Obesidade entre os gays maduros e idosos

Olha aí do lado da página e veja os Top 12 da semana – Os grisalhos Gordos – Fat Daddies está na lista dos artigos mais lidos dos últimos dois anos e não é para menos, porque a maioria dos gays magros tem um fetiche ou predileção por gays maduros ou idosos gordos e gordões.

Embora a prevalência de obesidade diminua com o avançar da idade, ela ainda é uma situação comum e de grande relevância na população em geral e também entre os gays envelhecentes.

As inflamações crônicas e as alterações endócrinas contribuem para as mudanças no metabolismo e na composição corporal que aparecem com a idade.

Essas alterações se não corrigidas podem trazer prejuízos às funções orgânicas e contribuir para o desenvolvimento de complicações da obesidade, como diabetes, hipertensão e doenças vasculares.

Já postei um artigo sobre o fetiche dos gays por homens gordinhos. Apesar do gosto por esse tipo físico a obesidade “leve ou acentuada” não é nada agradável, principalmente, porque além de todas as doenças a ela relacionadas, também, afeta o sexo, pois o excesso de peso reduz o desempenho sexual.

A obesidade causa outros transtornos, quando nem tudo está “no seu devido lugar” podem surgir problemas que acabam gerando isolamento, retraimento social no meio gay e até depressão.

E os problemas não param por aí. Os gays obesos podem ser predispostos a alterações hormonais que, associadas às constantes “pressões sociais” pelo corpo perfeito, a discriminação e o medo da própria sexualidade podem gerar disfunção erétil, ejaculação precoce e queda do desejo sexual.. É lógico que nem todos os gays obesos serão afetados por esses problemas, e é preciso uma avaliação médica para descobrir se essas disfunções sexuais tem origem psicológica ou são alterações do próprio organismo.

A obesidade é hoje uma epidemia mundial que precisa ser combatida não apenas por questão estética. Pacientes obesos podem ter dificuldade para se movimentar e têm infecções com maior frequência em suas dobras de gordura. Além disso, sobrecarregam sua coluna e membros inferiores, apresentando artrose de articulações da coluna, quadril, joelhos e tornozelos,  como também varizes e úlceras nos membros inferiores.

Desculpem-me os fãs de gordinhos e gordos, mas por todos os motivos acima e em nome de uma vida sexual saudável, pois sexo, é claro, também é saúde, vamos encarar a obesidade como uma doença que pode e deve ser combatida. O meu companheiro já está fazendo dieta e caminhadas diárias para combater o sedentarismo e o excesso de peso.

 Leia também:

 @@ Os grisalhos gordos – fat daddies

@@@ Os grisalhos gordinhos – chubby Daddies

O vídeo a seguir é da Fundação Portuguesa de Cardiologia

As homossexualidades populares

O diagrama deste artigo demonstra a chamada hierarquia popular da rotulação, estigmatização e marginalização da sexualidade masculina no mercado do sexo.

Eu trouxe este artigo para o blog com a finalidade de mostrar que mesmo depois de tantas mudanças sociais e comportamentais das últimas décadas, as pessoas ainda rotulam e marginalizam os gays. O submundo do mercado do sexo sempre existiu e sempre vai existir.

A homossexualidade popular é uma hierarquia de gênero articulada ao papel esperado no ato sexual; ou é ativo ou passivo. É óbvio que existe o papel duplo do “gilete” ou “versátil”, mas isso não é demonstrado nessas hierarquias.

Os clientes procuram as travestis para dar vasão à sua sexualidade e uma parcela de clientes gosta de fazer o papel do passivo – muitos travestis são bem dotados e isso desperta o desejo. Por outro lado os michês se submetem à passividade por questões financeiras e em menor escala por paixões repentinas.

No mercado do sexo não existem diferenças de classe social nos papeis desempenhados e a homossexualidade popular cria uma “hierarquia” de estigma e reprovação social de que são alvo as bichas e travestis, marcando-os com rótulos: Bicha burra, atrasada e sem consciência. Um rótulo comum no próprio meio é a “bicha pobre”.

As travestis são profissionais do sexo com características do sexo feminino e assim como os michês são figuras do cotidiano popular e no caso desse último imagina-se como homens viris. Michês e travestis representam respectivamente o homem e a mulher.

O cotidiano das travestis e michês é povoado de fantasias, medos, perigos e violência, mas também de paixões repentinas e efeminamento do prostituto. São comuns as histórias de garotos de programa que se apaixonam pelos clientes e acabam se submetendo às sevicias dos seus amantes e passam a fazer o papel do passivo. Nessa situação a virilidade fica no passado e para se chegar ao papel da travesti é um passo. Isso não é uma verdade absoluta, mas é um caminho trilhado com frequência por esses personagens.

Assim, a transação entre garotos de programa e clientes tende a conectar, de um lado, rapazes jovens, de desempenho de gênero masculino, ativos, mais pobre e tendencialmente mais escuros, e, de outro, homens mais velhos, passivos, mais ricos e tendencialmente mais brancos.

Do lado dos clientes, rola o desejo e fascínio por parceiros de classe baixa, jovens e rudes, que representam a masculinidade inculta e autêntica, o “homem de verdade”. Do lado dos michês existe o desejo e fascínio para desfrutar de uma série de coisas materiais: dinheiro, carro, apartamento, etc., assim como das possibilidades de novos relacionamentos sociais e do acesso à informação e cultura – a falsa “ascensão social”.

Nos encontros das travestis, michês e clientes a perversão esta sempre presente.  Os personagens reais deste cenário muitas vezes têm desvios de comportamento e taras incontroláveis. Os pervertidos, sadomasoquistas, sádicos, anormais de todas as formas físicas e sexuais circulam livremente nos territórios e bairros do mercado do sexo e tudo acontece com uma normalidade singular. As travestis e michês vivem na corda bamba, turbinados por bebidas e drogas, além de sinais evidentes de delinquência. Michês e travestis sempre portam armas brancas e uma minoria usa armas de fogo.

No mundo do sexo o dinheiro é o motor central da prostituição. Também, desejo e dinheiro anulam qualquer diferença de classe social entre os homens envolvidos.

Os garotos de programa vivem aventuras circunstanciais e tem horror às possíveis formas de apego sentimental. O bordão corrente entre os garotos é “Michê que gosta de cliente é bicha, michê não pode gostar”.

O mundo das homossexualidades populares exerce fascínio e proporciona um cenário de aventura erótica, chega a ser um fascínio ingênuo pela marginalidade. Dinheiro e desejo caminham juntos com a paixão e a violência, de corpos de clientes e prostitutos, homossexuais marginalizados ou adolescentes desvirginados e pobres.

Os acadêmicos dão a isso o nome de “região moral”, que designa um território residual para o qual convergem interesses, gostos e temperamentos ligados à boêmia, ao desejo não convencional, o lugar onde as paixões indisciplinadas, reprimidas, sublimadas encontram vazão.

Eu também considero que as carências e a falta de afeto levam à prostituição e escancaram as desigualdades sociais. O sexo é o subproduto desse processo e a sexualidade é apenas o pano de fundo de todos os dramas humanos.

Créditos: Referências aos textos de Julio de Assis Simões sobre homossexualidades populares – Julio Simões é doutor em ciências sociais e professor de antropologia da USP – Universidade de São Paulo.

Leia também: Gays maduros e os garotos de programa

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