Os gays idosos e a AIDS

idosos 300_180(1)(1)Para alguém que, como eu, viveu os primeiros anos da AIDS no Brasil, é sempre bom lembrar da sociedade homossexual daquela época e como milhares de gays foram dizimados.

O interessante é que o número de idosos contaminados era baixo, não porque não tinham vida sexual ativa, mas porque o susto de uma doença desconhecida afastou os mais velhos dos locais de convívio homossexual e também porque os mais esclarecidos optaram por fugir dos locais de pegação – Quanto aos promíscuos, bem, morreram todos.

Nos últimos 15 anos, eu acompanho estatísticas sobre a evolução da doença entre os gays e sempre me deparo com números assustadores. Os mais afetados são os jovens e os idosos. Os primeiros porque são de uma geração que nasceu num período em que a doença já tinha tratamento e os idosos porque parece que se esqueceram das tragédias dos primeiros anos.

O HIV e a AIDS ocorrem em proporções maiores entre gays idosos do que se imagina comumente. A AIDS costuma provocar perda de amigos e namorados, tornando o espectro da própria morte ainda mais presente.

O efeito provocado pelo HIV em suas vidas, mesmo que eles não estejam infectados pelo vírus, faz com que muitos procurem ajuda e terapia, ávidos por aliviar a sensação de perda e estabelecer, às vezes pela primeira vez na vida, um relacionamento de compromisso.

Hoje é o dia mundial de luta contra a Aids e quando me lembro do início de tudo, parece que tudo mudou, mas infelizmente, a doença ainda existe e o melhor remédio ainda é a prevenção

Para os gays maduros e idosos deixo aqui uma frase do psicanalista Robert Stoller:

A arte de envelhecer criativamente consiste na capacidade de se adequar à negação

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 01/12/2014, em Campanha, Saúde e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Não têm como ir na chuva e não se molhar, fazer sexo sem amor é de alto risco, e cada vez mais as pessoas têm medo de envolver, não querem assumir uma relação estável com outro parceiro, e preferem se arriscar, do que assumirem uma relação com alguém de sua confiança, e aí fica difícil de ser feliz, e caímos naquela cilada, qdo, se demos por conta, tamos aí infectados e correndo atrás do prejuízo, isso se não deixarmos pra lá, pois a vida não mais vale a pena, e aí acabam sucumbindo, entrando numa paranoia.

  2. A epidemia veio num momento em que começávamos a considerar que homossexualismo não era uma “aberração do comportamento sexual”. Quem, como eu, enfrentávamos considera que nossa atração por homens era parte do que éramos, ela foi mesmo devastadora. Eu mesmo por alguns anos me abstive de relações sexuais com homens, afinal casado não iria expor minha mulher e outras pessoas.

    Com o tempo vimos que o uso do preservativo era efetivo. Um estudo no final dos anos 80 mostrou que se todo mundo usa-se camisinha, a doença desapareceria em vinte anos. À época ainda não havia remédios eficazes. O desenvolvimento das terapias levou a que a doença deixasse de ser mortal e virasse cronica. Hoje as pessoas HIV positivas podem viver sem maiores riscos de transmitir a doença. Mas surgiu a ilusão de que se pode ter a doença sem problemas. O fato da transmissão ser rara para pessoas tratadas não significa em absoluto que as pessoas não estejam doente. E sofrem, muito, com a doença.

    A transmissão tem maior probabilidade com doentes não tratados. Mas é arriscado mesmo com os em tratamento.

    O medo, no entanto, persiste. Há uma discussão, por exemplo, do risco de contrair o vírus pelo sexo oral. Os estudos mostram que a probabilidade é baixa. E que não se tem certeza nem mesmo que ela ocorra. Então as pessoas arriscam. Por que? Bem, se o uso da camisinha no sexo anal pode ser meio incomoda, no sexo oral é muito mais chato. O prazer para quem recebe é alto, mas para quem faz a felação, a única satisfação é o parceiro ter prazer. O sexo oral é altamente estimulante para os dois. Mesmo as mulheres, em sua maioria, se sente altamente excitada ao praticar a felação.

    Bem, quem não quiser correr nenhum risco, não pratique…

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