Arquivo mensal: julho 2017

Como saber se ele está a fim de você

APDYNHOs relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo é um jogo de xadrez complicadíssimo e de desfecho imprevisível.

Em tempos de Internet e redes sociais acredita-se tudo fácil, mas engana-se quem pensa ser uma simples questão de oportunidade, porque ninguém tem bola de cristal.

No mundo digital não é possível prever a reação das pessoas, pois se num primeiro momento a paquera investe fortemente para segurar você, percebe-se um marasmo na tomada de decisão, porque você é mais um na lista do bofe.

No mundo real a história é diferente e só não percebe quem não quer, ou finge-se de ingênuo, alimentando ilusões frustrantes. Deve-se considerar se o bofe está a fim de você, para sexo, amizade, relacionamento ou interesse financeiro e status social, ou nenhuma dessas possibilidades.

Eu, particularmente penso que o mais difícil é saber se ele está a fim de você. Isso serve para todas as idades e classes sociais. Se fosse fácil ninguém quebrava a cara e o coração em relações conturbadas e relações que não levam a lugar algum.

Você pode estar solteiro ou num relacionamento e de repente o homem te olha. Lembre-se: olhar não é sinônimo de desejo ou vontade, pois olhar todo mundo olha e observa. Em mais de 90% dos olhares não há indicação de aproximação para fins de relacionamento ou intimidade.

Também, acredito que no decorrer da vida, vamos aprimorando o nosso gaydar para saber se uma pessoa está a fim de algo, além de uma boa conversa.

As situações a seguir, são alguns exemplos sobre este assunto:

Olhar, puxar conversa e ir para a cama no primeiro encontro – Situação assim, como direi, relâmpago é clássica, apenas sexo e são raros os casos que evoluem para uma relação mais intimista.

Olhar, puxar conversa e não falar de sexo – O bofe está indeciso e não sabe se quer um amigo ou um amante

Olhar, puxar conversa e enrolar na relação – Neste caso, você pode ser um cara legal, bom papo e bom partido, mas o parceiro não quer saber de cair de cabeça ou se deixar envolver. Ele nem desconfia que está indeciso e não sabe o que quer. Aqui ele não quer, nem o amigo e nem o amante.

Rolou um sexo, mas ele foge de você igual ao diabo da cruz – Não houve a química ideal e nada mudará o cenário. Ele te comeu, mas queria ser comido, ou vice-versa. Questões de pele são essenciais para a continuidade da relação; existem parceiros que fazem ambos papeis e se adaptam bem nesta condição.

O homem diz que te ama, mas não quer envolvimento – Simples palavras para agradar e não te decepcionar. Não ama e jamais te amará. O sentimento é platônico.

Ah, tem os indecisos, introvertidos, inseguros. É preciso muita paciência porque o medo de arriscar-se numa relação corrói qualquer desejo.

Lembre-se que palavras são palavras e nada mais. As verdadeiras intenções estão nas ações e atitudes do parceiro.

Quando alguém está realmente a fim de que algo aconteça ele vai fazer coisas impensáveis, arrisca-se em situações e faz o improvável.

Os gays são diversos por natureza e nem preciso elencar os motivos. Não adianta insistir com parceiros problemáticos e indecisos.

Há quem diga que o homem passivo se apaixona facilmente, tudo mentira. Conheço ativos que caíram de quatro por parceiros 100% passivos. Ninguém tem controle sobre os segredos do coração, ou seria da mente?

Os casais em relacionamento estável reclamam da falta de apetite sexual dos parceiros. Simples, acabou o tesão! Fica com ele porque assimilou a relação, não quer viver sozinho, virou amizade, tem medo de enfrentar o mundo, tem dó, pena e outros tantos sentimentos de piedade. Às vezes é caso de amor. Poxa vida! Lembre-me novamente do amor platônico.

Outra situação comum. Seu parceiro olhou para outro. Olhar não tira pedaço de ninguém, afinal apreciar a beleza humana é uma arte, mas se rolou sinais ou toques, pode ter certeza de que ele quer experimentar outro corpo e aí o seu par está buscando um substituto para a cama, dele é claro!

Uma parcela de gays gosta de variar e transar com mais de um parceiro ao mesmo tempo. Eis aqui o motivo de hoje se falar em relação aberta. A individualidade abre um leque de possibilidades. Eu não tenho nada contra, é cada um no seu quadrado.

Há exceções, mas os jovens são volúveis, inexperientes e suscetíveis a mudanças comportamentais, logo, trocar de parceiro é algo normal, porque a novidade aguça a mente jovem. Já os mais velhos são experientes e sabedores das consequências de mudanças bruscas. São mais estáveis em suas relações, mas não são santos e pular a cerca é apenas questão de oportunidade.

Ninguém é 100% honesto, nem consigo nem com o parceiro. Isso é da natureza humana. O sujeito te dá corda na balada, começa uma relação e após te conhecer arruma qualquer desculpa e cai fora. Assim, sem mais nem menos, para você é claro! Para ele é normal.

Os gays estão sempre na busca do parceiro ideal, só que não existe o homem ideal e todos têm defeitos. Às vezes até a voz pode irritar o companheiro. Exigimos demais dos outros e não cuidamos para aparar arestas dos nossos defeitos.

Para saber se ele está a fim de você fique atento aos sinais corporais e comportamentais. Passada essa fase vem a fase do diálogo e da conversa.

O diálogo deve ser franco, honesto e sem melindres ou rodeios. Às vezes é melhor ser visto como um chato, mas honesto, do que um gay maravilhoso, mas falso. Nossa vida e nossas relações são pautadas por atitudes.

Um amigo escreveu esta semana numa rede social:

As palavras não podem explicar tudo e é por isso que existem as músicas, as cores, as paixões, os olhares, as caretas, as carícias, as lágrimas, os sorrisos e os beijos.

Isso é atitude!

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As paqueras gay de antigamente

Gay maduro e a vida sexual recheada de novos parceirosQuando o assunto é paquera, posso afirmar que muita coisa mudou e os tempos atuais proporcionam rápidos encontros para sexo ou algo mais. Basta registrar o número do telefone no WhatsApp e um mundo se abre ao alcance das suas mãos.

Obviamente, a paquera depende das preferências, principalmente quanto à idade, pois há um leque diverso de possibilidades.

Recordo-me de outros tempos onde a paquera era muito difícil e restrita. Não havia nem telefone e os poucos aparelhos privados eram privilégio de poucos. Depois vieram os telefones públicos, sim, aqueles onde se colocava uma moeda e se comunicava com o interlocutor por alguns minutos.

Na minha juventude a forma mais comum de paquera, era procurar homens nas ruas, praças e alguns poucos locais de socialização de homossexuais. Era um tiro no escuro e eu nunca sabia se daria certo ou não.

Caramba! Como me dei mal em muitas situações. Uma vez olhei para o bofe e encarei, ele deu corda até o momento que me aproximei. Dali para a frente foi baixaria, agressões verbais, enfim, uma vergonha!

Eu nunca apanhei de bofe e aprendi cedo a me defender.

Situações constrangedoras sempre existiram, mas buscar parceiros nos espaços da cidade era coisa do tempo das cavernas. Os raros olhares nas ruas e praças eram indícios de que existiam alguns poucos homens iguais a você.

Quando havia o contato, os desencontros eram infinitos. Não havia afinidade, tipo: Sou ativo e só como ou sou apenas passivo, ou gosto de homens mais velhos ou de mais novos. Ainda, prefiro gordos ou magros. Tem que ter pelos e cabelos castanhos. Não gosto de careca, nem de efeminados.

Às vezes você tinha que mostrar o pau antes de sair para uma transa – Vamos até um banheiro pois eu preciso conferir se você tem o cacete que me agrada.

Eis aí o motivo para eu definir como tempos das cavernas. Talvez, hoje ainda exista esse tipo de situação, mas mostrar o cacete para arrumar um parceiro é no mínimo degradante ou não? Pois sempre tive a sensação de ser mercadoria num mercado de peixes.

Esse tipo de exposição ainda é comum nos banheiros públicos das cidades. É o local ideal para olhar um belo cacete, obviamente, para aqueles que são fissurados por gebas monstruosas, grandes e desengonçadas.

Mas falando em paquera, a primeira condição adversa era encontrar o par ideal, coisa quase impossível porque os homossexuais viviam escondidos nos guetos. Chegar até lá era uma maratona de adversidades e enfrentamentos para não ser descoberto, além dos conflitos de aceitação.

Até você criar coragem decorriam meses, às veze anos. Quando finalmente você decidia enfrentar a situação, se deparava com um mundo estranho, de pessoas estranhas, bizarras, caladas e até mau encaradas. Não era o circo dos horrores, mas era um mundo enigmático e quase indecifrável de pessoas simples até as mais excêntricas.

A paquera comum ocorria nos bares frequentados exclusivamente por homens. Um ambiente onde os gays chegavam ao cair da noite e por lá ficavam até a madrugada ou ao raiar do dia.

À noite todos os gatos eram pardos e as mariposas faziam a alegria do lugar. As afinidades eram quase nulas porque ou você se dava bem ou virava carne de vaca.

A comunicação ocorria entre garrafas e mais garrafas de cerveja ou cachaça, bebidas comuns dos bares. Os mais esnobes tomavam Whisky e bebidas adocicadas, aliás os mais esnobes eram mais mariposas do que gatos, dada a delicadeza como seguravam seus drinks e a forma como verbalizavam seus discursos.

Enfim, não sei se consegui montar o cenário daqueles bares neste último parágrafo, mas assim eram os seus personagens.

Aí, você fazia uma amizade, o cara contava os seus problemas e você os seus. Passavam-se semanas e as conversas não evoluíam porque não havia afinidade para algo mais.

Quando você menos esperava já estava noutro canto do bar conversando com outro homem e jogando conversa fora. Às vezes acontecia de você se entregar para saciar os seus desejos, mas na semana seguinte lá estava você, novamente sozinho e livre para novas paqueras.

O círculo era vicioso e não levava a lugar algum. Era apenas para passar o tempo e socializar, mas era a melhor escola da vida para qualquer gay.

Dificilmente você arranjava um parceiro para além de uma noite. Era um puteiro disfarçado de bar, aliás, todo puteiro tem um bar e não é no puteiro que você encontra o príncipe encantado, mas existiam alguns poucos casais afirmando-se em relações mais estáveis.

É preciso registrar algo importante sobre aquelas paqueras. Independente da inconstância, das neuroses e do hedonismo, os homens eram mais educados e gentis.

Recordo-me de ocasiões onde fui cortejado por outros homens em disputas saudáveis, sempre com muito respeito e educação. Coisa rara nos dias atuais. Já este que vos escreve sempre foi atirado e decidido nas paqueras. Era oito ou oitenta, mas sempre respeitando o semelhante.

Fora das grandes cidades, na praça da cidadezinha do interior, os rapazes gays, nas noites de sábados e domingos, enfileiram-se em volta do coreto, com o fito de paquerar aqueles que desfilam por ali.

Como as tecnologias eram raras, outra forma corriqueira de paquera eram as correspondências escritas, através da seleção de anúncios de revistas. Aqueles que buscavam parceiros para algo além do sexo, submetiam-se às longas esperas das correspondências que demoravam séculos para chegar, principalmente, se fosse de outra cidade ou estado.

O que sobravam das paqueras? Alguns bons e verdadeiros amigos.

Bons tempos que não voltam mais

Nota: a paquera é uma gíria que se incorporou ao vernáculo

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