vizinho, professor) instigando a mente da criança na fase de aprendizado e assimilação da infância.

O gay que gosta de homens mais velhos não procura o sexo motivado apenas por necessidades fisiológicas. Estão associados ao sexo também sentimentos de amor, carinho e amizade; necessidades de proteção, segurança e companhia.

Troquei mensagens com alguns leitores do blog e muitos sentem dificuldade em atrair esses homens, porque a maioria dos gays maduros e idosos prefere os jovens.

Nos dias de hoje, as relações sexuais e afetivas entre homens com grande diferença de idade continuam a causar “escândalo”, mas por outro motivo: o preconceito. Começa já pelo fato de ser uma relação gay, outros vão mais longe e dizem que o preconceito também vem dos gays, às vezes, até com mais intensidade.

A discriminação recai sobre o mais velho. A vida sexual de pessoas mais velhas termina ou deve terminar com o aumento da idade. Em contrapartida o que está acontecendo é que os idosos estão ativos sexualmente e isso é bom porque tira o estigma da velhice assexuada – Que se dane a discriminação!

Outro fator relevante é a solidão. Ser gay é estar praticamente condenado a passar sozinho pela maturidade ou velhice? O gay mais velho não pode arranjar um cobertor de orelha “madurão”? A tendência da maioria dos gays idosos é ficar sozinho?

A vida está aí, as oportunidades estão aí, basta ser menos exigente, deixar um pouco as fantasias de lado, às vezes, a dificuldade está no próprio idoso: Gays maduros já sofreram desamores e têm medo do sofrimento. Existem gays que estão chegando à maturidade e já se comportam como idosos – e muitos gostam de homens ainda mais velhos, e mesmo assim estão sozinhos.

No entanto, a vida dos gays mais velhos pode ser bem animada – e parte disso se deve justamente às relações intergeracionais. Se eles preferem os maduros e vice-versa, que siga em frente, porque toda forma de amor vale a pena e a sociedade hipócrita vai observá-los como “amigos” e não “amantes”.

Leia também:

  1. Gostar de homens mais velhos
  2. A mudança de preferências sexuais entre os gays
  3. A vida do gay maduro dentro do armário

Crédito da Imagem:

** Mogan

Será o fim das relações estáveis?

casa_gay_maduroRecentemente, eu publiquei o post Mapa-múndi do Arco íris, sobre a evolução dos direitos civis dos gays e reconhecimento das uniões homoafetivas ao redor do mundo.

Ontem os telejornais deram destaque sobre as empresas americanas que solicitam à Suprema Corte Americana, aprovação do casamento gay em nível federal nos Estados Unidos.

Na contramão dessas mudanças, os gays reclamam que está cada vez mais difícil encontrar um parceiro para uma relação estável – A maioria dos gays quer apenas sexo, então para que casamento gay?

O que está acontecendo no mundo é um fenômeno chamado comunicação.

Lembro-me dos tempos difíceis da ditadura militar e até o final dos anos 1990. Os gays tinham muita dificuldade de comunicação porque viviam confinados em guetos, às vezes era um pequeno bar num beco qualquer e por lá circulavam em média trinta gays por noite e as possibilidades de encontrar um parceiro para fazer sexo eram muitos pequenas.

A Internet e a telefonia móvel revolucionaram a comunicação e isso gerou uma mudança radical na nossa cultura, proporcionando uma rápida comunicação entre as pessoas. Hoje é fácil encontrar gays que tenham afinidades semelhantes à nossas.

Os gays estão conectados na Internet o tempo todo buscando estabelecer contatos. A facilidade na comunicação abre um leque de opções de interações, inclusive, sexuais.

Se antes eu levava seis meses para encontrar um parceiro, hoje eu posso ter vários em questão de minutos. Com essa gama de possibilidades e variedade de parceiros fica difícil eu querer estabelecer uma relação estável.

Atualmente a relação estável concorre com a variedade de possibilidades de se obter vários parceiros sexuais. Será o fim das relações estáveis entre gays? Será que o futuro será de relações abertas?

Eu nunca havia pensando nisso, mas trocando e-mails com um leitor do blog, eu conclui uma possibilidade sobre esta questão.

Os gays são minoria e dentro dessa minoria existe uma minoria que prefere a relação estável.Portanto, não será o fim das relações estáveis entre gays. Nada mudou, sempre foi assim, mesmo no passado e não será diferente no futuro, mas com uma variante nova: a comunicação pode influenciar e reduzir ainda mais o pequeno universo de gays que preferem a relação estável.

Leia também:

@@ Relação estável entre gays – até quando acreditar?

Casais gays – Dinâmicas de relacionamento

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