Universo gay: Relações de sexo e sentimento

blog_grisalhos_relacoes_gaysEste artigo não tem nenhum embasamento acadêmico, é apenas a minha visão pessoal do universo gay e as relações entre parceiros. Também não tenho a pretensão de ditar regras absolutas, pois tudo na vida é mutável.

Em geral não percebemos que o comportamento dos gays, apesar da diversidade social e cultural segue um padrão, principalmente, nas relações que envolvem sexo e sentimento. Esse padrão também é comum aos heterossexuais.

Com a consolidação da ideologia individualista na sociedade moderna, observa-se a ampliação do círculo social e a liberação da individualidade, logo, as relações entre pessoas do mesmo sexo possuem múltiplas variáveis.

A sexualidade humana possui duas vertentes: a biológica e a psicológica que regem os relacionamentos e neste universo, eu classifico as relações homossexuais em três cenários:

  • Relação sexual sem afeto;
  • relação sexual com algum afeto;
  • relação sexual com afeto.

Você já deve estar cansado de ouvir ou ler a seguinte frase: Procuro sexo casual e sem compromisso – Isso pode ser traduzido numa relação sexual sem afeto.

Nesta situação o gay não quer ficar preso a outro homem, quer liberdade de ir e vir sem dar satisfação ao outro. É livre e independente para fazer o que bem entender.

Quem busca sexo casual e sem compromisso, das duas uma. Ou é casado, ou é o gay solteiro convicto. Se for casado, tanto faz se é com outro homem ou com mulher. O gênero não muda a condição. Se for solteiro, é porque o sexo é o motor propulsor da sua vida, ou já sofreu com amores despedaçados e não quer mais envolvimento emocional.

Este é o cenário mais comum. Quem busca sexo sem compromisso, busca parceiros nas salas de bate papo ou em aplicativos e no mundo real, busca parceiros nos bares, boates, cinemas e saunas.

Esses gays tem predominância da vertente biológica, pois a psicológica esta inibida ou ausente por diversos fatores inerentes à homossexualidade.

Outro cenário é a relação sexual com algum afeto, ou sexo casual com algum compromisso.

Em geral são praticados por gays que buscam parceiros para sexo e amizade, com vínculo afetivo restrito, onde há  troca de parceiro por outro mais culto, mais dotado ou mais bonito, além de condições socioeconômicas que favoreçam outro relacionamento. É o hedonismo próprio do meio gay.

Aqui as relações são abertas e curtas, por uma infinidade de fatores. Não existe um padrão que indique porque isso acontece, mas eu acredito que seja porque o sexo ainda é motor propulsor da relação. Os gays têm muitos problemas psicológicos e não conseguem se firmar num relacionamento.

É onde ocorrem grandes frustrações amorosas, decorrentes de rompimentos bruscos. Fica sempre aquela pergunta: Porque ele me abandonou? É óbvio, se abandonou é porque não havia o amor e se houve desgastou-se, ou o sexo não interessa mais.

gay_relacoes_estaveisPor último, o cenário das relações sexuais com afeto, identificado como: O parceiro ideal.

Nesta situação encontramos os gays monogâmicos que é uma forma de relacionamento em que um indivíduo tem apenas um parceiro durante a sua vida ou durante períodos. Monogâmicos não gostam de relações abertas, são ciumentos e vivem apenas para o parceiro. Um colega disse que esses gays são possessivos e dominadores.

Não é regra, mas esses personagens são afetivos e carinhosos e buscam um parceiro para uma relação estável e duradoura, independente das condições físicas, socioeconômicas ou emocionais do parceiro. Este modelo de relação assemelha-se às relações heterossexuais, pois são embasadas no comportamento e na forma de convívio social. Nos dias atuais até adoção de crianças por casais homossexuais compõe o cotidiano desses gays.

Ainda neste cenário, o sexo e o afeto tem o mesmo peso e à medida que a relação se prolonga, o sexo passa a ser o coadjuvante na vida dos parceiros. Sim, é isso mesmo! Com o passar do tempo cria-se um vinculo emocional tão forte que o sexo acaba ficando em segundo plano, principalmente, se os envolvidos são de idade avançada ou por alguma disfunção erétil. É possível gostar ou amar alguém e se abster do sexo, tornando-se amor platônico que nada mais é do que qualquer tipo de relação afetuosa ou idealizada em que se abstrai o elemento sexual, por vários gêneros diferentes, como em um caso de amizade pura, entre duas pessoas.

Muitas vezes um gay tem um amor platônico e nunca tenta sair dessa fase porque tem medo de se machucar ou medo de verificar que as suas fantasias e expectativas não correspondem à realidade. Também, pode ocorrer em qualquer dos três cenários citados neste artigo, porque no texto está subentendido tratar-se apenas de uma das partes da relação.

Eu já vivi os três cenários em várias fases da minha vida. É óbvio que na juventude os fatores biológicos são predominantes e as relações são mais sexuais, mas todos, em qualquer idade são dotados dos fatores psicológicos que direcionam para relações mais afetivas e emocionais.

A quem interessar eu indico o livro: A inocência e o vício de Jurandir Freire Costa – Apesar de estar fora de catálogo, pois o livro é de 1992, é um estudo legal sobre o homoerotismo.

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 15/09/2015, em Comportamento, Relacionamento e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. Eu gostaria de me encaixar na terceira opção, mas as decepções são tantas que me encaixo hoje na primeira. Não carrego culpa, é minha escolha.Não acredito nem desacredito, simplesmente levo minha vida, acreditando em acaso do destino..sonhador que ainda sou.Tolo! rsss abraço.Excelente este blog

    • César, as relações também ocorrem em ciclos. O importante é nos adaptar às circunstâncias sem perder nossa essência. Abraço

  2. Há também o gay que quer algo sério mas pelas normas do mercado ele não encontra. Principalmente porque não se encaixa nos padrões homonormativos. E sendo assim, vai a caça no sexo casual e se tiver sorte de achar.

  3. Olá Louise. Respondi à pesquisa. Valeu a boa vontade dos psicólogos, mas sinceramente achei o questionário muito simplista, às vezes com perguntas mal formuladas, e não entendi os seus objetivos. Desculpe a crítica, mas só quero ajudar. Quem sabe se conversassem diretamente com mais gays, pois acho que isso traria novos elementos e mais profundidade para enriquecer a pesquisa. Fico à disposição no que eu puder ser útil. Um abraço.

  4. Parabéns pelo blog! alguém postou num grupo do face, acessei, gostei e me identifiquei com sua forma de escrever e expor sua opinião. Tenho 38 anos e o texto serviu para eu refletir a respeito das minhas atitudes já que estou sozinho há um tempo e pretendo encontrar um companheiro…grande abraço

  5. Muito legal o assunto, eu particularmente me encaixo na terceira: relação sexual monogâmica e com afeto, sempre fui monogâmico, acho que as pessoas com esse comportamento são do tipo que querem realmente uma relação mais séria, a questão de crescimento a dois…, do resto só curtição momentânea.
    Acredito também por ter poucos amigos gay, os meus são mais héteros (como você cita na matéria) teve uma influência, posso estar enganado, por me identificar monogâmico, lógico que nem todos os héteros são, mas são mais que os gays, acredito.
    Alguns amigos me dizem que sou uma grande exceção rsrs dou até risada, pois a relação gay é mais carnal e menos emoção na maioria das vezes, tenho 37 anos, cara de 25 rsrsrs e me relaciono com um de 49, que tem tendência mais aberta que eu em relação a sexualidade gay, eu discordo de muita coisa, mas estamos indo bem.
    Parabéns pelo blog.

    Davisson Domingos.

  6. Eu com certeza me encaixo na terceira categoria : muito afeto e monogamia

    • Augusto,
      Que bom que você se colocou num dos cenários. Isso não é importante, mas indica como nos enquadramos em alguns padrões.
      Parabéns!

  7. Louise Leite

    Muito boa a postagem. Aliás, esse blog é perfeito e os temas são ótimos. Parabéns pelo trabalho!

  8. Louise Leite

    Oi! Mil desculpas por possivelmente estar invadindo a sua privacidade, é que eu preciso mesmo de ajuda. Me chamo Louise, tenho 21 anos e sou aluna da Universidade Celso Lisboa e estou cursando o 2º período de Psicologia. Com a ajuda de alguns colegas, estamos realizando um projeto de pesquisa academica sobre Socialização e vivencia de homossexuais na terceira idade. Para realização da mesma estamos tentando realizar entrevistas com a aplicação de um questionário. O objetivo é compreender o ponto de vista dessas pessoas e saber como se percebem e são percebidos pelo meio de convívio. Estamos buscando colaboração que quem puder e quiser ajudar. Como não estamos conseguindo muita ajuda, disponibilizamos um questionário online e seria de imensa ajuda se pudessem responder e até divulga-lo. Desculpa de novo e muito obrigada mesmo.

    Segue o link do questionario:
    http://goo.gl/forms/PFNM7Q4UJD

    Beijos

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