A violência entre casais gays 

Recentemente li uma matéria da BBC Brasil que tratava das questões da violência entre casais do mesmo sexo em países como Argentina, Espanha e do Reino Unido.

Os gays costumam associar as brigas e porradas aos travestis, garotos de programa e frequentadores dos guetos, mas o universo é mais amplo e ultrapassa os limites dos guetos e segue porta adentro dos lares de casais do mesmo sexo.

Caro leitor, ninguém imagina parceiros em relações estáveis se agredindo, mas isso existe e é mais comum do que imaginamos. É o que se chama de violência de gênero.

Não existem estudos sobre o tema, mas as vivencias e as experiências de vida evidenciam haver mais agressões físicas entre lésbicas do que entre gays masculinos.

Eu, particularmente nunca agredi ou fui agredido, mas tomei conhecimento de situações de amigos que viveram verdadeiro inferno nas mãos dos companheiros.

Os conflitos físicos ocorrem porque a disputa por comando é acirrada entre dois machos e manter o controle sobre parceiros e situações leva a comportamentos violentos. Neste cenário encontramos gays submissos ou dominadores.

É comum ocorrer briga verbal e se não há controle emocional uma simples discussão acaba em pancadaria. Se dominador, não há negociação e não aceita situações de contradição, muito menos de separação e não estou nem falando de ciúmes, sabidamente o fator preponderante na geração de conflitos entre os casais.

Nas relações entre jovens e maduros ou idosos a violência se manifesta devido à ausência de diálogos. A insegurança dos jovens também é vetor de conflitos e os idosos ficam à mercê do parceiro porque são vulneráveis fisicamente. As agressões do homem maduro são mais psicológicas e gera um efeito reverso transformando ações psicológicas em ações físicas.

Na sociedade brasileira este assunto é tratado como tabu, uma violência invisível, porque é o famoso drama do duplo armário, ou não?

Quem em sã consciência tem coragem de denunciar que sofreu violência física? Para fazê-lo é necessário assumir-se gay e a maioria prefere o silêncio, logo, ficarão além das marcas os traumas e ninguém que sofreu agressões compartilha os acontecimentos com parentes ou amigos.

O ato do silêncio desencadeia outros processos internos, como isolamento, medo de interagir com os coletivos LGBT e até abstinência de sexo.

De uma forma genérica a violência é oriunda do estresse por pertencer à uma minoria sexual e quando acontece os homens dificilmente se identificam como vítimas.

Outro fator relevante neste tema é o medo do agredido em ser ameaçado na divulgação da orientação sexual para amigos e familiares e os agressores usam a chantagem como mecanismo de controle.

Eu conheci um vizinho idoso que adorava um garoto com quem teve relacionamento por mais de cinco anos. No começo suas reações eram de passividade para não desagradar o bofe. Com o tempo o descontentamento do garoto passou a ser rotineiro e as brigas verbais transformaram-se em violência física.

Moral da história: depois de apanhar calado decidiu romper o relacionamento e quando foi ameaçado de morte, tomou coragem e denunciou o agressor à polícia.

Por mais que os neurocientistas defendam a não existência do livre-arbítrio, ninguém é dono de ninguém, quando um não quer, dois não brigam. Brigas sempre vão existir, mas chegar ao ponto de agredir o companheiro é porque não há amor ou qualquer sentimento de querer bem, aí o melhor é cada um seguir seu caminho.

Nem sempre é tão fácil assim, mas é preciso insistir no convívio pacífico, mesmo em situações de stress, porque já é difícil encontrar um parceiro com afinidades para um relacionamento e a violência deveria passar longe dos casais, mas infelizmente essa é a realidade; além do mais não existem leis de proteção contra agressões físicas entre os indivíduos do mesmo sexo, onde essas ocorrências são tratadas como casuais.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 12/05/2017, em Comportamento, cotidiano, Polícia e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

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