Como saber se ele está a fim de você

APDYNHOs relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo é um jogo de xadrez complicadíssimo e de desfecho imprevisível.

Em tempos de Internet e redes sociais acredita-se tudo fácil, mas engana-se quem pensa ser uma simples questão de oportunidade, porque ninguém tem bola de cristal.

No mundo digital não é possível prever a reação das pessoas, pois se num primeiro momento a paquera investe fortemente para segurar você, percebe-se um marasmo na tomada de decisão, porque você é mais um na lista do bofe.

No mundo real a história é diferente e só não percebe quem não quer, ou finge-se de ingênuo, alimentando ilusões frustrantes. Deve-se considerar se o bofe está a fim de você, para sexo, amizade, relacionamento ou interesse financeiro e status social, ou nenhuma dessas possibilidades.

Eu, particularmente penso que o mais difícil é saber se ele está a fim de você. Isso serve para todas as idades e classes sociais. Se fosse fácil ninguém quebrava a cara e o coração em relações conturbadas e relações que não levam a lugar algum.

Você pode estar solteiro ou num relacionamento e de repente o homem te olha. Lembre-se: olhar não é sinônimo de desejo ou vontade, pois olhar todo mundo olha e observa. Em mais de 90% dos olhares não há indicação de aproximação para fins de relacionamento ou intimidade.

Também, acredito que no decorrer da vida, vamos aprimorando o nosso gaydar para saber se uma pessoa está a fim de algo, além de uma boa conversa.

As situações a seguir, são alguns exemplos sobre este assunto:

Olhar, puxar conversa e ir para a cama no primeiro encontro – Situação assim, como direi, relâmpago é clássica, apenas sexo e são raros os casos que evoluem para uma relação mais intimista.

Olhar, puxar conversa e não falar de sexo – O bofe está indeciso e não sabe se quer um amigo ou um amante

Olhar, puxar conversa e enrolar na relação – Neste caso, você pode ser um cara legal, bom papo e bom partido, mas o parceiro não quer saber de cair de cabeça ou se deixar envolver. Ele nem desconfia que está indeciso e não sabe o que quer. Aqui ele não quer, nem o amigo e nem o amante.

Rolou um sexo, mas ele foge de você igual ao diabo da cruz – Não houve a química ideal e nada mudará o cenário. Ele te comeu, mas queria ser comido, ou vice-versa. Questões de pele são essenciais para a continuidade da relação; existem parceiros que fazem ambos papeis e se adaptam bem nesta condição.

O homem diz que te ama, mas não quer envolvimento – Simples palavras para agradar e não te decepcionar. Não ama e jamais te amará. O sentimento é platônico.

Ah, tem os indecisos, introvertidos, inseguros. É preciso muita paciência porque o medo de arriscar-se numa relação corrói qualquer desejo.

Lembre-se que palavras são palavras e nada mais. As verdadeiras intenções estão nas ações e atitudes do parceiro.

Quando alguém está realmente a fim de que algo aconteça ele vai fazer coisas impensáveis, arrisca-se em situações e faz o improvável.

Os gays são diversos por natureza e nem preciso elencar os motivos. Não adianta insistir com parceiros problemáticos e indecisos.

Há quem diga que o homem passivo se apaixona facilmente, tudo mentira. Conheço ativos que caíram de quatro por parceiros 100% passivos. Ninguém tem controle sobre os segredos do coração, ou seria da mente?

Os casais em relacionamento estável reclamam da falta de apetite sexual dos parceiros. Simples, acabou o tesão! Fica com ele porque assimilou a relação, não quer viver sozinho, virou amizade, tem medo de enfrentar o mundo, tem dó, pena e outros tantos sentimentos de piedade. Às vezes é caso de amor. Poxa vida! Lembre-me novamente do amor platônico.

Outra situação comum. Seu parceiro olhou para outro. Olhar não tira pedaço de ninguém, afinal apreciar a beleza humana é uma arte, mas se rolou sinais ou toques, pode ter certeza de que ele quer experimentar outro corpo e aí o seu par está buscando um substituto para a cama, dele é claro!

Uma parcela de gays gosta de variar e transar com mais de um parceiro ao mesmo tempo. Eis aqui o motivo de hoje se falar em relação aberta. A individualidade abre um leque de possibilidades. Eu não tenho nada contra, é cada um no seu quadrado.

Há exceções, mas os jovens são volúveis, inexperientes e suscetíveis a mudanças comportamentais, logo, trocar de parceiro é algo normal, porque a novidade aguça a mente jovem. Já os mais velhos são experientes e sabedores das consequências de mudanças bruscas. São mais estáveis em suas relações, mas não são santos e pular a cerca é apenas questão de oportunidade.

Ninguém é 100% honesto, nem consigo nem com o parceiro. Isso é da natureza humana. O sujeito te dá corda na balada, começa uma relação e após te conhecer arruma qualquer desculpa e cai fora. Assim, sem mais nem menos, para você é claro! Para ele é normal.

Os gays estão sempre na busca do parceiro ideal, só que não existe o homem ideal e todos têm defeitos. Às vezes até a voz pode irritar o companheiro. Exigimos demais dos outros e não cuidamos para aparar arestas dos nossos defeitos.

Para saber se ele está a fim de você fique atento aos sinais corporais e comportamentais. Passada essa fase vem a fase do diálogo e da conversa.

O diálogo deve ser franco, honesto e sem melindres ou rodeios. Às vezes é melhor ser visto como um chato, mas honesto, do que um gay maravilhoso, mas falso. Nossa vida e nossas relações são pautadas por atitudes.

Um amigo escreveu esta semana numa rede social:

As palavras não podem explicar tudo e é por isso que existem as músicas, as cores, as paixões, os olhares, as caretas, as carícias, as lágrimas, os sorrisos e os beijos.

Isso é atitude!

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 26/07/2017, em Comportamento, Relacionamento e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Início da conversa no bate-papo
    14:41
    Olá, Régis! Tudo bem? Te sigo há algum tempo pelo seu blog e respeito demais o seu trabalho. Gostaria muito de conversar com você sobre um projeto de música que estou iniciando, com a proposta de que sejam músicas que falem dos nossos sentimentos e relações de gays maduros e idosos. Anexei um esboço do projeto na página do Grisalhos no Facebook para que, se for do seu interesse, você consiga visualizar melhor o que tenho em mente. Meu objetivo é uma parceria nessa militância que fazemos. Sou do RJ, mas se você vir viabilidade, gostaria de conversar pessoalmente. Podemos marcar um café em SP ou no RJ, como for melhor pra você. Aguardo ansioso por uma resposta. Abraço,

  2. Elizeu leal

    Achei muito interessante esta materia mas so nao gostei desta palavra BOFE. Quem seria o bofe dentro de relacionamento entre pessoas do mesmo sexo pra todos sao besexuais ex heteros .

    • Bofe é gíria conhecida no meio gay desde a minha juventude Não importa quem seja o bofe, pode ser qualquer um ou ambos. Abraço

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