Arquivo mensal: outubro 2015

O gueto como referência aos gays

gueto_gay_no_mundoCaro leitor dos Grisalhos, há quinze anos nós vivemos no século XXI e parece que nada mudou.

O subconsciente coletivo dos homossexuais do nosso século ainda guarda resquícios e memórias do século passado onde os gays foram confinados em guetos.

Em geral, os gays reclamam que os coroas querem apenas sexo e que buscam apenas os jovens bonitos e de corpos sarados. Isso acontece porque os gays buscam homens para relacionamento nos guetos, principalmente, os mais jovens que estão aprendendo a socializar.

Quem gosta de coroas e quer mais do que uma relação sexual não vai encontra-los nos guetos e se encontrar, eles estão lá para buscar parceiros para sexo, logo a beleza física e os dotes são essenciais e quem não possui essas características está fora do mercado.

Ao longo das últimas três décadas o gueto ampliou suas fronteiras, além dos bares, boates, saunas e cinemas, ele invadiu as praias brasileiras e principalmente a Internet.

Quem busca relacionamentos via Internet, invariavelmente, vai encontrar apenas o mercado do sexo, seja em sites de relacionamento, salas de bate papo ou redes sociais.

Aqui no blog, todo dia eu deleto dezenas de comentários de leitores que fazem seus anúncios pessoais, com e-mail, telefone de contato, descrições físicas e preferências sexuais. O chamado: anúncio classificado. Porque isso acontece? Porque nas buscas do Google quando se digita gay maduro ou idoso, o blog dos grisalhos é referência nacional.

Breve viveremos mais um verão brasileiro e as praias estarão lotadas de pessoas e lá estarão os gays fervendo nos quiosques e points de badalação. Quem busca gay maduro ou idoso nas praias poderá até encontrar um parceiro para um relacionamento, mas sempre prevalecerá o mercado do sexo. Pense comigo: Os gays nas praias querem olhar homens bonitos de corpos perfeitos. Se você não tem essas características está fora. Pode até rolar um sexo eventual, mas você será descartado.

Os gays residentes em cidades do interior de qualquer parte do Brasil sempre viajam para os grandes centros urbanos em busca de liberdade e da possibilidade de um encontro homossexual, ou não?

Quem curte homem maduro vai às quintas-feiras ao ABC Bailão em São Paulo ou ao La Cueva no Rio de Janeiro, para que?

A maioria dos gays frequentadores de Parada Gay ou carnaval da sua cidade quer o que? Expressar sua homossexualidade, seus afetos e paquerar.

Os poucos e imundos cinemas de pegação dos centros velhos das capitais ainda resistem ao tempo, por quê?

Pegação é sinônimo de sexo e as saunas, parques e banheiros públicos ainda são referência quando o assunto é sexo homossexual.

Fora do gueto a coisa é muita estranha, porque os gays maduros e idosos estão inseridos em todos os espaços e a probabilidade de encontra-los é pequena, a maioria está em relacionamento estável, não é assumido, tem hábitos próprios da idade e vivem no armário, logo, é figurinha difícil de encontrar.

Leia o meu artigo: Porque os gays maduros são assim? ou este outro: Por onde andam os gays maduros e idosos?

A seguir um trecho de uma resposta do João Silvério Trevisan, de uma entrevista para a Revista Cult em 2010:

Eu frequento o gueto, tenho receio de que leve a uma demarcação de territórios – mas sei que ele é necessário. Se eu for com meu namorado ao gueto, posso beijá-lo; mas se eu fizer isso em uma boate hetero ou em um restaurante, o segurança vai me botar para fora ou eu vou ser repreendido pelo garçom – tanto que as pessoas estão forçando a barra para expressar seus afetos em público, apoiando-se nas leis anti-homofóbicas que existem.

Fora do gueto, você corre riscos, pois o campo da sexualidade é muito propício para a eclosão de demônios e existe uma enorme quantidade de pessoas doentes por homofobia. A existência do gueto, portanto, é um mal menor. A ideia é que o gueto se amplie a tal ponto que as suas fronteiras desapareçam.

Um ótimo fim de semana e feriado a todos!

Coisas que os gays idosos devem fazer antes de morrer

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Paul Freeman

No último domingo eu pude rever o filme When I’m Sixty four, utilizando o recurso da Smart TV com acesso à Internet, via Youtube.

O legal é que meu companheiro, mesmo não entendendo inglês ficou ao meu lado, assistiu com atenção e ao final disse: Que história maravilhosa! Como os seres humanos são complexos em comportamento e sentimentos!

O filme retrata o relacionamento entre dois homens idosos, um heterossexual viúvo e um homossexual sozinho.

Realmente existem milhares de Ray, papel de Paul Freeman, onde a solidão na velhice para um heterossexual é igual ou pior do que para um homossexual.

O isolamento social de um homem viúvo, mesmo cercado de filhos e netos, a falta de atenção e cuidados, onde todos têm seus interesses particulares, principalmente, materiais e onde o idoso é, literalmente, empregado dos filhos.

No meu ponto de vista todos os gays idosos deveriam pensar em viver como o Jim, papel de Alun Armstrong. Ter sonhos e fazer planos, tipo: Coisas para fazer antes de morrer.

Fora do filme a realidade é outra.  Uma série de atitudes é essencial para realizar sonhos. Não basta apenas sonhar é necessário buscar meios de realiza-los:

Guardar dinheiro para gastar na velhice

                   Mudar velhos hábitos

                                   Ter coragem de enfrentar o mundo

                                                    Buscar alguém para dividir os sonhos.

Relacionamentos começam primeiro com amizade, você tem que sentir-se bem ao lado do outro, querer estar com ele, fazer concessões, ter diálogos e objetivos comuns. Gostar de alguém não começa necessariamente no sexo, mas o sentimento pelo outro faz brotar o desejo carnal.

No filme, o personagem de Ray lentamente descobre no Jim, o desejo de viver e ele quer fazer parte daquela história, passando pela descoberta da homossexualidade do Jim, os conflitos interiores, a repulsa aos homossexuais, o afastamento do amigo, até descobrir-se apaixonado.

A reaproximação e o desejo de estar com o amigo, sem saber como fazer sexo com outro homem, o enfrentamento da família até a decisão de viver um grande amor, porque a vida está chegando ao fim. Lindo e poético!

Eu conheço gays idosos que estão sozinhos, mofando, adoecendo e esperando a morte chegar e isso me entristece. Infelizmente pouquíssimos deles estão lendo este texto.

De qualquer maneira, o que dizer aos gays maduros e idosos? Viva intensamente, se apaixone e deixe-se levar pelas emoções e sem medo de ser feliz. Claro, se tiver condições e saúde espelhe-se no Jim, faça a sua lista de prioridades antes de morrer.

Viajar e conhecer o mundo

                Realizar e dividir sonhos

                                                Apaixonar-se

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