A eterna busca do parceiro ideal

rainbow-68202_640Outro assunto recorrente aqui no blog é a eterna busca dos jovens, maduros e idosos por parceiros, preferencialmente, para relação estável.

Na juventude quando descobrimos nossa homossexualidade, a busca por parceiros torna-se uma forma de aprendizado sexual, porque tudo é novidade. Alguns demoram mais do que outros, por conta do medo, da não aceitação, da timidez e a da inexperiência nas relações sociais.

Ultrapassada a primeira etapa de assimilação das práticas sexuais, o mundo gay se descortina.

A busca por parceiros é uma coisa até bizarra. A regra geral: Faça de tudo para conseguir um parceiro, insinue-se, dance, beba, grite, se entregue, faça caras e bocas, mas não perca o bofe e se perder não desanime porque alguma cigana vai enfiar na sua cabeça, que vai aparecer um PARCEIRO na sua vida. Que Vênus na casa VII é a casa das parcerias, e que essa busca é uma questão na sua vida. É a velha manjada busca da “alma gêmea”… A tão incompreendida e lendária busca pelo parceiro ideal.

O tempo passa e o vaticínio da cigana não se concretiza e ai o negócio é buscar sexo com qualquer corpo. Quem sabe isso não se transforme numa relação e o parceiro ideal estava ali perdido num fim de noite.

Na busca pelo parceiro ideal o sexo vem sempre primeiro, é aquela questão de pele, mas não vivemos apenas de sexo. O sexo faz parte do processo e outras coisas são relevantes: conversar, compartilhar momentos de alegria, no bar ou na balada. Precisamos de alguém para compartilhar pensamentos, dúvidas, sonhos, ideias e não apenas a cama.

Infelizmente as pessoas se jogam no mundão em busca de um belo corpo, homens dotados, musculosos, endinheirados, com carrão e vida financeira sossegada.

Ai você diz: Regis, não é bem assim! Claro que é. Ninguém quer o cara feio, magricela, pobre, mal vestido, com deficiência física ou com alguns neurônios a menos. Há exceções, mas é minoria porque o bem sucedido é o que nos aproxima da perfeição. Os gays querem sucesso não apenas para si, mas para mostrarem aos outros.

Na juventude eu tive um relacionamento com um coroa surdo e mudo. O homem era bonito e o sexo era maravilhoso, mas ai eu pensei: como vou apresentar este homem na minha roda de amigos?  O que vão pensar de mim? Vão colocar defeitos e eu não quero passar por constrangimentos. Moral da história: Um mês depois, larguei o bofe, com as desculpas mais esfarrapadas – Ele merecia ser amado e paparicado porque era alguém especial, mas eu buscava o homem ideal.

0Buscamos o melhor, o mais bonito e perfeito e nos decepcionamos quando o gostosão nos dá um pé na bunda. Ninguém gosta de levar um fora, mas isso faz parte das relações.

Então passamos anos dando com a cara na porta, levando bordoadas, encontrando príncipes e sapos, mais sapos do que príncipes. Amadurecemos e nunca desistimos de encontrar o parceiro ideal, mas a maturidade nos traz para o mundo real e se não fazemos concessões ficamos sozinhos. Para alguns serve qualquer um, para outros tem que ser o melhor.

É preciso entender que se já é difícil encontrar alguém para um relacionamento, imagine então não fazendo concessões. É imprescindível abrir mão de muitas particularidades para manter uma relação mais estável. Amar e gostar implica em doação e quem doa não olha a quem. Todos têm defeitos, mas poucos querem corrigir os seus e compreender os do próximo. Tem que deixar de exaltar os defeitos dos outros e tentar corrigir os seus, assim, as virtudes sobressaem ao negativismo exacerbado das imperfeições.

Não vou dizer que não existe amor nas relações, claro que existe! É difícil encontrar a alma gêmea e quando aparece vive-se um mundo infinito. O negócio é cair de cabeça na relação e é isso mesmo o que tem que ser feito – Viver intensamente o amor porque ele pode ser único e nunca mais aparecer outro. Aliás, cada ser humano é único.

No último domingo quando cheguei da chácara, parei na padaria perto de casa para tomar café e encontrei um conhecido, ele estava sozinho e triste, porque o seu companheiro mudou de comportamento, não quer mais visita-lo, quer viver a vida dele. São três anos de relacionamento e o Zé Carlos acha que a vida não terá mais sentido sem o namorado. Claro que terá sentido, basta encarar a fase de mudanças porque tudo passa. Ele está fragilizado, emagreceu, não tem mais o brilho nos olhos e calado sofre as ausências frequentes do amante.

Ai eu falei: Zé, você tem sessenta e cinco anos e ainda não aprendeu que nos relacionamentos há perdas e ganhos? Namoros começam e terminam todos os dias. Você vê isso acontecendo com os outros e nunca pensou que pudesse acontecer com você. Pois é, aconteceu!

A busca pelo parceiro ideal também é um fator que gera conflitos e perdas, inclusive, para os gays que estão em relacionamentos – O cara tem um companheiro, mas está sempre de olho naquele bofe escândalo que vez ou outra cruza o caminho. Não satisfeito com o que tem busca-se mais, o melhor, o perfeito e ideal.

Mas o tempo passa e quando se dá conta envelheceu. Eu entendo que na velhice perdas são mais difíceis de assimilar, seja por rompimento da relação ou por morte do parceiro. Não é fácil, mas não é o fim do mundo. Já não bastam as fragilidades físicas e ainda tem que encarar o fim de caso.

Existem tantas coisas para fazer na vida que não dá para ficar orbitando  um planeta chamado parceiro ideal com um satélite chamado sexo.

… Enquanto isso no mundo gay, milhares de homens solteiros aguardam a hora de encontrar o parceiro dos seus sonhos. Eles acreditam que vão encontrar e não estão errados. O ser humano não nasceu para viver sozinho, logo, tem que acreditar mesmo!

Se tudo correr bem um novo parceiro entra na sua vida e aquele aprendizado sexual do segundo parágrafo retorna, com fogo e paixão e tudo não será mais novidade. Não se perderá tempo com detalhes, pois o medo ficou no passado e mesmo se ainda não se aceitou como homossexual cumprirá todas as rotinas pré-estabelecidas das relações e aos tímidos não haverá empecilhos para encarar mais uma vez o momento de se relacionar, buscando sempre a satisfação carnal e transbordando o cálice de emoções plenas.

Curiosidades:

>> Numa pesquisa realizada em 2014, mais de dois milhões de gays brasileiros buscavam parceiros pela Internet.

>> Cidade com mais homens gays em busca de sexo casual:

  • Salvador
  • São Paulo
  • Brasília
  • Curitiba
  • Belo Horizonte
  • Rio de Janeiro

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 05/08/2015, em Comportamento, Opinião, Relacionamento e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 16 Comentários.

  1. Orfeu Ebano

    Bom amigos, sou ainda um jovem com 36 anos, deste de que me percebi gay, gosto de homem maduro, estilo paizão. Era uma fantasia de criança, quando cresci percebi que assim como eu muitos outros jovens também buscavam essa mesma coisa que eu nos homens. Acredito no amor entre iguais sim, é possível, o sexo é complemento dessa relação, o que eu quiser fazer com relação a desejos e fantasias, será realizado com meu parceiro, se ele não se sentir bem com elas, tudo bem, vamos fazer diferente ou não fazer, mas juntos!!
    Passei por pessoas que até hoje, me lembro delas, como poderia ter sido o amor da minha vida, e eu o dela, mas a vida é assim, nos separa quando buscamos o tempo onde o outro não tem mais tempo, tem presa de não perder mais tempo. Quando se ainda é jovem, fica mais fácil e cômodo esperar o melhor momento pra um encontro de decisões numa relação, hoje sei disso!
    Eu busco um homem, normal, com desejos, necessidades de si mesmo, e eu junto com ele nessas descobertas numa relação. Não penso em relação aberta, não conseguiria. Tenho amigos que praticam o poliamor e funciona com eles, ainda não entendo por mais que eles me expliquem e eu faça parte da vida deles e veja isso. Que dá certo com eles.
    Enfim, Regis, muito bacana as reflexões à respeito da vida e das relações humanas.

    • Orfeu,
      bacana o seu relato, isso demonstra que o que é bom pra mim, não é para você e vice-versa.
      Aliás, isso é diversidade!
      abraço

  2. o Rone está certo, as relações entre dois homens são puramente sexo, enquanto durar a tesão elas perduram, caso contrário acabam, tornam-se incompletas, esse algo a mais é coisa de mulher, e em consequência disso é que o mundo está se tornando homo e solitário, portanto não idealize, simplesmente viva como puder, depois vivas das lembranças, sempre há de temos algumas que não sai na nossa cabeça, algum amor platônico, ou simplesmente um bofe inesquecível que tivemos no passado por uma noite, e esse foi o nosso ideal, não esqueça disso.

  3. Querido Regis

    O que mais me fascina no seu trabalho no blog é o seu desejo de transmitir que o amor entre dois homens é possível
    Você acredita em cumplicidade e romance
    Eu penso exatamente assim como você mas sei que somos minoria absoluta no meio gay
    Seria lindo se o romance pudesse ser um fetiche de uma parcela da populaçāo gay
    Encontrar um grande amor é a mais linda ambiçāo humana e o que realmente dá um sentido as nossas vidas

    Muito obrigado por tudo

    Fique com Deus

    Grande abraço

    Cezar Monteiro
    Sent from my iPad

    • Cezar
      Sim, a vida é muito mais do sexo ou qualquer coisa material.
      Na verdade todos os gays querem um amor, mas ficam amargos de tanto levar porrada, de serem traídos, trocados por outro, hedonismo, etc. É um mundo cão.
      Escrevo aquilo que sinto e vejo, além de transmitir minhas experiências dos últimos 40 anos.
      Abraço

  4. Gutomonteiro@me.com

    Seus artigos sāo muito interessantes e tocantes. Obrigado por tudo

  5. Corpos sarados, pênis grande, beleza, pele clara, dinheiro, casa-mento gay. Desculpe ao administrador do blog pelo desabafo, peco que não apague este comentário que não tem palavrão ou ofensas, devemos respeitar as opiniões, desde quando haja ética nos comentários, faz parte de qualquer publicação na internet. E sempre fui fã deste site.
    Mas sabe, eu faco filosofia, apesar de ter trancado, e hoje praticando matemática. Meu raciocínio logico e a convivência com professores, leituras e exercícios me deu uma visão bem diferente da vida e da sexualidade humana. Estou mais objetivo, menos plural e mais racional. Os gays ha muito tempo me intrigam, pois, apesar de eu ser um, nunca me aceitei de fato, nunca quis ser viado.
    Percebi, diante de minhas leituras, que a homossexualidade nada mais é do que um pequeno borrão inexplicável da natureza e não deveria nem ser discriminada nem ser aceita. E algo tao superficial que o simples casamento entre dois gays não se assemelha em nada com as relações heterossexuais e em nada contribui para a economia de um pais. Ou seja, relações homossexuais masculinas não deveriam ser levadas a serio.
    As lésbicas são exceções. É engraçado pensar dessa forma sobre a homossexualidade, parece algo homofóbico. Mas, diante do que eu vejo nas relações homossexuais, seria muito muito difícil levar a serio um comportamento afetivo que beira a infantilidade. Talvez daqui a algumas décadas isso mude. Eu não tenho esperanças. Desculpe pelo meu comentário se ofendi alguém.

    • Muito desnecessário esse seu comentario Rone, vc não pode generalizar, nem todo mundo é como vc pensa.

    • gostaria de ter economizado meu tempo em ler esse comentario.
      infelizmente, meu amigo, quem muito racionaliza, nao vive, nao compreende os motivos de se viver e acaba se tornando um louco. nao sabemos o que nos espera, nao somos imortais e a economia de um país nao vai quebrar por causa dos gays -que, em varios estudos sao ditos como um grande mercado consumidor-. viva cada dia, aceite ser como é, nao tenha raiva. perdi muito tempo da minha vida querendo ser o que nao era de fato. so encontrei a felicidade quando aceitei o que a vida guardava para mim.

  6. Existe uma diferença de idade de cerca de 15 anos entre mim e meu parceiro (ele tem 50 anos, e eu, 36), e não vou dizer que nunca estive nessa busca pelo “parceiro ideal”, pois estaria mentindo. Mas o que é esse “parceiro ideal”? Será que esse conceito não pode estar no “cara feio, magricela, pobre, mal vestido, com deficiência física ou com alguns neurônios a menos”? Será mesmo que a maioria prefere o oposto disso? No seu relacionamento com o surdo e mudo, você ficou com receio sobre o que achariam de você por isso, e talvez você tivesse ficado com receio disso por ser jovem. Mas e se fosse hoje? Você abriria mão disso?
    Às vezes, por sermos jovens, não temos maturidade o suficiente para enxergarmos certas coisas, e quem sabe por isso, na época, esse não seria o seu “parceiro ideal” para a vida toda? Eu digo que o “parceiro ideal” existe! Sabe quem ele é? O nosso! Meu “parceiro ideal” é o meu; o seu é o seu e assim por diante! Se eu trocaria o meu por outro? Ele é o meu “parceiro ideal”, então por que o trocaria? Gostei muito quando você disse que “Existem tantas coisas para fazer na vida que não dá para ficar orbitando um planeta chamado parceiro ideal com um satélite chamado sexo”, mas por que não ir atrás de um? Até por que, como você mesmo disse, “O ser humano não nasceu para viver sozinho”. Todos temos defeitos, então o negócio é saber corrigi-los e compreender os do nosso parceiro, como você mesmo disse, até para que tenhamos o nosso “parceiro ideal” ao nosso lado sempre, em todos os momentos. Por que não para a vida? Por que o tempo todo eu coloco “parceiro ideal” entre aspas? Por ser um conceito muito relativo, pois cada um tem o seu conceito de “parceiro ideal”.

    • Jota
      Comentários bastante pertinentes sobre o tema.
      Enfim, quanto ao surdo mundo, com certeza hoje eu não deixaria passar, pois a maturidade traz visões mais claras sobre os conceitos não apenas do parceiro ideal, mas sobre tudo na vida.
      abraço, Regis

    • Jota, mas o texto fala sobre as exigencias e a ideologia criada pelos gays sobre o parceiro ideal.

  7. “e aos tímidos não haverá
    empecilhos para encarar mais uma
    vez o momento de se relacionar,
    buscando sempre a satisfação carnal
    e transbordando o cálice de emoções
    plenas.”
    verdade, eu era bem timido no inicio, mas com as experiências fui me soltando….e hoje em dia me entrego totalmente nas emoções e ações.

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