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Vida gay na Arábia Saudita

sauditwocanplayArábia Saudita, oficialmente Reino da Arábia Saudita, é o maior país árabe na Ásia Ocidental por tamanho do território, constituindo a maior parte da Península Arábica, e o segundo maior do mundo árabe.

Os direitos dos homossexuais não são reconhecidos na Arábia Saudita e a homossexualidade é considerada um crime. É óbvio que existem homossexuais na Arábia, mas é uma sociedade fechada e reprimida. O tratamento dado aos gays provoca críticas por parte de muitas organizações de direitos humanos, mas o governo da Arábia defende suas ações dizendo que o Islã é um país, um país tradicional e secular e que o estado não é laico.

No código penal saudita não está explicito que ser gay é crime e as penas se baseiam nas opiniões de juízes e clérigos

Não há direito à privacidade. O governo pode, com uma ordem de um tribunal, revirar casas, veículos, locais de trabalho e interceptar comunicações privadas. As pessoas assumem que a comunicação pode ser usada pelo governo como prova em um tribunal criminal.

As penas aos homossexuais variam de prisão e açoitamento até a morte. E mesmo que não receba nenhuma dessas punições, se for fichado na polícia como gay, isso já significa uma sentença de exclusão. Uma vez que o Hay’ah (polícia religiosa) tenha a identidade no registro por ser gay, é provável que enfrente chantagem financeira e até mesmo sexual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Arábia Saudita não tem nenhuma lei contra a discriminação com base na orientação sexual. Um funcionário heterossexual é livre para discriminar um funcionário homossexual ou submete-lo à chantagem. Para conseguir um emprego, não se pergunta a orientação sexual, mas se pergunta a nacionalidade, religião e estado civil.

O país, famoso pelo petróleo e seus prédios altíssimos e luxuosos – que não cansam de virar reportagem em programas de TV no Brasil – ainda reprime e condena a homossexualidade.

Se as famílias souberem que um membro é gay, não é nenhuma novidade que eles tentem matar a pessoa, a fim de evitar serem ‘envergonhados’. Se a notícia se espalha para o empregador do gay ou a comunidade em geral, então, não só a pessoa é suscetível de perder seu trabalho, mas de se tornar um pária social.

Analisando algumas publicações, principalmente, britânicas eu percebi que nos dias atuais existe uma cultura gay na Arábia Saudita que está florescendo lentamente. Ser homossexual naquele país era ter uma sentença de morte, mas a rigidez do governo está mais branda.

Cidade de Riyadh
Cidade de Riyadh

A cidade de Jeddah é considerada como um refúgio de gays que fogem da repressão social, política e familiar. Nessa cidade os gays sauditas circulam por shoppings e supermercados e fazem sinais de paqueras para outros gays.

Tem até uma estatística curiosa. Uma rua da cidade é tida como a de maior número de acidentes de transito, pois é o lugar mais popular para os motoristas sauditas que buscam gays filipinos.

A Internet também é bastante acessada para encontros. Muitas salas de chat orientadas para gays tornaram-se populares e onde os sauditas discutem os melhores lugares da região para conhecer pessoas e fazer sexo casual.

Como o mundo ocidental, a comunidade gay na Arábia Saudita tem utilizado a Internet de uma forma construtiva. Consequentemente, os indivíduos discutem os tabus sociais mais abertamente e alguns sauditas começaram a questionar as táticas duras da polícia religiosa que impõem a moral pública.

A vida gay floresce a passos de tartaruga em cidades como Jeddah, Ryad, Meca e Medina.

Um artista saudita declarou:

“É mais fácil ser gay do que heterossexual numa sociedade onde todos, homossexual ou não vivem no armário”.

O mais interessante é que numa sociedade preconceituosa e repressora os costumes milenares são semelhantes à homossexualidade. A sociedade Saudita é essencialmente masculina, pois as mulheres que raramente são vistas sozinhas pelas ruas só saem com uma burca preta da cabeça aos pés.

Os homens andam na rua de braços dados uns com os outros, às vezes até entrelaçando os dedinhos. São bastante ingênuos e praticamente destituídos de malícia.

saudi_homens_gaysOs homens sauditas são lindos!  De pele morena e corpo esguio. Os bigodes são a marca registrada e o turbante e a túnica dão um charme especial. Falando em roupas vale destacar que elas não podem ser transparentes e para os homens a região entre o umbigo e o joelho não pode ficar à mostra. Os homens também não podem usar objetos de ouro e nem seda. Em baixo da túnica geralmente vestem uma calça larga chamada de cirwal.

Aos homens são recomendados usar barba para distanciar-se da estética feminina.

Em 2011 um diplomata gay saudita pediu asilo político aos Estados Unidos. Ali Ahmad Asseri trabalhou no consulado saudita em Los Angeles.

Em 2013 na cidade de Makkah, oitenta homossexuais foram presos após serem surpreendidos pela polícia religiosa numa cerimônia de casamento entre dois homens. Todos eles eram jovens entre 18 e 20 anos e estavam vestidos com roupas femininas e dançavam ao som de Disco Music dos anos 80.

Curiosidade:

O blog dos grisalhos recebeu nos últimos dois anos, mais de 2800 visitas oriundas da Arábia Saudita

Leia também:

Fonte de Pesquisas:

  1. Revista Superinteressante
  2. Jornal da BBC
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Vida gay no Paquistão

gay_paquistaoHá algum tempo eu publico no blog informações sobre a homossexualidade noutros países e sempre me deparo com surpresas e o Paquistão foi mais uma grata, senão controversa surpresa.

Atos homossexuais são ilegais no Paquistão. Os colonizadores britânicos introduziram leis criminalizando o que era descrito como sexo “contra a ordem da natureza”. Na década de 80, a legislação baseada em leis islâmicas também estabeleceu punições para atividades homossexuais com penas que variam entre dois e dez anos de prisão ou multa – A homossexualidade é um tabu, inclusive entre as famílias paquistanesas.

Curiosidade: Apenas a homossexualidade masculina é punida.

Não existem comunidades homossexuais, saunas, bares e points nem pensar, mas nos últimos dez anos houve um pequeno avanço nas questões de direitos e assim a homossexualidade fervilha naquele longínquo país muçulmano.

Um dos locais de práticas homossexuais mais conhecidos é na cidade portuária de Karachi situada na província de Sindh no sul do país – A cidade é o paraíso dos gays.

Por ser uma região portuária a cidade é ideal para encontros, tanto que muitos homossexuais mudaram para a cidade e alguns vivem em bairros exclusivos de classe média alta.

Os contatos ocorrem em festas particulares promovidas por gays endinheirados e empresários e são organizadas usando a tecnologia, ou seja, o celular ou smartphone.

Hoje em dia, existem apps para smartphones que usam GPS para mostrar quão próximo você está de outro homem gay com um perfil na internet. Existem milhares de homens homossexuais online no Paquistão a qualquer momento do dia. Se você quer sexo, a cidade é um paraíso gay. Se você quer um relacionamento, isso é mais difícil.

O Paquistão é um país fortemente patriarcal. Espera-se que seus cidadãos se casem e a maioria das pessoas obedece à regra. O resultado é uma cultura de desonestidade, mentiras e vidas duplas.

Os gays fazem um grande esforço para evitar qualquer relacionamento com outro homem porque sabem que um dia terão de se casar com uma mulher. Uma vez casados, vão tratar bem suas esposas, mas continuarão a ter sexo com outros homens.

No Paquistão, os homens não são incentivados a ter namoradas e com frequência suas primeiras experiências sexuais acontecem com amigos ou primos. Isso é visto como parte do processo de crescimento e a família tende a fazer vista grossa.

gay_paquistao_templo1Parece utopia, mas o sexo entre homens acontece em lugares públicos, até mesmo em templos religiosos como o Abdullah Shah-Ghazi

As famílias visitam o templo para honrar um homem santo que está enterrado lá e para pedir as bênçãos de Deus, mas o templo também é o lugar de sexo homossexual mais popular da cidade.

Todos os dias, principalmente, às quintas-feiras à noite, quando o sol se põe, homens se reúnem ali. Um círculo fechado se forma e os que estão no centro são apalpados pelos que estão ao redor.

Para quem está fora, parece uma massa de homens se contorcendo e se esfregando uns nos outros. Alguns até descrevem a cena como uma “misteriosa cerimônia religiosa”. Para quem participa, é sexo grupal, anônimo. E não pense você que o sexo grupal é praticado por adolescentes, pois predominam homens maduros e até idosos.

Isso me lembrou das rodas que se formam nas praças públicas de grandes cidades brasileiras, onde ambulantes vendem de tudo e onde homens buscam parceiros para sexo casual e anônimo.

Enfim, talvez demore uma geração ou duas, para que haja uma mudança no Paquistão – mesmo paquistaneses liberais tendem a considerar a violência sectária e a instabilidade econômica muito mais importante do que a sexualidade. Ainda assim, existem alguns espaços privados e até públicos onde homossexuais paquistaneses podem expressar sua sexualidade livremente.

E nesse cenário de vidas duplas as mudanças estão ocorrendo de dentro para fora, pois são os familiares (pai, mãe ou tios) dos homossexuais que procuram negociar com autoridades a liberdade de seus filhos, evitando prisões e punições em praça pública, como ocorrem regularmente nas cidades das principais províncias do país.

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Vida gay no Irã