+ Sobre os gays e as drogas

gay_e_drogasQuando falamos de drogas, logo associados às drogas ilícitas como, cocaína, maconha, crack, etc. É bom lembrar-se das drogas lícitas como cigarro, álcool, medicamentos e até um simples colírio, assunto já tratado aqui no blog.

No universo dos homossexuais não existem estudos sobre o consumo de drogas ilícitas, portanto, todas as referências utilizadas neste artigo foram embasadas em estudos e pesquisas sobre o consumo de drogas no Brasil entre 2005 e 2015.

Por que os gays consomem drogas? Porque antes de serem homossexuais eles são seres humanos e estão inseridos no contexto deste problema de ordem social universal.

O consumo de drogas no universo gay atinge todas as faixas de idade e todas as camadas sociais, com prevalência entre os jovens e predominantemente do sexo masculino.

Os jovens começam a consumir drogas lícitas, como o álcool e cigarro no fim da infância e acentua-se na juventude quando os conflitos internos da homossexualidade são evidentes, pois é quando o jovem passa por transformações hormonais e emocionais.

A partir daí, há todo um contexto social contribuindo para se consumir drogas lícitas. As pressões exercidas por grupos familiares, educacionais e religiosos geram exclusão social, falta de empatia a grupos heterossexuais, agressividade doméstica e principalmente a baixa autoestima.

A maioria dos jovens busca inserção em grupos homossexuais. Essa ocorrência é comum nos grandes centros urbanos e capitais brasileiras, principalmente na região sudeste do Brasil.

Como acontece o contato com as drogas ilícitas?

Há estudos indicando as escolas secundárias como o principal vetor para o consumo de drogas.

Há que se considerar também que os jovens gays andam em turmas e se encontram, geralmente, nos finais de semana e sempre nos finais de tarde e à noite, onde circulam por bares e baladas dos points gay e sempre viram a noite, bebendo, dançando,paquerando e é ai que entra a droga.

Neste universo dos grupos existe a divisão de classes: os mais pobres consomem maconha e crack e os mais abastados consomem ecstasy, cocaína e até heroína.

Acredita-se que mais de 20% dos jovens gays de todas as classes sociais viverão toda a juventude na corda bamba entre o consumo de bebidas e o consumo de drogas e desses aproximadamente 7% serão dependentes químicos até a fase adulta e mais de 10% farão uso eventual da maconha até os 50 anos de idade.

Há também na fase adulta entre os 30 e os 50 anos, um percentual de 3% dos gays consumindo cocaína e outras drogas sintéticas. Esse fenômeno ocorre durante o período de ascensão profissional com o consequente aumento da renda mensal.

O mais interessante é que o declínio do consumo de drogas ilícitas na fase adulta contrasta com o acentuado aumento do consumo de bebidas alcoólicas. Estima-se que mais de 50% dos gays masculinos consumirão álcool até a velhice.

Experiências no universo homossexual

Desde os meus quinze anos, no ano de 1974, eu tenho vivências no universo gay de São Paulo e no Rio de Janeiro.

As drogas populares da época eram a maconha e as chamadas bolinhas, remédios consumidos com álcool que atuavam no sistema nervoso central e davam o tal “barato”.

As minhas experiências com drogas restringiram-se ao consumo de maconha e comprimidos durante o período de um ano, entre 1979 e 1980. O primeiro contato foi em bares gays do centro da cidade e através da Tula, uma bicha que circulava nos guetos à procura de sexo, aventuras e drogas.

Naqueles tempos o consumo de drogas ocorria principalmente dentro das boates. A Medieval frequentada por famosos, Val Improviso, Nostro Mondo e a famosa Homo Sapiens conhecida como HS, na Rua Marques de Itu onde atualmente está o ABC Bailão. Inclusive, o motivo do fechamento da HS,foi justamente uma batida policial que identificou tráfico e consumo de drogas dentro da boate.

Muitos conhecidos, colegas e amigos se drogavam para enfrentar a noite nas ruas, bares e boates. As drogas eram consumidas nas ruas escuras e becos da cidade. Na década de 70 as noitadas eram um mundo surreal de sexo livre e explícito nas praças e banheiros públicos. Leia o artigo Um Olhar Retrô sobre a Cena Gay Paulistana.

Já nos anos 80, eu tive um amigo chamado Luizinho que se drogava com cocaína e tinha um caso com um coroa sessentão do Rio de Janeiro que ia para São Paulo todo final de semana e fez uso de cocaína por mais de três anos.

Motivo para o gay idoso se drogar: As experiências sexuais do casal eram verdadeiras orgias e viagens alucinógenas numa realidade paralela.

Algumas vezes tinha-se notícia que corria de boca em boca, sobre gays mortos por overdose em festas particulares em apartamentos privados, hotéis e motéis da cidade.

O uso de drogas no universo gay das décadas de 70 e 80 não era diferente do consumo dos dias atuais. Os principais motivos são: inserção social em ambientes gay, hábitos e costumes do grupo, fuga da realidade e experiências extrassensoriais, mas devido ao consumo contínuo por longos períodos a dependência é inevitável para uma parcela desses gays.

A dependência é o pior dos mundos, pois a juventude é a melhor fase da vida, período de estudos, inserção no mercado de trabalho, ascensão profissional e crescimento pessoal em todos os sentidos.

Não sou conversador, mas todos nós almejamos algo na vida, como realizar sonhos e conquistar um espaço neste mundo, ainda mais para o gay que é minoria neste planeta.

Outro dia passeando na Avenida Paulista eu observei um homem parado e olhando um gay abraçado a um amigo e ele soltou o seguinte comentário: Além de viado também é drogado – Duplo preconceito: drogas e homossexualidade.

 Como observador deste mundo moderno, eu percebo os gays jovens e maduros vivendo freneticamente numa sociedade de consumo e penso que eles buscam a droga como solução mágica para seus conflitos interiores, mas não é assim que funciona.

O contato com ela ocorre quando o gay está buscando mais intensamente o conceito de si mesmo, a sua identidade psicossocial, pois ele acredita que a resposta está no exterior, sem tentar buscá-la em si mesmo.

Já os gays maduros e idosos se drogam porque não enxergam perspectivas para o futuro. Muitos buscam esquecer traumas ou perdas de entes queridos e sem perceber o vício acaba sendo parte integrante do seu cotidiano, pois não conseguiram se livrar da dependência química.

O pior dos mundos é a dependência e a necessidade do uso de drogas em maiores quantidades para se obter os mesmos efeitos. Quando se percebe passaram anos e até décadas.

Por mera coincidência, eu fiquei em São Paulo num feriado abril deste ano e fui acordo logo cedo com sirenes de carros de bombeiro. Resumo: Um gay morador do prédio da frente queria suicidar-se porque o parceiro rompeu a relação, mas o motivo da paranoia é que ele estava drogado.

No mundo das drogas há riscos de morte súbita, paranoias como citei no parágrafo anterior, agressividade e o mais comum: parada cardíaca. Também, é sabido que na abstinência provoca depressão.

É triste, mas esta é a realidade

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 26/07/2016, em Consumo, Saúde e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Boas observações. Não sei se homossexuais se drogam mais que os outros. Eu nunca consumi as “drogas”, experimentei maconha duas vezes e detestei. No entanto, na segunda vez, esta droga me fez sentir um questionamento grande sobre a minha sexualidade. Muito doidão me perguntava “será que sou viado?”

    Mas assumir o que sou veio por mim mesmo. No entanto, por um certo período fui, no dizer de um médico amigo, um “etilista moderado”. O alcool é um bom relaxante e, por isto, se estamos sob tensão o consumimos. E corremos o risco do alcoolismo. Tenho notado nas saunas que muitos que lá vão bebem no bar. E não só para confraternizar, mas para quebrar suas próprias barreiras. Eu mesmo, algumas vezes, tendo bebido em excesso, me liberava e saia a procura de homens.

    Uma vez cheguei bebado numa sauna e ninguém queria nada comigo. É na verdade desagradável transar com embriagados, a não ser que o outro também esteja. Um gay mais velho se aproximou e me deu conselhos, que era perigoso se arriscar bebado, que eu podia relaxar e ter sexo sem proteção. Caí em mim e ví que este era mesmo um comportamento de risco. E que nas vezes que o fiz, depois não lembrava direito o que tinha ocorrido. Ora, um dos prazeres do sexo é depois lembrar dos bons momentos. E eu estava perdendo isto e me arriscando a toa.

    Nunca mais bebi quando saia para pegar homem. Nesta época é que assumi ser o que eu sempre tinha sido. E a bebida era uma maneira de enfrentar meus receios de ser.

    Me parece que isto acaba sendo comum, não acham?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: