Eu não sou homossexual – Não aceitação

nao_sou_homossexual_2Caro leitor, a partir de hoje eu trago para você uma série de escritos rascunhados há alguns anos. Demorou, mas a ideia amadureceu e tomou forma e eu intitulei de: Eu não sou homossexual. Também, separei os textos em cinco partes e com subtítulos para aumentar e facilitar a interação dos leitores.

Pois é, não adianta remediar porque quanto mais cedo você fechar para balanço mais rápido você encontrará as respostas a todos os questionamentos que faz sobre sua sexualidade. Os gays, invariavelmente, sabem quais são esses questionamentos e a maioria conduz à questão da não aceitação.

É sempre aquele blá, blá, blá, porque eu? Justamente eu? Isso não podia acontecer comigo! Não, tem alguma coisa errada! Isso tudo é passageiro, é apenas uma questão de tempo, breve tudo vai mudar e voltar à normalidade. Eu não sou homossexual!

A não aceitação, não é privilégio dos jovens e inexperientes, os maduros e idosos às vezes levam essa condição até a morte.

A aceitação da homossexualidade é um processo lento e não acontece do dia para a noite. Também, não adianta querer resolver tudo por instinto ou buscar todas as respostas porque a complexidade está além do nosso entendimento.

Você segue sua vida, os anos passam e seus desejos por homens não passa, muito pelo contrário, acentua-se.  Aí você pensa e vive uma fase da vida como bissexual e busca experiências sexuais com mulheres.

A família é o principal vetor que te impulsiona para a vala comum dos desesperados. A maioria cede às pressões sociais e acaba num altar de igreja, depois na cama e logo chegam os filhos. Desvencilhar-se do casamento não é tarefa fácil

As experiências sexuais com mulheres são válidas, porque você precisa sentir a sensação de desconforto, olho no olho e fazer sexo pensando num corpo masculino, isso também dá tesão!

O que move o ser humano na relação sexual é a atração física. Se você gosta de transar com homem e mulher não há nada de errado com você. A frequência também não importa, o importante é sentir tesão na relação. Os gays navegam entre os mares da bi e homossexualidade desde os primórdios da humanidade.

Após experimentações variando os gêneros, você se dá conta que prefere os homens às mulheres. A prevalência é natural quando se é homossexual e ainda assim você não se aceita, mas continua com pensamentos e fantasias cada vez mais frequentes e essas te colocam na estrada da perdição. Perdição que nada! Sentir tesão por homem é maravilhoso, mas nem todos pensam assim.

Você quer ser tocado e acariciado por outro do mesmo gênero. Você deseja um beijo de lábios carnudos, ásperos, com hálito e saliva de homem, quer sentir um corpo másculo, suado e o prazer à flor da pele.

O desejo não é sobrenatural e qual é o mal em desejar um pênis penetrando a boca ou o ânus? Não há mal nenhum, mas você teima em não aceitar e acha que dar o rabo é humilhante, coisa de seres inferiores.

Você imagina o esperma jorrando do membro do parceiro e não se importa em lambuzar, primeiro os dedos das mãos, para finalmente sentir o frescor viscoso do líquido derramado sobre o seu corpo.

O que dizer dos afagos apertados, peito com peito sem seios volumosos, invariavelmente, com pelos? A bestialidade do coito anal não é vergonha ou sujeira, é humano!

Após várias experimentações sexuais a vida te prega uma peça e quando menos você espera aconteceu. Pronto! Você está apaixonado por um homem.

O sentimento é algo inexplicável e transforma a sua vida. Muitos largam mulheres, filhos e até netos, outros saem da casa dos pais, uma minoria cria coragem e conta que é gay e tudo isso para viver o amor homossexual. O romance não tem prazo de validade e pode durar um mês, um ano, uma década ou até a morte.

Também, o amor não tem sexo, é sublime, muitas vezes louco e doentio. Os gays que vivem relações doentias, passam por situações de submissão que se traduz em obediência. Tornar-se escravo do parceiro é algo nojento, mas ainda assim, humano!

Humano também é o nosso instinto que nos leva por caminhos sombrios, mas deliciosos! Você é impulsionado ao mundo do sexo onde muitas vezes o parceiro nem faz o seu tipo, mas algo nele te atrai para gozar, um gozo rápido, uma foda desconfortável, algumas vezes fugaz. Após tantos encontros com parceiros anônimos você questiona seus valores morais, mas nem por isso você se sente promíscuo.

Após idas e vindas nesse mundo, exclusivamente, sexual, sair dos trilhos não é decisão fácil, pois o sexo é viciante e deliciosamente gostoso. Já não importa se você é ou não é, mas tudo o que é bom dura pouco, ou melhor, dura o tempo necessário ao aprendizado.

Quando você olha no retrovisor, a vida já está na curva do rio e não tem mais volta. O tempo que resta é pouco e não dá para voltar e tentar refazer o percurso novamente.

Já não existem mais corpos delirantes e juvenis esfregando-se atrás dos muros da escola, nem as intermináveis sessões de punhetas trancado no banheiro de casa.

Os amantes de outrora são imagens distorcidas da era dourada da juventude, das baladas e dos fins de noite trancado num carro mamando o marmanjo sacana da boate ou do taxista pederasta te pagamento um dinheiro, para mamar na sua vara até o sol raiar.

Das memórias dos guetos ainda chegam fragmentos distorcidos de homens comuns, mas existem fodas e fodas e a inesquecível foi aquela quando você entalou a vara no rabo do homem casado mais lindo da sauna que gemeu a tarde inteira e depois sumiu do mapa.

Enfim, hoje você é experiente, no seu dia-a-dia os segredos sexuais são coisas banais e sem importância e você conhece praticamente todos os comportamentos dos gays e por experiência sabe identificar quem já se assumiu ou não.

A vida segue e você não deixou passar as oportunidades, experimentou todas as situações possíveis nas relações. Talvez hoje você esteja casado com outro homem e vivendo a vida que nunca imaginou viver.

Você amadureceu e sabe que a vida é finita e não dá mais para desperdiçar o tempo e as oportunidades e não há nada de errado com você, porque o desejo por homens não é passageiro, está arraigado nos seus neurônios e na sua alma e nada vai mudar, afinal, hoje você tem a certeza que é homossexual.

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 17/08/2016, em Sexo, Sexualidade e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 13 Comentários.

  1. Esse site é muito bom.
    Acompanho à alguns anos.
    Sempre com ótimos textos…
    E gosto muito dos comentários!

  2. Esse coroa do blog descreve a vida gay como se todos os gays fossem felizes e passassem 24 horas fazendo sexo. Ele se esquece de que existem gays e gays, que nem todos os gays são aqueles que frequentam saunas, boates, quartos escuros e banheiros masculinos. Tem muitos gays assumidos que nunca entraram sequer em uma sauna gay. Tem gay gordo, feio, de pau pequeno, surdo-mudo, cego, cadeirante, pobre e miserável, romântico, estudante que não tem tempo para nada, enfim. Eu, por exemplo, nunca consegui transar com mais de 10 homens em toda a minha vida, e olha que eu tenho 33 anos. E sempre fui assumido para os meus familiares.

  3. Lutei contra meus desejos a vida inteira. Fiz de tudo pra me enganar mas com mais de 60, antes que fosse tarde demais decidi me dar uma chance. Conheci um amigo e adorei ser seduzido (e entalado) por ele… Agora eu quero mais! Se for possível, quero voltar e ser entalado todos os dias.
    Pedro.

  4. Sergio Barros

    Gostei de seu texto, me fez pensar em minha vida, negando meu desejo por homens, disfarçando, por muitos anos, transando com travestis. Não que seja “errado”, mas me parece que a maioria dos que transam com travestis são casados que não se aceitam e um trans, bem, não é um “homem”. Então tudo bem.

    Em minha experiência conheci homens que não podem passar sem ser ativos com outros homens. Gostam de sexo anal, dizem, e não importa se com homem ou mulher. Se você pergunta se gostam de homem dizem logo grosseiramente que não, que gostam de sexo anal. Faz parte de nossa cultura a aceitação de que quem é só ativo não é homossexual. E é verdade, ser homossexual envolve aceitar que prefere homem à mulher, ou que, pelo menos, gosta dos dois. A identidade nunca é algo individual, é sempre construida pela nossa relação como pessoa com o mundo. E se o mundo brasileiro diz que ativos não são viados, isto é como a cabeça das pessoas é.

    Por outro lado, enquanto nós, eu inclusive, consideramos que transando com travestis nossa masculinidade está intacta, acho que perdemos algo. Isto começa a aparecer, e é o que angustia, quando percebe-se que preferimos ser passivos. Quando notei isto é que passei a procurar homens nas saunas e na internet. E, um dia, descobri que me sentia viado, quer dizer, gostava de homem, gostava de ser passivo. E que tinha desperdiçado toda uma experiência de vida por muito tempo.

    Me vi como o casado da sauna, que passou a tarde sendo entalado toda tarde e adorando. Mas, ao contrário do seu exemplo, não sumi. Voltei e continuo.

    No entanto me sinto bastante sem lugar. Depois de uma vida socialmente hetero, se descobre que os bissexuais tem menos lugar ainda.

  5. Me identifiquei muito com este texto, parabéns, você é um excelente psicólogo e escritor. Parabéns por estas sábias e vividas palavras. Amei a foto destes dois coroas

  6. Parabéns pelo texto! Ansioso aqui pelos próximos dessa série!

  7. Carlos Augusto

    Regis, este texto falou tudo, me senti dentro dele….um filme passando na minha cabeça…..fiquei casado durante 26 anos ate ter a coragem de me separar e há 05 anos estou com um companheiro….adorei seu texto…muito bom mesmo…parabéns…..

  8. thiago (assinei santoculto da ultima vez) desculpe

    Hálito de homem não, kkkkkkk geralmente com sabor nicotina, kkkk

    Acho que muitos gays deste tipo botam na balança primeiro o lado ruim ou riscos de se engajar em um estilo de vida homossexual e tendem a se agarrar na primeira brecha de heteropossibilidade que acabam entendendo como “mais seguro” sob todos os âmbitos.

    Como eu disse em um dos meus primeiros comentários. Nos dias de hoje parece fácil ser gay e em um país que sempre foi homofóbico como o Brasil basta ver o humor, quase sempre homodepreciativo.

    As pessoas toleram mal mal a homossexualidade porque sabem que podem ser processadas. Não o fazem porque aceitam. A maioria delas pelo que parece. Esbarramos na força do conformismo humano.

    Essas mesmas pessoas que esboçam sorrisos implicitamente amarelos sobre “nós” teriam jogado bosta na Geni se tivessem nascido na época de seus avós.

  9. Married Daddy

    Puxa…acho que esse foi um dos seus melhores textos. Ansioso pela continuação, como você prometeu.

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