Da infância à maturidade gay

casal_passarosOutro dia lá na chácara eu observei um casal de pássaros e imediatamente me veio à mente: É um macho e uma fêmea. Será?

Como não sou especialista em pássaros não pude confirmar o gênero daquelas aves, mas sobre seres humanos e especificamente os homossexuais eu tenho uma coleção de experiências de vida e dá para arriscar escrever algumas coisas interessantes sobre eles, ou melhor, nós os gays.

Algumas ideias para despertar o interesse 

A busca por parceiros não é algo sobrenatural. Obviamente, ninguém nasce sabendo e o sexo é feito de descobertas, inclusive, quando descobrimos que gostamos do mesmo gênero. É muito gostoso gostar de homens!

No início é um choque não estar no grupo da maioria, mas desde cedo temos a tendência natural de observar aqueles seres que nos atraem fisicamente. Pode ser um colega na escola, um professor ou diretor, um colega de rua, o irmão do colega, o tio, o pai do amigo e por ai vai – Todos gostosões!

Não é regra, mas a iniciação sexual dos gays não ocorre naquele troca-troca entre coleguinhas durante a infância. Não é ali que se define quem é homem ou não, são brincadeiras sexuais. Talvez isso ainda ocorra, mas é um processo normal do ser humano e tudo vai depender do contexto social e das circunstâncias dessa ocorrência e da orientação sexual que vem do útero materno. Delícia ser gay desde o DNA!

Sabe-se que podem ocorrer vários tipos de abordagens. Parece que os mais velhos identificam suas presas através do comportamento e atitudes dos mais novos ou mais fracos. É a lei da sobrevivência das espécies. Ai acontece de tudo, desde uma simples brincadeira sexual, como mostrar o pênis para o outro, masturbar e até estupros praticados por homens mais velhos.São os pedófilos de plantão. Tirando os ófilos todos os outros são bem-vindos!

Infância e pré-adolescência

Sobre a iniciação sexual dos homossexuais não existe um padrão, mas penso não ser regra e invariavelmente, não ocorre na infância, explico:

Eu comecei a perceber que gostava do mesmo gênero, lá pelos dez anos. Até então eu não tinha insights sobre sexualidade, apesar de sentir algo diferente eu não sabia bem o que estava acontecendo e o que estava por vir.

No meu caso, a descoberta da homossexualidade foi um processo que se iniciou na virada para a pré-adolescência, entre os dez e treze anos. Lembro-me que naquele período ocorreu o que eu chamo de “nascer de novo”, pois foi quando a homossexualidade aflorou na minha vida e deixei de ser anjo ou inocente.

Num período de três a quatro anos tudo aconteceu muito rápido. Os primeiros olhares para professores mais velhos e gostosos, a observação mais detalhada de vizinhos mais velhos e até um tio irmão da minha mãe, mas, ele não tinha os atributos físicos que eu já delineava como ideal. Sim, porque é na pré-adolescência que começamos a definir o nosso padrão de parceiro e isso vai mudando com o decorrer dos anos.

Adolescência

Foi com quatorze anos quando finalmente comecei as brincadeiras com um homem, também gay. Fui eu que procurou, provocou, insinuou e me permiti, não fui seduzido, violentado ou estuprado  e desde cedo eu era atirado e ávido por descobertas. Incontáveis sessões de punhetas, sexo oral e anal.

No universo de bissexuais e homossexuais eles existem para cumprir o seu papel de iniciar os mais novos nas práticas homossexuais. Os mais velhos não vivem sem os novos e vice-versa. É algo natural!

Eu creio que este ciclo é igual no universo heterossexual com diferenças no contexto social, porque eu não namorei um homem no portão da casa, seria ridículo naquela época ou com a presença de familiares, ainda mais sendo ele mais velho.

Minhas paqueras e investidas ocorriam num mundo secreto, onde os encontros aconteciam num matagal perto de casa, longe dos olhares de qualquer ser humano e eu nunca medi os riscos daqueles encontros.São lembranças inesquecíveis, talvez seja recorrente, pois adoro a natureza e transar no mato ainda dá muito tesão, pois está associado à aventura.

Os riscos estão inseridos no nosso cotidiano e é preciso cautela nessa fase da vida, pois não temos as manhas e experiências para enfrentar adversidades. Isso vale para todos os gays de qualquer lugar do mundo, porque o matagal da minha adolescência pode ser o terreno baldio do seu bairro, uma construção abandonada, praias desertas, lugares ermos ou um passeio de carro por lugares afastados da vila ou cidade.

Juventude

Bem, antes mesmo de completar dezoito anos, eu migrei os meus encontros para locais menos perigosos e mais seguros, entre paredes de hotéis e motéis da cidade. Naquela época os meus parceiros mais velhos pagavam para eu ter acesso, principalmente, aos motéis. Acho que é assim até hoje porque gays entre dezesseis e dezoito anos frequentam motel.

Obviamente, muitos homossexuais não têm esse tipo de experiência, mas essa iniciação é necessária, é o ensino fundamental do sexo, o curso básico para entender a complexidade das relações sexuais que são matérias essenciais à formação do cidadão gay.

A partir da maioridade, tudo é permito, por lei e por vontade própria, pois se assume atitudes próprias, tipo: Sou dono do meu nariz! Alguns ficam enclausurados nas suas neuroses de não aceitação, mas o desejo é mais forte e os conflitos interiores vão permear suas vidas. Outros se sentem livres para vivenciar a homossexualidade em sua plenitude.

Nesta fase os jovens são o centro do universo gay, por sua beleza e dotes físicos, estão com a testosterona à flor da pele. Busca-se nesta etapa parceiros para sexo, o sexo é o motor propulsor das nossas vontades. As formas de abordagem transformam-se do surreal em algo natural e é natural, ou não?

Aqueles que gostam de parceiros da mesma faixa etária saem para o mundo de mãos dadas, livres das amarras da repressão social; outra parcela busca parceiros mais velhos com idade entre os quarenta e o infinito, e se depara com as dificuldades de relacionamento, fato natural neste grupo por motivos já sabidos e armazenados na memória. Restou uma pequena parcela que busca parceiros pré-adolescentes e mais jovens. É onde o ciclo de completa. Claro, tem também maduro com maduro e idoso com idoso e a minha situação atual é maduro com idoso.

Maturidade

Quando se percebe a infância e a adolescência parecem apenas sonhos, a juventude que estava logo ali ficou distante. É o prenuncio da maturidade, fase de escolhas pessoais definitivas, não tem mais volta!

Hoje vale tudo! A era de ouro do romantismo ficou no passado, mas sempre existirão gays românticos – Uma parcela dos gays maduros está casada, em relação estável, outra está solteira, sem companheiro, buscando de bar em bar, nas saunas e boates, salas de bate papo, rede social, Whatsapp, dia e noite, desesperadamente alguém para preencher uma hora da vida, um corpo na cama ou a troca de parceiros, relações abertas.

Outros saem sem rumo e ocupam qualquer espaço público das cidades para serem percebidos ou observados, mas o mundo atual os transforma em seres invisíveis e mesmo cientes da baixa probabilidade de encontros ao acaso, por isso são chamados de casuais, não se desiste de buscar uma chance de encontrar alguém, pois desde cedo nos condicionamos a buscar parceiros para satisfazer nossas necessidades homossexuais.

Vive-se nessa roda vida por longos vinte ou trinta anos. Nessa longa etapa consolidam-se objetivos profissionais, estabilidade financeira, viagens e muitas, mas muitas aventuras sexuais. Um troca-troca frequente de parceiros e ai a vida prega uma peça: O mundo dos sonhos materializa o parceiro perfeito, ideal, alma gêmea. A mente trata logo de processar a situação como infinita, até a morte – Inesperadamente o parceiro morre, essa é a vida!

Quem perde um companheiro amado diz que perde um pedaço de si. Anos depois de vagar sem rumo, busca novamente parceiros, alguns tentam encontrar o substituto do amante morto. Algo insubstituível! Outros buscam a clausura da vida, algo irracional, mas humano.

A maturidade traz aos gays certezas incertas, pois tudo é complexo e surreal, ainda assim humano, como os meninos solares que não se mexem à noite e intrigam os cientistas.

Hoje estou certo, amanhã errado, muda-se o rumo, troca-se de parceiro, o tempo passa, tudo se renova, as sociedades se transformam e o que ontem era proibido hoje é legal, está amparado por leis.

Não se surpreenda com uma notícia circulando nas redes jornalísticas sobre um homem que deu a luz a uma menina, após troca de gênero. Esta é a vida que se renova a cada dia, nos surpreende,  pois tudo é possível, inclusive, aos trans!

Da varanda da minha casa na chácara, observo os pássaros soltos na natureza, beliscando um ao outro, macho e fêmea? Não sei, não importa, pois tem até a história dos pinguins gays da Inglaterra e faz parte da natureza, não humana, mas dos seres vivos.

Caro leitor, deixo para você um trecho do poema Desiderata registrado na voz de Cid Moreira que fez muito sucesso nos anos 70:

Nós somos filhos do universo, irmãos das estrelas e árvores, você merece estar aqui; e mesmo que você não possa perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 10/05/2016, em Sexo, Sexualidade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. santoculto

    Eu passei a minha infância e adolescência com muito medo de ”assumir” e até acho que deve(ria) existir o direito ao armário. O que só não deve acontecer é o uso deste armário para enganar as outras pessoas. Em um mundo de redes sociais parece que todo mundo tem que prestar contas pra ”sociedade”, pro ”coletivo”, ou ao menos pros 230 ”amigos” do facebook.

    Eu já li em reportagens & discussões pela web e ouvi mais de uma vez entre colegas da faculdade, quando estava muito bem guardado dentro do meu armário, que eles perseguem propositalmente aqueles que ”não saem do armário” e que ”respeitam” (me engana…) aqueles que ”assumem”.

    O termo assumir é até equivocado porque o único que deve realmente saber sobre a sua própria sexualidade é a própria pessoa. Passa a ideia de que precisamos prestar contas aos outros, diga-se, a ”colegas”, a familiares que nunca conversam conosco, não querem saber como que estamos, a perfeitos estranhos, enfim…

    Outro problema é a ingenuidade de muitos gays que acreditam que o mundo melhorou 800% e que portanto, agora, a grande maioria das pessoas respeitam a classe. Isso não acontece, pode esquecer. O ”politicamente correto” é uma mordaça e não um quadro de lousa que ensina os demais regras básicas de civilidade. As pessoas continuam falando mal e muito sobre nós e em partes elas tem razão até porque todo grupo está passível de críticas bem como também de ”confetes” e hoje em dia saímos de um extremo em que se patologizava a homossexualidade a torto e a direito e por motivos que variavam do ridículo (”deus condena a homossexualidade”) ao perigosamente científico (a homossexualidade não tem qualquer função evolutiva, portanto é uma patologia ou não é útil pra ninguém) para um outro extremo em que tudo que se relaciona com a homossexualidade é maravilhosa e sem qualquer possibilidade de crítica.

    Eu estou digamos assim com a porta do armário aberta e lentamente estou tentando sair dela até por causa das últimas circunstâncias abruptas em minha vida. Mas é muito complicado ”me assumir”, vivo em uma cidade pequena, sou muito tímido com estranhos e a grande maioria é de estranhos, até porque também tenho mínima paciência com comportamentos irracionais, sobrando poucas alternativas pra mim.

    Não tem como não gostar de homens em termos sexuais, eles são muito mais sinceros em suas aparências, bem mais variados em tipos atraentes (pode não ser muito esteticamente atraente mas ainda ter algo que o faça aprazível), tem pênis, enfim, temos até razões muito racionais para preferi-los. Mas não desfaço delas em tudo até porque para conviver a mulher parece ser muitíssimo mais fácil do que com os homens, que tendem a ser os mais homofóbicos.

    Não sou um ”golden gay” por já ter feito sexo com uma mulher e também por ter gostado em demasia. Quando estava com ela eu percebi que tenho uma natureza, apesar de predominantemente gay, que também pende para ”sexual”, isto é, que estou aberto para experimentações homo e heterossexuais. Na escala Kinsey eu devo estar perto do bissexual mas ainda homo.

    Atraio maduros, não sei exatamente o porquê. Sinto atração por qualquer idade e tenho sim um desejo especial por mais velhos.

  2. Primeiramente Parabéns pelo blog. Acompanho seu trabalho por aqui já faz algum tempo e precisava parar e te parabenizar por este trabalho.
    Também sou um admirador de maduros e com certeza tenho que dizer que sou feliz por gostar de homens. Gosto ate demais. Desde a companhia de amigo ate no casamento. E isso e desde que me conheço por gente.
    E a minha infância e pre adolescência foi igual a sua também. Tirando o mato, pois fui criado na cidade grande. rsrsrs
    Um conselho para quem gosta de maduro e: Seja feliz. Não se reprima jamais!

    Homens maduros além de serem experientes, são aventureiros e muitos enfrentam a sociedade com mais inteligencia devido a maturidade.
    Aos maduros e idosos que estão se descobrindo agora, viva intensamente mesmo, transe bastante (com segurança), pois o corpo humano, pelo menos na minha opinião é uma obra de arte feita com com os melhores ingredientes.

    • Miguel, o blog para mim é pura diversão, gosto do que faço, mas sei também o cunho social deste trabalho e a abrangência de tudo que escrevo. Sobre o mato foi na periferia de São Paulo nos anos 60. Abraço

  3. Felipe Carvalho

    Ah! Parabéns mais uma vez, gosto sempre de ler as suas publicações. Tenho 23 anos e agradeço muito por ter nascido em um período onde posso viver a minha homossexualidade com “liberdade”. Deixo liberdade entre aspas, pois sei que ela não é plena. Mas, o fato de ser respeitado pela minha família e poder conversar abertamente com eles é um grande avanço.
    O único preconceito que encontro é pelo fato de gostar de pessoas maduras e muitos acreditam que jovens só se interessam por pessoas mais velhas por causa do dinheiro. E as vezes este preconceito partem dos mesmo, creio que eles deveriam olhar um pouco, pois existem as “exceções”. Bem! não os culpo, pois não conheço as suas decepções, cicatrizes e etc. Todavia, penso que as vezes é bom se permitir conhecer outra pessoa, mas claro sempre com cautela.

    Um grande abraço a todos!!! E claro “É muito gostoso gostar de homens.”

  4. Regis, eu nunca havia pensado naquilo que vc disse: “é muito gostoso gostar de homens”. vc sabe que vc tem razão? é uma delícia! atualmente, que me liberei, vejo com outros olhos. Penso que se gostasse só de mulheres não seria tão exitante assim…
    Tô com vc. Homem é umas das melhores coisas do mundo. Se não for a melhor….rsrs
    Abs,

    • Pedro, é porque nunca externamos o que sentimos. Apenas as mulheres podem dizer isso? São padrões da nossa sociedade retrógrada. Também, isso não me constrange e não me faz um viado vulgar, sou do gênero masculino e fim. Abraço

    • Pedro, estou de acordo. Mulheres são excitantes e deliciosas, tudo bem, mas com homem é diferente, é uma sensação que, com mulheres, nunca tive. E, talvez, tenha razão, se não é a melhor é uma das melhores.

      Cada dia gosto mais…

  5. Sergio Barros

    Fiquei com certa inveja de sua trajetória, a minha foi mais custosa, se posso chamar assim.
    Comecei com troca-troca na infância e parei na adolescência. E mulheres sempre me atraíram, já gostava de brincar de médico com as vizinhas…

    Sei que muitos rejeitam sua homossexualidade e tem problemas consigo mesmo, mas outros não a admitem, ou melhor, não se olham e se veem como tal. Estranhamente, nunca olhei os colegas, professores e amigos como sexualmente atraentes até já bem mais tarde na idade adulta. Mesmo hoje olho com interesse mulheres na rua, mas não os homens.

    Casei, tive filhos e uma vida sexual razoavelmente intensa, com mulheres, não muitas e homens, este muitos. Aos poucos fui admitindo que tinha enorme interesse em sexo com homens, e, desde o reinício, já com uns 26 anos, de minhas relações homossexuais, notei que preferia ser passivo.

    Só já maduro, perto dos cinquenta, é que passei a me aceitar melhor. Como disse, não queria ser viado, mas a maturidade me fez refletir e num certo momento assumi que era.

    Estranho, não? Continuei casado e andando com mulheres, mas, com o tempo, passei a só ter sexo com a minha e a, cada vez mais, transar com homens. A atividade sexual que era intensa aumentou, era como se eu tivesse perdido algo no passado e tentasse recuperar, buscando um tempo perdido, não na memória, mas no não acontecido.

    A minha inveja é que as vezes penso se teria sido melhor eu deixar de ser bi e ser somente viado. Você, e muitos outros, tiveram paixões, amores e sexo com homens e eu não consegui. Na verdade nunca tive relações amorosas e não consigo tê-las, não sei porque e, sinceramente, não me interessa saber. Mas há como que uma falta. Mas tenho o que sempre me falta, sexo com homem.

    Os que ficam neuróticos sem se aceitar me parecem a maioria, até velhos continuam vítimas da ideologia do homossexualismo como erro, as vezes pensado como doença. No entanto quantos são como você? Ou como eu, que sempre me aceitei.

    Os outros não costumam me aceitar. Acham que casados com mulher passivos são gays enrustidos e neuróticos que sofrem por viver uma vida dupla insatisfatória. E esta opinião, se pode-se chamar preconceito de opinião, vem tanto dos heteros, homófobos ou não, quanto dos homossexuais.

    Dada minha posição social construida pela vida que tive, ouço dos heteros a recriminação, e como eles não sabem de minha discreta, não me ofende, mas chateia. Já com homossexuais muitas vezes ao me conhecerem, pessoalmente ou na internet, ouvi ou lí ofensas. Que me ofendem e chateiam.

    Acho que vem daí a minha inveja de ter uma vida um pouco mais complicada.

    • Olá Sérgio! nada de inveja. As minhas experiências relatadas no blog e seus comentários sempre pertinentes e também embasados nas suas experiências servem aos milhares de leitores, principalmente aos mais jovens como exemplos da diversidade dos seres humanos. Abraço

  6. Assisti um filme passando na minha cabeça sobre a história da minha vida. Parabéns

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