A traição entre gays: Isso é normal?

A caça e os riscosNa semana passada retornando para casa eu encontrei um conhecido que não via há meses. Ele estava acompanhado de um amigo e após breve conversa nos despedimos e segui meu rumo.

Já em casa pus-me a pensar naquele encontro e como um gay que mantem relacionamento há quase trinta anos, inclusive, morando junto com o parceiro, sai por ai com outro coroa a tira colo. Eu posso estar enganado. Pode ser um amigo, não pode? Não sou tão ingênuo.

Outro colega me diz que no mundo gay, trair é comum, logo qualquer situação pode ser vista como normal, mas não é assim tão simples. Eu penso que é quebra um contrato.

Quais motivos levam um ser humano à traição? No caso desse meu conhecido é a falta de sexo com o parceiro, ou, o companheiro não têm mais atrativos físicos que desperte o desejo por sexo.

Até ai tudo bem, mas porque ele continua enterrando a sua vidinha num relacionamento enganoso? Bem, existem diversas razões para manter uma vida dupla.

Nesse caso, ele não quer privar-se do conforto e do status quo que adquiriu nesses trinta anos de relacionamento, ou, tem medo de que a aventura sexual seja apenas uma “aventura” e não lhe garanta uma vida igual à vida que ele tem.

Nesse contexto, existem muitas variáveis que apenas ele sabe quais são, mas é bom lembrar que a insegurança até faz parte da nossa natureza. Poucos têm grau de segurança suficiente para assumir posições na vida.

Outro amigo diz que os gays são inseguros, talvez por isso ele não termine o relacionamento, ou por medo de deixar o outro sozinho, ou por medo de terminar também sozinho, ou ainda, não perder os privilégios adquiridos nesses anos de relação.

A segurança de um casal gay é como um castelo construído na areia. Eu penso que nada é seguro, principalmente, no mundo atual e particularmente para os gays.

Manter um relacionamento de fachada é burrice. Talvez o outro saiba da traição e vive como se nada estivesse acontecendo por não ter outras opções ou está dando corda, para depois meter o pé na bunda do bofe.

Eu não sou tão conservador, mas a traição é falta de respeito consigo mesmo. Enganando o outro, você engana a si mesmo. Ou não?

Não seria melhor dizer: Não dá mais, vou embora. Claro que não!

Quem gosta de homens maduros e idosos busca alguém bonito, inteligente, culto, estável financeiramente e bom de cama. Na falta de algum desses quesitos, o primeiro que pesa na balança é ser bom de cama.

Nossa vida não é um planeta chamado sexo. Esse meu conhecido com certeza busca o sexo que não tem em casa e se tem talvez ele goste de ser passivo e com o companheiro faz o papel do ativo. Vai saber!

Alguns casais até tratam essa questão com maturidade e até falam de suas fantasias sexuais. Acredito que falar ou deixar de falar sobre fantasias sexuais é uma opção do casal, mas dificilmente isso vai interferir no quesito fidelidade. Principalmente porque é muito raro fidelidade no mundo gay masculino.

Antes de serem gays, homens são homens e faz parte da natureza masculina trair quando a oportunidade aparece. Além disso, no mundo gay masculino existe uma permissividade maior com relação à vivência e expressão do sexo livre.

Todo homossexual é infiel – É provável que você já tenha ouvido esta frase várias vezes, principalmente porque a infidelidade surge tantas vezes neste tipo de relacionamento. Contudo, não se deve tomar o todo por uma parte, isto é, não é porque a maioria dos homossexuais têm problemas em manterem-se fiéis que nenhum deles o pode ser.

A fidelidade depende de cada um e até da própria relação que está vivendo, mas na verdade, existem pessoas fiéis e infiéis em praticamente todo o tipo de relacionamento.

Ah! Não posso esquecer-me de falar sobre a infidelidade emocional:

A maioria dos homossexuais acredita que envolver-se fisicamente com alguém, desde que seja momentâneo e sem qualquer tipo de compromisso, não pode ser considerada infidelidade no relacionamento, já que não existe sentimento nem ligação, são apenas duas pessoas que sentem uma atração mútua e querem passar bons momentos.

A ideia de ser fiel, de se manter numa relação, vem sempre com a maturidade do homem. A maioria dos gays que estão começando sua vida emocional remete para relações fugazes, não gostam de se prender a ninguém durante muito tempo, por isso é normal que não sejam fiéis.

Com o passar dos anos, a maturidade aparece, e também é normal que queiram sossegar o facho e construir uma vida com alguém ao seu lado, por isso a fidelidade surge naturalmente.

Isso também, nem sempre é verdade, porque o meu conhecido, mesmo com mais de cinquenta anos ainda não atingiu a maturidade emocional para manter-se fiel. Enfim, alguns até culpam o DNA, mas isso é outra história. É a nossa interação com o ambiente que vai moldar os nossos tipos de comportamento.

Caros leitores dos GRISALHOS é isso ai!

A partir da próxima semana eu estarei de férias e com retorno previsto para depois da páscoa, portanto, até lá.

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 26/02/2015, em Comportamento, Relacionamento e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. Vivo uma relação de quase 20 anos, fora do Brasil, em Roma na Itália, nos último 3 anos fizemos uma abertura e decidimos em comum acordo de frequentar saunas e cinemas
    Para encontrar sexo tipo “fase food” é uma linha sotil, e o pacto é que não se pode pegar e dar o telefone, tudo aquilo que acontecer ali dentro fica ali dentro, isto não impede que fazemos sexo entre nós, até agora vai tudo bem, sem ciúme, sem drama, saindo dos locais, chegando em casa às vezes é contando as aventuras que fez cada um, o relacionamento é muito forte, e não pensamos em separar, quando comentamos com as pessoas elas se espantam.

  2. venho por meio desse comentario expor minha opiniao sobre o que percebo no relacionamento homossexual moderno. Sou jovem, 20 anos, academico de medicina e sinto atraçao por homens mais velhos(45~65), os famosos Coroas. Meu primeiro contato com um homem foi recente, 6 meses, e me fez mudar ideias. Antes, eu achava que o relacionamento com Homem nao passava de sexo, atracao, algo carnal mesmo, sem envolvimento emocional e que assim eu pudesse manter o controle, manter meu sigilo, ter minha familia com filhos e etc, e as vezes dar as fugidas para suprir meus reais desejos. Contudo, apos esse primeiro contato, percebi que há sim o envolvimento emocional, e, no meu caso ele é forte, sou carinhoso e descobri que gostaria de ter alguem sigiloso assim como eu, mas que quisesse manter algo fixo, que pudesse dormir comigo as vezes, uma amizade, algo alem de sexo. Deste modo, eu conheci o blog a pouco tempo, e o que me chamou atencao foi a quantidade de posts sobre a carencia e isolamento do coroa e do idoso homossexual. No entanto, minhas experiencias sao incoerentes com essas ideias de que os coroas sofrem por nao conseguir alguem, pois, as poucas experiencias que tive me fizeram concluir que a maioria dos coroas so querem sexo, nao estao preocupados em manter algo como uma amizade e companheirismo, apesar de mentirem que querem, que sao carinhosos e etc. Me desanimei muito ja, pois é muito complicado encontrar alguem, poucos sao os que entram em salas de bate papo e encontrar alguem na rua é muito complicado, apesar de acreditar que existem muitos “enrustidos”, mas quem arrisca se expor, ne?!

    • Tenho percebido o mesmo que annon. Tenho um casal de vizinhos mais velhos que eu que estão juntos desde que os conheço, mais de vinte anos. Mas acho que isto é raro. Muitos homossexuais querem sigilo como você. Então, quem quer algo mais duradouro, fica em dificuldade, pois, em geral, o outro quer compartilhar a vida e não apenas alguns momentos.
      Um amigo parece ter conhecido isto. Tem um amante, também mais velho, exclusivamente homossexual, que concorda em encontra-lo e terem uma tarde de sexo intenso. E não pede mais nada. O outro continua casado, “hetero”, transando com sua mulher, coisa que ele gosta, e não há maiores cobranças. E já estão nisto tem cinco anos. Quer dizer é uma relação quase que só sexual.
      Acho que se você quer casar, ter filhos apenas para manter as aparências fica um pouco mais difícil. Pessoas com este comportamento são muitas, provavelmente a maioria. Os “assumidos” começo a pensar são minoria entre os homossexuais.

      O importante é “assumir” para si mesmo, considerar-se homo, ou bi, tanto faz. Se se consegue um amante fixo, como meu amigo, é sorte. Como a maioria é como eu, ou como você, a tendência é mesmo dar fugidas. Podem ser muitas. Neste caso a variedade tem um encanto particular, coisa bem masculina. E ter centenas de homens durante a vida permite esta forma de prazer.

      Pode-se ter amigos, mas parece-me que é mais fácil não pensar em sexo com eles. Ficar só na amizade mesmo.

      Entrei muito em salas de bate papo gay ou bi. Tinha sempre muita gente. Mas depois de anos nunca sai com nenhum deles, as conversar são só conversas. Parece que hoje as salas tem menos frequentadores. É que existem sítios e sítios tipo redes sociais para homossexuais. E nestes lugares é mais fácil, mas não muito, conseguir alguém. Também neste caso parece ser difícil conseguir alguém como você deseja. Muito raramente se sai mais de uma vez com alguém.

      Quem quer manter sigilo, ser discreto, acaba não procurando pessoas fora de saunas ou da rede. É que é preciso uma espécie de treino para desenvolver o “gaydar”. Só os que assumem publicamente podem ir desenvolvendo esta capacidade, já que não temem serem apontados como viados. Eu confesso que não consigo olhar para um homem em lugar publico e imagina-lo como possível parceiro. E existem riscos grandes.

      O assumido publicamente pode ir aos lugares publicamente gay, bares, boates, etc. Você não pode ou não quer. E eu também não.

      Então, mesmo as vezes fantasiando ter alguém, o jeito é continuar com sexo avulso nas redes e saunas.

  3. Conheci há pouco o Blog e ja é minha pagina favorita.
    Sou jovem, 18 anos, morador da região sul que sente atraçao por Coroas(diversos estereotipos), relaçao intergeracional.
    Gostaria de agradecer ao Regis por disponibilizar artigos de otima qualidade que conseguiram me mostrar que nao sou unico no mundo, que existem outras pessoas com desejos iguais aos meus. Lutei por muito tempo contra o que sinto, e sempre achei que relacao com homem nao passava de sexo. Apos o primeiro contato percebi que vai muito alem disso, ha relacao emocional, assim como se ve em casais heterossexuais. Sonho em um dia encontrar alguem que supra meus desejos, principalmente a necessidade de carinho e companheirismo.
    Reagi com lamentacao ao saber que o blog so volta a ativa apos a Pascoa, desejava posts todos os dias, pois, ao ler essas publicacoes me sinto “em casa”.
    Obrigado, Regis por manter esse blog de alta qualidade, serio e bem administrado.

  4. Eu tenho 27 e meu namorado fez 54. Ele gosta de sexo e é bom de cama, mas tem tesão em me ver com outro na cama. Antes eu ficava incomodado com essas conversas, mas agora quando eu toco no assunto quem fica incomodado é ele. Eu vou acabar saindo com outro, mas ele vai estar presente para ver… Administrar todos esses conflitos internos e externos é fazer malabarismo com batata quente.

  5. Interessante as reflexões. Minha geração viveu na década de 1970/80 a “revolução sexual”. Umas das discussões era sobre “traição”. Para muitos esta palavra perdeu o sentido. Casais, homo ou hetero, podiam dormir com outros. Apareceu o swing, que existe até hoje.

    Para mim, que era casado com uma mulher à época, foi uma libertação. Minha mulher começou a sair com outros homens e eu gostava. Ela aceitava minhas relações homossexuais e também gostava disto. Mas, interessante, ficava aborrecida se eu saísse com outra mulher! Os ciúmes vinham.

    Casei novamente e minha segunda mulher era monogâmica e não admitia que eu tivesse casos. Desde o início ela sabia de minha atração por homens. Não gostava que eu fosse para a cama com outras pessoas, mas não tinha preconceito com homossexualidade. Demorou ela aceitar que eu não conseguia viver sem me relacionar sexualmente com homens. Para ela, hoje, desde que eu só tenha sexo casual e com homens, ela aceita, mesmo não gostando muito. Sua preocupação é sempre eu me apaixonar, isto seria traição…

    Acho que esta experiência pessoal mostrou-me algo interessante. Mulheres são ciumentas e podem até aceitar nosso homoerotismo. Desde que continuemos só com elas, sem amores ou paixões.

    Conheço poucos homens que, ao que parece, nunca sairam com outras pessoas. Algumas, claramente, não o fizeram por timidez, medo ou falta de oportunidade. Já a maioria deles tiveram casos. Dos homossexuais conhecidos, apenas um casal de vizinhos parece ter uma relação estável e monogâmica. Os demais…

    Um amigo disse-me claramente que não iria ter mais casos amorosos. Não consegue não “trair”. Ele é apenas ativo. Apesar de não ter muitos conhecidos gays com quem tenha maior intimidade, a sensação é que, os ativos comportam-se como homens. Os que querem monogamia estrita, minha sensação são os que se sentem mais femininos. Não sei se isto se deve a algo profundo em seus psiquismo ou se eles internalizam a “alma” feminina” que querem ter. Os demais passivos são como eu, gostam de variedade como qualquer homem “normal”.

    Homens há que se apaixonam em série, ou mesmo em paralelo. Talvez a maturidade que Regis fala seja construir uma relação aonde a paixão se aparece e renegada, pois que a relação permanente pede estabilidade. Mas será que é “traição” seguirmos o comportamento masculino e queremos ter mais e mais aventuras sexuais? Não seria o caso de, na verdade, ao evitarmos isto estejamos reprimindo uma demanda profunda?

    Engraçado é esta discussão voltar agora, depois de trinta anos. Não sei bem o significado disto.

  6. Olá, boa tarde a todos!

    Eu acredito que em uma relação homossexual para dar certo, tem que ter no minimo o básico de tudo.

    Um bom carinho, um bom sexo, boas fantasias e é muito importante os dois serem cúmplices.

    Vejo relações onde os gays maduros ou os jovens que gostam dos gays velhos ficam com o parceiro por uma questão unicamente emocional.

    Eu tenho 30 anos e já namorei muitos gays maduros de todas as classes sociais e até hoje o único que gostei de verdade em todos os sentidos era um amigo que tínhamos sexo e amizade, saíamos juntos, mas cada um com a sua vida separada.

    E éramos muito livres e independentes. Larguei ele para tentar um namoro junto com um coroa que gosto muito, mas a rotina e as cobranças e a falta dele de sexo e até mesmo o jeito que ele levou a relação me frustrou, porque eu notava que ele gostava mais de mim como filho, do que como parceiro, pois ele gostava tanto de mim que disse que não queria mais tanto sexo.

    E eu não sabia ficava feliz ou desesperado. Pois o tempo foi passando e até eu mesmo o via como um pai, não que eu precisasse disso.

    Mas até acabei não buscando mais ele para o sexo, porque ele sempre evitava a situação. E não tem nada pior que ficar com tesão pelo seu parceiro e ser sempre evitado nas investidas. Eu passei muitas noites desejando ele e ele ao lado na minha cama dormindo.

    Então notei que antes de você namorar com alguém note alguns pontos.

    Veja se o parceiro quer um parceiro ou não quer apenas alguém para suprir algo apenas emocional que não teve no passado

    O emocional é muito importante em uma relação, mas não pode suprimir os outros alicerces.

    Antes eu achava que com amor tudo dava certo. Errado!

    Se uma relação só tem amor é ótimo, desde que seja com seu pai, mãe, amigos e etc… Agora se o seu parceiro evitar outras variáveis muito importantes na relação com a desculpa do amor. A Relação já acabou.

    A traição vem muito da falta de uma das partes que não sabe equilibrar o emocional e o sexo para criar uma relação saudável. Por isso hoje busco conhecer e namorar, sem compromisso.

    Abraços,

  7. babaquice issssssssso……………………….viver é bom demais .

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