Arquivo mensal: outubro 2016

Sobre pintos e bundas

soldiers_parade_by_raphael_perezCaro leitor, transformar ideias em texto não é fácil. Quando escrevo os artigos, os textos começam herméticos e dá um trabalho danado deixá-los acessíveis e leves e sem perder a profundidade.

Assuntos dessa natureza não são comuns devido aos tabus arraigados no subconsciente coletivo. No mundo gay não é diferente, porque ninguém fala ou comenta, mas pensa, sonha, idealiza até materializar.

Sobre bundas eu acredito que se fala pouco e mesmo os ativos pensam mais em pintos. A bunda não faz sucesso entre os homossexuais e no ato sexual ela é figura secundária.

É interessante, pois a bunda dos homens é apreciada e cantada em verso e prosa pelas mulheres, mas gays não dão muita atenção aos seus contornos e formas.

A bicharada não imagina como é a bunda masculina sob a calça. O olho, invariavelmente, é direcionado para outras partes. Em sã consciência não prestamos atenção porque o objetivo é o pinto.

Há bundas magras, rebitadas, rechonchudas, lisas, ásperas, peludas. Também, não se fala: A sua bunda é muito gostosa ou que bundão, ou, que bundinha! Os falsos exaltam a bunda no ato do gozo e nada mais. É fato, somos atraídos pelo falo e não pela bunda.

Essa parte do corpo não interessa, porque o que interessa mesmo é o orifício central da bunda. É lá que se escondem todos os segredos do prazer homossexual, ou seria no pinto?

Quem tem vontade de comer uma bunda nem passa a mão e vai direto ao assunto, ou melhor, ao orifício. Se for apertadinho melhor ainda.

Gosto não se discute. Eu, por exemplo, adoro uma bunda com pelos, sim, porque se gostasse de bunda lisa transava com mulher. Nada contra os imberbes, mas bunda digna de troféu é aquela carnuda. Nesse universo os ursos fazem a festa.

Outra curiosidade: Os passivos sempre fazem o comercial de suas bundas. Vasculhe a Internet e vai encontrar coisas do tipo: bunda lisa, lisinha, redondinha e arrebitada. Esse marketing é antigo e direcionado aos ativos que dão pouca ou nenhuma importância ao cartão de visitas.

Mesmo secundária a bunda tem papel preponderante na relação com o pinto, pois o que seria dele sem a bunda?

As fantasias sexuais entre bundas e pintos vão além do simples ato da penetração. Os pintos, principalmente, aqueles monstros enormes e de difícil ereção passeiam vagarosamente sob a superfície lunar da bunda e viajando a centímetros do buraco fatal eles descansam no mar da tranquilidade.

Há que considerar as bundas empinadas. Elas são privilégio de jovens esbeltos e de corpos torneados. Invariavelmente, bundas dessa natureza são os melhores suportes para uma penetração leve e profunda, além do formato entre vales servem de suspensório ao pinto. Entendeu? Não é para entender, é para rir.

Entre outros tipos, destaque para a bunda gaveta. Essa é facilmente encontrada entre os homens magros e a melhor maneira de usá-las é não se permitir penetrar, mas sentar e enterrar o pinto dentro. Outro dia uma amiga confidenciou não conhecer bunda gaveta, mas imaginou que essa gaveta poderia ser a bunda de urso, reta, quadrada e sem protuberâncias.

Bundas à parte, o campeão de audiência é mesmo o pinto. O rei da natureza humana masculina e o preferido de nove entre dez homossexuais. Desde os mais tímidos, até os atrevidos são hipnotizados pelo poder do pinto. Gays assumidos idolatram e os enrustidos cobiçam porque ter outro pinto à disposição é demonstração de poder ao quadrado.

Os passivos se deleitam e os ativos são atraídos para trair a bunda e buscar um pinto.

O dito cujo, é observado dia e noite e por onde passa desperta o desejo da maioria. Sob a calça ele já é campeão, porque volume é o que importa. Mas cuidado! Nem sempre volume é sinônimo de tamanho. Um pintinho sempre se esconde entre bagos graúdos.

Aliás, tamanho nunca foi documento e a marca registrada de um bom pinto é a sua capacidade de penetrar sem machucar e fazer gozar sem masturbar.

Diferentemente da bunda, os pintos são artistas natos e os gays os pintam de todas as cores, formas e tamanhos. Há pintos brancos, morenos e negros, finos, compridos, carnudos e grossos e até modelo extra grande, para as bonecas poderosas.

O pinto tem tendências político militar, de direita e de esquerda, a maioria prefere a posição de continência, mas sempre tem um rebelde que insiste em apontar para o céu. Esses são os piores porque devido à anatomia da bunda, nem sempre é possível a penetração.

O pinto é narcisista por natureza. Seu dono procura sempre um espelho e observa o bilau para comprovar a beleza e masculinidade do membro rijo.

Pintos gostam de ser observados, paparicados, bajulados e lambidos, pois sabem que são os maiorais, cobiçados e adorados. A primeira reação de quem os persegue, é apalpar, acariciar e apertar entre os dedos, para depois cair de boca e lambuzar o danado e por fim escondê-lo do mundo no seu orifício sexual.

A natureza do pinto varia de acordo com o tamanho. Se pequeno é bicho danado e enganador, se tem porte médio faz cu doce para trabalhar e se é grande sente-se o próprio sol, já os extra grandes são tristes e solitários.

Quem tem vontade de dar, faz qualquer coisa para ter um pinto para chamar de seu.

Os comentários são sempre superlativos: Que pintão gostoso! Enorme, grosso e durão, mesmo sendo ele mindinho ou no máximo similar ao polegar.

Um bom pinto pode ser facilmente encontrado desfilando pelado e duro no escurinho do cinema, nos banheiros públicos e Shopping Centers, em parques e saunas. Durante o verão desfilam soberanos e até eretos mostrando a carinha sob a sunga nas praias de norte a sul do Brasil.

O seu verbete é quase infinito: pênis, cacete, caralho, vara, jeba, pau, bilau. Vai do cu direto para a mesa servido como mandioca, salsichão, chouriço, franguinho e salame servido na baquete. Do sorvete de saquinho à banana e a sobremesa está servida.

Apesar de cada homem ter o seu, o do outro é sempre melhor. Quem ainda não experimentou e usou um pinto alheio não sabe o que está perdendo e não dá para passar nessa vida sem um encontro mágico com este ser de outro planeta.

Enfim, no mundo gay bundas e pintos não vivem um sem o outro, salvo raras exceções de divórcios amigáveis onde cada um fica no seu lugar.

Há aqueles que não gostam de misturar pinto com bunda, ou porque são voyeur por natureza ou porque vivem apenas das delicias dos toques e pinto com pinto também dá tesão. Há quem diga haver mais mistérios entre o pinto e a bunda do que supõe a vã filosofia. Será?

Ainda assim, o pinto continuará seu reinado por toda a eternidade.

Crédito da imagem: Raphael Perez artista Israelense homoerótico

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Eu não sou homossexual – inconformismo

nao_sou_homossexual_2Pois é, aqui estou com o quarto texto sobre o tema, então vamos lá.

Não adianta lutar ou fugir da situação. Ser gay não é o fim do mundo e para viver bem é necessário tratar as questões emocionais, mas antes de tudo você precisa deixar de ser um inconformado. Destaco aqui o inconformismo apenas no plano pessoal.

A conformidade com situações do cotidiano ou da vida é um dos ingredientes mais importantes da felicidade, uma vez que essa conformidade mostra um nível de aceitação importante.

Você não se aceita como homossexual porque em sã consciência, ninguém quer ser gay. Você se imagina numa outra vida, vivendo a experiência do outro ou sendo o outro e isso constitui uma força poderosa geradora de situações incomodas.

Se você não se conforma com sua sexualidade, saiba que ela dificilmente vai mudar, pode variar durante a vida, mas se prepare e aceite sua condição. Os jovens gays são mais inconformados do que os adultos, porque estes já atingiram um nível de maturidade, mas tem muito marmanjo que vai morrer inconformado.

Você que está desgostoso e tenta lutar contra a causa da insatisfação, com o objetivo de poder modifica-la vai sofrer bastante. Ser inconformado não é ser negativo, é importante ter um sentimento sadio e de oposição à realidade, mas dentro do razoável.

Existem situações que são imutáveis e a sexualidade é uma delas. Você insatisfeito com suas preferências cria obstáculos para viver momentos de felicidade, pois transforma suas atitudes perante a vida, em uma postura pessoal diante dos fatos do cotidiano e na presença das pessoas.

Por exemplo, existem homossexuais que não aceitam o comportamento dos gays que frequentam saunas, em contrapartida esses não se conformam quando dois homens querem viver uma relação estável. Isso muda a todo momento, hoje você é pedra e amanhã é vidraça.

Mesmo inconformado com sua natureza, você vive sonhando trepar com o homem ideal. Até na hora do sexo, se for oral, você deixa de lado suas neuroses e cai de cabeça, ou melhor, de boca no pau duro e rijo.

Sem se preocupar com o que os outros vão pensar você vira de bruços e sente o seu corpo inteiro tremer. Vez ou outra você quer ficar por cima e enfiar a vara no homem que está na sua cama. Porque nessas horas o inconformismo desaparece? O prazer é o único sentimento que equilibra suas emoções e proporciona uma conformidade.

Como diz um amigo: o importante é gozar e sem neuroses.

No decorrer da minha vida eu conheci dezenas de homens inconformados, mas bastava aparecer alguém interessante para o inconformismo dar lugar à paquera. Depois de alguns anos esses homens estavam sozinhos num balcão de bar, bebendo e afogando as mágoas, porque se você não é positivo as pessoas somem do seu cotidiano.

Gays inconformistas são facilmente confundidos com pessoas negativas e desse povo todos querem distância, porque além de não agregar valor às relações geram conflitos decorrentes de pontos de vista pessoal, são intolerantes e intragáveis.

Não dá para viver no inconformismo, porque se você não se conforma de que as coisas são do modo que são, saiba que elas não serão diferentes ou melhores. Você tem prazer em fazer o papel do passivo e horas depois não se conforma com a situação, porque sente-se inferiorizado ou submisso.

Saiba que mesmo os ativos são inconformados, porque não é o papel que desempenha na cama que te faz inconformista e sim, ser homossexual.

Você queria ser igual a todos os homens, gostar de mulheres, namorar, sair com garotas na balada, casar, ter filhos, mas você nem sente tesão por elas e isso te deixa num estado de inconformismo profundo. Você pensa que sentir-se atraído por homem é passageiro e divide-se entre dois mundos.

Ser gay pode parecer desfavorável, mas não é, portanto, acate a situação com naturalidade. Eu sei que é difícil, mas nada como um dia após o outro.

Você não se conforma com aquele homem que não te dá a mínima atenção e ainda assim outros cruzarão o seu caminho. Se você não se desvencilhar do inconformismo vai perder muitas oportunidades também nos relacionamentos.

O inconformismo leva você a acreditar que não é homossexual e então aceita qualquer besteira como remédio para curar os seus males.

A cegueira chega ao ponto de muitos afirmarem que estão curados dos desejos homossexuais, após terapias de reorientação sexual. Ninguém merece isso!

Mesmo violando uma Resolução do Conselho Federal de Psicologia, circula nas redes sociais um tal curso de cura gay com o título: Homossexualismo, prevenção, tratamento e cura. Você sabe por que isso acontece? Porque há centenas, senão milhares de homossexuais inconformados desejando ser curados de um mal que não existe.

Os gays viajam entre o sexo exclusivamente com homens e eventualmente com mulheres e vice-versa. Tudo isso por mero inconformismo ou por tesão por ambos os sexos. A natureza humana é o sensor dos seus desejos e não há distúrbios físicos ou emocionais.

Gays inconformados são pessoas amargas, chatas e de difícil convívio social. Por isso perambulam sozinhos por aí em busca de algo que não vai apaziguar seus anseios de mudanças.

Você pode não se conformar com a perda da paquera, a perda do companheiro, fim de caso ou morte, brigas desnecessárias por conta do comportamento do parceiro, perda da virgindade, do cabaço, mas ainda assim você continua gay.

O inconformado reclama de tudo, nada está bom e neste clima o tempo passa e as perdas são irreparáveis, mas é necessário adaptar-se ao novo, ao presente porque quando você se dá conta já envelheceu.

Outra coisa comum no meio gay é você não se conformar com o envelhecimento, aliás, ninguém se conforma com a velhice, mas com o tempo nos adaptamos principalmente às mudanças físicas. Aos que gostam de homens maduros a velhice é o paraíso e os protagonistas levam algum tempo para adaptar-se à essa nova condição.

Como homossexual eu sou observador do mundo e tenho tesão em observar o comportamento dos meus iguais. No decorrer da minha vida eu vivenciei momentos de prazer como estilo de vida, mas nunca precisei passar por cima de princípios morais e se isso aconteceu no fundo houve uma grande carga de inconformismo na minha vida pessoal, hoje não mais.

Você pode estar inconformado com a sua condição social, o emprego que perdeu ou a ascensão profissional que não teve por ser o que você é. Tudo isso é reversível e temporário, mas pensar ou acreditar que pode mudar os seus desejos é no mínimo irracional.

Enfim, crescemos pensando que a única pessoa no mundo que jamais seria capaz de nos trair seria nós mesmos. Porém devido à não aceitação somos capazes de ser nosso pior traidor, desconfiar dos nossos desejos, abandonar nossos sonhos, nos negar nossas vontades.

As verdadeiras angustias, insatisfações, decepções, não nascem fora, mas dentro de nós e essa coisa de não se conformar com tudo o que a vida te reservou, traz frustração e insatisfação porque você se torna escravo de seus próprios desejos pessoais mostrando uma atitude caprichosa. É muito importante educar à vontade para não ser um escravo dos desejos infinitos.

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