Arquivo mensal: setembro 2015

Sexo oral entre gays

0Quando o assunto é sexo oral, existem gays e gays.

Os primeiros, fazemos questão de esquecer. Fazem um boquete burocrático, sem entusiasmo. Tudo o que podem nos deixar é uma sensação de tristeza profunda.

Mas os outros, ah, os outros! O prazer que eles nos dão permanece por dias, inclusive fisicamente, formigando debaixo da pele. As lembranças, inesquecíveis. São boqueteiros natos.

O que faz a diferença? Não é tanto a técnica, mas a atitude.

Eu tenho várias lembranças do sexo oral. A primeira vez que eu tive contato com um cacete foi aos treze anos. A coisa foi meio que forçada. Um professor subiu numa escada no palco do teatro da escola e encostou a rola na minha mão que segurava a escada. Dalí para trás das cortinas foi um pulo. Depois foi o pênis pra fora da calça, o clássico apalpamento para identificar o volume e cair de boca foi tão natural, até o gozo prazeroso do parceiro.

Esse meu relato não me constrange porque eu presumo que numa relação entre dois homens, o sexo oral é tão natural quando um beijo. Guardadas as devidas proporções, é claro!

Um amigo diz que não gosta de anal porque teve trauma na adolescência e toda vez que surgiu a oportunidade ele recuou, porque na sua mente o sexo anal era sinônimo de dor. Daí ele orientou sua vida para a prática do sexo oral, se eximindo de qualquer culpa e deixando claro aos parceiros que praticava apenas oral.

Essa aversão ao sexo anal pode influenciar em relações mais estáveis, mas não é um problema quando se completa o ato sexual com outras técnicas.

Pesquisa americana mostra que a revolução sexual do século 21, aponta o sexo oral como uma atividade mais comum entre gays jovens. Embora o sexo oral não seja uma prática desejada por muitos, vem se tornando uma parte importante das relações sexuais.

O sexo oral é associado às emoções positivas. Isso sugere que os gays vêm manifestando esse comportamento não só para agradar o parceiro, mas sim porque gostam. Dizem até que essa atividade dá uma sensação de poder, não ao receptor e sim ao agente executor do boquete.

Desde a minha adolescência eu sempre imaginei que o sexo oral era um complemento da relação sexual, como uma das ferramentas preliminares do sexo. Meu conceito mudou lá pelos trinta anos, quando conheci um homem grisalho e casado.

Nós tivemos uma relação que durou quase um ano e durante nossos encontros semanais, invariavelmente, em motéis, o meu parceiro não via a hora de me chupar. Ele se satisfazia e ficava horas fazendo um boquete até o meu gozo. Também gostava de se masturbar chupando o meu cacete.

Numa tarde eu perguntei o porquê de todo aquele tesão em fazer oral e a resposta foi simples: O falo me enlouquece.

Depois vieram outras explicações: Eu adoro um cacete, mas não gosto de ser penetrado. Quando imagino o cacete, ele se apresenta de todas as formas, cheiros e tonalidades. Gosto de usar os lábios e a língua, às vezes com mais suavidade e em outras com mais firmeza.

Recordo-me que naqueles fins de tarde eu tive aulas completas sobre sexo oral, com todas as situações possíveis, tanto do ponto de vista de quem faz quanto de quem recebe – O coroa era um profissional do sexo oral, porque além de todas as técnicas ele tinha atitude.

Sexo oral também pressupõe a imagem do falo e remete à simbologia dada às representações da imagem de um pênis ereto. A prática do sexo oral pressupõe o pênis duro onde se aplica todas as técnicas com os lábios e a língua. Há quem use os dentes, mas ai é outra história. Sexo oral com dor. E acredite: tem quem goste.

Há que se considerar também, o preconceito de muitos gays quando este assunto vem à tona, porque sexo oral também pressupõe higiene e DSTs, ou porque, principalmente os ativos querem somente sexo anal, apesar de existirem muitos ativos que gostam de fazer oral.

Conheço gays ativos que devido à idade avançada e à disfunção erétil, fazem sexo oral numa boa, como forma de proporcionar prazer ao parceiro. Também, o clássico 69, é praticado por gays de todas as idades.

Um ótimo final de semana!

A minha história dos Grisalhos

Os grisalhos gordinhos - Chubby DaddiesEu sempre gostei das tecnologias, mesmo antes de me descobrir homossexual, lá nos idos de 1969, quando o homem pisou na lua.

Depois de uma adolescência de rebeldia e repressão nos anos da ditadura, eu cheguei à maturidade com muitos propósitos e sonhos.

Infelizmente nem tudo acontece como planejamos, se é que planejamos. Com o falecimento da minha mãe em 1986, recomecei a vida do zero e fui morar num apartamento no centro de São Paulo.

Depois de uma década difícil e de muita luta, eu decidi mudar os rumos da minha história. Eu me formei em Contabilidade em 1983 e sempre trabalhei em contabilidade ou administração. Entre 1987 e 1990 vaguei sem rumo e sem objetivos, até que tudo mudou.

Em 1998 eu decidi fazer outra faculdade, desta vez na área de tecnologia e durante os quatro anos seguintes eu mudei a minha forma de ver o mundo. Uma vez um professor disse para alguns colegas de classe: Se você quer ganhar dinheiro com tecnologia, abra um site de sexo.

Comprei a ideia, em 1999 abri um pequeno site chamado Aquarius, com fotos de homens maduros nus. Naquela época ver uma foto na Internet era algo impensável.

Imagem do site pago dos grisalhos - 2002

Imagem do site pago dos grisalhos – 2005

O site evoluiu e registrei o domínio grisalhos.com.br. Era um site pago, que além de fotos, tinha um chat, anúncios classificados, contos eróticos e pequenos vídeos editados de filmes americanos.

Não fiquei rico, mas durante dez anos, entre 1999 e 2009 trabalhei com prazer porque descobri um mundo que nem eu mesmo sabia que existia: Homens que gostam de homens maduros ou idosos.

Aí, um dia eu pensei: Acho que vou parar, pois aquele formato já estava saturado. Foi então que surgiu a ideia de escrever o blog, como um complemento do site. No início não deu certo, porque os homens buscavam na Internet, o prazer através de imagens e vídeos de homens praticando sexo e buscavam parceiros, exclusivamente, para sexo. Ninguém estava interessado em textos longos e cansativos.

Mantive o site até 2011 quando decidi encerrá-lo e focar apenas no blog. Eu queria falar da minha homossexualidade e das experiências de tantos outros, colegas, amigos e gente que conheci durante o tempo que mantive grisalhos.com.br –  Hoje Grisalhos é um trabalho social, minha retribuição aos doze anos do site comercial.

Imagem blog - maio/2009

Imagem blog – maio/2009

O blog era algo novo, porque não existiu ou existe no Brasil, um blog tão longevo que trate de questões da homossexualidade de homens maduros e idosos de uma forma direta e honesta. Ninguém fala sobre solidão, doenças, sonhos, frustrações e amor.

O blog evoluiu junto com seu criador, chegou à maturidade precocemente e atingiu o ápice em 2013 com mais de 1,5 milhões de visualizações, com média diária de três mil pessoas.

Continuei escrevendo minhas histórias de vida e sempre com muito positivismo, porque sempre acreditei que os gays merecem o melhor. Nós merecemos ser tratados e tratarmos os outros com mais bondade, mais amor.

Em janeiro de 2015 quando o blog completou seis anos, eu percebi que a audiência estava em declínio, por diversos fatores. O principal deles era o Facebook que direciona para os seus serviços de compartilhamento de imagens e vídeos. A página dos Grisalhos naquela plataforma tem pouco mais de 1400 seguidores e não cresce porque não coloco conteúdo, uso como ponte para publicar os artigos do blog.

Há alguns meses pensei em parar de escrever, porque o que eram três mil visitantes por dia, passou para pouco mais de 600 internautas interessados naquilo que escrevo.

Aí, de repente, do nada, eu vi a audiência crescer novamente, chegando a quase quatro mil visitantes/dia na semana passada. Após rastrear os links, percebi que estavam compartilhando meus posts antigos em páginas do Facebook. Um post em especial recebeu a atenção dos compartilhadores: Reflexões sobre a solidão de um gay maduro – com mais de dez mil leituras entre os dias 14 e 20 de setembro/2015.

As tecnologias se renovam e se transformam em outras formas de comunicação, como o Whatsapp, twitter e uma incontável gama de Apps.

Antes, a navegação era norteada por links, com páginas fazendo ligações umas com as outras de acordo com conteúdos comuns. Agora, os internautas encontram informação de acordo com o que é determinado por algoritmos das redes sociais.

Um amigo disse que os blogs estão morrendo, assim como toda a internet que foi construída na ideia dos hiperlinks e ele não está errado.

Eu particularmente acredito que as mídias sociais e os Apps dificultam a difusão de conhecimento, porque tudo é muito descartável.

Eu torço pelas plataformas de blogs não sumirem, porque em tecnologia seis meses equivale há décadas e seis anos a uma era.

Portanto, caro leitor dos grisalhos, enquanto existir a tecnologia do blog eu continuarei a escrever, mesmo com poucos leitores, porque o importante é compartilhar ideias e experiências. Tenha a certeza que eu também aprendo muito com os seus comentários.

Enfim, os grisalhos ainda sobrevive no mundo dos hiperlinks, dos blogs escritos em editor de texto, com corretor ortográfico, de poucas imagens e muitas ideias e conteúdo, que se não estará perdido, ficará no hiperespaço para as futuras gerações.

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