Vida gay no Irã

A imagem deste post foi divulgada em 2010 e chocou o mundo quando da execução de quatro homossexuais iranianos.

As relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais no Irã e em mais de 80 países. Especificamente, no Irã os gays são punidos com castigos físicos e rotineiramente com a pena de morte.

Em 2007, durante um evento na Universidade Columbia, em Nova York, o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad já havia desafiado a lógica ao dizer que não existem homossexuais no Irã. “Nós não temos isto em nosso país”. No Irã, nós não temos homossexuais.

Talvez os gays iranianos estejam fadados à extinção por conta das atrocidades cometidas contra os homossexuais. De acordo com a Sharia (conjunto de leis e regras de comportamento prescritas para os muçulmanos), os homossexuais podem ser perseguidos e condenados à morte por apedrejamento, forca, corte por espada ou serem jogados do alto de um penhasco. Um juiz da corte islâmica decide como ele deve ser morto. É impossível saber os números de execuções de homossexuais, porque eles não são divulgados pelo Ministério da Justiça.

A maioria dos gays de famílias de classe média foge do país e vão para outros locais da Europa, Estados Unidos e Canadá.

A vida para um gay iraniano é muito dura, por falta de informação sobre o assunto e falta de segurança também. Ele tem que usar uma máscara 24 horas por dia.

Em maio de 2012 o Irã sentenciou quatro homens da cidade de Choram, na Província Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, à morte por enforcamento sob a acusação de sodomia.

Se o presidente Mahmoud Ahmadinejad diz que não existem gays no Irã, não deve perceber o que acontece na Praça Daneshjoo, ponto de encontro dos gays de Teerã.

Eles são obrigados a viver na mais absoluta clandestinidade, já que a lei islâmica vigente no Irã classifica a homossexualidade como pecado e crime. O Irã não é um exemplo de transparência, não há estatísticas confiáveis sobre a questão, mas alguns grupos de ativistas gays afirmam que até­­ 4 mil­ homossexuais foram executados desde que os aiatolás tomaram o poder, em 1979.

Ainda assim, há quem ouse levantar a voz contra a perseguição sexual. A Organização Gay Iraniana IRQO – Iranian Queer Organization  mantém um site, uma revista e um programa de rádio, além de uma sede que, obviamente, não fica no Irã – mas em Toronto, no Canadá.

A seguir algumas das penas aplicadas no Irã:

Sodomia
Crime: Ato sexual entre dois homens, com penetração (lavat).
Pena: Morte para os dois parceiros, se ambos forem maiores; menores de idade recebem 74 chibatadas.

Nas coxas
Crime: Quando um homem esfrega seu pênis ou coxa na coxa de outro homem (tafkhiz).
Pena: 100 chibatadas em cada parceiro; o ativo, se não for muçulmano, é condenado à pena capital. A 3ª reincidência também é punida com a morte.

Beijo gay
Crime: Beijo entre dois homens, “com intenção lasciva”.
Pena: Até 60 chibatadas.

Peladões
Crime: Quando dois homens que não são parentes são flagrados nus “sem necessidade” na mesma cama.
Pena: 99 chibatadas.

Fonte de pesquisa: Revista Superinteressante

Os gays e a noite

Ah! Noites de lua cheia, dos poetas e dos amantes.

A noite fascina os seres humanos desde os primórdios da civilização.

E onde os gays entram nessa história?

Os gays viveram confinados no armário durante todos os séculos da história devido à forte discriminação política, religiosa e social de todas as culturas e povos. No início do século XX, principalmente, na América ainda não era possível encontrar gays nos espaços públicos e à luz do dia.

O cidadão gay tinha a sensação de que ele era o único homossexual do universo. Isso valia tanto para quem vivia nas pequenas ou nas grandes cidades. Não existia mídia gay ou grupos organizados, portanto, era um mundo de incertezas e medos, onde 100% dos gays eram enrustidos. Há registros de homossexuais que passaram pela vida sem nunca ter tido uma única relação sexual com outro homem e poucos experimentaram o sexo com apenas um parceiro durante a vida.

Além de estar no grupo das minorias o gay também pertencia a um grupo marginalizado socialmente (ainda é) e isso fez com que os homossexuais saíssem à procura de espaços alternativos para afirmar a sua sexualidade e passaram a viver na clandestinidade em bordeis, bares, becos e casas de espetáculo, principalmente, musicais – Muitos gays viviam da arte do teatro e da música –  A figura do homossexual faz parte do cenário da boemia.

Os ambientes noturnos sempre foram povoados de personagens ambíguos. Donos ou gerentes de bar, cafetão ou cafetina de bordel, homens da segurança dos locais privativos, os bêbados e drogados das ruas e becos e até os policiais militares que faziam a ronda conheciam a rotina e os personagens que passeavam na penumbra ou à meia luz, numa busca frenética de outros corpos para saciar o prazer carnal.

Os policias abusavam do poder contra os homossexuais, além de extorqui-los pois sabiam que eles tinham pavor de tornar pública a sua sexualidade. Se isso acontecesse, invariavelmente, perdiam o emprego, eram expulsos de casa e eram submetidos às sanções penais e humilhações públicas.

A partir da revolta dos gays contra a polícia no Bar Stonewall Inn na cidade de Nova York em 1969, o cenário da repressão noturna se transformou e os gays começaram a escrever uma nova página na história.

Ainda hoje a maioria dos gays preza pela privacidade que é uma questão fundamental. As experiências de preconceito e violência ratificam que a conquista do espaço público é uma realidade ainda distante.

Hoje cada ‘tribo’ tem seu ‘point’, como se fossem ‘guetos’ formados por pessoas iguais e com os mesmos objetivos. Sendo assim, os guetos homossexuais têm grande importância para o grupo, por serem espaços de afirmação. Acredito que esta seja a razão pela qual os gays saem do armário à noite: porque têm a possibilidade de serem vistos e desejados, livres de preconceitos.

Eu costumo dizer: Se de dia prevalecem as relações profissionais, a noite é o momento das relações subjetivas.

Há elementos banais, mas significativos, sobre a importância da noite para os gays. O ambiente escuro, por exemplo, preserva o anonimato e estimula a imaginação e o desejo.

Hoje fugindo do preconceito do espaço público, o gay frequenta ambientes essencialmente protegidos. Os shoppings centers, espaços atemporais e privados, são palcos de encontros. A Internet, além de atemporal, é democrática, na medida em que quase não há censura a qualquer tipo de expressão e, por isso, tornou-se rapidamente um meio muito popular entre o público gay. Sem rostos, nomes ou família, o público gay de todas as idades lota as salas de bate-papo durante toda a madrugada, marcando encontros, praticando sexo virtual ou trocando fotos e dados pessoais.

A noite é a companheira inseparável dos gays porque lhes permite encontros e prazeres. Durante o dia todos se misturam e não se sabe quem é quem. Na noite quem é gay vai para a sauna, a boate ou bar  e pode assumir a sua homossexualidade, sem represálias.

Hoje as Drag Queens fervem e são estrelas na noite de qualquer grande cidade brasileira. Todas as noites os gays novatos são inseridos nos ambientes de socialização e aprendizado, enquanto para os gays maduros a noite é um sonho distante dos áureos tempos da juventude e para os idosos a noite é um fantasma que traz a sensação de que pode não haver outra noite.

Quando enfim chegar a noite, os gays ficarão tesudos por corpos, bundas e rolas.
Cacetes adormecidos se erguerão entre os arranha-céus da cidade.
Na calada da noite o mauricinho se transformará no viadinho do pedaço.
O pai de família arregaçara o rabo para o travesti sedento e safado.
O seu vizinho enrustido será enrabado sem medo de ser feliz.
Os sons da noite sufocarão os gemidos de prazer do jovem, do mauricinho, do pai de família e do seu vizinho e quando a madrugada chegar eles adormecerão numa cama quente e macia à espera de outro dia, outra noite.

%d blogueiros gostam disto: