Os gays no mercado de trabalho

gay-trabalho-homossexualEm recente matéria da revista Exame, uma pesquisa apontou: De acordo com um estudo divulgado em janeiro deste ano pelo Center for Talent Innovation, 61% dos funcionários LGBT no Brasil dizem esconder sua sexualidade para colegas e gestores.

Além de 61% dos profissionais não assumirem sua orientação sexual, 49% disseram que não a escondem, mas não falam abertamente sobre o assunto no ambiente de trabalho e alteram o próprio comportamento para se integrar entre os colegas.

Isso não é de se estranhar, pois desde que eu me conheço por gente, homossexualidade no ambiente profissional sempre foi tabu.

Descobrir-se gay é algo prá lá de traumático e ocorre invariavelmente, na adolescência. Os medos se instalam a cada novo cenário e a dificuldade de assimilar as situações traz insegurança.

No trabalho não é diferente. O primeiro emprego é comemorado como uma vitória pessoal, pois, enfim conseguiu inserir-se no mundo profissional, em contrapartida, os gays se deparam com uma nova situação que os seguirá pelo resto da vida – O comportamento no ambiente do trabalho: assumir ou não?

Esse mundo já foi muito pior, pois se a pesquisa indica que 49% não esconde, mas não fala. No passado esse percentual era quase 100% e isso não tem nem quarenta anos.

Cada cidadão LGBT vive uma realidade profissional diferente, não existe um padrão, logo, cada qual vai viver de acordo com o mundo que se apresenta e é necessário adaptar-se a ele. Se a empresa tolera a sexualidade dos seus empregados, é mais fácil a adaptação, caso contrário, não há nada a fazer e o negócio é ficar na sua.

Obviamente, existem gays em todos os seguimentos da sociedade e não é de se estranhar encontrá-los em todas as profissões. Algumas são mais comuns, principalmente na área de humanas.

Independente da profissão é notória a transformação da sociedade e mesmo em ambientes mais repressores como as forças armadas ou academias de polícia, os gays estão ai para desenvolver suas competências.

É certo que alguns seguimentos como moda e artes têm um grande contingente de gays, enquanto as profissões administrativas concentram o maior número relativo de gays por metro quadrado no país.

humor-e-discriminao-por-orientao-sexual-no-ambiente-organizacionalNão importa se o gay trabalha no comércio, na indústria ou em serviços. Importante é estar empregado num momento de altas taxas de desemprego no Brasil e mesmo nos dias atuais muitas vezes é necessário esconder a homossexualidade para não ser mais um no olho da rua, além é claro da discriminação e humilhação a que muitos são submetidos quase que diariamente.

Eu nunca entendi porque a sexualidade é colocada em xeque, quando na verdade o que importa é a competência para desenvolver atividades profissionais. Eu vejo o meu ambiente de trabalho e até identifico alguns gays, mas eles têm receio de serem constrangidos e evitam conversas, como se sexualidade fosse coisa de extraterrestre, então eu fico na minha e também não abro o jogo.

Mas aos poucos a realidade está mudando, principalmente por atitudes dos próprios trabalhadores. Recentemente conversando com uma colega de trabalho ela me surpreendeu ao falar sobre um assunto e relacioná-lo à sua namorada. Achei aquilo o máximo!

Sair do armário é uma decisão que só cabe ao profissional tomar. Por isso, o primeiro item a ser colocado na balança é o desejo pessoal e as consequências, boas ou ruins dessa decisão.

O cenário melhorou muito nos últimos dez anos, mas não significa que todas as empresas aceitam a diversidade, algumas tem programas, principalmente as multinacionais e grandes corporações.

Mesmo diante de um cenário mais favorável, a maioria dos gays prefere não arriscar e mantem sua homossexualidade no armário para não ter de enfrentar situações constrangedoras e até homofóbicas, porque o mercado ainda é hostil.

 

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 06/06/2016, em Mercado de trabalho e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. edinei silva

    Boa noite. Gostei do texto parabéns pelo trabalho. Esconder a sexualidade hoje em dia é comum.

  2. Regis, não dá mesmo pra eu sair do armário no ambiente de trabalho. Não me sinto preparado para dar esse grande passo. às vezes penso que sou “meio que bundão” por isso, pois gostaria de assumir o que sou.
    “Invejo” a coragem e naturalidade dos jovens o fazem sem constrangimentos. Ainda bem que eles estão ai para “renovar” : )

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