Filme: Domingo Maldito

Um dos melhores e mais polêmicos filmes da década de 70. Dirigido pelo renomado John Schlesinger e com atuações antológicas de Peter Finch e Glenda Jackson, este drama britânico marcou toda uma geração.

Em Londres, um sofisticado casal acaba se envolvendo em um triângulo amoroso com o jovem designer Bob. Eles disputam a atenção do amante em comum, mas a relação entre os três se resolve sem grandes problemas, até que a situação começa a ficar insustentável. Com ótimos diálogos e direção magistral de Schlesinger, “Domingo Maldito” é uma brilhante reflexão sobre as relações amorosas em plena revolução sexual.

 Eu já tinha o DVD importado e agora saiu o DVD nacional que está à venda na Livraria Cultura e ao rever o filme é como assistir um daqueles de terror de 50 anos atrás. Aquilo que assustava as plateias na época não assusta mais ninguém. Do mesmo modo você pode ver DOMINGO MALDITO e não enxergar nada de mais no filme, mas em 1971 ele chocou meio mundo.

O filme foi proibido em alguns países, retalhado e editado em outros, até no Brasil o filme foi vítima da censura. E tudo isso por causa de um beijo, entre dois homens, que dura 2 segundos. Mas toda essa polêmica não impediu o filme “maldito” de receber 4 indicações ao Oscar, incluindo melhor direção, ator e atriz.. É um filme sobre um relacionamento moderno, para a época, algo que hoje ninguém mais nota. 

Os gays com deficiências físicas

Eu já postei um artigo sobre os gays surdos e mudos e agora trago um artigo sobre os deficientes físicos e cadeirantes.

Ser gay é difícil, imagine então ser gay e deficiente físico?

Na minha trajetória de vida apenas uma vez eu encontrei um gay deficiente físico. Foi numa noite de 1981 e num bar do gueto gay paulistano. Naquela época eu tinha 22 anos e não entendia as dificuldades dos deficientes físicos e cadeirantes para se locomover para espaços públicos ou privados, longe de suas casas e com uma particularidade em comum: a homossexualidade.

Mas aquele encontro com o Marcelo foi muito proveitoso porque eu conheci um pouco do mundo gay que ninguém conhece, bem como, as dificuldades de interação social, desejos reprimidos, dupla discriminação e um mundo extremamente solitário.

Naquela época Marcelo era três anos mais velho do que eu e hoje ele é um grisalho de 56 anos, formado em psicologia, bem sucedido e bem resolvido nas questões da sexualidade.

Naquela noite ele me contou que frequentava aquele bar para beber. Ele enchia a cara para esquecer os problemas familiares e psicológicos. Raras vezes encontrou alguém para relacionamento sexual – Uma de suas frases: “pior do que ser aleijado é ser gay”.

O tempo passou e recentemente eu participei de um evento de inclusão social de cadeirantes no mercado de trabalho e qual não foi a minha surpresa ao ver o Marcelo liderando a equipe de consultores.

Após o encontro saímos e conversamos sobre o que mudou nesses 31 anos entre 1981 e 2012. É incrível a percepção do mundo e da vida na maturidade. Marcelo mudou o discurso e disse que o mundo mudou radicalmente, mas os problemas ainda são os mesmos, principalmente, no Brasil onde as ONGs LGBT não tem planos ou projetos para deficientes físicos.

Hoje ele diz: Pior do que ser gay é ser deficiente físico. As questões da sexualidade humana evoluíram nas últimas três décadas, mas ainda existe um abismo grande e muitas barreiras para superar a dupla discriminação.

Você não chega para um cadeirante e pergunta: você é gay? Geralmente, o cadeirante é visto como um inválido e os gays não querem homens inválidos.

Na última Parada Gay de São Paulo eu vi pelo menos uns três cadeirantes firmes e fortes durante o trajeto. Isso demonstra que alguns poucos corajosos estão encontrando o seu espaço. Tive também informações da Parada Gay de Cuiabá de 2012, que destacou dois jovens gays cadeirantes durante a parada.

O Marcelo me falou do grau de dificuldade na conquista de um companheiro, porque isso depende muito de como a pessoa deficiente encara sua própria deficiência. Se ele tem muitos preconceitos em relação a ele mesmo, se ele aceita e a quantas anda sua autoestima. Outros pontos externos também valem muito: se estuda ou estudou, se tem trabalho, se consegue ganhar dinheiro, se ele pode comprar as coisas de que precisa, se consegue sustentar-se e satisfazer as suas necessidades diárias, sem muita dependência de outras pessoas. Tudo isto conduz a um maior bem-estar pessoal, a uma melhor posição perante a vida e a uma maior alegria de viver.

Marcelo finalizou a conversa relatando a sua jornada desde a juventude até a maturidade e acredita que na velhice basta alguém para dividir o tempo e compartilhar coisas simples da vida.

Marcelo é um vencedor, mas não posso esquecer-me de outros milhares de gays cadeirantes, jovens ou idosos  isolados da sociedade, dos círculos gays e com muitas barreiras a serem vencidas.

Algumas poucas organizações fora do Brasil tem uma presença forte na Internet. Uma dessas organizações é a Queer on Wheels, fundada por Eva Sweeney em 2004. Essa organização lida com questões relacionadas à sexualidade dos cadeirantes, realizando oficinas diversas e abordando temas e editando material de referência.

O cartunista britânico David Lupton faz seu ativismo social com críticas e humor. Sua proposta pode ser vista no site do artista – The Crippen Cartoons. Ele se denomina: provavelmente o melhor cartunista inválido do mundo.

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