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Nudez de gays maduros – arte ou pornografia?

arte_gay_idoso_3Quando nos tornamos maduros colocamos “outro olhar” na nudez: vergonha, pudor, medo e culpa. Na verdade o que mudou, mais do que o nosso corpo, foi a nossa cabeça. Claro, ainda sentimos desejos sexuais, mas, além disso, os valores e a moral da sociedade influenciam o nosso modo de pensar, principalmente por sermos gays.

Tudo depende de como vemos a nudez. Nosso corpo é uma escultura e talvez a mais bela obra de arte já concebida pela natureza. A nudez masculina como forma de arte vai desde a realidade mais cruel, como a doença ou a morte, até a nudez filosófica do final do século XIX com uma perspectiva mais teórica e espiritual.

As artes visuais são expressas através da pintura, da escultura e da fotografia que influenciou toda a visão dos artistas sobre a nudez.

FRANCE MELANCHOLY

Na era digital e nas redes sociais a Internet está repleta de imagens de homens maduros e idosos nus – A quase totalidade dessas fotografias, eu classifico como pornografia e não arte, porque a ideia de se deixar fotografar é uma forma de mostrar ao mundo que você não está “morto” e as fotos digitais são cartões de visitas para relacionamentos sexuais e não é nenhuma forma de arte.

É óbvio que os exibicionistas de plantão publicam fotografias para preencher o vazio do ego e esses gostam de ser bajulados e adorados. Nada muito diferente dos adolescentes, principalmente as meninas, que postam imagens “selfies” em frente ao espelho, com a mão na cintura e os cabelos caídos sobre os ombros em poses sensuais.

Quando olhamos uma imagem de nudez o nosso cérebro processa a informação e envia instruções ao nosso corpo que reage às sensações de rejeição ou aceitação. Repúdio porque a imagem não agrada aos nossos sentidos e aceitação porque nos identificamos com a nudez apresentada.

Se você tem preferências por homens maduros ou idosos não vai ficar olhando imagens de adolescentes e vice-versa.

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A nudez de gays maduros e idosos também é apresentada em cartoon, grafite, óleo sobre tela, esculturas e outras técnicas – Hoje chamada de arte homoerótica.

A grande maioria dos artistas que representam homens são homens. Portanto, vamos desde o espelho narcisista do artista frente a frente consigo mesmo, a uma representação mais masculina do desejo que pode aparecer em algumas delas.

Esse protagonismo do olhar masculino é explicado como uma consequência natural da dominação social por parte dos homens ao longo dos séculos, a qual se estende até um período relativamente recente.

A nudez masculina também fez parte da formação pictórica entre os séculos XVII a XIX, apesar de já estarmos mais acostumados a ver tanta nudez que chega a ser banal, mas ainda assim a nudez masculina e principalmente dos gays vai se perpetuar, se modificar e se reinventar ao longo dos próximos anos.

Leia também:

Arte Homoerótica

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O pintor do cotidiano dos gays

As coisas não acontecem por acaso!

Em fevereiro publiquei um artigo sobre o pintor Raphael Perez.

Para minha surpresa ele localizou o post na Internet e na semana passada me enviou um e-mail, com elogios ao texto que escrevi sobre o seu trabalho.

Eis um trecho do e-mail:

I done search about my art and found your amazing site. Love all what you write and the beautiful images you put.

No e-mail Raphael me enviou mais de 20 imagens do seu trabalho e me autorizou a publicá-las no blog, para ilustrar outros textos.

Eu não disse que as coisas não acontecem por acaso?
Tudo isso aconteceu na semana do meu aniversário – agora oficialmente, tenho 52 anos.
Foi um presente muito especial! Thanks Raphael.

Ele também retrata em suas pinturas as paradas gay. Mera coincidência? Pois é, estamos a alguns dias da Parada Gay de São Paulo, que acontece no próximo domingo.

Que os bons ventos unam os povos e que os gays tenham a liberdade de expressão, para viver a sexualidade com alegria e sem arrependimentos.

Raphael sabe transportar para as suas pinturas o cotidiano dos gays de uma forma simples, alegre e colorida.
O mais interessante é que ele mostra os gays como pessoas normais vivendo e se
relacionando de forma aberta em todos os espaços públicos das cidades.

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