Arquivo mensal: dezembro 2015

Mensagem de Natal 2015

Desejo a todos os leitores dos Grisalhos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de coisas boas.

Que 2016 tenhamos menos preconceito,, menos violência, menos mortes e mais Tolerância, Respeito e Amor.

Estou saindo para merecidas férias no nordeste do Brasil. Retornarei a partir do dia 10 de janeiro.

Regis

Filme: Orgulho e Esperança

orgulho_esperancaNa semana passada eu recebi o tão esperado, pelo menos pra mim, blu-ray Orgulho e Esperança. O filme não passou nos cinemas brasileiros e tem previsão de lançamento diretamente em DVD e Blu-ray em janeiro 2016.

Bem, eu mais que recomendo o filme aos leitores dos Grisalhos, é um filme essencial, principalmente, aos jovens, porque para entender a evolução das questões LGBT no Brasil e no mundo é preciso retroceder no tempo.

O filme é baseado em fatos reais ocorridos no Reino Unido em 1984.

Com a decisão do governo de Margaret Tatcher de fechar vinte minas de carvão, 20 mil trabalhadores tem o emprego ameaçado, o que leva a uma greve geral da categoria.

Em paralelo, um pequeno grupo de ativistas gays e lésbicas, cansados de serem ignorados pelos meios de comunicação e o governo, decide se aliar à luta dos mineiros.

Orgulho e Esperança, do diretor Matthew Warchus, foca sua história neste episódio, mostrando que a tolerância não é um objetivo impossível de se concretizar quando há respeito.

O filme tem diversos personagens carismáticos e bem construídos, mas centra-se em Joe Copper, um jovem de vinte anos que ainda está começando sua vida fora do armário e adere à luta de Mark Ashton, o rebelde e temperamental líder do grupo ativista Lesbians and Gays Support the Miners (LGSM).

Enquanto vários sindicatos recusam a proposta de união de lutas, um grupo de Onllwyn, uma pequena cidade mineira no País de Gales, decide receber a visita dos protagonistas, ainda que por um engano ao telefone. O representante dos mineiros, Dai Donovan se sensibiliza com o discurso de Mark e decide convencer seus colegas a trabalharem juntos.

É claro que o filme reúne todos os elementos que parecem clichês, mas são mais do que verdadeiros: as mulheres que se encantam com os gays, dos mais efeminados aos que tem postura heteronormativa ou aquele que ainda não saiu do armário mesmo após muitos anos, ao que está se descobrindo e precisa sair do ambiente familiar para viver sua vida.

O filme mostra os primeiros casos de AIDS, os homofóbicos religiosos e aqueles que são intolerantes até conhecerem e começarem a entender que a única diferença entre heterossexuais e homossexuais é a preferência por meninos ou meninas – Tudo contado com bom humor, mas nem por isso menos sério.

Se por um lado é fácil simpatizar com a ala gay do filme, os mineiros também se mostram nada difíceis de serem compreendidos graças ao roteiro que nivela todos na mesma categoria.

Assim, diversos personagens têm grandes momentos. Jonathan (Dominic West), por exemplo, é um ator excêntrico e que sofre dos males da AIDS e conquista as mulheres da comunidade mineira com seus passos de dança, o que faz dois heterossexuais pedirem para aprenderem a dançar para conquistar garotas.

Aliás, a ala feminina de Orgulho e Esperança é um show de interpretação, principalmente a excelente Imelda Staunton como Hefina Headon, que pode não ser simpática à primeira vista, mas consegue humanizar seus colegas por meio da acidez.

Há espaço também para uma carismática idosa que pergunta de tudo sobre as preferências sexuais de cada um e como elas funcionam. Também, um mineiro idoso interpretado por Bill Nighy e seu diálogo comovente ao revelar-se gay para a amiga Hefina Headon.

A trilha sonora é maravilhosa e traz sucessos dos anos 1980 como I want to break free com Freddie Mercury, Relax do Frankie Goes to Hollywood, Tainted Love, do Soft Cell, e West End Girls, do Pet Shop Boys.

Como filme, Orgulho e Esperança é bem definido, com começo, meio e fim e sem nenhuma grande inovação no gênero. Sinceramente, nem é necessário, pois a história não é cinema de protesto, arte ou o que seja. É ate melhor que tenha sido feito da forma mais simples possível, pois atinge a todo tipo de público, do homo ao hetero, dos mais jovens aos mais velhos, garantindo que todos entendam o que é dito.

Confesso que há muito tempo eu não experimentava uma sensação tão gostosa, ao ponto de me emocionar, sorrir e chorar, talvez porque vivi intensamente aqueles anos 80.

Enfim, o filme tem em mãos uma improvável aliança mostrando que, no fundo, todos são iguais, independente de credo, raça ou orientação sexual. E que há motivos de sobra para se orgulhar de ser quem você é. Estou certo de que Orgulho e Esperança vai comover aos leitores dos grisalhos e há de arrancar mais do que apenas lágrimas furtivas. Recomendo!

Confira o trailer:

 

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