O primeiro museu gay da América Latina

A notícia foi veiculada ontem nos principais jornais impressos do Brasil e nas diversas mídias digitais.

O primeiro museu gay da América Latina será construído na Estação República do Metrô da cidade de São Paulo.

Quando ficar pronto em 2013, a capital paulistana irá se juntar a duas outras grandes metrópoles do mundo. Atualmente, apenas São Francisco e Berlim têm projetos parecidos.

A obra será feita pela Secretaria Estadual da Cultura em parceria com o Metrô da cidade. O museu ocupará duas áreas, num total de 150 metros quadrados e deve se chamar Centro Cultural da Memória e Estudos da Diversidade Sexual do Estado de São Paulo.

O objetivo do museu é ser referencia para quem busca auxilio cidadão, além de resgatar as memórias e expor peças que remontem a história do movimento gay.

O governo está fazendo levantamento de tudo que existe para compor o acervo.

O primeiro museu do gênero foi inaugurado em Berlim em 1985. Hoje o Schwulesmuseum tem mostras permanentes de arte e exposições das mais diversas variantes sobre a diversidade sexual.

Já o museu gay de São Francisco foi inaugurado em janeiro de 2011. O GLBT History Museum possui uma área de 150 metros quadrados no bairro de Castro, em homenagem aos gays, lésbicas, bissexuais e transexuais que, junto ao Museu Gay de Berlim é o único do mundo dedicado a contar a história dos homossexuais e os obstáculos que tiveram de enfrentar.

E que venha o museu de São Paulo…

Leia o artigo de Gilberto Dimenstein sobre o tema – Museu Gay é uma boa idéia?

A Homossexualidade não é doença

É preciso conhecer um pouco a história e os registros ao longo dos anos para entender porque a homossexualidade não é uma doença.

No passado os gays eram tratados como doentes e anormais. Hoje quase não se fala mais sobre as perversidades do passado e é difícil encontrar registros das atrocidades sofridas pelos gays.

Tentativas médicas de alterar a homossexualidade já incluíram tratamentos cirúrgicos como a histerectomia, castração, vasectomia e até a lobotomia. Métodos baseados em substâncias incluíram o tratamento hormonal, tratamento de choque farmacológico e tratamento com estimulantes sexuais e antidepressivos sexuais. Outros métodos incluíram a terapia de aversão, a redução da aversão à heterossexualidade,tratamento de eletrochoque e hipnose.

Eu me recordo de um fato ocorrido na minha infância e que marcou aquela fase da minha vida. Naquela  época eu tinha 10 anos e na rua onde eu morava tinha um rapaz chamado Lilico e que era efeminado. A família o internou no Hospital Psiquiátrico do Juqueri na região metropolitana de São Paulo na esperança de que ele fosse curado da homossexualidade.

Alguns anos depois ele reapareceu completamente louco e parecia um vegetal devido à medicação e tratamento de choque, além do convívio e  ao confinamento naquele local com pessoas verdadeiramente doentes, alienadas e dementes.

A partir dos anos de 1980, uma visão diferente começou a predominar nos círculos médicos e psiquiátricos, julgando esse comportamento homossexual como um indicativo de um tipo de pessoa com uma orientação sexual definida e estável.

Em 17 de maio de 1990 a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais.

Naqueles anos 80 eu já tinha mais de 30 anos e passei a acreditar que finalmente estava livre de ser indicado como um ser doente ou anormal. Em 2001 o psiquiatra Robert Spitzer publicou um estudo científico que pressupunha a conversão de gays. A partir dali surgiram as terapias reparativas.

Atualmente indivíduos e grupos religiosos conservadores têm promovido a ideia de que a homossexualidade é um sintoma de defeitos no desenvolvimento espiritual e moral e têm argumentado que tais terapias, incluindo esforços psicoterapêuticos e religiosos, podem alterar os sentimentos e comportamentos homossexuais.

Hoje eu abri o jornal O Estado de São Paulo e li a matéria sobre o psiquiatra Robert Spitzer que criou a terapia de cura gay dizendo que ela é ineficaz e pedindo desculpas aos homossexuais. Tudo isso porque ele mesmo está doente com mal de Parkinson. Que agonize até a morte.

Mas as implicações que esse ato leviano causou na vida de milhares de homossexuais são irreparáveis, sem contar as perdas de vidas decorrentes de tratamentos reparativos  idiotas e sem eficácia. Incontáveis casos culminando com suicídios.

Volto ao episódio do Lilico para lembrar que eu tive sorte porque a minha família não me colocou nas mãos de psiquiatras incompetentes e alienados daquela época. A vida me mostrou que a homossexualidade faz parte da natureza humana. Quanto ao Lilico eu não tive mais notícias, mas sempre me vem à memória a imagem daquele menino alegre e feliz que teve o curso vida alterado devido à estupidez e ignorância dos pais.

Finalizo com algumas certezas: Hoje aos 53 anos, eu sou um ser humano normal e homossexual. A minha orientação sexual e de todos os gays é de natureza biológica determinada por uma complexa interação de fatores genéticos. Às vezes chego a acreditar que a minha alma é gay.

A orientação sexual não é, portanto, uma escolha, é compatível com uma saúde mental e um ajustamento social completamente normal e saudável.

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