Mundo gay: Paqueras, flertes e caçadas.

size_810_16_9_ScruffVocê já parou para observar as mudanças sociais que ocorrem no Brasil e no mundo?

Bem, para quem observa atentamente percebe que essas mudanças terão reflexos para as novas gerações e lá no futuro, talvez, o cotidiano dos gays não seja tão sombrio.

A paquera está inserida no cotidiano e buscar por homens já não é um tabu, mas a clandestinidade sexual ainda persiste, principalmente, para as gerações anteriores à década de 1980. Eu falo em clandestinidade porque a exposição pública da homossexualidade sempre gerou e ainda gera constrangimentos.

Buscar parceiros para sexo e relacionamento nunca foi fácil, aliás, é uma arte e leva-se muito tempo para aprender sobre as formas de abordagem, a linguagem corporal e oral.

Um amigo diz que quando sai para buscar parceiros ele entra num mundo surreal, porque ele precisa focar num local apropriado para a caça e isso remete aos banheiros públicos, saunas, cinemas e por ai vai. Raras vezes ele pensa em paquerar na rua, no transporte público ou ambientes heterossexuais porque os riscos de constrangimentos são grandes.

Ele diz que os melhores locais para buscar parceiros são as boates e bares. Mesmo com o risco de encontrar homens infiltrados no meio para roubar ou extorquir, há sempre uma “certa” proteção do meio.

Outro local favorito são as orlas das praias brasileiras. Durante o verão as paqueras são perceptíveis a qualquer olhar mais atento.

Viver na clandestinidade é algo pra lá de chato, ninguém quer ou gosta, mas infelizmente isso é realidade. Essa clandestinidade é mais perceptível aos gays não assumidos, ou aos que residem em cidades do interior de qualquer lugar do Brasil.

A busca por parceiros esbarra na lei das probabilidades, porque as chances de encontrar parceiros são tão pequenas que nem nos damos conta de quanto tempo ficamos sem fazer sexo, aí vêm frustrações e mais frustrações e acabamos invariavelmente sozinhos – como diz outro amigo: com o Smartphone no bolso.

Eu tenho relatos de gays que chegaram aos sessenta anos de idade e a maioria não teve mais do que duas ou três experiências sexuais durante a vida e não é por causa da “não aceitação”, mas porque há grandes dificuldades no ato da paquera.

No universo dos encontros, há aqueles que caçam para buscar algo além do sexo; Um romance, uma relação mais estável e sempre de acordo com suas preferências. Encontrar a alma gêmea é como ganhar na loteria.

Inúmeras vezes arrisca-se um flerte e há rejeições, ou porque caçamos o cara errado, ou porque nos envolvemos com um heterossexual – É onde ocorrem atos hostis e até agressões físicas.

Os jovens são os que mais sofrem com essas restrições à caça, já os mais experientes driblam as adversidades e vão à luta com a cara e a coragem, independente dos riscos.

Hoje a Internet é o principal ambiente para a paquera e mais do que um lugar seguro para expor a sexualidade, é onde ocorrem as maiores roubadas, literalmente.

Recentemente, um pastor homofóbico americano foi pego pedindo por sexo em um aplicativo de paquera gay.

Aqui no blog de cada dez comentários, mais da metade são excluídos porque são anúncios pessoais, com Email e número de telefone e as pessoas nem pensam nas consequências de tornar público um telefone particular.

Existem diversos aplicativos, chamados de app, de paqueras: Gridr, Manhunt, Bender, PlanetaRomeo, Mister, Scruff – A moda também é paquerar via Whatsapp, tudo muito cibernético!

Eu, particularmente, ainda sou adepto do contato físico, o olho no olho, das conversas às vezes sem sentido, seja em qual local for, porque a paquera se resolve na hora e não com hora marcada. Aliás, marcar encontro é uma roubada.

Vivemos num mundo fast food e há quem não acredite mais na arte da paquera. Um correspondente diz que existe um estereótipo de que para os gays é só flertar, pegar e pronto – Inverdades derivadas da exposição dos gays em novelas e revistas.

O pior dos mundos é quando você gosta de homem maduro ou idoso, ai a probabilidade da caça ser bem sucedida é ainda menor, quase nula – Isso não são palavras minhas, mas de um caçador experiente de homens grisalhos.

Enquanto os jovens e maduros convergem a paquera para o mundo virtual, os idosos, além de não terem muito acesso à rede não frequentam locais com predominância de gays. A ideia de que os gays idosos estão confinados nos guetos, principalmente nas saunas não é mais verdadeira, pois conta-se nos dedos quantas saunas no Brasil tem frequência de gays idosos – O mundo mudou muito nos últimos trinta anos e os hábitos também.

Como tudo na vida, caçar ou paquerar incorre em riscos, altos, baixos ou moderados e também depende da forma de abordagem, do local, dos parceiros, da maturidade e principalmente, da autoestima.

Paqueras, flertes e caçadas são aprendizados quem nos moldam para a vida!

Nota: A palavra CAÇA no meio gay tem sentido figurado e refere-se ao ato de procurar parceiros para sexo

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 06/07/2015, em Comportamento, Relacionamento e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. Saudosismo

    Não sei se acontece só comigo, mas não sinto tanta dificuldade em flertar e encontrar correspondência. Hoje mesmo, voltando do trabalho (sou professor) passei por um grisalho delicioso na região da Liberdade aqui em Sampa. Trocamos olhares e aconteceu aquele famoso “quebrar o pescoço” . Só não fui adiante porque tinha um compromisso inadiável. Fiquei na vontade…
    Quem está em São Paulo e se interessa por grisalhos, aconselho dar uma volta na Paulista no fim da tarde… Puro deleite visual.

    Para flertar é importante estar sempre atento e não ter medo de olhar o que agrada. Se não houver correspondência, parte-se pra outro. Oferta não falta!

  2. Tenho 30 anos, moro numa cidade de mais de 1.000.000 de habitantes e realmente é não é fácil flagrar quem é ou não gay. Eu também só sinto atração por coroas. Antigamente quando morava em cidade menor, usava a internet para caça, mas hoje eu não suporto mais tal veículo para conhecer pessoas, pois já começa com os seguintes questionamento:
    ativo ou passivo?
    tem local?
    tamanho da rola?
    Essas perguntas broxam-me totalmente, você já, ai, se vê, apenas, como um produto a ser usado e descartado, como uma camisinha.
    Assim, estou tentando levar a coisa mais naturalmente, tentando perceber em lugares públicos os olhares e tudo mais. Um exercício difícil, mas que deva, creio, aguçar em algum tempo, o que facilitará a mim tal percepção.

    Saunas, por exemplo, é o ambiente que você vai para trepar, não têm conversar, se têm são raras, é mais o famoso fast-foda mesmo. Ambiente que pode causar um extremo vazio pós-uso, enfim…

    Mas creio que valer a pena aguçar a percepção e evitar usar aplicativos, bate papos ou algo que o valha para caça, pois, a meu ver, já bota uma barreira entre as pessoas, já dificultando em si o contato, visto que olho no olho você percebe se a pessoa está tensa, o olhar, o sorriso, a respiração, e você pondera o que deve falar ou não, já na internet, você pode ser doce ou extramente estúpido e se não gostou da pessoa, muitas vezes há xingamentos ou já exclui a pessoa da conversa.

    Gostar de coroas realmente não é fácil. Não mesmo.

    • muito legal esse seu modo de pensar, F.. tambem gostaria muito de aprimorar essa capacidade de perceber pessoas – o famoso gaydar-, visto que no Brasil, a maior parte dos Coroas nao estao em bate papo e saunas. Na verdade, em grande maioria, eles estao presos em relaçoes heterossexuais, as quais sao usadas como esconderijo. Entao, acredito que essa capacidade de perceber pessoas na rua e etc aumenta o sucesso de encontrar alguem legal.
      F., voce tem dicas de lugares a frequentar e quais os modos de abordagens e etc? ja obteve sucesso em muitas abordagens?
      grande abraço!

      • Olha, eu moro em cidade grande há poucos meses, já percebi coroas olhando-me na rua, mas acabei não abordando-os no momento, não por receio, mas por correria mesmo do dia a dia. Em bares ditos gays acaba sendo mais fácil, porque se você está ali, logicamente você é gay, e um olhar mais apurado você já saca que alguém está te flertando.
        Eu ando na rua observando e tal, vou na minha e se passa alguém olho discretamente no olho, se percebo que há retribuição mais aguçado, ou lançam um bom dia, boa tarde, ou colocam a mão no pau (sim, há gente que faz isso), dai são momentos que se pode tentar uma abordagem mais forte, cumprimentando oi tudo bem? e deixar rolar, comigo não colou na rua ainda, mas porque eu acabo dando uns vacilos e rola o receio, mas espero que isso possa ocorrer.
        Outro dia, em questão de minutos, percebi 3 flertadas fortes na rua, e acabei não fazendo nada, rs. Acontece, faz parte. Mas estou em processo de apurar, acho que uma hora que der certo de conseguir algo, dai a coisa há de se desenrolar melhor.
        Mas o olhar é sempre o mais matador. Não sei, mas gay tem um olhar bem encarado, rs.

      • Sim, F. o olhar é o principal, tb acho.
        tento aprimorar essa tecnica tambem, apesar de que, assim como voce, acabo dando muitos vacilos. Muitas vezes coroas me encaram, e, por receio de me julgarem, automaticamente eu mudo a direçao do meu olhar para bem longe, sendo que talvez ele estivesse com os mesmos interesses. Em pouco tempo ja mudei muito, e acredito que da pra melhorar muito essa capacidade de flerte e percepçao. vamos ver com o tempo.🙂
        Me falta coragem ainda é para iniciar um assunto, dizer um oi e etc.

  3. Sempre senti a dificuldade na paquera. Não consigo fazer isto em lugares públicos. É que não me interesso, normalmente, por um homem antes de saber se ele é ou não homossexual. Parece que muitos tem o tal “gaydar” e percebem quem é ou não. Acho que não tenho isto. Daí ir a internet e saunas, onde não há dúvidas.

    Quanto a questão de assumir, bem, acho que o mais importante é que devemos assumir para nós mesmos o que somos. Nem sempre é possível, ou desejável, ser publicamente homossexual. No caso dos bissexuais, é ainda mais complicado. Assumir o que? Que são viados para todo mundo saber? Mas se não somos viados com mulheres?

    Noto, de vez em quando, que homossexuais são “bifobicos”. Mostram em relação aos bissexuais a mesma intolerância que muitos tem com os gay. São os felicianos do mundo gay…

  4. Com certeza é a vida não é fácil, seja no mundo homo ou no hetero, pois acho que não há muita diferença quanto aos relacionamentos humanos. O principal é nunca desistir, pois as coisas sempre acontecem no momento certo, atraimos o que pensamos e o universo sempre conspira a favor dos nossos desejos, sejam eles quais forem. Autoestima é muito importante como o Regis mencionou. E como li outro dia, “Plante o seu jardim e decore a sua alma em vez de esperar que alguém lhe traga flores.”

  5. Muito complicado isso.
    No meu caso tenho 2 agravantes que você citou: Moro em cidade do interior e gosto de homens maduros/idosos
    e é muito dificil de achar, todo mundo é muito discreto e o preconceito aqui é grande!
    Até agora só achei um gay aqui, o resto foram todos em cidades vizinhas e grandes.
    Tem alguma dica para me dar? como notar em alguem tão discreto a homossexualidade?

    • Cris
      É complicado mesmo!
      Para notar a homossexualidade em pessoas discretas o único caminho é conversar.
      Abraço…Regis

      • Realmente…..è, mas de qualquer forma sempre tem um risco a correr.
        Obrigado, abraço!

      • regis, poderia fazer um post sobre esse fato de descobrir um homossexual, taticas, o que falar e etc, ne? criando tambem uma discussao nos comentarios das formas com que cada um agem pra conseguir. sofro muito com isso, imagino que ocorra com varios

      • Eu acredito que já escrevi sobre isso aqui no blog. Vou pesquisar e informo
        Regis

  6. sabes duma coisa, de caçar ou ser caçado, depender de lugar ideal, tudo é uma bobagem, as pessoas tem é que deixarem de ser hipócritas, se assumam, e tudo vai acontecer naturalmente, sem se preocuparem com o que os outros vão dizer, caso contrário é chover no molhado, estou tão cheio desse assunto de homem, q. até já perdi o interesse, sabes duma coisa são todos uns veados não assumidos, essa é a única diferença.

  7. Marcos(Alvin)

    É muito difícil encontrar alguém disposto a levar uma vida seria ao lado de outro. Parece que não existe gay idoso,quando, com muito trabalho se acha um,é sempre o tipo que quer ser ou fazer deposito de esperma!Parece não existir sentimento verdadeiro e responsável entre os gays.

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