O amor homossexual

gays_idosos_coupleReporto-me ao primeiro post no blog dos Grisalhos publicado no dia 22 de janeiro 2009, sobre um artigo do teólogo canadense Gregory Baum intitulado O Amor Homossexual. Tem outro com o mesmo título publicado em 2012 – O amor homossexual. – leia este último.

No artigo de hoje escrevo sobre o amor no sentido próprio da palavra, o amor como sentimento que aproxima e compartilha.

Sabe-se que as relações homossexuais são efêmeras, sexo livre e relações abertas, mas existem sim, as relações de afeto e amor que perduram anos e até décadas – É o que chamamos de “caso”, relação estável ou casamento gay.

Esta semana faleceu Susana de Moraes, a companheira da Adriana Calcanhoto. Ao ler a declaração da Adriana fiquei emocionado: Foi-se o amor da minha vida.

Foram 29 anos de relação alicerçada com amor e acima de tudo reservada e sem escândalos. No universo gay as relações que envolvem sentimentos verdadeiros são semelhantes à relação delas.

Quando se ama você quer preservar os seus sentimentos e o relacionamento, porque no mundinho gay tá cheio de falsos amigos que não querem sua felicidade, pois são infelizes e solitários ou vivem as frustrações de amores partidos.

Eu conheço muitos casais que mantêm relação duradoura e com amor. A minha relação com o meu companheiro já vai para sete anos, e olha que antes dele eu vivi outra de vinte anos.

O amor homossexual é lindo! Você já parou para pensar nesse assunto? Já amou diferente? Como você ama?

O grande foco de preconceito, inclusive no meio gay, está no fato de que as pessoas não sabem definir o que seja, efetivamente, o amor ou formas de amar. Não há melhor amor, amor mais bonito ou amor mais certo. Apenas amor. O amor não faz distinção entre sexos, condição financeira, raça, idade ou religião.

Observe os amigos à sua volta, nas baladas, nos bares ou na praia. Quando o cara se apaixona ele some da cena, pois descobre outros valores mais importantes e não quer perder a oportunidade de viver um grande amor. Quem não gostaria de viver um grande amor?

Quando o amor se instala, você quer estar a todo o momento ao lado da pessoa amada e o legal nisso tudo é que ambos crescem como seres humanos, aceitando e aparando as arestas, porque o amor verdadeiro tem o poder de cicatrizar feridas.

O amor homossexual não condiciona morar sobre o mesmo teto, mas estar juntos e compartilhar momentos a maior parte do tempo.

Ninguém vive dez, vinte ou trinta anos com alguém se não existir sentimento pelo outro, pense nisso! Outro dia estava na feira fazendo compras e encontrei um conhecido que recentemente perdeu seu companheiro. Eles viveram juntos por vinte e quatro anos e o mais velho faleceu com oitenta e oito anos. Isso é uma vida!

O amor homossexual é uma palavra com uma longa evolução sexual e afetiva seguida desde o nosso nascimento. A força que nos impele para o nosso companheiro ultrapassa o nosso próprio egoísmo. É o começo de uma nova aventura vivida a dois.

Todos falam de amor. Trata-se, muitas vezes, de um amor entre aspas, pois é mais paixão sexual e egoísmo que amor verdadeiro.

É difícil definir o amor. Sente-se e intui-se, mais do que se compreende. Acredito que o amor homossexual é muito mais forte, intenso e estável, por tudo o que passamos, todos os conflitos internos, problemas familiares, preconceitos, e o resto que todos nós sabemos.

Todos tem histórias para contar sobre o amor e muitas delas remetem a sofrimento e desilusão, mas é um sentimento que não temos controle. Eu acredito que o verdadeiro amor, se acontecer na vida, acontece apenas uma vez.

Tenho relatos de correspondentes sobre casais que estão juntos há mais de cinquenta anos, é o que chamamos de alma gêmea. Existem amores que não se explicam!

Talvez por isso eu fique tão feliz toda vez que vejo um casal homossexual se formar e vivenciar seu amor, demonstrando que relacionamentos duradouros, repletos de alegrias e algumas brigas, é possível e idêntico entre eles, tanto quanto é entre parceiros de sexos diferentes.

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 30/01/2015, em Relacionamento e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. perdi meu companheiro depois de 31 anos de muito amor … ele faleceu há 10 meses … ainda estou sem “chão” pois nosso amor era muito forte um pelo outro … não sei que faço sem Ele … me ajudem Amigos … !!!

  2. Ola’ a todos, é da muito tempo que acompanho este blog, gosto muito de ler as história de outras pessoas.
    Estou em uma maravilhosa relação, conheço ele desde janeiro de 1994 e vivo com ele desde 1996, algumas brigas, tudo normal, hoje tenho 47 anos e ele 75, gosto muito dele e ele gosta de mim, uma relação quase perfeita, digo quase porque vivemos em Roma/Itália, e aqui não temos nenhuma lei por enquanto, na esperança que isso possa mudar, viver assim é um problema, nós gostamos muito do Brasil e todas os anos nós passamos nossas férias aqui, entre São Paulo, Rio e ver toda essa liberdade que tem aqui dá muita inveja, mas inveja boa, apesar de todos os problemas que tem aqui!
    Gostamos de ir ao Bailão e quando falamos com amigos da Itália de como os homossexuais se divertem aqui, quase eles não acreditam, na Itália, não é que não exista essa diversão, cinema, sauna ou boate, mas ver coisas como o bailão é maravilhoso!
    Na Itália é tudo o quase debaixo do pano, se não você tem que si escrever em umas associações tendo que dar documentos e pagar uma anualidade, um. Absurdo! Mesmo simplesmente entrar em uma sauna.
    Temos muitas esperanças no Mateo Renzi o novo Primeiro ministro, mas como a Itália é mandada pela igreja católica, apesar de ter um papa muito aberto, mas muitos políticos conservadores que no particular fazem um monte de porcarias.

    Ok, essa é minha testemunha e de como gostaria de viver em um país como o Brasil!

  3. Regis você tem facebook ou algum
    e-mail para contato pessoal ?

  4. Verdade! ótimo texto, estou a procura dessa pessoa….espero um dia encontrar.

  5. Parabéns Sr. Régis, por tudo o que vem realizando através dos seus textos. Sempre o acompanho através da leitura do seu blog, e é a primeira vez que lhe dirijo algumas palavras.
    Cada um tem a sua própria história de vida, mas muita coisa em comum. O que vivemos e o que experienciamos poderão quem sabe ajudar ou inspirar pessoas com situações semelhantes.
    Tive dois casamentos heteros que duraram cerca de 25 anos. Gostava de fazer sexo com mulher – muito mais como fuga de mim mesmo e por conta da sociedade. Nasci canhoto, e aprendi a usar a mão direita. Mas fui amadurecendo e me cansei de ser o que nunca fui. Desde que me entendo por gente, me sentia atraído por homens, mas somente homens mais velhos. Sexo não faltava na minha vida, mas no fundo não era feliz. Apenas sobrevivia.
    Assumi pra mim mesmo minha situação sexual aos 45 anos, tive algumas experiências homo ainda casado. Sexo é bom mas passa, e eu buscava amar e ser amado. Quando finalmente encontrei o verdadeiro amor da minha vida, me separei e hoje posso dizer que sou realmente feliz.
    Tenho 55 anos e, ele, 70. São 5 anos de relacionamento, mas é como se fossem 50. Se existirem almas gêmeas, é esse o nosso caso. Somos cada dia mais apaixonados um pelo outro e o nosso amor vai além deste mundo transitório… Novamente, parabéns pelo seu blog que muito ajuda nossa classe minoritária. De vez em quando, lhe escrevo novamente. Desejo que também continue sendo muito feliz no seu casamento. Um abração deste seu amigo.

    • Olá Sérgio
      Obrigado pelos comentários. Este é o objetivo do blog, compartilhar experiências que possam ajudar outras pessoas em situações semelhantes.
      Quanto à sua situação atual, ela demonstra que o amor homossexual é possível.
      Portanto, que seja eterno enquanto dure.
      Seja Feliz,
      abraço, Regis

  6. o texto monstra, que uma relação gay não e apenas sexual.que pode existir ,um amor verdadeiro, porem a maioria dos gays não acredita nesse amor e se comporta como se fosse uma maquina de sexo, por isso muitos pegam varias DSTs inclusive o vírus HIV, devido vários parceiros.
    Também sou gay e vivi um relacionamento com o meu ex companheiro durante 10 anos.

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