Lava jato, urubus e boiolas 

Nos últimos anos o nosso dia-a-dia começa com uma enxurrada de notícias sobre lava jato, corrupção, políticos e empresários. Na medida do possível eu mantenho distância dessa avalanche de informações, mas fico antenado, principalmente, nos políticos, a cara de bom moço, honesto, íntegro, religioso, de família e por que não homossexual?

Desde que me conheço por gente, eu ouço notícias sobre políticos gays. Assim, como na corrupção a homossexualidade sempre foi velada nos altos escalões do governo, pois tornar isso público afeta a vida política, logo os parceiros, amantes e maridos dessa turma não aparece e vivem nos porões da clandestinidade, em Brasília ou qualquer outra cidade do país e até do exterior.

Há aqueles que mantem relacionamentos estáveis de longa data e a grande maioria até usa o status político para buscar relações casuais e aí os garotos de programa são os mais requisitados porque tanto no sexo quanto na política tudo é casual, com ideologias ou partidos de esquerda, direita ou centro.

Caro leitor, tenha a certeza de que há mais políticos gays na Câmara dos Deputados e no Senado, do que sabemos sobre Jean Willis, Fernando Gabeira ou Delfim Neto. Independentemente de partido, a homossexualidade desde sempre esteve em toda a hierarquia do governo e como são dissimulados na corrupção, também o são na sexualidade.

Nessa avalanche de notícias sobre corrupção, rir é o melhor remédio e que a justiça seja feita.

Eu construí um painel da situação atual e associei à vida do político que transa com homens. Invariavelmente, a maioria, senão todos são enrustidos. Se questionados, assim como nas delações a resposta vem sempre com negativas e desvios de atenção.

Imagine o escândalo, se vazasse uma lista de políticos gays. As respostas seriam as mais originais e óbvias possíveis.

Nas notas oficiais, as reações variariam entre tranquilidade e confiança na justiça, a indignação e as críticas ao que chamariam de mentiras e calúnias.

A banda podre da lista afirmaria que possui família, mulher e filhos e negaria qualquer contato com homossexuais.
Em Brasília há até cartel fornecedor de matéria prima para os mais solitários e
em momentos de crise e tensão nada melhor do que relaxar aos cuidados de belos garotos, de corpos esculturais, pagos com o dinheiro do povo.

Acionarei os mentirosos judicialmente para que provem se eu sou gay”, diria
em nota um deputado, sobre seu suposto envolvimento com homens e o pior, num
apartamento funcional na capital federal.

Para um senador, com cabelos tingidos, bem boneca, tudo não passa de leviandade, pois os acusadores falam no desespero, sem que ninguém impeça. Hoje falar mal do outro é fácil e a mídia vaza informações inverídicas para vender jornal.

“Eu renuncio ao mandato se alguém apresentar alguma prova concreta, prometeria aquele deputado sabidamente viado e machão”.

Já os políticos bissexuais transformariam as acusações em caos social: A crise política irá se aprofundar e o pais correrá o risco de uma paralisia institucional. Isso é uma vergonha!

Muitos citados na lista, atribuiriam aos partidos políticos a responsabilidade de zelar pela imagem dos seus representantes eleitos.

A maioria diria esperar pelo arquivamento das investigações e afirmariam estar confiantes na apuração dos fatos.

Na lista, além de deputados e senadores, surgiram ministros e um deles disse: “Lamento que meu nome tenha sido incluído numa lista de pessoas com desvio moral, sem que eu tivesse qualquer acesso ao conteúdo das acusações para me defender. Me causa grande
constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na qual não sei sequer do que estou sendo acusado.

Neste cenário ficcional seria melhor ser viado do que corrupto porque não há lei no Brasil que prevê cadeia para homossexuais.

Enquanto isso…

O deputado Jean Wyllys aproveitaria o escândalo bomba de Brasília, para cuspir novamente na cara daqueles que o chamam de bicha louca, boiola, queima-rosca e tantas outras ofensas homofobicas.

Devaneios à parte, entre urubus e boiolas a crise política e institucional vai continuar e todo o sistema político está em xeque, pois todas as legendas e expoentes partidários estão citados nas diversas listas da Procuradoria Geral da República, da Polícia Federal e do Supremo Tribunal de Justiça.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 09/06/2017, em Humor, Polícia e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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