Os conflitos de interesses entre gays

gay_idoso_6Caro leitor dos grisalhos, vou discorrer sobre a relação pessoal entre gays idosos e jovens e os conflitos de interesses dessas partes. Você pode concordar ou discordar e tem a liberdade de comentar o assunto.

Bem, o conflito de interesses ocorre quando um homossexual demonstra um interesse secundário no resultado de determinada ação, sendo esse interesse contrário ao de outro homem, parceiro, companheiro, amante, caso, etc.

É sabido que toda vez que conhecemos um homem, temos interesses próprios. O interesse primário é o tipo gostosão que nos atrai para o sexo. A partir do primeiro encontro surgem outros interesses.

Quando olhamos para um homem observamos suas características que mais se aproximam daquilo que buscamos para um relacionamento, é aquela coisa do tesão a qualquer preço e invariavelmente, colocamos como prioridades a aparência física e o modo de se vestir. Se o homem está bem vestido ele atrai muitos pretendentes mesmo sendo idoso. Não basta ser gostoso, tem que ter bom gosto e estar sempre em dia com o asseio, os cuidados pessoais e a saúde.

Após o primeiro contato, passamos a observar outras características como o nível cultural, formas de se expressar, postura, inteligência e principalmente as condições socioeconômicas do pretendente.

Um amigo sempre diz que na busca por parceiros colocamos como prioridade além da parte física, um homem que tenha condições econômicas iguais ou superiores às nossas, será?

Eu, particularmente, acredito que não, mas analisando a minha vida posso afirmar que meu amigo não está de todo errado, pois existem dois tipos de homem. O amante e o companheiro. Para ser amante serve qualquer um desde que seja gostoso, mas para ser companheiro tem que ter afinidades e elas passam necessariamente por condições socioeconômicas e culturais, ou não?

Os gays são hedonistas por natureza, logo, o prazer é supremo e aliado a esses prazeres há uma infinidade de coisas materiais que permeiam esse mundo de prazeres. Este também é um dos motivos do porque os gays são consumistas de carteirinha.

Nas relações entre gays não é diferente. Os coroas que gostam de jovens buscam inconscientemente a beleza e o vigor físico para usufruir dos prazeres sexuais e depois desfilar e mostrar o bofe à sociedade, porque isso o faz sentir-se jovem e capaz de conquistar amantes. Obviamente, há exceções, mas é assim que acontece.

Por outro lado, os jovens buscam nos homens mais velhos, a experiência e a estabilidade financeira para conduzi-lo a outro patamar social. Obviamente, aqui também há exceções porque gostar de alguém é algo que vai além da nossa vontade e muitos já se pegaram gostando de homens mais velhos com condições socioeconômicas inferiores.

A quase totalidade dos jovens gays que se relaciona com idosos tem condições econômicas inferiores por questões óbvias. O jovem está começando a vida, ainda estuda para alcançar objetivos e muitos ainda nem entraram no mercado de trabalho.

Não há estudos, mas ao longo da vida eu observei e vi jovens gays em relacionamentos com idosos e a proporção era para lá de 90%, ou seja: Para cada dez jovens, nove eram de classe social inferior à do coroa. Vez ou outra aparecia um jovem de família classe média alta envolvido com homem de classe inferior.

Essa coisa de construir patrimônio e crescer juntos é algo até utópico, exceto, se o casal for da mesma geração e faixa de idade. Entre idosos e jovens as relações são efêmeras e no tempo necessário de usufruir o que há de melhor no presente.

Caro leitor, porque é tão difícil de encontrar a sua alma gêmea idosa ou jovem? Somos seletivos em qualquer fase da vida e buscamos mais do que um corpo bonito para saciar nossos desejos. Buscamos também alguém com afinidades culturais e sociais, ou não? Não desprezamos nem a faixa etária do bofe! Quem gosta de jovem não muda as preferências e vice-versa.

Outro amigo diz: Gay idoso que gosta de jovem vive na corda bamba porque mais cedo ou mais tarde a andorinha bate asas e voa.

Voltando aos relacionamentos geracionais entre gays eu observo e constato haver muitos outros interesses além do sexo. Ninguém fala, outros desconversam, mas a maioria se vê no direito de herdar bens patrimoniais do parceiro. Isso ocorre principalmente em longos relacionamentos.

Eu acho legal um coroa ajudar o parceiro mais jovem nos estudos e encaminhá-lo para a vida, pois é algo natural, mas isso não lhe dá o direito de exigir fidelidade ou amor até a morte. É uma troca, não de favores, mas de oportunidades! Ninguém compra ninguém, exceto os michês para favores sexuais e sempre tem más línguas dizendo que o bofe está na relação por interesses materiais.

Também, um presente de vez em quando não faz mal a ninguém, mas gays abastados oferecem aos seus parceiros jovens, carros, motos, viagens internacionais, jantares em restaurantes da moda, roupas de grife e em troca há o sexo e uma relação muitas vezes falsa.

Parece que quanto maior a diferença de idade e do nível social, maior é o abismo entre sexo e relacionamento.

Uma situação também comum é o fim de caso por conta de outro homem, mais bonito, mais dotado, mais endinheirado.

Acho sacanagem viver com um coroa por décadas e depois terminar a relação porque conheceu outro e ainda querer levar para si os bens materiais obtidos na relação. Caro leitor, isso é mais comum do que você imagina. Conheci um coroa que foi depenado legalmente pelo companheiro ao fim de uma relação de vinte anos.

O mundo das relações entre gays com grande diferença de idade é um universo desconhecido de situações anormais, aliás, quase nada é normal. Há casos de ciúmes doentios de ambos personagens, não por amor, mas possessão, como se o outro fosse simples objeto, Tipo, é meu e ninguém põe a mãe e olha lá se sair da linha.

Existem jovens que sabendo das condições de vulnerabilidade dos idosos fazem chantagem emocionais para obter dinheiro para os seus prazeres. Aqui nem tudo são flores e uma relação aparente esconde um submundo de dominações e ciúmes.

Existem gays especializados em relações com idosos, para tomarem posse dos bens e ativos após falecimento. Eu pessoalmente conheço pelo menos dois espertalhões que hoje vivem de renda obtida com morte de parceiros, aliás, mais de uma morte, ou seja, mais de um parceiro num período de quinze anos. Especificamente nesse caso, um deles sempre se aproximou de idosos com idade acima dos oitenta anos e dizia que os velhinhos lhe davam tesão, porque além de amá-los tinha uma compulsão para cuidar, dar banho, fazer comida e por aí vai. Ninguém merece, isso pra mim é michê disfarçado de amigo.

Há situações onde o parceiro idoso faz um trato com o mais jovem, para ser cuidado na velhice, principalmente em situações de doenças em troca de algum patrimônio ainda em vida. Aqui entra um novo personagem: Cuidadores profissionais de gays idosos. Não são malandros, são profissionais que aceitam a situação como forma de trabalho.

Nessas relações há de tudo. Eu recordo da minha adolescência em 1974, quando um coroa industrial me ofereceu um apartamento e estudos para eu ser o seu amante. Caro leitor, o homem tinha um apartamento caríssimo numa região nobre da cidade para acomodar o amante! Já escrevi sobre isso e não aceitei porque seria escravo sexual e não teria liberdade.

Os jovens amantes belos e sonhadores também sofrem na relação com os idosos, porque muitos deles querem uma relação sexual sem compromisso, onde paga-se os favores de diversas formas e nem sem sempre há dinheiro envolvido.

Existem coroas que usam e abusam da sua superioridade social para manter seus amantes em rédea curta. Usam de chantagem emocional para controlar a situação por períodos de sua conveniência.

Há também coroas frágeis e dependentes dos parceiros que fazem qualquer coisa para tê-los ao seu alcance, inclusive pagando contas e oferecendo pequenos mimos.

Enfim, é um mundo muitas vezes surreal porque os seus personagens agem de acordo com as circunstancias e interesses próprios e quase nunca os interesses são comuns. Talvez a única coisa comum seja o sexo e nem sempre é da forma que eles imaginam.

Ao longo da minha vida eu vi tanto jovem sofrer por amor a outro idoso e não ser correspondido. Vi relações conturbadas por conflitos de interesses, enquanto gays idosos penavam na mão de jovens espertos e sabedores das fragilidades do amante. Enfim, ninguém é santo, ingênuo ou bobo e tudo gira em torno das circunstancias.

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 26/11/2016, em Relacionamento e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Married Daddy

    Hedonismo, essa palavra…Nas minhas experiências, rolou em todo o seu contexto: eu querendo usufruir do corpo do coroa, ele do meu…Eu sabia que usaria o corpo, pois o coração estava longe, ou às vezes era de pedra mesmo. Eu nem sofri, pois, sabendo o que rolava, não me envolvia emocionalmente. E, seguindo as estatísticas, todos eles eram bem de vida, uns bem endinheirados. Até hoje me procuram, alguns das antigas, que ainda hoje vivem de galho em galho. Mas eu fui me apaixonar pelo meu namorado, da minha idade. Ele me conheceu quando ainda estava casado com mulher. Depois da separação, com três filhos, saí de casa duro e com dívidas, para morar com minha mãe. Eu nem pergunto a ele quanto ganha, mas sei que tem uma excelente condição, além dos seus imóveis. Ele, claro, quer que eu acerte a minha vida, mas nunca me cobrou nada, além da minha presença, do meu carinho (como se precisasse pedir). Ele sabe que com o tempo, as coisas vão se ajeitando e confia em mim. Ele me trata com toda a dignidade e liberdade que preciso, e o meu amor cresce a cada dia. Ele também quer que eu me divorcie e,sim, quer se casar comigo. Mas, após um casamento de 21 anos, quero ir devagar… Está tudo tão maravilhoso, eu não quero estragar isso com o peso da Matéria. A César o que é de César, ao coração o amor, a paixão. Mas a todos os outros coroas lindos e gostosos que deixei na pista, um recado: sejam felizes, mas lembrem de serem dignos com vocês mesmos, sexo sem paixão é como o a rebordose de uma droga, quando acaba, você só quer sumir dali. Fazer o quê? Uns gostam da cobertura, outros do recheio. Eu tenho 47 anos e sou do Sudeste. Ah, como eu sei que você edita alguma coisa, eu ainda aguardo o meu texto, hein? (brincadeirinha, rsrs…)

  2. Josué martins dos Anjos SIlva

    Muito bom esse texto.
    Meu primeiro namorado era porteiro de condomínio, tínhamos salário com diferença de 50 reais, quando alguns por amigos ficaram sabendo que eu gostava de coroa, começaram os comentários:
    O coroa só pode ser rico, está comprando, deve dar presentes, etc.
    Me sentir muito triste, eu sabia que meu ex ganhava 50 reais a mais do que eu, tinha um carro antigo, eu tinha moto, ele ainda morava com a ex esposa, pq sustentava ela, era muito difícil para ele e para mim também.
    Porém era uma relação gostosa, mesmo ele não querendo morar comigo, alugar uma casa e ir viver nossa vida, ele morria de medo da ex esposa passar fome…
    Não deu certo nossa relação por ele ser muito simples, não gostava de sair, ir em cinema ,shopping, restaurante, teatro,praça, ele não gostava de nada a não ser motel, foi meu primeiro namorado fiz de tudo pra dar certo, chamava ele pra sair, alugarmos um lugar pra nós, etc
    Mas ele não queria, então me cansei pq queria uma vida, não um cara pra sexo.

    Sempre procurei homens simples, por medo das pessoas falarem; “sabia que era só interesse”, coisas do tipo.E as poucas vezes que sai com homens ricos, tive muitos problemas, obsessão, queriam me comprar, queriam que deixasse de trabalhar pra ser sustentados por eles, coisa que jamais farei, pq isso é ficar presso, não ter vida…

    Hoje tenho meu companheiro de 51 anos, estamos passando por um momento difícil, e ainda o preconceito ainda é grande
    Me cansa escutar, ” ele é rico neh, só podi”
    Já não me importo tanto com isso como antes, mas é muito chato.

    Queria gostar de mulher ou pelo menos de homens novos rsrs
    Mas não consigo nem achar bonito homem novo, sarado, coisa e tal, gosto mesmo de coroas gordinhos peludos, com um belo sorriso no rosto e conversa inteligente, experiencia de vida.

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