Homossexualidade: Pecados e Desejos

a-criacao-de-adao-michelangeloA Irlanda se tornou o primeiro pais do mundo a aprovar em um referendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Com todas as urnas apuradas na última sexta-feira, 22, o sim atingiu 62%.

Ai eu leio uma matéria no jornal, onde a igreja católica dá uma resposta sobre o tema e não me surpreende ler que o Vaticano considera esse referendo uma derrota para a humanidade.

Pior do que essa declaração, é a doutrina adotada pelo Papa, segundo a qual os atos homossexuais são considerados pecado, mas a homossexualidade, em si, não é.

Então quer dizer que eu posso amar outro homem, mas não posso transar com ele?

Atos homossexuais são as práticas sexuais e a homossexualidade é a atração física, estética ou emocional por outro ser do mesmo sexo ou gênero.

Nessa doutrina os padres estão em constante pecado, porque o prazer carnal está presente no seu cotidiano.

Eu fiz sexo com pelo menos uns três padres e todos queriam apenas sexo e nenhum deles se apaixonou por mim. Estranho não? Isso não quer dizer que padres não amem outros homens, mas os seus sentimentos são suprimidos por dogmas e doutrinas.

Caro leitor, imagine a cena:

Lá pelos idos dos anos 1980, eu tive uma transa com um idoso evangélico. Ele relutava em aceitar-se homossexual, mas na cama ele rebolava gostoso, enquanto eu gozava ele gemia de prazer e soltava gritos, pedido a Deus o perdão. Após o ato sexual saímos do motel, estacionei o carro num ponto de ônibus e nunca mais vi aquele homem.

Sobre a minha homossexualidade:

Eu não queria ser gay. Eu não escolhi ser gay. Mas a sociedade me julga, os amigos falam mal, os meus pais me rejeitaram e as religiões me mandam para o pior dos infernos. Nas religiões, a impossibilidade de salvação para os gays é outro pensamento que pesa. Por isso eu digo: Viva sem culpas, transe muito, apaixone-se, sofra de e por amores, e não se importe com o pecado da carne.

No decorrer da minha vida eu descobri que o desejo por outro homem era tão natural quanto o desejo por uma mulher. Isso me fez crescer como ser humano e a aceitar as práticas homossexuais com naturalidade.De tanto fazer sexo eu simplesmente descartei da minha vida a palavra pecado. Se é para viver em pecado que assim seja!

Hoje sou um homossexual que aos cinquenta e cinco anos não tem mais nada a perder. Tudo o que eu tinha que perder eu já perdi e outras perdas ainda virão, com ou sem pecado, principalmente, nas relações homossexuais. Eu quero amar, ser amado, fazer sexo, masturbar pensando naquele coroa gostosão do andar de baixo e dane-se a doutrina do Papa.

Considere a possibilidade de não existir mais nada após a morte, então de que adianta preservar-se do pecado? Não se culpe, a culpa é do cristianismo.

Oscar Wilde escreveu:

De acordo com os psicólogos, há momentos em que o desejo do pecado, ou do que os homens chamam de pecado, domina de tal modo a nossa natureza, que cada fibra do corpo e cada célula do cérebro parecem ser movidas por impulsos terríveis.

Em tais momentos, os homens e as mulheres perdem sua liberdade e seu arbítrio. Dirigem-se como autômatos para seu objetivo fatal. O direito de escolher lhes é recusado e sua consciência está morta, ou, se ainda vive, é somente para emprestar atrativos à rebelião e encanto a desobediência. Pois todos os pecados, como sempre nos recordam os teólogos, são pecados de desobediência!

Quando aquele espírito altaneiro, aquela estrela matutina do mal caiu dos céus, sua queda foi a de um rebelde.

O retrato de Dorian Gray

Um leitor do blog e católico praticante me disse que as suas culpas são tantas que ele nem comunga durante as missas, pois está em constante pecado. Por outro lado, ele vai diariamente à igreja por conta de um amor platônico por outro paroquiano.

Enfim, pecado e desejo andam lado a lado há séculos e a doutrina do Vaticano sobre práticas homossexuais e homossexualidade não me afeta. O que sei é que essa doutrina bate de frente com a realidade de padres, bispos e cardeais – Casa de ferreiro, espeto de pau.

Enquanto isso o mundo evolui para um melhor entendimento da diversidade sexual humana.

Leia este post: Quando o desejo se tornou pecado

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 28/05/2015, em Comportamento, Opinião, Religião e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. Married Daddy

    Sou casado com mulher, tenho atualmente um namorado que encontro pelo menos uma vez por semana, que entende tudo e me aceita assim.
    Mas eu,como centenas de leitores aqui, tenho uma paixão platônica por você, Regis.
    Aposto que muitos quem leem esses seus textos brilhantes, que não conhecem os traços do seu rosto, tem o mesmo sentimento que eu.
    Você consegue traduzir um sentimento, pôr emoções no cotidiano.
    Por isso te amamos , assim mesmo, sem saber como você é… O seu discurso vai ao coração, deve ser por isso.

    • Querido Married
      Obrigado pelos elogios. OS seus comentários realmente foram exatos na tradução da realidade.
      Quando idealizo um artigo, eu procuro ser sincero, coloco o meu ponto de vista com imparcialidade, mas sempre em defesa dos homossexuais.
      Também, há emoção, porque sei que os textos são lidos por leitores de todas as faixas etárias.
      Geralmente ilustro os temas com experiências da minha vida, logo, quando relembro fatos passados é como se eu os tivesse vivendo novamente, sempre com muitas emoções.
      abraço, Regis

  2. Abas brasil

    Amigos, trazem! Esqueçam essa merda de religião. Fui seminarista, fiz tanto sexo com padres, que meu pau virou evangélico. O papa tem um amigo judeu, viajaram juntos para o Oriente Médio. Por trás das paredes, Romeu vira Julieta e Julieta vira Romeu. E eu aqui em Salvador, sonhando em dar um beijo nos lábios de Regis! Regis, um beijo!

  3. Parabéns ao titular do Texto; o melhor texto que já li aqui. Continue a trazer assuntos intrigantes como este, pois nos encoraja cada vez mais

  4. Ótimos textos! adoro o seu blog.
    Continue assim, abraços!! 🙂

  5. Eu era evangélico amado, admirado, respeitado por todos da igreja
    Era convidado para todas festas,churrascos, viagens a passeio ou até mesmo para trabalhar em algumas igrejas
    Era músico e cuidava das crianças, dava aula de música vivia na igreja e para a igreja
    Ai depois de muita oração luta insistência para deixar de ser gay
    Percebi que isso é impossível, tentei me matar mas vi que não era a solução
    Me assumi, perdi amigos não posso mais tocar na igreja ajudar em nada, cuidar das crianças, pessoas que eu considerava meus amigos fazem festa casam e nem lembram que eu existo
    Porém hoje sou feliz amo um homem maravilhoso, que me faz bem etc
    Igreja,inferno e pecado, exclui da minha vida
    E vivo feliz da vida
    (problemas todos tem)😀

  6. Um comentário é sobre o fato de tanta gente querer “casar”. Até o século XVIII casava-se para ter uma prole. Nas classes superiores para deixar a riqueza para herdeiros. Entre o povo para ter quem assegura-se que na velhice alguém o alimentaria.

    Amor não tinha relação com isto, a paixão era de um homem por uma mulher, qualquer, desde que não fosse a esposa. Também, apesar de sempre haver a questão do pecado, relações homossexuais eram comuns e muito mais toleradas do que hoje.

    Com o que se denomina revolução burguesa começou-se a associar amor com casamento. A família na era dos mercados deixou de ser extensa e restringiu-se. Ao mesmo tempo a Igreja(s) perdeu poder e riqueza. Mas assumiu a defesa desta nova família. A disputa com as novas relações econômicas e sociais durou todo o século XIX e o homossexualismo virou um pecado horrendo e a tolerância diminuiu, a própria palavra foi resultado da idéia que sexo com o mesmo sexo era uma aberração psíquica, uma doença, o que encantou os padres. Que, neste meio tempo, continuaram dando a bunda…

    As grandes mudanças depois da II Guerra levaram ao questionamento disto tudo, família nuclear, virgindade, viadagem, enfim, tudo que era pecado, como ter relações sexuais sem ser casado. Quando os gays passaram a exigir serem aceitos e terem direito a assumir sua sexualidade, e as mulheres também a terem direito ao prazer, a reação veio das igrejas. Por que?

    Bem, uma coisa fundamental no poder da Igreja foi aceitar a doutrina gnóstica de que este mundo é corrupto e as coisas da carne são más. Por que? é que ao determinar o comportamento privado, as pessoas passaram cada vez mais a viver em função de suas vidas evitarem o “pecado”. Quer dizer, mesmo sem serem vistos, tudo que fosse pecado dava enorme sentimento de culpa e medo da punição após a morte. Ao confessar, para se redimir do pecado o crente tinha que submeter-se. E a Igreja era ao mesmo tempo, um estado, uma religião e uma classe social na Europa.

    Com o início da democracia as igrejas voltaram aos velhos tempos, tentando dominar o corpo dos fieis e, assim, manter e mesmo retomar o poder. No caso das outras seitas cristãs, isto foi mais acentuado.

    Hoje em nosso país vemos isto com clareza. Denominações religiosas ao dominarem os crentes enriquecem, pois agora é como no tempo das indulgências (uma das razões da Reforma Protestante), quer dizer, paga-se ao pastor pela redenção. E este diz que a fé está acima dos atos, pagando vai para o céu… Mas tem que ser contra as abominações, o homossexualismo acima de tudo.

    Com isto vemos pessoas execráveis sendo eleitas por serem contar nós. Como se mudasse alguma coisa na vida concreta dos crentes o vizinho dar ou não a bunda!

    Não sei se casamento e formação de famílias “burguesas” de homossexuais é ou não uma coisa boa. Mas tem sido a maneira de se contrapor a esta nova onda de gnosticismo e venda de indulgências.

    • Sergio
      A evolução ocorre numa velocidade que não conseguimos acompanhar.
      Na última terça-feira, 26 foi o parlamento da Groenlândia que aprovou por unanimidade o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção por casais gays.

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