Peculiaridades das relações estáveis

gay_loveOlá pessoal! Ando meio sumido do blog por conta de problemas de saúde do meu companheiro.

Bem, aproveitando este momento de superação, eu quero falar sobre as particularidades das relações estáveis.

Quando nos relacionamos colocamos em prática o que normalmente acontece entre os parceiros: paixão, sexo, as questões de pele, a convivência sob o mesmo teto ou não, etc.

Ai sem perceber o tempo passa e algumas relações tornam-se estáveis.

Na convivência diária dessas relações, a rotina toma formas particulares de acordo com cada casal, mas o que é comum a todos são as afinidades de cada parceiro.

Vive-se como um casal, cada qual com seu trabalho e afazeres. Os gostos e preferências são díspares, mas sempre com respeito. É o que eu chamo de afinidades particulares.

Ninguém entra numa relação pensando que um dia vai depender do parceiro, seja dependência material, física ou emocional. Mas à medida que o tempo passa essas dependências começam a aparecer e um não vive sem o outro.

Na semana passada meu companheiro me acordou às duas horas da madrugada com dores no estomago e lá fomos nós para o Pronto Socorro. Após exames veio à constatação: Apendicite aguda.

A operação ocorreu na sexta-feira e devido à idade, 70 anos e arritmia cardíaca encontra-se na UTI, com acompanhamento até a completa recuperação para receber alta.

Não moramos juntos, mas moramos no mesmo prédio em São Paulo. Cada um respeita o espaço do outro, porque tanto eu quanto ele não gostamos de dormir na mesma cama e porque eu ronco demais. Isso é motivo para casais, inclusive, heterossexuais dormirem em quartos separados.

Na rotina diária, eu ainda estou na ativa e ele aposentado.  Nos encontramos todos os dias e algumas vezes na semana jantamos juntos. Ele gosta de novelas e eu de filmes, logo não compartilhamos a mesma televisão. Fora da rotina, viajamos e passamos finais de semana na chácara.

O interessante nessa história e que eu não pensei duas vezes em ficar com ele no hospital, inclusive nem fui trabalhar por dois dias e nesta segunda-feira retornei ao escritório.

Nosso relacionamento já vai para oito anos e há quatro ele mora em São Paulo. Essa é a primeira vez que ele está ausente por mais de dois dias e após todos esses acontecimentos eu posso afirmar que hoje dependo dele, não para problemas de saúde, mas uma dependência física, da sua presença e das conversas alegres do dia-a-dia. Ele faz os meus dias menos estressantes.

Ontem ele me disse que agora eu sou o seu anjo da guarda porque salvei a sua vida, mas eu fiz o que qualquer um faria naquela condição – Situações dessa natureza geram vínculos fortes e consolidam ainda mais o relacionamento.

Eu espero que até o final desta semana ele receba alta do hospital, para se recuperar e retomar a sua vida aqui fora.

Enfim, as relações têm peculiaridades e problemas de saúde passam a ser frequentes, principalmente para os idosos. Nesses momentos difíceis de nossas vidas se não temos alguém ao nosso lado, a solidão é ainda mais latente.

A vida compartilhada não é apenas sexo, também é muito bom perceber os cuidados, desde a coisa mais simples até uma comida caseira e gostosa, além de todos os cuidados com o parceiro nas questões de saúde.

A você leitor dos Grisalhos, uma ótima semana!

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 31/08/2015, em Relacionamento, Saúde e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 16 Comentários.

  1. Lindo texto da realidade de uma relação estável. Parabéns.

    Não tenho muito jeito pra escrever mas vou deixar aqui um relato da minha relação estável.
    -Vivi sob o mesmo teto com meu amor por 40 anos. Os últimos 2 anos abandonei trabalho e passamos a viver com a aposentadoria dele o que foi bastante difícil. Ele teve um AVC, e era diabético. Relações sexuais antes tão importantes deram espaço a um amor puro, passei a observar coisas entre nós extremamente sentimentais, namoramos e nos pegávamos olhando um para o outro. Aos 75 anos eu o via lindíssimo mesmo a doença o maltratando. Há 2 meses, após passar 20 dias com ele em um hospital por complicações da diabetes eu o vi morrer. Na hora até que aceitei pois ele vinha sofrendo muito com as furadas de agulha para medicar e para exames. O surgimento de uma infecção o fazia delirar e ter visões, eu entrei no mundo dele e conversa vamos como se normal fosse aquela mulher sentada no alto de uma pilastra. Nos momentos em que a infecção sedia ele volta ao normal, reclamava do banho na cama e das picadas das agulhas para aferir a glicose e me mandava para casa para descansar. Não consegui sair do lado dele um dia sequer. Hoje sofro a ausência dele e é raro o dia em que não rola uma lágrima. A casa é grande e resolvi por a venda para ir para uma menor. O sofrimento de perder um amor de 40 anos é bem difícil, pois tudo que vou fazer me remete a lembranças dele sobretudo quando vou arrumar gavetas para tirar papeladas inúteis e no meio de tudo uma foto que eu nem mais lembrava. Ta tão difícil viver só… Até tento no facebook fazer amizades mas acontece que quem conheço não está no meu clima e querem a todo custo me ver por uma camêra ou alimentar conversas picantes, logo, mais solidão toma conta de mim. Gostaria de ter morrido junto.

    • Pablo
      É difícil, mas não é impossível!
      Perdas são inevitáveis. Ainda hoje eu assisti um documentário sobre José Samarago e numa das cenas ele diz: aos 86 anos eu queria duas coisas: Tempo e vida.
      abraço, Regis

  2. Regis, um bom dia.
    Li seu texto feliz, feliz por você e feliz por seu companheiro. Peço-lhe desculpas pelas “várias gracinhas” que fiz aqui, em relação a você, pois, não sabia que você é casado. Perdoa-me!… Meu companheiro tem 83 anos e vivo essa rotina de médicos e hospitais e lutamos juntos contra seus medos e a depressão. Mas juro, não o quero perder tão cedo. Sinto-o ainda mais próximo de mim, agora que a volúpia deu lugar a amizade, o amor e a solidariedade. A ausência do sexo abriu espaço para sentimentos mais nobres. São 19 anos de cumplicidade.
    Saúde para seu companheiro e vida longa para os dois!!!

  3. Married Daddy

    Régis, como sempre, um texto espetacular, especial por se tratar de sua vida do seu cotidiano. Estimo melhoras de seu queridão, mesmo que seja um problema agudo, já controlado. Ser mimado e cuidado pelo namorado não tem preço. Beijos aos dois.

  4. Olá Regis.

    É muito bom ler sobre assuntos do seu cotidiano. Levamos as nossas vidas à margem da sociedade e é muito bom escutar relatos como o seu, para refletir, para aprender com as experiências dos outros, e também para não sentirmos tão isolados do mundo.

    Como você, tenho 56 anos e meu companheiro 71. Estamos juntos há 6 anos e devido a algumas circunstâncias ainda moramos em casas separadas, na mesma rua da mesma cidade, mas planejamos para daqui a um ano viver sob o mesmo teto. Temos muitas diferenças de gosto, de jeito de ser, de personalidade, às vezes totalmente opostos. Mas aprendo muito com ele e ele comigo. Ele me completa e eu a ele. E o que mais gostamos de fazer é de estarmos juntos, não importa fazendo o quê. Quando podemos dormir na mesma cama, passamos nossas noites abraçados e entrelaçados até acordarmos ao amanhecer… Nunca dormi assim com as mulheres que tive e nem conheço nenhum casal nem hetero nem homo que fizesse isso sem se incomodar. Acho que antes do meu companheiro, não sabia o que era amor verdadeiro…

    Vivo prá ele e ele prá mim. E um dia quando as doenças vierem, continuaremos juntos cuidando um do outro até o fim dos nossos dias na Terra.

    Desejo que o seu companheiro se reestabeleça rapidamente. Cuidem bem um do outro e estejam sempre juntos, no amor e na felicidade.

    Um beijo e um abraço prá cada um.

    P.S. Sugiro que vocês assistam o filme O Físico – uma história de época que retrata os primeiros anos da medicina, e que mostra a famosa “doença do lado”, uma doença fatal, até descobrirem que nada mais era que uma crise aguda de apendicite!

    • Fernando
      Obrigado por suas palavras, afinal temos muitas coisas em comum
      Sobre o filme: O Físico, agradeço a dica, eu já assisti e tenho uma cópia em blu-ray.
      Abraço,

  5. Excelente texto Regis. Desejo melhoras e uma ótima recuperação!
    Um forte abraço!

    • Gustavo
      Obrigado pela palavras.
      Quanto ao texto a ideia era compartilhar, não a doença do meu companheiro, mas a situação em si, pois isso faz parte das relações humanas
      abraço,

  6. Muito bonito de sua parte. Isto realmente é uma relação que vai além do sexo. Que ele se recupere rápido.

  7. Olá, Regis, que tudo corra bem até o total restabelecimento de seu parceiro! Sabe que meu parceiro e eu conversamos muito sobre exatamente o que você coloca no blog? Por exemplo, as “conversas alegres do dia a dia”. Meu parceiro diz que gosta muito de conversar comigo. Tudo bem que não estamos juntos há muito tempo, mas mesmo assim percebemos muitas afinidades entre nós. Ele mora sozinho, eu, não, mas costumamos passar o fim de semana juntos, inclusive comigo indo dormir na casa dele. Sabe o que é o legal dessa relação? A cumplicidade, o respeito e a saudade. Sim, somos cúmplices e, mesmo cada um com seus afazeres durante a semana, um respeita o outro em todos os sentidos, fora que a saudade é tanta, que sempre arranjamos um jeitinho de nos encontrarmos durante a semana, nem que seja para um lanche rápido no fim do dia. E assim colocamos as conversas em dia. E, quando dá viajamos juntos. Sabe que também tenho essa dependência dele de que você fala? Mas é bom, só quem sabe o que é isso, sabe que é bom!

    • Jota
      Sim, é isso mesmo! Eis ai o motivo do título do post: as peculiaridades nas relações são comuns entre os casais gays e há mais similaridades do que imaginamos.
      abraço

  8. Boa sorte e otima recuperação para ele! Abraços

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