Arquivo mensal: janeiro 2015

O amor homossexual

gays_idosos_coupleReporto-me ao primeiro post no blog dos Grisalhos publicado no dia 22 de janeiro 2009, sobre um artigo do teólogo canadense Gregory Baum intitulado O Amor Homossexual. Tem outro com o mesmo título publicado em 2012 – O amor homossexual. – leia este último.

No artigo de hoje escrevo sobre o amor no sentido próprio da palavra, o amor como sentimento que aproxima e compartilha.

Sabe-se que as relações homossexuais são efêmeras, sexo livre e relações abertas, mas existem sim, as relações de afeto e amor que perduram anos e até décadas – É o que chamamos de “caso”, relação estável ou casamento gay.

Esta semana faleceu Susana de Moraes, a companheira da Adriana Calcanhoto. Ao ler a declaração da Adriana fiquei emocionado: Foi-se o amor da minha vida.

Foram 29 anos de relação alicerçada com amor e acima de tudo reservada e sem escândalos. No universo gay as relações que envolvem sentimentos verdadeiros são semelhantes à relação delas.

Quando se ama você quer preservar os seus sentimentos e o relacionamento, porque no mundinho gay tá cheio de falsos amigos que não querem sua felicidade, pois são infelizes e solitários ou vivem as frustrações de amores partidos.

Eu conheço muitos casais que mantêm relação duradoura e com amor. A minha relação com o meu companheiro já vai para sete anos, e olha que antes dele eu vivi outra de vinte anos.

O amor homossexual é lindo! Você já parou para pensar nesse assunto? Já amou diferente? Como você ama?

O grande foco de preconceito, inclusive no meio gay, está no fato de que as pessoas não sabem definir o que seja, efetivamente, o amor ou formas de amar. Não há melhor amor, amor mais bonito ou amor mais certo. Apenas amor. O amor não faz distinção entre sexos, condição financeira, raça, idade ou religião.

Observe os amigos à sua volta, nas baladas, nos bares ou na praia. Quando o cara se apaixona ele some da cena, pois descobre outros valores mais importantes e não quer perder a oportunidade de viver um grande amor. Quem não gostaria de viver um grande amor?

Quando o amor se instala, você quer estar a todo o momento ao lado da pessoa amada e o legal nisso tudo é que ambos crescem como seres humanos, aceitando e aparando as arestas, porque o amor verdadeiro tem o poder de cicatrizar feridas.

O amor homossexual não condiciona morar sobre o mesmo teto, mas estar juntos e compartilhar momentos a maior parte do tempo.

Ninguém vive dez, vinte ou trinta anos com alguém se não existir sentimento pelo outro, pense nisso! Outro dia estava na feira fazendo compras e encontrei um conhecido que recentemente perdeu seu companheiro. Eles viveram juntos por vinte e quatro anos e o mais velho faleceu com oitenta e oito anos. Isso é uma vida!

O amor homossexual é uma palavra com uma longa evolução sexual e afetiva seguida desde o nosso nascimento. A força que nos impele para o nosso companheiro ultrapassa o nosso próprio egoísmo. É o começo de uma nova aventura vivida a dois.

Todos falam de amor. Trata-se, muitas vezes, de um amor entre aspas, pois é mais paixão sexual e egoísmo que amor verdadeiro.

É difícil definir o amor. Sente-se e intui-se, mais do que se compreende. Acredito que o amor homossexual é muito mais forte, intenso e estável, por tudo o que passamos, todos os conflitos internos, problemas familiares, preconceitos, e o resto que todos nós sabemos.

Todos tem histórias para contar sobre o amor e muitas delas remetem a sofrimento e desilusão, mas é um sentimento que não temos controle. Eu acredito que o verdadeiro amor, se acontecer na vida, acontece apenas uma vez.

Tenho relatos de correspondentes sobre casais que estão juntos há mais de cinquenta anos, é o que chamamos de alma gêmea. Existem amores que não se explicam!

Talvez por isso eu fique tão feliz toda vez que vejo um casal homossexual se formar e vivenciar seu amor, demonstrando que relacionamentos duradouros, repletos de alegrias e algumas brigas, é possível e idêntico entre eles, tanto quanto é entre parceiros de sexos diferentes.

O blog dos grisalhos completou seis anos

sendak_headshotPutz! Seis anos e aqui estou escrevendo para os leitores dos Grisalhos.

Antes de escrever este post eu pesquisei e descobri que os blogs não tem vida longa, aliás, a maioria nasce e morre no primeiro ano.

Anualmente faço um resumo do que rolou no ano anterior e o último mostrou que os leitores ainda estão interessados nos assuntos aqui publicados. Veja ai do lado que já são quase 2,3 milhões de leituras e o alcance vai além das nossas fronteiras e Portugal perdeu para os Estados Unidos, o segundo lugar em número de leituras em 2014.

Durante o último ano, as críticas nos comentários aumentaram por conta de artigos, como direi: sombrios, tristes e realistas. Mas isso foi reflexo não apenas da realidade vivida por gays idosos, mas do meu próprio estado de espírito.

Ser gay no Brasil é muito difícil, mas conseguimos grandes conquistas, poucas apoiadas por nossos governantes através de leis e a maioria delas por conta da nossa coragem de ir à luta e quebrar paradigmas.

Tá bom, este ano eu prometo ser mais seletivo e trazer assuntos mais positivos, alegres e sem perder o foco nos temas sobre a realidade vivida por gays maduros e idosos.

Repito o que eu escrevi em 2013: As minhas experiências de vida e as experiências de outros gays que me escrevem diariamente contribuem para um conteúdo rico em informações sobre a nossa sexualidade, uma realidade muitas vezes triste, mas sempre com esperança por dias melhores.

Esses e outros incontáveis fatos dos últimos seis anos me motivam a pesquisar, conversar com pessoas, ouvir histórias e mesmo com erros e acertos trazer ao leitor a minha visão simples sobre a realidade dos gays.

Nota: O grisalho da foto não sou eu, é o Maurice Sendak que foi um ilustrador e autor de literatura infantil americano falecido em 2012. Eu, particularmente, adoro esta imagem e sempre a utilizo para ilustrar alguns posts.

Enjoy it!

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